Mãe cobra resposta após 54 dias de espera por TFD em Cruzeiro do Sul

A espera por Tratamento Fora de Domicílio interestadual chegou a 54 dias para uma jovem de 18 anos internada no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul. O caso, que já havia exposto a demora na transferência de pacientes graves para fora do Acre, ganhou novo elemento: um laudo da equipe de neurocirurgia confirma a complexidade do quadro, aponta a necessidade de atendimento fora da rede local e alerta para riscos em caso de demora na avaliação especializada.

A paciente tem hidrocefalia congênita e passou pela primeira cirurgia ainda recém-nascida, com apenas 11 dias de vida. Segundo a mãe, Antônia de S. Cruz, desde então a família enfrenta uma rotina de internações, cirurgias e tentativas de controle do quadro. Em 2022, a válvula de derivação ventriculoperitoneal, conhecida como DVP, começou a apresentar problemas.

“Minha filha tem hidrocefalia congênita, fez a primeira cirurgia com 11 dias. Desde então é uma luta. Hoje tem 18 anos e, no ano de 2022, a DVP começou a dar problema. Desde então vem fazendo vários procedimentos cirúrgicos sem êxito. Está à base de Tramal, que só alivia. Ou seja, é como ela suporta a dor”, afirmou Antônia.

O laudo da neurocirurgia descreve a paciente como portadora de hidrocefalia complexa, já submetida a múltiplas intervenções neurocirúrgicas e com evolução marcada por complicações relacionadas ao sistema de derivação. O histórico médico aponta implante de DVP de média pressão em novembro de 2022, troca para DVP de alta pressão em novembro de 2023 por quadro de hiperdrenagem e novo procedimento em setembro de 2025 para avaliação da hiperdrenagem e possível dependência valvular.

Apesar de, no momento da avaliação, a paciente estar consciente, orientada, com escala de coma de Glasgow 15 e sem déficits neurológicos focais ao exame, o documento é direto ao afirmar que ela precisa de reavaliação especializada. A equipe médica também registra que a manutenção do quadro sem avaliação adequada pode evoluir com piora neurológica, disfunção valvular, hipertensão intracraniana, rebaixamento do nível de consciência, déficits neurológicos permanentes e risco de óbito.

Diante da complexidade do caso e da necessidade de recursos terapêuticos não disponíveis na rede local, o laudo indica TFD interestadual para avaliação e possível realização de terceiroventriculostomia endoscópica ou implante de válvula programável ou autorregulável. O documento afirma ainda que o encaminhamento é necessário por se tratar de procedimento e acompanhamento de alta complexidade, exigindo equipe especializada e centro de referência com experiência em hidrocefalia complexa.

Para a família, a demora deixou de ser apenas uma espera por vaga. São 54 dias de internação, dor controlada com medicação e incerteza sobre quando a transferência será autorizada.

“Será que em 54 dias não teve nenhum estado disponível para receber os pacientes? 54 dias procurando leito, é vergonhoso isso!”, cobrou Antônia.

O caso não é isolado, segundo relato encaminhado ao Grupo Integração. A mãe também informou a situação de outro paciente, identificado como Manoel, que estaria internado desde 23 de abril deste ano no Hospital Regional do Juruá, também à espera de TFD interestadual.

De acordo com o relato, Manoel sofreu um acidente com disparo de arma de fogo em 20 de fevereiro de 2025 e, desde então, passou por cinco procedimentos cirúrgicos. Em 2026, voltou ao hospital com fortes dores e infecção no local da cirurgia. A situação exigiu a retirada de uma placa craniana. A equipe médica teria solicitado avaliação de um cirurgião plástico, já que a pele na região do crânio não estaria mais se regenerando adequadamente.

Manoel Oliveira da Conceição

Ainda segundo a família, Manoel enfrenta fortes dores de cabeça e já apresentou acúmulo de líquido cefalorraquidiano, o que exigiu nova drenagem. O quadro, conforme o relato, vem se agravando enquanto o paciente segue sem transferência para tratamento fora do estado.

Apesar da cobrança pela demora no TFD, os familiares destacam que os pacientes têm recebido acolhimento dos profissionais do Hospital Regional do Juruá. No caso de Manoel, o relato aponta acompanhamento psicológico durante a internação. A crítica se concentra na falta de resposta sobre a transferência, na ausência de prazo e na dificuldade de acesso a serviços de alta complexidade fora do Acre.

A espera de 54 dias escancara um problema que vai além de um caso individual. Em Cruzeiro do Sul, pacientes graves dependem de regulação, vaga, autorização e transporte para conseguir atendimento especializado em outros estados. Quando esse fluxo não acontece, a dor permanece dentro do hospital, sob cuidado das equipes locais, mas sem a solução que só pode vir com o tratamento fora da rede disponível no Juruá.

Enquanto isso, famílias seguem contando os dias. Para Antônia, a pergunta continua sem resposta: por que, em quase dois meses, o Estado ainda não conseguiu garantir um leito para quem precisa sair do Acre para tratar uma condição grave?

Jorge Viana defende união no Acre e atribui retomada da BR-364 à ação do governo Lula

O ex-governador Jorge Viana afirmou na manhã desta segunda-feira (15), em entrevista por telefone à Rádio Integração 99,9 FM, que o Acre precisa de união política para enfrentar seus problemas mais urgentes e disse que a recuperação da BR-364 só avançou por causa da atuação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante o deslocamento pela rodovia a caminho de Sena Madureira, ao lado do ministro dos Transportes, George Santoro, Viana disse que o momento exige articulação institucional e menos confronto político.

Ao defender a aproximação entre o governo federal e as lideranças locais, Jorge Viana afirmou que o Acre não tem espaço para disputas ideológicas em meio à crise de infraestrutura. “O povo do Acre não tá querendo saber nada de esquerda, direita. Ele quer saber que as coisas sejam feitas direito, feitas de forma correta”, disse. Na mesma fala, reforçou que a prioridade deve ser o resultado prático para a população.

Viana também resgatou a experiência de quando governou o estado para sustentar que o diálogo com Brasília é decisivo para viabilizar obras e investimentos. “Tudo que eu fiz no Acre começou numa parceria com o governo federal”, afirmou. Segundo ele, mesmo em períodos de forte disputa partidária, o entendimento institucional produziu resultados concretos e ajudou a transformar a realidade do estado.

Ao comentar a situação da BR-364, o ex-governador disse ter visto de perto o estado da estrada e afirmou que a resposta do governo federal começa a mudar esse cenário. “Eu andei na estrada e eu posso afirmar: eu vi a estrada, tá um caos, mas ela vai tá em situação regular já em setembro próximo”, declarou. Para Jorge Viana, a melhoria da trafegabilidade e a contratação de obras definitivas mostram que há uma ação efetiva em curso.

Na entrevista, ele atribuiu diretamente essa retomada ao presidente Lula e criticou o período em que, segundo ele, o Acre ficou sem a atenção necessária por parte da União. “O presidente Lula sempre teve uma atenção diferenciada com o Acre”, afirmou. Em seguida, acrescentou que, sem essa intervenção, o estado continuaria sem perspectiva de solução para a rodovia e outras obras consideradas estratégicas.

Jorge Viana também disse que a bancada federal terá papel importante na garantia de recursos para o Acre nos próximos orçamentos e voltou a defender a construção de uma agenda baseada em cooperação. “A minha tarefa é a seguinte: se eu puder ajudar, eu vou ajudar”, afirmou. Ao encerrar a participação, resumiu a mensagem que tentou transmitir ao longo da entrevista: “O Acre tá precisando de mais trabalho, mais união e menos confusão.”

Na rádio Integração, Ministro anuncia licitação da BR-364 e promete estrada em condição regular até setembro

O ministro dos Transportes, George Santoro, anunciou na manhã desta segunda-feira (15), em entrevista por telefone à Rádio Integração 99,9 FM, que assinou a licitação para a reconstrução de 107 quilômetros da BR-364 e que o governo federal pretende avançar em novas etapas da obra no Acre. A conversa com os jornalistas Chico Melo e Rogério Wenceslau ocorreu durante o deslocamento de Santoro e do ex-governador Jorge Viana pela rodovia, a caminho de Sena Madureira. “Acabei de assinar a licitação da reconstrução de 107 quilômetros dessa rodovia”, disse o ministro.

Ao longo da entrevista, Santoro afirmou que a meta do governo federal é melhorar as condições de tráfego da estrada ainda neste ano. “Até setembro a gente vai assinar mais 200 quilômetros” e “tem que estar com pelo menos 60% da rodovia, no mínimo, regular”, declarou. Segundo ele, o trabalho vai ocorrer em duas frentes: a manutenção dos trechos mais críticos para garantir a trafegabilidade e a reconstrução definitiva da BR-364 em pontos considerados mais comprometidos.

O ministro também afirmou que colocou a equipe de engenharia do DNIT à disposição do governo do Acre para apoiar tecnicamente a resposta ao desabamento da ponte em Sena Madureira. Segundo George Santoro, o suporte é voltado à busca de soluções de engenharia para enfrentar o problema no município.

Jorge Viana reforçou o diagnóstico de precariedade da rodovia e disse que o trecho está em situação crítica, mas avaliou que a atuação do governo federal pode mudar esse cenário nos próximos meses. “Eu vi a estrada, tá um caos, mas ela vai tá em situação regular já em setembro próximo”, afirmou. Segundo ele, o esforço é garantir condições mínimas de circulação enquanto os trechos definitivos entram em execução.

Na entrevista, o ex-governador também associou o avanço das obras à articulação política entre o Acre e Brasília e defendeu uma relação institucional acima de disputas partidárias. “O povo do Acre não tá querendo saber nada de esquerda e direita, ele quer saber que as coisas sejam feitas direito”, disse. Em outro momento, acrescentou: “A minha tarefa é a seguinte: se eu puder ajudar, eu vou ajudar.”

Jorge Viana ainda afirmou que o governo federal tem retomado investimentos considerados estratégicos para o estado e citou a BR-364 como uma das prioridades. “O presidente Lula sempre teve uma atenção diferenciada com o Acre”, declarou. Ele também disse que o projeto da ponte de Rodrigues Alves deve ficar pronto até o fim do ano, com perspectiva de licitação da obra no começo de 2027.

Ministro promete tirar BR-364 do estado crítico até setembro e anuncia nova frente de obras no Acre

O ministro dos Transportes, George Santoro, chegou ao Acre, trazido em uma articulação do ex-governador e ex-senador Jorge Viana, com uma promessa direta sobre a BR-364: melhorar as condições de tráfego da rodovia até setembro. A declaração foi feita na manhã desta segunda-feira, 15, antes do início da agenda oficial no estado, em meio à pressão crescente provocada pela sequência de problemas na estrada que liga Rio Branco ao interior.

Santoro reconheceu que a situação da BR-364 é grave. Segundo ele, a primeira resposta do Ministério será a manutenção emergencial dos trechos mais comprometidos, enquanto uma intervenção mais pesada será contratada para os próximos anos.

“Até setembro a gente está com a manutenção”, afirmou o ministro, ao dizer que a meta é tirar a estrada do patamar atual de precariedade. Ele também admitiu que a rodovia “está muito ruim, com vários pontos péssimos”.

O ministro disse que o governo federal pretende contratar R$ 1,7 bilhão em obras para recuperar a rodovia nos próximos três verões. A proposta é refazer trechos em outro padrão de engenharia, com intervenções mais duradouras e capazes de enfrentar as condições do solo e do inverno amazônico.

Entre os anúncios previstos para a agenda no Acre está a assinatura do aviso de licitação para reconstrução de 104 quilômetros da BR-364, no trecho entre Sena Madureira e Rio Macapá, incluindo o acesso a Manoel Urbano. O investimento estimado é de R$ 714 milhões.

Nos últimos meses, motoristas, passageiros e moradores do interior passaram a relatar com mais frequência atolamentos, buracos, trechos deformados, saídas de pista e dificuldades de deslocamento. A estrada é a principal ligação terrestre entre Rio Branco, Sena Madureira, Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul.

Pela manhã, Santoro foi recebido pela governadora Mailza Assis no Palácio Rio Branco. O encontro tratou das demandas do Acre na área de transportes e dos investimentos federais previstos para a malha rodoviária. A governadora espera que a visita resulte em encaminhamentos concretos para a BR-364 e outras obras consideradas estratégicas para o estado.

A programação do ministro também inclui coletiva em trecho da BR-364, na região da Estrada do Aeroporto, além de vistorias em Sena Madureira. Uma das visitas previstas é à Ponte Frei Paolino Baldassari, sobre o Rio Iaco, que desabou no início do mês. Santoro também deve acompanhar a situação da ponte sobre o Rio Caeté, no km 282 da BR-364, estrutura considerada essencial para manter a ligação terrestre com o interior.

Ao falar sobre a rodovia, o ministro também fez críticas à condução anterior da política de infraestrutura. Segundo ele, a BR-364 ficou anos sem receber o volume de investimento necessário para uma estrada com esse peso econômico e social para o Acre.

A fala de Santoro estabelece um prazo político e administrativo para o Ministério dos Transportes. Até setembro, a promessa é entregar uma rodovia ao menos em condições regulares de tráfego. Depois disso, o desafio será transformar os anúncios de recuperação estrutural em obra efetiva, em uma estrada que há anos alterna remendos, interrupções e cobranças sem resposta definitiva.

Sem prazo para retirar escombros, ribeirinhos se arriscam no Rio Iaco após queda de ponte em Sena Madureira

Nove dias depois do desabamento de cerca de 60% da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, os escombros continuam no leito do Rio Iaco e mantêm a navegação bloqueada, enquanto moradores e ribeirinhos seguem se arriscando para atravessar o trecho. Neste domingo, 14, um vídeo mostrou um condutor com a embarcação presa entre ferragens e blocos de concreto submersos. Até agora, governo, Justiça e construtora avançaram em perícias, ações judiciais e medidas emergenciais de travessia, mas ainda não apresentaram uma data para a retirada do material do rio.

A pressão da população cresceu ao longo da semana. No dia 8, moradores foram flagrados conduzindo uma canoa por cima dos escombros, apesar da interdição da área. Neste domingo, outra publicação mostrou ribeirinhos tentando abrir passagem no rio por conta própria, usando ferramentas para cortar obstáculos e liberar a circulação. As cenas expõem o tamanho do impasse: sem desobstrução oficial, parte da população tenta criar rotas improvisadas em uma área que segue com risco de novos acidentes.

Os relatos de prejuízo se acumulam. Ribeirinhos dizem que embarcações seguem presas desde a sexta-feira do desabamento, que tentativas de travessia fracassaram por causa dos destroços e que a interrupção afeta transporte de cargas, compra e venda de gado, pesca e deslocamentos entre propriedades rurais e a cidade. Moradores afirmam que a retirada dos escombros poderia devolver ao menos parte da passagem pelo rio, hoje inviável para quem depende da navegação como único meio de acesso.

A resposta do Estado ficou concentrada, até aqui, em contenção de danos e apuração. Logo após o colapso, o Corpo de Bombeiros suspendeu totalmente a navegação no trecho do Rio Iaco e o governo informou que iniciaria estudos para definir a operação de retirada dos escombros. No dia 9, o Deracre contratou uma catraia para travessia emergencial entre o Segundo Distrito e o centro de Sena Madureira, com funcionamento das 6h às 21h. Neste domingo, porém, a presidente do órgão, Sula Ximenes, afirmou que os destroços ainda não podem ser removidos porque o local precisa passar por perícia técnica, sob o argumento de que mexer na estrutura agora comprometeria a investigação.

O caso também entrou de vez na esfera judicial. O Ministério Público do Acre abriu procedimento para apurar se houve falhas de projeto, execução, fiscalização ou uso de material inadequado. Na sexta-feira, 12, a Justiça do Acre determinou o arresto de bens da Construtora Cidade até o limite de R$ 36 milhões, mandou o Deracre apresentar em 15 dias um cronograma emergencial para a Estrada Mário Lobão e ordenou a disponibilização de uma balsa gratuita no mesmo prazo. Também deu 30 dias para que Estado e empresa apresentem um plano conjunto com cronograma de reparação, desobstrução e reconstrução da ponte.

A construtora sustenta que a queda foi provocada pelo fenômeno de terras caídas e afirma ter recomendado a interdição total da estrutura no dia 4, antes do desabamento. Um dos sócios da empresa disse ainda que o risco geológico na região era conhecido, embora, segundo ele, fosse impossível prever o ponto exato e o momento do colapso. A tese, porém, passou a enfrentar resistência também no processo: a decisão judicial destacou que estudos anteriores do Serviço Geológico do Brasil já apontavam risco elevado de erosão fluvial na área, o que enfraquece, em análise inicial, a versão de um evento natural imprevisível.

Sem acordo entre Estado e construtora em audiência de conciliação realizada em 11 de junho, o processo segue aberto e a solução prática continua distante. No mesmo dia, moradores do Segundo Distrito bloquearam a BR-364 para cobrar respostas concretas sobre travessia, reconstrução da ponte, melhorias no porto da catraia e recuperação da Estrada Mário Lobão. Enquanto isso, o rio segue obstruído, a travessia continua improvisada e quem depende da água para viver trabalha sob o risco de ficar preso ou de não conseguir passar.

Editorial do AC24h mira a direita acreana ao lembrar abandono da BR-364 antes e depois de Lula 3

Editorial publicado pelo AC24h neste domingo, 14 de junho de 2026, joga luz sobre a BR-364 no momento em que o Ministério dos Transportes prepara para 15 de junho uma agenda no Acre com anúncio de licitação para reconstrução de 104 quilômetros da rodovia, no trecho entre Sena Madureira e Rio Macapá, além do acesso a Manoel Urbano, com investimento previsto de R$ 714 milhões. O centro do argumento é que a estrada voltou ao radar de Brasília no governo Lula 3, mas a resposta federal ainda não acompanha a gravidade da crise enfrentada por quem depende diariamente da ligação rodoviária no estado.  

O editorial ganha força quando tira o debate do improviso eleitoral e recompõe a linha do tempo da estrada. A provocação central não é aliviar Lula 3. É lembrar que, na leitura do texto, o trecho acreano já vinha se deteriorando desde o fim do governo Michel Temer e entrou em fase de exclusão explícita entre 2019 e 2022, quando a rodovia perdeu prioridade política e orçamentária em Brasília. Os números oficiais ajudam a dar peso a esse argumento: em 2022, último ano do governo Bolsonaro, os investimentos federais em transportes no Acre somaram R$ 85,2 milhões; em 2023, já no primeiro ano de Lula, o valor previsto para o estado saltou para R$ 293,3 milhões, quase 3,5 vezes mais, após a recomposição aberta pela Emenda Constitucional 126 e pela Lei Orçamentária.  

É nesse ponto que o editorial cutuca o acreano de direita. A estrada que o estado cobra como vital passou quatro anos recebendo um volume de recursos tratado como irrisório pelo próprio debate local, e só voltou a ter escala orçamentária no governo petista. A provocação, portanto, não é ideológica no sentido estreito. Ela expõe a contradição de um eleitorado que pede socorro federal para a principal via do Acre, mas evita encarar que o período mais magro da BR-364 coincidiu justamente com o ciclo político mais identificado com a direita nacional.  

Ao mesmo tempo, o texto não absolve Lula 3. A crítica fica mais precisa quando lembra que o início do mandato foi atravessado pelo conflito orçamentário com o Congresso. Na prática, o DNIT no Acre só teve alívio material no fim de maio de 2023, quando o Ministério dos Transportes assinou as ordens de serviço para retomar a manutenção de 116 quilômetros da BR-364 e vinculou essa retomada à recomposição do orçamento federal daquele ano. Até lá, o primeiro semestre correu com a estrada já em estado crítico e sem planejamento capaz de acompanhar a velocidade da deterioração.  

O que veio depois ajuda a explicar por que o editorial fala em “falha” de Lula 3, e não em indiferença pura. Em 2024, o investimento federal em infraestrutura de transportes no Acre subiu para R$ 341,1 milhões. Em agosto de 2025, o governo anunciou R$ 870,9 milhões em obras para a BR-364. Em abril de 2026, o Ministério dos Transportes lançou outro pacote de R$ 875 milhões para rodovias acreanas, com destaque para a reconstrução de 97,8 quilômetros entre Sena Madureira e Rio Macapá. E, para 15 de junho de 2026, o ministério marcou no Acre o anúncio da licitação de 104 quilômetros da BR-364, no mesmo corredor, com investimento de R$ 714 milhões. Há, portanto, escalada de recursos e decisões. O problema é que a vida real da rodovia continuou piorando em velocidade maior do que a resposta oficial conseguiu entregar. 

O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu, em entrevista exibida pela Rede Amazônica no fim de maio, que a BR-364 estava “semidestruída”, que houve recuperação parcial, mas que ainda falta muito, sobretudo em trechos como o de Feijó, onde seria necessário refazer partes da estrada.

No fim, a provocação do AC24h funciona porque desloca a conversa do palanque para a memória. O editorial sustenta que a BR-364 não começou a ruir ontem e tampouco pode ser usada como munição seletiva, como se o colapso tivesse nascido apenas em Lula 3. O que o texto cobra é coerência: reconhecer que houve abandono severo antes, admitir que o governo atual demorou a transformar reforço orçamentário em obra visível e, sobretudo, parar de tratar a principal estrada do Acre como assunto a ser lembrado só quando a lama vira escândalo.

“Não aprendi a fazer política de cara feia”: resposta de Zequinha expõe o comportamento de Zezinho Barbary em Cruzeiro do Sul.

A fala recente do deputado federal Zezinho Barbary no lançamento da Operação Verão, na sede do Deracre em Cruzeiro do Sul, abriu aspas na política local e recebeu resposta pública em tom direto do prefeito Zequinha Lima. Ao defender a “política da verdade” e criticar o que chamou de “tapinha nas costas” sem resultado, Zezinho deixou no ar um recado político que, agora, ganhou devolução pública.

No discurso, Zezinho cobrou mais agilidade da gestão municipal, afirmou que recursos destinados ao município ainda dependem de projetos e reclamou da ausência de representante de Cruzeiro do Sul em um ato de entrega de máquinas. Também reforçou que seu mandato já direcionou R$ 70 milhões ao município . O tom subiu quando o deputado afirmou que faz política “olhando no rosto” das pessoas e não aceita justificar a falta de entrega com gesto ou cerimônia.

A resposta veio com o prefeito Zequinha Lima, também em público, num discurso de recado e contenção. “Eu não aprendi a fazer política de cara feia”, disse, ao defender uma atuação baseada em diálogo, respeito e composição. Zequinha afirmou ainda que divergências políticas não devem respingar na governadora e que problemas pessoais ou políticos precisam ser resolvidos fora daquele ambiente institucional. A fala foi lida nos bastidores como uma reação direta ao discurso anterior de Zezinho.

Há relatos de que acordos de campanha não teriam sido cumpridos com aliados, por parte de Barbary, o que ajuda a explicar o desconforto que agora veio à tona. Entre pessoas próximas ao prefeito, a cobrança pública de Zezinho é tratada como sinal de ingratidão política, sobretudo pelo peso que Zequinha teve na articulação que fortaleceu a eleição do deputado.

É publico e notório, conforme acompanhado por tantos de Cruzeiro, que quando Zequinha esteve na campanha junto de Zezinho Barbary, para sua eleição a deputado federal, os votos chegaram e fortaleceram e muito sua chegada a Brasília. Em 2022, Zezinho Barbary teve 9.215 votos em Cruzeiro do Sul, significa que Cruzeiro do Sul respondeu por 46,17% da votação geral dele, de 19.958 votos.

Que fique o recado, o povo adora a traiagem, mas odeia o traidor

Empresários de Cruzeiro do Sul cobram resposta imediata do governo em agenda da Suframa

No comentário feito no Jornal da Manhã desta sexta-feira, 12, na Rádio Integração 99,9 FM, Rogério Wenceslau levou para o centro do debate um recado que, segundo ele, veio diretamente dos bastidores do setor produtivo de Cruzeiro do Sul: a classe empresarial não quer promessa para depois da eleição nem discurso de aproximação sem efeito prático. A expectativa em torno da presença da governadora Mailza Assis na agenda ligada à Jornada de Integração Regional e Interiorização do Desenvolvimento, da Suframa, estava menos ligada ao simbolismo político e mais à cobrança por medidas imediatas para aliviar o custo de empreender no Juruá.

A leitura feita pelo comentarista é que o empresariado chegou ao evento com uma pauta concreta e urgente. Nas conversas que disse ter mantido com empresários na véspera da agenda, Wenceslau relatou a cobrança por ações que melhorem o ambiente de negócios agora, com foco em tributos, energia, combustíveis e logística. Na avaliação dele, a sobrevivência de muitas empresas em Cruzeiro do Sul está cada vez mais apertada, num cenário em que a concorrência empurra parte do mercado para a informalidade e castiga quem tenta operar dentro de todas as regras.

A leitura feita pelo comentarista é que o empresariado chegou ao evento com uma pauta concreta e urgente. Nas conversas que disse ter mantido com empresários na véspera da agenda, Wenceslau relatou a cobrança por ações que melhorem o ambiente de negócios agora, com foco em tributos, energia, combustíveis e logística. Na avaliação dele, a sobrevivência de muitas empresas em Cruzeiro do Sul está cada vez mais apertada, num cenário em que a concorrência empurra parte do mercado para a informalidade e castiga quem tenta operar dentro de todas as regras.

Nesse bastidor, o problema não seria falta de diagnóstico, mas de resposta. O comentário apontou que o setor produtivo conhece com precisão onde estão os gargalos e não se contenta mais com falas genéricas sobre desenvolvimento regional. A demanda, segundo Wenceslau, é por uma agenda objetiva, com reflexos no caixa das empresas e no dia a dia do comércio, capaz de reduzir pressão tributária e criar condições mínimas de competitividade no interior.

Wenceslau também incluiu a BR-364 no centro da cobrança. Para ele, qualquer discussão séria sobre desenvolvimento em Cruzeiro do Sul passa pela estrada que liga o Vale do Juruá ao restante do estado. Ao citar a situação da rodovia, o comentarista sustentou que o governo estadual tem obrigação política de liderar a pressão por solução, ainda que a responsabilidade formal pela via seja federal. Sem logística confiável, afirmou, o discurso de incentivo ao setor produtivo perde força antes mesmo de chegar ao mercado.

Ao fundo dessa expectativa econômica, o comentarista também enxergou movimento político. Ele disse que o governo já entrou em modo de campanha e avaliou que a agenda em Cruzeiro do Sul poderia servir tanto para reforçar alianças quanto para tentar reaproximar o Palácio Rio Branco do empresariado local. Mas, no retrato traçado por Wenceslau, o humor da classe produtiva indica que gesto político, sozinho, não basta. O que o setor quer ouvir é anúncio com efeito imediato, capaz de sair do palanque e entrar na rotina de quem mantém empresa aberta no interior.

Zezinho Barbary é alvo de apuração da PF por ordem do STF em caso de emendas no Acre

O deputado federal Zezinho Barbary (PP-AC) entrou no radar da Polícia Federal por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em uma apuração sobre suspeitas de irregularidades no uso de emendas parlamentares no Acre. O caso envolve recursos ligados a Porto Walter, base política do parlamentar, e aparece dentro da discussão nacional sobre falta de transparência, rastreabilidade e controle na execução de emendas enviadas por deputados e senadores.

A suspeita que levou o caso à Polícia Federal envolve emendas associadas a estradas abertas em Porto Walter. A apuração citada por veículos nacionais aponta que recursos indicados por Barbary teriam sido usados para tentar regularizar trechos abertos de forma irregular, com desmatamento e possível invasão de terra indígena. Também há menção de que uma das estradas passaria por área ligada à família do deputado.

A decisão de Flávio Dino mandou o material à Diretoria-Geral da Polícia Federal para adoção das providências cabíveis. A PF poderá juntar as informações a inquéritos já existentes ou abrir novos procedimentos, caso encontre elementos para avançar na investigação. Até agora, não há registro de operação policial específica contra Zezinho Barbary, como busca e apreensão ou medida ostensiva. O fato confirmado é o envio do caso à PF por ordem do STF.

Zezinho Barbary negou irregularidades. À Folha de S.Paulo, na época, o deputado afirmou que não atuou em benefício próprio e que sua atuação buscava atender moradores de Porto Walter, município historicamente marcado por dificuldades de acesso. Ele também declarou que as medidas ligadas às estradas tinham relação com regularização e mitigação do empreendimento, não com favorecimento de familiares.

Porto Walter é o município onde Barbary construiu parte de sua trajetória pública e onde a discussão sobre estradas, isolamento e presença do poder público tem peso político constante. A investigação agora terá de separar o que pode ser obra pública de interesse coletivo, o que pode representar irregularidade ambiental e o que pode configurar benefício privado.

Relembrando o leitor acreano: Zezinho Barbary passou a ser investigado pela Polícia Federal por ordem do STF em um caso que envolve emendas parlamentares, estrada em Porto Walter, suspeita de dano ambiental e possível favorecimento familiar. A investigação ainda depende de análise da PF e não autoriza tratar o deputado como culpado.

Operação Ptolomeu fica travada no Acre e 12 investigados seguem sem denúncia

Dois anos e meio depois de a Operação Ptolomeu abrir a primeira frente criminal contra o esquema de corrupção investigado no governo do Acre, o processo que mira 12 investigados sem foro privilegiado continua parado no Ministério Público Estadual, em Rio Branco, sem denúncia oferecida, sem data para chegar à promotoria responsável e sem previsão de julgamento. A informação foi trazida pela TV Gazeta, no jornal Gazeta em Manchete de quinta-feira, dia 11, e expõe o contraste entre a condenação do ex-governador Gladson Cameli no Superior Tribunal de Justiça e a lentidão da parte local do caso.

O ex-governador foi condenado pela Corte Especial do STJ a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado. A ação em Brasília tratou de crimes como organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. No Acre, porém, a parte que envolve familiares, ex-secretários, empresários e servidores ainda não atravessou a etapa decisiva da denúncia criminal. Sem esse ato, ninguém vira réu na primeira instância, a instrução não começa e a responsabilização dos demais personagens fica suspensa.

A primeira ação penal nascida da Ptolomeu ficou conhecida como caso Murano. Ela trata de contratos de obras e recuperação de prédios públicos estaduais que, pela acusação, foram usados para desviar dinheiro do Estado por meio de uma empresa de fachada. A engrenagem passava pela cessão de CNPJ, pela contratação formal de uma empresa sem estrutura real para executar o serviço e pela movimentação de cerca de R$ 18 milhões. Desse total, R$ 11 milhões aparecem ligados diretamente a sobrepreço e superfaturamento. Na prática, o que deveria virar obra pública virou prova de um mecanismo que drenava recursos do orçamento acreano por dentro dos próprios contratos oficiais.

A lista dos investigados que desceu para a Justiça de primeiro grau alcança o núcleo familiar e administrativo de Gladson Cameli. Estão nela a ex-esposa Ana Paula Corrêa da Silva Cameli, o irmão Gledson de Lima Cameli, o pai Eládio Cameli, o ex-secretário de Obras Thiago Caetano, os empresários Gabriel Látia de Araújo e Souza e Uudson Marcelo Amaral de Souza, além de servidores estaduais ligados ao funcionamento das licitações. São nomes que, pela investigação original, ajudariam a explicar como uma fraude desse tamanho não nasce apenas da assinatura de uma autoridade, mas de uma rede que prepara edital, valida medição, libera pagamento, empresta empresa e dá aparência legal ao desvio.

A ministra Nancy Andrighi, relatora do caso no STJ, mandou a parte dos acusados sem foro para a Justiça Federal do Acre em dezembro de 2023. Depois disso, os autos passaram pelo Tribunal de Justiça e chegaram ao Ministério Público do Acre. A instituição reconheceu que recebeu o processo, mas atribuiu a demora ao fluxo interno. “O processo foi recebido pela instituição, mas ainda não chegou à promotoria responsável, que é a Especializada de Defesa do Patrimônio Público e Fiscalização das Fundações e Entidades de Interesse Social”, informou o MPAC à TV Gazeta.

Essa frase resume o impasse. Não se trata de absolvição, arquivamento ou decisão judicial que encerrou a apuração. O processo existe, os nomes existem, os valores existem e a condenação no STJ já fixou, em outro braço da mesma operação, a existência de uma organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos. O que falta, no Acre, é o ato processual básico para que os demais investigados respondam formalmente às acusações perante a Justiça.

A demora cria uma desigualdade difícil de explicar ao cidadão que paga imposto e vê escola, hospital, estrada e prédio público dependerem de cada real do orçamento. O ex-governador recebeu uma pena pesada por crimes ligados a licitações e lavagem de dinheiro, mas a engrenagem local que teria dado sustentação ao esquema continua sem enfrentamento criminal efetivo na primeira instância.

A consequência não é apenas jurídica. Quando um processo desse porte fica parado, o tempo trabalha contra a memória das provas, contra a recuperação do dinheiro e contra a confiança pública nas instituições. Cada mês sem denúncia empurra para mais longe a resposta sobre quem assinou, quem recebeu, quem intermediou, quem lavou dinheiro e quem se beneficiou dos contratos. Também distancia o Estado da possibilidade de recompor o prejuízo causado aos cofres públicos.

No STJ, a condenação de Gladson Cameli tratou de crimes que atravessam a administração pública por dentro: organização criminosa, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. No Acre, a parte desmembrada ainda espera o Ministério Público transformar os autos em denúncia ou apontar, de forma fundamentada, outro caminho processual.

A Operação Ptolomeu começou como uma investigação sobre corrupção na cúpula do poder estadual e avançou sobre contratos, obras, empresas e movimentações financeiras. O caso Murano é uma das peças dessa arquitetura. Ele não trata de um episódio isolado, mas de uma forma de operação: empresas usadas como fachada, contratos públicos como porta de entrada, servidores e empresários como operadores, dinheiro público como alvo.

É por isso que a estagnação no Ministério Público do Acre pesa mais do que uma demora comum de cartório. Ela mantém sem resposta a parte mais próxima do cotidiano acreano: os personagens que circularam nos órgãos estaduais, as empresas que receberam, os servidores que tocaram os processos e os familiares que aparecem no entorno do ex-governador. Enquanto essa etapa não anda, a Ptolomeu fica partida em duas realidades. Em Brasília, uma condenação histórica. Em Rio Branco, um processo ainda preso antes da largada.