A Associação Transformar, contratada pelo Governo do Acre para executar a Expoacre Juruá 2026 por R$ 16.648.310, mantém sua sede em um imóvel de aparência residencial, sem identificação externa visível e com estrutura incompatível, à primeira vista, com a administração de um dos maiores eventos públicos do estado.
A fachada registrada no endereço oficial da entidade mostra uma casa cercada por muros e grades, com portões metálicos, garagem, árvore sobre a calçada e sinais de desgaste no revestimento. Não há placa, letreiro, recepção ou qualquer elemento aparente que identifique o local como sede de uma organização responsável por movimentar mais de R$ 16 milhões em recursos públicos.
O cenário reforça o caráter enxuto declarado pela própria associação. No Plano de Trabalho entregue à Casa Civil, a entidade informa possuir apenas duas salas, um banheiro, dois computadores, um telefone celular e três integrantes permanentes: presidente, secretária e tesoureiro.
Mesmo com essa estrutura mínima, a Associação Transformar assumiu a execução integral da Expoacre Juruá. Entre as atribuições estão a contratação de artistas nacionais e regionais, montagem de palco, sonorização, iluminação, segurança privada, publicidade, alimentação, transporte, hospedagem, logística e outros serviços necessários para receber dezenas de milhares de pessoas.
A entidade foi a única participante do chamamento público aberto pelo governo. Criada em julho de 2020 e presidida por Carlos Henrique Oliveira do Nascimento, a associação não apresenta, nos cadastros públicos consultados, histórico detalhado de grandes projetos executados ou de parcerias anteriores com valores próximos ao contrato da Expoacre Juruá.
A distância entre o tamanho da operação e a estrutura declarada chama atenção. Enquanto o contrato envolve dezenas de fornecedores, serviços de grande porte e milhões de reais, a sede oficial funciona em um ambiente com características domésticas e sem aparência de núcleo administrativo preparado para controlar uma operação dessa dimensão.
O Plano de Trabalho prevê que a maior parte da execução seja repassada a empresas terceirizadas. Na prática, a associação funciona como responsável pela gestão dos recursos e pela contratação dos serviços, apesar de contar com equipe permanente de apenas três pessoas e estrutura física reduzida.
Até agora, a Casa Civil não tornou públicos os critérios técnicos usados para considerar a Associação Transformar apta a executar o evento. Também não foram apresentados documentos que comprovem experiência anterior da entidade na administração de projetos com porte, complexidade e volume financeiro semelhantes.
Dos R$ 16.648.310 previstos no Termo de Colaboração, R$ 15.848.310 já aparecem como repassados à associação. A diferença de R$ 800 mil entre o valor global e o montante identificado nos pagamentos ainda não foi esclarecida oficialmente.
A Prefeitura de Rio Branco ampliou, nesta segunda-feira, 20, a oferta de consultas especializadas em urologia na rede municipal de saúde. A medida, executada pela Secretaria Municipal de Saúde, tem como objetivo atender pacientes regulados pelo Sistema Único de Saúde e reduzir a fila de espera na especialidade, que reúne cerca de 3,5 mil pessoas.
O atendimento ocorre de forma gradual, conforme critérios técnicos e assistenciais definidos pelo setor de regulação. A organização da demanda busca dar prioridade aos casos já encaminhados pela rede, ordenar os chamados e evitar que pacientes com necessidade de acompanhamento especializado permaneçam por mais tempo sem consulta.
A força-tarefa deve atender, em média, de 20 a 24 pacientes por semana. O diretor de Regulação, Controle e Avaliação, Emerson Bezerra, afirmou que a ampliação do serviço melhora o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento de doenças urológicas. “A iniciativa fortalece o atendimento especializado, amplia o acesso ao diagnóstico e ao tratamento e garante mais qualidade de vida aos usuários do Sistema Único de Saúde”, disse.
O serviço atende homens e mulheres com diferentes problemas urológicos, principalmente casos de cálculos renais e urinários. Também são acompanhados pacientes com doenças da próstata e alterações urinárias, além de outras condições que exigem avaliação médica especializada.
O médico urologista Cláudio Freire explicou que os casos ambulatoriais são avaliados e conduzidos na própria rede, enquanto pacientes com indicação cirúrgica ou necessidade de atendimento de maior complexidade são encaminhados para continuidade do tratamento. “Realizamos as consultas e avaliações necessárias, resolvendo os casos ambulatoriais e encaminhando para cirurgia quando necessário”, afirmou.
Entre os pacientes atendidos está o aposentado Denis Morais, de 67 anos, que aguardava havia cerca de três anos e meio pela consulta. Ele contou que recebeu uma ligação da equipe de saúde para confirmar se ainda tinha interesse no atendimento. “Confirmei que sim e hoje estou aqui. Já faço tratamento da próstata há três anos e meio e vou continuar o acompanhamento com o médico. É importante cuidar da saúde e manter esse acompanhamento”, relatou.
A ampliação das consultas em urologia integra as ações da gestão municipal para reorganizar a demanda por atendimentos especializados. Com a força-tarefa, a rede busca diminuir o tempo de espera, melhorar o fluxo de encaminhamentos e garantir acompanhamento a pacientes que precisam de diagnóstico e tratamento na área.
O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) concedeu medida cautelar determinando a suspensão imediata de quaisquer pagamentos relacionados ao Contrato nº 016/2026, celebrado entre a Secretaria de Estado de Agricultura (SEAGRI) e a empresa Hydros Consultoria e Desenvolvimento Ltda., no valor de R$ 5.445.000,00. A decisão foi proferida pela conselheira-relatora Naluh Gouveia e será submetida à apreciação do Plenário da Corte na primeira sessão subsequente.
A inspeção realizada pelo Tribunal teve como objetivo verificar a regularidade da participação da SEAGRI no Pregão Eletrônico nº 570/2025, conduzido pela Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (SEICT), bem como da execução do contrato destinado ao fornecimento do Sistema de Compras Governamentais do Acre e de serviços especializados de tecnologia da informação.
Durante a análise técnica, o TCE-AC identificou indícios de irregularidades no planejamento da contratação. Entre os principais achados estão a ausência de estudos técnicos capazes de justificar a adesão da SEAGRI ao certame, a falta de definição clara do escopo dos serviços contratados, o uso inadequado da métrica de Unidade de Serviço Técnico (UST) e possíveis reflexos de irregularidades já apontadas no processo que apura o pregão conduzido pela SEICT.
Segundo a decisão, a área técnica constatou que a SEAGRI havia iniciado um processo próprio para aquisição de uma solução tecnológica específica para o Sistema Agropecuário do Estado do Acre (SIAGRO), estimada em aproximadamente R$ 12 milhões. Entretanto, esse planejamento foi abandonado em favor da adesão ao pregão da SEICT, sem que houvesse demonstração técnica suficiente para justificar a mudança ou comprovar a compatibilidade entre a solução inicialmente prevista e a contratação efetivada.
A relatora também destacou que as irregularidades identificadas no processo referente à SEICT — incluindo indícios de conluio entre empresas participantes da licitação e possível simulação de competitividade — podem comprometer a legitimidade dos contratos decorrentes do certame, entre eles o firmado pela SEAGRI.
Na fundamentação da cautelar, a conselheira Naluh Gouveia ressalta que estão presentes os requisitos legais da plausibilidade jurídica e do perigo da demora, diante da existência de fortes indícios de falhas de planejamento, indefinição do objeto contratado, possível contaminação por vícios do processo licitatório de origem e do risco concreto de realização de pagamentos sem a devida comprovação da regularidade da despesa.
Além da suspensão imediata dos pagamentos, a decisão determina a comunicação do caso à Assembleia Legislativa do Estado do Acre para que avalie a eventual sustação do contrato; a expedição de mandado de audiência aos responsáveis para apresentação de defesa no prazo de 15 dias; a ciência ao Ministério Público do Estado do Acre (MPAC); o envio dos autos ao Ministério Público de Contas; e a posterior apreciação da medida cautelar pelo Plenário do Tribunal.
Entre os responsáveis que deverão apresentar justificativas estão o ex-secretário de Estado de Agricultura, José Luis Schafer, o então diretor de Pesquisa, Tecnologia e Inovação do Agronegócio, Thiago de Almeida Alencar, e a atual secretária de Estado de Agricultura, Temyllis Lima da Silva, em razão das irregularidades apontadas nos relatórios técnicos produzidos pela equipe de fiscalização do Tribunal.
A governadora Mailza Cameli bloqueou o acesso do Grupo Integração ao perfil oficial dela no Instagram depois de uma sequência de críticas ao governo, à condução política do Palácio Rio Branco e ao papel de Madson Castro Cameli, marido da governadora, dentro da estrutura administrativa do Estado. Enquanto a conta @mailza.acre permanece aberta para outros usuários, com cerca de 57 mil seguidores, mais de 7,3 mil perfis seguidos e 5.256 publicações, o veículo passou a ver a página como privada e inacessível. O gesto pode parecer pequeno para quem trata rede social como assunto menor, mas no caso de uma governadora ele ganha outro peso: autoridade pública não escolhe quem pode fiscalizar, perguntar ou criticar.
O bloqueio veio depois de o Integração aumentar o tom sobre temas que incomodam diretamente o governo. O grupo cobrou explicações sobre a viagem de Mailza a Londres, criticou a falta de resultados concretos da agenda internacional, questionou quem manda de fato no Palácio Rio Branco e tratou como mau exemplo político a chegada da governadora de motocicleta sem capacete a um evento de pré-campanha. Em qualquer governo com musculatura política, esse tipo de cobrança seria respondido com informação, entrevista, nota pública ou prestação de contas. Mailza escolheu o atalho mais frágil: fechar a porta.
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A reação pesa ainda mais porque a cobertura mais incômoda envolve Madson Castro Cameli, nomeado chefe do Gabinete Pessoal no Palácio Rio Branco e que também bloqueou nosso Instagram. Ele não é apenas marido da governadora. Ocupa uma função dentro do núcleo de poder e, por isso, seus atos, sua influência e sua presença no governo deixaram de pertencer à esfera privada. O caso criminal envolvendo a ex-mulher dele, Melissa Sampaio, já teve manifestação do Ministério Público do Acre, atendimento do Centro de Atendimento à Vítima e medida protetiva deferida. O Integração voltou ao tema ao publicar a cobrança de Melissa pela lentidão da Justiça e, depois, uma entrevista em que ela relatou medo, agressões e revitimização. A defesa de Madson nega as acusações.
Esse é o ponto que torna o bloqueio politicamente grave. Não se trata de uma divergência banal entre uma autoridade e um perfil de Instagram. O governo foi confrontado por reportagens sobre poder, influência familiar, uso da máquina pública, prestação de contas e violência doméstica. Em vez de enfrentar o conteúdo, Mailza isolou o emissor. A atitude não responde a nenhuma pergunta. Apenas mostra que a crítica atingiu um ponto sensível.
Maturidade política não aparece nos discursos em eventos oficiais nem nas postagens bem editadas das redes sociais. Aparece quando o governo é cobrado. Aparece quando a imprensa pergunta o que o Palácio não quer responder. Aparece quando uma autoridade aceita que o cargo público exige tolerância ao contraditório. Ao bloquear o Integração, Mailza fez o contrário. Tratou a crítica como incômodo pessoal, não como parte do jogo democrático.
Os jornalistas Rogério Wenceslau e Chico Melo, do Grupo Integração, receberam manifestações de solidariedade nesta sexta-feira, 17, em Rio Branco, depois de relatarem, durante o programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração, supostas ameaças de prisão atribuídas a integrantes do alto escalão do Governo do Acre. O caso levou entidades da categoria a cobrarem apuração e ampliou a repercussão política sobre uma possível tentativa de intimidação contra profissionais da imprensa.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Acre e a Federação Nacional dos Jornalistas repudiaram o episódio e defenderam a responsabilização de eventuais envolvidos, caso as denúncias sejam confirmadas. As entidades afirmaram que jornalistas não podem ser intimidados, coagidos ou ameaçados em razão do trabalho que exercem e que o uso de qualquer estrutura pública para constranger profissionais da comunicação afronta a liberdade de imprensa e o direito da sociedade à informação.
A nota também trata como grave a denúncia de que alguém teria afirmado ser “dono da Polícia Civil” ou possuir poder para determinar a prisão de jornalistas. A Polícia Civil do Acre é comandada pelo delegado-geral Pedro Paulo Silva Buzolin, dentro da estrutura do Governo do Estado, hoje sob gestão da governadora Mailza Assis Cameli. A manifestação das entidades não cita nominalmente os supostos autores das ameaças.
A repercussão alcançou nomes da política acreana. O senador Alan Rick, do Republicanos, enviou mensagem de apoio a Chico Melo e Rogério Wenceslau e classificou o episódio como uma “tentativa nefasta, ilegal e covarde de intimidação”.
O deputado estadual Edvaldo Magalhães, do PCdoB, também se manifestou em defesa dos jornalistas. “Você tem minha solidariedade e minha defesa institucional. Não se calem. Força. Sigamos!”, publicou. Edvaldo está no quinto mandato na Assembleia Legislativa do Acre e tem atuação ligada ao movimento sindical dos trabalhadores em educação.
Outra manifestação veio do prefeito de Feijó, Railson Ferreira da Silva, o Delegado Railson, do Republicanos. Ele afirmou que a Polícia Civil “não tem dono” e que a instituição é “forte” e não pode ser tratada como “braço investigativo de um grupo”. Railson é delegado e exerce o mandato de prefeito no quadriênio 2025-2028.
O caso reacendeu a discussão sobre garantias ao exercício do jornalismo no Acre, especialmente em situações que envolvem denúncias contra agentes públicos ou grupos políticos. Rogério Wenceslau e Chico Melo relataram que as supostas ameaças estariam ligadas à atuação profissional dos dois no Grupo Integração.
O Sinjac e a FENAJ cobraram apuração pelas autoridades competentes e defenderam a integridade física e moral dos profissionais de comunicação. As entidades afirmaram que permanecerão vigilantes na defesa da liberdade de imprensa e do pleno exercício do jornalismo no Acre.
O pastor Reginaldo Ferreira da Silva não aparece atualmente como presidente do Instituto Vida Plena, mas seu nome atravessa a ponte mais curta entre uma das entidades escolhidas para executar a Expoacre Rio Branco 2026 e a governadora Mailza Assis Cameli. Ex-assessor da então senadora, antigo dirigente da Associação dos Ministros do Evangelho do Acre e atual secretário adjunto de Governo, Reginaldo integra o círculo político, administrativo e religioso que se formou ao redor do instituto destinado a receber até R$ 9,987 milhões para cuidar dos shows, do entretenimento e das atividades tradicionais da maior feira do estado. Mas suas história carrega laços fortes e estreitos entre Mailza e o Instituto Vida Plena.
A contratação direta foi publicada em 16 de julho, depois de a Casa Civil declarar deserto um chamamento público para a realização integral do evento, marcado para ocorrer de 1º a 9 de agosto, no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco.
A decisão repartiu a Expoacre entre três organizações da sociedade civil. O Instituto Novo Amanhã ficou com o eixo de infraestrutura, logística e operação da arena, estimado em R$ 8,106 milhões. O Instituto Vida Plena recebeu o eixo artístico, de entretenimento e das atividades tradicionais, por R$ 9,987 milhões. O Instituto Bem-Estar assumiu segurança, apoio logístico e comunicação social, por R$ 3,907 milhões. Juntas, as dispensas alcançam exatamente R$ 22 milhões, valor superior aos R$ 20 milhões previstos no chamamento original para uma única entidade executar toda a feira.
A mudança aconteceu em um intervalo apertado. O edital foi publicado em 16 de junho e abriu prazo para entrega de propostas até 13 de julho. Três dias depois, a comissão declarou que “não houve o recebimento de qualquer proposta no prazo estabelecido”. Na mesma edição do Diário Oficial, a Casa Civil apresentou as três dispensas, apoiada na proximidade da Expoacre e na necessidade de evitar riscos à realização do evento. A feira começaria apenas 16 dias depois daquela publicação.
Esse ponto chegou ao Tribunal de Contas do Estado do Acre pelas mãos da Associação Rede Ativa. Presidida por Adeneuton Pinheiro Martins, a entidade sustenta ter entregue sua documentação no gabinete do secretário da Casa Civil em 26 de junho, dentro do prazo, com comprovante de recebimento. O plano de trabalho submetido pela associação propunha executar a Expoacre inteira por R$ 19.360.765, abaixo do teto previsto no edital, reunindo shows nacionais e locais, rodeio, cavalgada, estruturas temporárias, segurança, comunicação, logística e operação dos espaços.
Em 17 de julho, a Rede Ativa encaminhou à Ouvidoria do TCE uma denúncia acompanhada de 19 anexos, entre eles a representação com pedido de medida cautelar, o plano de trabalho, certidões, estatuto, ata, documentos da diretoria e declarações de capacidade técnica. A entidade pediu a suspensão da declaração de certame deserto e das três dispensas ou, de forma alternativa, o bloqueio de assinaturas e pagamentos até a fiscalização do processo.
A existência da representação não transforma a denúncia em irregularidade comprovada. O TCE ainda precisa confrontar o comprovante apresentado pela associação com os registros do protocolo geral, a movimentação interna da Casa Civil, a ata da comissão e os documentos usados para declarar que nenhuma proposta havia chegado. A resposta definirá se houve falha administrativa no caminho percorrido pelos envelopes ou se a entrega ocorreu fora do local e das condições exigidas pelo edital. Até essa verificação, a acusação pertence à entidade que se considera retirada da disputa, não a uma decisão do órgão de controle.
Instituto Vida Plena
Enquanto essa discussão corre contra o calendário da feira, o cruzamento de cadastros, atos oficiais, pagamentos públicos, registros do Senado e agendas políticas feito pelo Grupo Integração colocou o Instituto Vida Plena no centro da relação com o entorno de Mailza. O CNPJ, aberto em 2003, tem Roniere Ferreira Xavier como presidente cadastral desde janeiro de 2024. Entre 2024 e 16 de julho de 2026, o governo estadual registrou R$ 7.713.527,22 empenhados e liquidados e R$ 7.043.036,30 pagos à entidade. Os projetos passaram por educação, assistência social, esporte, qualificação, internet comunitária, educação ambiental e festivais culturais.
O salto previsto para a Expoacre é expressivo. Sozinho, o eixo de R$ 9,987 milhões supera todo o valor pago pelo estado ao instituto no período pesquisado. A diferença de escala importa porque contratar artistas nacionais, operar shows para milhares de pessoas, organizar rodeio, cavalgada e atividades tradicionais exige estrutura financeira, equipe especializada, contratos, pesquisa de preços, logística e capacidade de enfrentar imprevistos em poucos dias.
A identidade pública do Vida Plena também passa pela fé cristã. O instituto promoveu o Gospel Day e o Holy Fire, encontro realizado em janeiro de 2026 diante do Palácio Rio Branco, reunindo músicos e participantes de diferentes igrejas.
Roniere já havia assinado uma parceria diretamente ligada à estrutura comandada por Mailza. Em outubro de 2024, quando ela acumulava a Vice-Governadoria com a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, o presidente do Vida Plena firmou termo de fomento de R$ 20 mil para o projeto Lenços do Amor. O valor é pequeno diante dos quase R$ 10 milhões reservados agora, mas registra uma relação administrativa anterior entre a gestão de Mailza e o instituto.
O elo mais sensível passa por Reginaldo Ferreira da Silva. O Portal da Transparência do Senado registrou o pastor como assistente parlamentar AP-11 no escritório de Mailza em 2019 e 2020. Os atos de pessoal colocam sua nomeação em junho de 2019 e sua exoneração em agosto de 2021. Uma prestação da cota parlamentar inclui Reginaldo entre os passageiros de um voo fretado com a então senadora. No mesmo período, ele foi identificado publicamente como diretor executivo da Ameacre.
Em 22 de abril de 2026, vinte dias depois de assumir definitivamente o governo do Acre, Mailza nomeou Reginaldo para o cargo de secretário adjunto da Secretaria de Estado de Governo. Ele deixou o gabinete parlamentar de Brasília e reapareceu no núcleo político do Palácio Rio Branco. Sua presença no governo atual não é lateral: a Segov atua na articulação institucional e política da administração estadual.
Reginaldo não consta como presidente formal do Vida Plena. Essa função pertence a Roniere. Mas, em entrevista ao jornalista Evandro Cordeiro, Reginaldo é apresentado como líder e porta-voz da entidade. “Hoje eu tenho o prazer de, eventualmente, esporadicamente, quando solicitado, prestar alguma consultoria, alguma orientação à vice-governadora Mailza, uma pessoa extraordinária. Uma pessoa que, inclusive, me inspirou muito nessa questão filantrópica”, disse à época. Sobre o Instituto, Reginaldo deixa claro sua relação: “Eu sou uma pessoa que coopera, que contribui, que dispõe da minha experiência e da minha sensibilidade social para servir à comunidade através do Instituto Vida Plena”.
O caminho, portanto, é documentado em etapas: Reginaldo trabalhou no gabinete de Mailza no Senado, ocupou cargo de direção na Ameacre, voltou ao governo pelas mãos da atual governadora e aparece publicamente associado à liderança do Instituto Vida Plena. A Ameacre, por sua vez, já participou da definição da programação religiosa da Expoacre. Agora, o Vida Plena foi escolhido sem disputa para administrar o eixo artístico e tradicional da edição de 2026.
Reginaldo Ferreira e ação da Igreja Ministério Internacional Vida Plena
Essa sequência comprova convivência política, administrativa e religiosa. Não comprova que Mailza tenha escolhido pessoalmente o instituto, que Reginaldo tenha interferido na dispensa ou que qualquer recurso tenha sido desviado. Outra semelhança é no endereço do Instituto Vida Plena, que é o mesmo da Igreja Ministério Internacional Vida Plena, da qual Reginaldo Ferreira da Silva é o Presidente.
Instituto Bem-Estar
No Instituto Bem-Estar, a conexão é mais partidária do que religiosa. A entidade, antes chamada Instituto Calegário, tem Kariny Lins Malveira como presidente cadastral e recebeu R$ 8.525.947,84 do governo estadual entre 2020 e 2025. Sua trajetória guarda forte proximidade com o deputado estadual Fagner Calegário, responsável por iniciativas legislativas e emendas ligadas aos projetos da organização. Para a Expoacre, o instituto recebeu a previsão de R$ 3,907 milhões para segurança, comunicação e apoio logístico.
Pastor Reginaldo com Bruno Moraes, vereador e parceiro político do deputado estadual Calegário
Uma diretoria registrada para o mandato de 2021 a 2024 incluía Bruno Moraes Cardoso como tesoureiro e Aldeneide Batista de Lima no conselho fiscal. Bruno foi eleito vereador de Rio Branco pelo Progressistas, partido de Mailza, e participou de agendas partidárias com a governadora. Aldeneide foi nomeada por Mailza, em julho de 2026, para comandar o Instituto de Meio Ambiente do Acre. A presença deles na antiga composição retrata uma rede política em torno da trajetória da entidade, mas não prova participação na dispensa da Expoacre. E é importante reforçar que o grupo do deputado Calegário está de corpo e alma também no projeto de reeleição de Mailza para o governo.
Instituto Novo Amanhã
O Instituto Novo Amanhã oferece um quadro diferente. Nenhuma ligação nominal entre Mailza, sua rede religiosa e a atual presidente Deania Marques da Silva Xavier foi comprovada. A antiga dirigente localizada nos cadastros também não aparece na equipe parlamentar, no governo ou nas agendas religiosas ligadas à governadora. O ponto de atenção está na mudança recente de comando e no tamanho do contrato. Deania entrou no cadastro em 20 de abril de 2026. O primeiro empenho estadual localizado veio em 9 de junho, cerca de 50 dias depois. Até 16 de julho, o instituto havia recebido R$ 2,225 milhões do estado. Agora, poderá administrar R$ 8,106 milhões apenas no eixo de infraestrutura, 3,64 vezes todo o montante já pago ao CNPJ no período pesquisado.
Os três institutos já acumulavam R$ 17.793.984,14 em pagamentos estaduais antes das dispensas da Expoacre. O Bem-Estar responde pela maior parcela, com R$ 8,525 milhões; o Vida Plena recebeu R$ 7,043 milhões; e o Novo Amanhã, R$ 2,225 milhões. Os R$ 22 milhões publicados para a feira são estimativas das novas parcerias, não pagamentos confirmados.
A Expoacre movimenta produtores, trabalhadores, comerciantes, artistas, criadores de animais e famílias que atravessam Rio Branco para entrar no Parque Wildy Viana. Em 2026, porém, a festa chega cercada por uma questão que ultrapassa os portões da feira. O governo de Mailza precisa demonstrar que a urgência não substituiu a competição, que as relações políticas não conduziram as escolhas e que os R$ 22 milhões chegarão aos serviços anunciados por preços compatíveis.
O pastor Reginaldo Ferreira não encerra essa história. Ele personifica a pergunta que atravessa o caso: até onde termina a convivência legítima entre governo, partido, igrejas e organizações sociais, e onde começa a obrigação de erguer barreiras claras entre proximidade política e decisão administrativa? A resposta não virá de sobrenomes, fotografias ou agendas religiosas. Virá dos protocolos da Casa Civil, dos planos de trabalho, das contas bancárias, dos contratos com fornecedores e da fiscalização do Tribunal de Contas.
A Prefeitura de Rio Branco entregou nesta sexta-feira, 17, o novo ponto de táxi do bairro Cidade Nova, com estrutura revitalizada e climatizada para atender taxistas e passageiros que utilizam a linha entre a capital acreana e Boca do Acre, no Amazonas. A obra recebeu investimento de aproximadamente R$ 30 mil e busca melhorar as condições de trabalho dos motoristas e a espera dos usuários.
O espaço foi reformado por meio de parceria entre a gestão municipal, o Sindicato dos Taxistas, lideranças comunitárias e representantes políticos. A nova estrutura protege profissionais e passageiros do sol, da chuva, da poeira e do sereno, problemas relatados por quem trabalha diariamente no local.
Durante a entrega, o prefeito Alysson Bestene afirmou que a obra faz parte de um conjunto de ações definidas a partir do diálogo com comunidades, associações, sindicatos e vereadores. “Temos buscado ir às comunidades, conversar com as lideranças comunitárias, associações, sindicatos e vereadores para levar os benefícios de que a população precisa. Hoje estamos entregando este espaço, construído por meio de uma grande parceria, porque política pública se faz com união”, disse.
A estrutura contou com apoio do Sindicato dos Taxistas e da Prefeitura. A climatização teve participação do senador Sérgio Petecão, e a obra também atendeu a uma indicação do vereador Leôncio Castro. O prefeito afirmou que o ponto reformado deve garantir mais conforto aos taxistas e melhorar o atendimento aos passageiros que passam pelo local.
O presidente do Sindicato dos Taxistas, Esperidião Teixeira, afirmou que a categoria reivindicava um espaço adequado havia mais de quatro anos. Segundo ele, a estrutura atende profissionais de Rio Branco e do Amazonas que trabalham na linha de Boca do Acre. “Pode parecer uma obra simples, mas, para quem permanece aqui praticamente 18 horas por dia, esse espaço é um verdadeiro palácio”, declarou.
O taxista José Amarildo disse que os motoristas ficavam expostos ao sol e à chuva antes da reforma. Para ele, a entrega também beneficia os passageiros, que agora poderão aguardar a saída dos veículos em ambiente climatizado e com mais proteção.
Além do novo ponto de táxi, a Prefeitura mantém ações na regional da Cidade Nova, como recuperação de ruas e revitalização da Praça da Juventude e do novo Centro da Juventude. Durante a solenidade, Alysson Bestene anunciou ainda a revitalização de outros quatro pontos de táxi da capital, localizados na Praça da Bandeira, no bairro Manoel Julião, na Fundação Hospitalar e na Vila Betel. As intervenções devem ser executadas ao longo deste ano.
A entrega contou com a presença de secretários municipais, representantes da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco, da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito, do Sindicato dos Taxistas e de lideranças comunitárias do bairro Cidade Nova.
Os jornalistas Rogério Wenceslau e Chico Melo denunciaram, durante o Jornal da Manhã desta sexta-feira, 17 de julho, terem sido ameaçados de prisão por uma pessoa ligada ao alto escalão do Governo do Acre. A acusação foi feita ao vivo, nos estúdios da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, depois de semanas de confronto público entre os comunicadores e integrantes do grupo político da governadora Mailza Cameli. Os dois afirmaram que a tentativa de intimidação estaria relacionada às reportagens e aos comentários sobre gastos públicos, relações políticas e contratos do governo estadual.
Rogério Wenceslau foi o primeiro a tratar diretamente da ameaça. Analista político e integrante da bancada conduzida por Chico Melo, ele afirmou que uma pessoa do alto escalão teria dito, durante uma reunião fechada, que mandaria prender os profissionais do Jornal da Manhã. Wenceslau também acusou o interlocutor, sem revelar o nome, de afirmar que teria controle sobre a Polícia Civil e de manter delegado atuando como segurança particular.
Diante do microfone, Rogério transformou o estúdio em endereço público. Disse que trabalha na Rádio Integração de segunda a sexta-feira, das 7h às 9h, e que qualquer autoridade interessada em encontrá-lo saberia onde procurar. “Esse é o meu endereço. Não vou dar o endereço da minha casa, porque não interessa, mas aqui é o nosso local de trabalho”, afirmou. A frase colocou a denúncia no terreno concreto de quem não teme a intimidação e não se esconde.
Chico Melo assumiu a palavra em seguida. Apresentador do Jornal da Manhã e diretor do Grupo Integração, ele respondeu em nome da emissora e elevou o tom contra qualquer tentativa de intimidação e o uso de instituições públicas para resolver disputas políticas ou pessoais. “Antes de mandar prender, cuidado para não ser preso. O que vale para sorrir vale para chorar”, declarou. Chico afirmou que a Polícia Civil pertence ao Estado e não pode ser tratada como propriedade particular de autoridades ou grupos políticos.
A direção do Grupo Integração começou a reunir mensagens, relatos e outros materiais para encaminhar uma denúncia às autoridades. Chico contou que recebeu recados pelo telefone e pelas redes sociais e que Rogério Wenceslau também teria sido procurado. O objetivo, afirmou, é tornar públicas as pressões que estariam sendo feitas contra os jornalistas e impedir que o caso permaneça restrito aos bastidores do poder.
A tensão cresceu depois que uma publicação de 24 de junho informou que advogados do Estado, com orientação do chefe do gabinete Madson Cameli e da governadora Mailza Cameli, preparavam uma ação judicial contra Chico Melo e Rogério Wenceslau. No encerramento do programa desta sexta-feira, Chico e Rogério voltaram a cobrar as provas da suposta tentativa de extorsão. Os dois lembraram que haviam estabelecido um prazo público de 15 dias para que fossem apresentados registros, mensagens, gravações ou qualquer elemento capaz de sustentar a acusação. “Se divulgar dados e fatos foi isso, eu não sei mais o que é jornalismo”, declarou Chico. A negativa dos jornalistas foi direta: eles afirmaram que não pediram dinheiro para interromper a cobertura e que as publicações fazem parte do trabalho de fiscalização da imprensa.
No centro da disputa também estão os gastos da Expoacre Juruá 2026. O Integração Net publicou uma apuração sobre o Termo de Colaboração CC/SECC nº 01/2026, firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar. O plano destinou R$ 15,8 milhões à organização da feira, incluindo contratação de artistas, transporte aéreo, montagem de estruturas, segurança, divulgação, alimentação e despesas administrativas.
A Associação Transformar declarou no plano de trabalho possuir duas salas, um banheiro, dois computadores e um telefone celular. A equipe permanente era formada por presidente, secretária e tesoureiro. Essa estrutura reduzida passou a ser usada pelos jornalistas como ponto de cobrança sobre a capacidade da entidade para administrar um orçamento milionário. Eles também levantaram suspeitas sobre a proximidade política da associação com integrantes do grupo de Mailza Cameli.
O confronto deixou de ser apenas entre governo e imprensa, agora ganha contornos de ameaças graves de prisão e de uso político da estrutura do Estado contra jornalistas.
Entidade recebeu R$ 15,8 milhões da Casa Civil para executar a Expoacre Juruá após ser beneficiada por R$ 1,34 milhão em emendas do irmão da coordenadora da feira
A Associação Transformar recebeu R$ 15.848.310 da Casa Civil do Acre para executar a Expoacre Juruá 2026 depois de ter sido beneficiada com R$ 1.347.431 em emendas apresentadas pelo vereador de Rio Branco Moacir Júnior. O parlamentar é irmão de Taiane Santos, ex-diretora técnica da Casa Civil e então coordenadora-geral da feira. A relação familiar aproxima a entidade de dois integrantes de um mesmo núcleo político ligado ao governo da governadora Mailza Cameli.
O repasse para a Expoacre Juruá foi feito em 29 de junho, por meio do Termo de Colaboração CC nº 01/2026. A Associação Transformar ficou responsável pela gestão, coordenação operacional, organização, contratações e execução financeira do evento. Taiane conduziu a coordenação institucional dentro da Casa Civil e representou o governo durante a preparação e a realização da feira.
Meses antes da parceria estadual, o irmão dela havia destinado duas emendas municipais à associação. A primeira, no valor de R$ 696.431, previa ações de saúde nas comunidades. A segunda reservava R$ 651 mil para atividades esportivas, educacionais e de capacitação. As duas somaram R$ 1.347.431 para o mesmo CNPJ posteriormente escolhido pela Casa Civil para administrar quase R$ 15,9 milhões na Expoacre Juruá.
Nos registros das emendas individuais previstas no orçamento de Rio Branco para 2026, Moacir foi o único vereador da capital a destinar recursos diretamente à Associação Transformar. O elo documentado está na presença da mesma associação em decisões financeiras ligadas aos dois irmãos: as emendas municipais apresentadas por Moacir e a feira estadual coordenada por Taiane.
A entidade já mantinha contratos com o Governo do Acre antes de assumir a Expoacre Juruá. Em 29 de abril, a Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia pagou R$ 681.503,29 para a realização das comemorações do Dia do Trabalhador em Rio Branco. Na mesma data, repassou outros R$ 914 mil para as festividades em Cruzeiro do Sul.
Com o pagamento da Expoacre Juruá, a Associação Transformar recebeu R$ 17.443.813,29 do governo estadual em um intervalo de dois meses. Os três valores foram empenhados, liquidados e pagos.
A aproximação da entidade com o poder público ocorreu em meio a mudanças internas. Em dezembro de 2025, Carlos Henrique Oliveira do Nascimento passou a ocupar a presidência da associação. No mês seguinte, a organização apareceu no orçamento de Rio Branco como beneficiária das duas emendas de Moacir Júnior. Entre abril e junho, recebeu os três repasses do Governo do Acre.
O histórico do CNPJ acrescenta outra questão à parceria. Criada em 2020 como Federação de Futebol de Travinha do Acre, a organização era presidida por Elliton Damasceno Batista e atuava na promoção de atividades esportivas. Em documentos apresentados à Assembleia Legislativa em 2024, ainda se identificava como uma federação voltada à realização de campeonatos de futebol de travinha.
Posteriormente, o mesmo CNPJ passou a usar o nome Associação Transformar, ampliou suas finalidades e começou a administrar contratos públicos para eventos de grande porte. A alteração antecedeu a entrada da entidade em uma sequência de parcerias milionárias com o Estado.
Os registros públicos formam uma ligação objetiva: uma associação beneficiada por emendas do irmão da coordenadora da Expoacre Juruá recebeu, meses depois, R$ 15,8 milhões da Casa Civil para executar o evento comandado por ela. É essa proximidade entre recursos públicos, relações familiares e decisões administrativas que exige transparência.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (16) a Operação Talha Real para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos destinados à educação no Acre. A ação cumpriu 21 mandados de busca e apreensão nos municípios de Rio Branco, Epitaciolândia e Senador Guiomard. As investigações apontam suspeitas de irregularidades na aplicação de mais de R$ 51 milhões em recursos federais do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).
As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Segundo a Polícia Federal, a investigação apura possíveis fraudes em contratos firmados com recursos federais destinados à área da educação, além de indícios de corrupção, lavagem de dinheiro e direcionamento de licitações.
Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão está Aberson Carvalho, ex-secretário de Estado de Educação do Acre. Após deixar o comando da pasta, ele passou a atuar na articulação política e é apontado nos bastidores como um dos nomes cotados para coordenar a campanha da vice-governadora Mailza Assis ao Governo do Acre nas eleições deste ano. A Polícia Federal não detalhou a conduta atribuída individualmente aos investigados, e o cumprimento do mandado de busca não representa condenação.
Durante a operação, um dos investigados foi preso em flagrante por posse ilegal de munições de uso permitido e encaminhado à Superintendência Regional da Polícia Federal no Acre. A corporação não informou se a prisão tem relação com algum dos principais investigados da operação.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens móveis, imóveis e valores dos investigados, além da suspensão das atividades de seis empresas. As medidas buscam impedir a dissipação do patrimônio e assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos caso as irregularidades sejam confirmadas ao longo da investigação.
Os envolvidos poderão responder por peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, lavagem de dinheiro e associação criminosa. As investigações continuam para identificar a participação de cada um dos alvos e o destino dos recursos públicos sob suspeita.
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