Alan Rick promete concluir hospital e reconstruir ponte durante agenda em Sena Madureira

O candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) cumpriu agenda de campanha em Sena Madureira nesta quarta-feira (23), onde participou de reuniões, visitou obras e encerrou a programação com um ato político na Rua Siqueira Campos. Durante a passagem pelo município, ele assumiu compromissos nas áreas de saúde e infraestrutura, com foco no Hospital João Câncio Fernandes e na reconstrução da Ponte Padre Paolino Baldassari.

A mobilização foi precedida por uma passeata e uma motociata pelas ruas da cidade. Segundo a organização da campanha, mais de 3 mil motocicletas participaram do ato, além de apoiadores que seguiram a pé até o local do comício. O número foi divulgado pelos organizadores e não teve verificação independente.

Alan Rick esteve acompanhado do prefeito Gerlen Diniz (PP), do candidato a vice-governador Rico Leite (Republicanos), do senador e candidato à reeleição Sérgio Petecão (PSD), do deputado estadual e candidato à reeleição Gene Diniz (Republicanos), do candidato a deputado federal Manoel Gerônimo (Republicanos) e do ex-prefeito Jairo Cassiano, além de vereadores e lideranças locais.

Um dos principais pontos da agenda foi a situação do Hospital João Câncio Fernandes. Alan afirmou que destinou, durante sua atuação parlamentar, recursos para a unidade e criticou a paralisação da ampliação do hospital.

“Já trabalhamos muito por Sena Madureira, mas boa parte dos recursos que enviamos não virou benefício real por causa da corrupção. Só para essa obra, deixei R$ 14 milhões. Uma parte foi entregue, a ampliação está parada e o prédio está rachando, apodrecendo. É muito descaso. O nosso povo não merece isso”, declarou. A afirmação sobre corrupção foi feita pelo candidato durante o ato de campanha.

Alan também relacionou a estrutura do hospital à ausência de atendimento de hemodiálise no município e afirmou que, caso seja eleito, pretende concluir a unidade. “O Hospital João Câncio Fernandes será reconstruído. Nós vamos inaugurar esse hospital na nossa gestão e garantir o atendimento que a população precisa”, disse.

Na área de infraestrutura, o candidato visitou os escombros da Ponte Padre Paolino Baldassari, que fazia a ligação com o Segundo Distrito. Alan prometeu auditar os contratos relacionados à obra, buscar a responsabilização por eventuais irregularidades e construir uma nova estrutura.

“O povo de Sena Madureira merece uma explicação. Vamos assumir o governo, responsabilizar os culpados, buscar a devolução do dinheiro ao Estado e reconstruir essa ponte com a qualidade que a população merece”, afirmou.

Durante o comício, o prefeito Gerlen Diniz reforçou o apoio à candidatura de Alan Rick e fez críticas à relação da administração municipal com o governo estadual. Segundo o prefeito, Sena Madureira enfrenta dificuldades para receber apoio na recuperação de ramais e na manutenção de serviços públicos.

“Não mandam nem um litro de diesel para recuperarmos os ramais. Tiram as máquinas e não enviam recursos. Estamos conseguindo fazer muito, trabalhando de segunda a segunda, mas é muita perseguição contra Sena Madureira”, declarou Gerlen. A crítica foi feita pelo prefeito durante o evento eleitoral.

Alan Rick encerrou a agenda afirmando que, se eleito, pretende manter uma parceria com a Prefeitura de Sena Madureira e colocou a conclusão do Hospital João Câncio Fernandes e a reconstrução da ponte entre os compromissos apresentados para o município.

Biraci Jr. Yawanawá declara apoio a Lula nas eleições de 2026

A liderança indígena Biraci Jr. Yawanawá, conhecido como Iskukua, declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência da República em 2026. Ele afirmou que a decisão está relacionada à defesa da democracia, da justiça social, da floresta e dos direitos dos povos indígenas.

Ao explicar a posição, Biraci Jr. disse que o apoio não é motivado por “idolatria, conveniência ou interesse pessoal”, mas pelos princípios que afirma defender em sua atuação como liderança indígena. Entre as pautas citadas estão o combate à fome e às desigualdades, o fortalecimento da educação e da saúde públicas e a proteção dos territórios dos povos originários.

“Defendo a democracia, a justiça social, a proteção da floresta e o respeito aos direitos dos povos originários. Quero um país que combata a fome e as desigualdades, fortaleça a educação e a saúde públicas e reconheça que proteger os territórios indígenas é também proteger o futuro do Brasil”, declarou.

Biraci Jr. afirmou que o apoio eleitoral não significa concordância automática com todas as decisões do presidente ou de um eventual novo governo. “Não concordo com tudo nem entrego minha consciência a nenhum político. Meu apoio não é um cheque em branco”, disse.

A liderança Yawanawá também afirmou que pretende manter uma postura de cobrança independentemente do resultado das eleições. “Continuarei cobrando, criticando e defendendo os interesses do meu povo, independentemente de quem esteja no poder”, declarou.

Ao justificar a escolha, Biraci Jr. disse considerar a candidatura de Lula a mais próxima das pautas que defende. “Entre os projetos apresentados ao país, escolho aquele que considero mais próximo desses princípios. Por isso, meu apoio é ao presidente Lula”, escreveu.

Ele também classificou a decisão como pessoal e afirmou respeitar posições diferentes. “Minha voz tem lado: o lado da democracia, dos povos indígenas, da floresta e da justiça social”, declarou.

TRE-AC mantém indeferimento da candidatura de Gladson Cameli ao Senado

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) manteve, nesta terça-feira (22), o indeferimento do registro da candidatura de Gladson Cameli ao Senado nas eleições de 2026. A decisão foi tomada por unanimidade durante o julgamento de embargos de declaração apresentados pela defesa no processo de registro de candidatura.

Os embargos foram acolhidos parcialmente pelos integrantes da Corte, mas apenas para corrigir um erro material no Acórdão nº 7.445/2026. A alteração não modificou o resultado do julgamento que havia negado o registro da candidatura.

O processo nº 0600481-67.2026.6.01.0000 envolve o pedido de registro apresentado pela coligação Avança Acre e uma ação de impugnação ao registro de candidatura. O caso trata de inelegibilidade decorrente de condenação criminal por órgão colegiado.

Gladson Cameli apresentou os embargos contra o acórdão que havia indeferido seu registro para disputar o cargo de senador. O relator, juiz Thalles Vinícius de Souza Sales, votou pelo acolhimento parcial exclusivamente para a correção do erro material, entendimento acompanhado pelos demais integrantes do tribunal.

A sessão foi presidida pelo desembargador Lois Carlos Arruda. Participaram do julgamento o desembargador Samoel Evangelista, as juízas Lilian Braga e Rogéria Mesquita e os juízes Jair Facundes, Thalles Sales e Emerson Costa. O procurador regional eleitoral Vitor Hugo Caldeira Teodoro esteve presente.

TRE-AC dá três dias à Casa Civil para entregar ponto de servidora em ação contra Mailza

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) deu prazo de três dias para que a Casa Civil do Estado apresente a folha de pagamento e os registros de frequência de agosto de Eula Sarah da Costa Romão, ex-servidora comissionada citada em uma representação eleitoral contra a governadora Mailza Assis, candidata à reeleição. A Justiça apura a acusação de que Eula teria prestado serviços em um imóvel ligado à campanha durante horário de expediente no serviço público.

A determinação foi assinada pelo juiz Leandro Leri Gross, auxiliar da Propaganda Eleitoral, e publicada nesta terça-feira, 22 de setembro. A documentação deverá permitir a verificação do último dia em que Eula efetivamente trabalhou no governo e se houve registro de frequência após a data apontada oficialmente para a exoneração.

A representação foi apresentada pela Coligação Trabalho da Esperança, formada por Republicanos, PSD, Novo e Avante. Mailza Assis e Eula Sarah aparecem como representadas no processo que tramita no TRE-AC.

A acusação envolve um episódio ocorrido em 28 de agosto. A coligação sustenta que Eula teria realizado atividades de limpeza, manutenção e descarte de lixo em um prédio usado por uma produtora vinculada à campanha de Mailza, durante o período em que deveria estar cumprindo expediente no governo. As alegações ainda estão sob análise da Justiça Eleitoral.

A defesa apresentou como argumento a exoneração da servidora, com efeitos retroativos a 15 de agosto. O Decreto nº 16.497-P foi assinado em 1º de setembro e publicado no Diário Oficial do Estado, estabelecendo que o desligamento produziria efeitos a partir daquela data anterior ao episódio questionado.

Eula havia sido nomeada em abril para um cargo em comissão do Grupo de Chefia, Assistência e Assessoramento, referência CAS-3, no Gabinete da Governadora.

A divergência sobre a situação funcional levou o TRE-AC a buscar os registros de ponto. A Justiça quer esclarecer se, apesar dos efeitos retroativos do decreto de exoneração, a servidora continuou exercendo atividades no governo depois de 15 de agosto.

Mailza também recebeu prazo de dois dias para informar se a campanha, o comitê eleitoral ou a produtora responsável pelo marketing mantém contrato de aluguel ou custeio do imóvel citado na representação, localizado em Rio Branco.

As defesas pediram o encerramento do processo sem novas diligências, mas o magistrado manteve a apuração. A decisão considerou necessária a obtenção dos documentos que permanecem sob controle da administração estadual para esclarecer as circunstâncias do caso.

A representação continua em andamento e não há, até o momento, decisão definitiva sobre a existência de irregularidade. A eventual apuração de abuso de poder político, com consequências eleitorais distintas das discutidas neste processo, deverá ocorrer em ação própria.

Isaac Piyãko defende participação das comunidades no orçamento e apoio à comunicação indígena

Foi diante das perguntas do comunicador indígena Samuel Arara, do Coletivo Tetepawacomunica, que o candidato a deputado estadual Isaac Piyãko (PT) apresentou, no dia 18 de setembro, as prioridades que pretende levar à Assembleia Legislativa do Acre caso seja eleito. A participação das comunidades na definição do orçamento público, a proteção dos territórios, os problemas de saúde e educação e a necessidade de manter estruturas próprias de comunicação indígena atravessaram a entrevista.

A conversa faz parte de uma série de sabatinas organizada pelo Tetepawacomunica com candidatos indígenas nas eleições deste ano. Samuel Arara conduziu a entrevista a partir de questões que fazem parte da rotina das aldeias e de quem trabalha diretamente com os povos originários: como fazer com que as decisões tomadas em Rio Branco alcancem territórios distantes, de que maneira as comunidades podem participar da construção das políticas públicas e de onde virão os recursos para manter projetos criados pelos próprios indígenas.

Piyãko respondeu a essas questões recorrendo à própria trajetória. Antes da disputa por uma cadeira na Aleac, passou pela sala de aula dentro da comunidade, pela organização de professores indígenas, pela saúde e pela gestão pública. É desse período que ele parte para defender uma atuação política com presença maior nos territórios.

“Minha experiência toda foi na aldeia mesmo, na escola, trabalhando com a juventude, fortalecendo a nossa juventude dentro do nosso território”, afirmou.

Ao falar sobre como pretende exercer um eventual mandato, Piyãko colocou a escuta das comunidades como ponto de partida para decidir onde concentrar a atuação parlamentar. A ideia apresentada durante a entrevista é reunir demandas diretamente nas aldeias, reservas extrativistas, assentamentos e bairros antes da discussão sobre orçamento, fiscalização das políticas públicas ou apresentação de projetos de lei.

“Eu vou procurar ouvir essas comunidades, essas lideranças”, disse.

A proposta tenta enfrentar uma distância conhecida por quem vive longe dos centros de decisão do Acre: a diferença entre o que entra no orçamento público e o que chega, de fato, à ponta. Nas viagens que tem feito pelo estado, Piyãko citou problemas de educação, saúde e saneamento e afirmou que pretende construir um mandato que não fique limitado exclusivamente às pautas indígenas.

“Os indígenas hoje vão ter uma pessoa para contar, caso eu seja eleito. O pessoal da reserva extrativista, dos assentamentos e dos bairros da cidade vão ter a mesma coisa, porque eu vou fazer um esforço para atender a todos”, declarou.

A proteção dos territórios entrou na conversa quando Samuel Arara perguntou como o candidato pretende agir diante de decisões legislativas capazes de atingir direitos indígenas. Piyãko associou a defesa territorial ao direito das comunidades de conhecer e discutir medidas que possam interferir em suas terras, culturas, línguas e formas de organização.

“A população tem que estar informada para decidir qualquer situação sobre os direitos, sobre os territórios, sobre aquela cultura, sobre aquela língua, aqueles costumes. A liderança tem que saber, elas têm que ser consultadas”, afirmou.

Para Piyãko, essa relação também exige que deputados conheçam uma realidade que muitas vezes permanece distante do cotidiano do Legislativo. Ele afirmou que pretende levar informações das comunidades aos demais parlamentares e aproximar representantes políticos das populações diretamente atingidas pelas decisões tomadas na Assembleia.

Foi nesse ponto que a comunicação deixou de ser apenas o meio usado para realizar a entrevista e passou a ocupar o centro da sabatina. Samuel Arara levou ao candidato uma dificuldade enfrentada por coletivos e comunicadores indígenas que produzem informação dentro dos próprios territórios: manter equipamentos, realizar coberturas, organizar entrevistas e formar novos comunicadores sem uma estrutura permanente de financiamento.

A questão alcança uma disputa maior do que a manutenção de câmeras, celulares, computadores ou acesso à internet. Para coletivos como o Tetepawacomunica, produzir conteúdo significa registrar acontecimentos a partir de quem vive nas comunidades, acompanhar decisões que atingem os territórios e permitir que jovens indígenas contem suas próprias histórias sem depender exclusivamente da presença de veículos de fora.

Piyãko afirmou que esse trabalho precisa receber apoio e vinculou o fortalecimento da comunicação à formação da juventude indígena.

“Quem vai fazer comunicação tem que estudar a cultura, a movimentação e procurar informar a sociedade com fatos reais, com fatos concretos”, declarou.

Ele também defendeu que um eventual mandato abra espaço para encontros entre lideranças e representantes de diferentes povos. A intenção apresentada durante a entrevista é construir pautas comuns sem apagar as particularidades de cada comunidade e de cada território.

Ao responder diretamente sobre o futuro do Tetepawacomunica, Piyãko disse que iniciativas de comunicação indígena não deveriam depender apenas do período eleitoral para continuar funcionando.

“Não tem por que recuar e não tem por que também a gente deixar de apoiar”, afirmou.

A fala toca em uma das questões colocadas por Samuel Arara ao longo da conversa: a comunicação indígena costuma ganhar visibilidade quando os povos originários entram no centro de disputas políticas, conflitos territoriais ou processos eleitorais, mas os comunicadores permanecem trabalhando quando as atenções se deslocam para outros assuntos. É nesse intervalo que a falta de estrutura pesa sobre quem continua registrando o cotidiano das comunidades.

No fim da entrevista, a discussão voltou à eleição. Piyãko criticou a troca do voto por vantagens imediatas e pediu que os eleitores considerem a trajetória e as propostas dos candidatos antes de escolher seus representantes.

“A gente não pode decidir o nosso voto pela troca de algum objeto, pela troca de alguma coisa, porque o nosso voto é sagrado”, disse.

A entrevista conduzida por Samuel Arara coloca o Tetepawacomunica em uma posição que vai além da transmissão das falas de candidatos indígenas. Ao levar para a sabatina perguntas sobre território, orçamento, políticas públicas, juventude e financiamento da própria comunicação, o coletivo transforma questões vividas dentro das comunidades em perguntas dirigidas diretamente a quem pretende ocupar uma cadeira no Legislativo acreano.

Assista:

TRE-AC julga nesta terça embargos no registro de Gladson Cameli ao Senado

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) marcou para esta terça-feira, 22 de setembro, às 15h, o julgamento dos embargos de declaração apresentados no processo que trata do registro da candidatura de Gladson de Lima Cameli ao Senado nas Eleições 2026. O recurso será analisado pelo plenário da Corte, sob relatoria do juiz Thalles Vinicius de Souza Sales.

A inclusão do processo na pauta foi certificada pela Secretaria Judiciária do TRE-AC no domingo, 20 de setembro. A certidão prevê que o julgamento poderá ocorrer na sessão desta terça-feira ou, caso não seja concluído, em sessões subsequentes.

Os embargos estão vinculados ao processo nº 0600481-67.2026.6.01.0000, no qual o TRE-AC indeferiu, por unanimidade, em 11 de setembro, o pedido de registro de Gladson Cameli para disputar uma das vagas do Acre no Senado.

A decisão anterior foi tomada após o tribunal julgar procedente a impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral. O fundamento adotado pela Corte foi a incidência da Lei da Ficha Limpa em razão de condenação criminal proferida por órgão judicial colegiado.

Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a 25 anos e nove meses de prisão pelos crimes de peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. No julgamento do registro, o relator entendeu que a hipótese de inelegibilidade decorrente de condenação colegiada pode ser aplicada independentemente do trânsito em julgado da ação penal.

Apesar do indeferimento no TRE-AC, a decisão ainda admite recurso. Enquanto não houver decisão definitiva no processo de registro, a legislação eleitoral permite que o candidato permaneça na condição de sub judice, continue praticando atos de campanha e mantenha o nome na urna eletrônica.

O julgamento dos embargos nesta terça-feira representa uma nova etapa do processo no TRE-AC antes de eventual prosseguimento da discussão nas instâncias superiores da Justiça Eleitoral.

Mailza cancela participação em debates da TV Norte e TV Gazeta nesta segunda-feira

A governadora do Acre e candidata à reeleição, Mailza Assis (PP), cancelou a participação nos debates eleitorais da TV Norte e da TV Gazeta marcados para esta segunda-feira (21), em Rio Branco. A campanha comunicou a ausência neste domingo (20) e alegou compromissos eleitorais em Santa Rosa do Purus e Cruzeiro do Sul, onde a candidata terá agendas ao lado da candidata a vice-governadora, Jéssica Sales.

A decisão foi informada na véspera dos encontros. Em nota encaminhada às emissoras, a campanha afirmou que Mailza participará de reuniões com moradores dos dois municípios e que continuará apresentando suas propostas durante atividades de campanha. O comunicado não informou se ela participará de outros debates antes da eleição.

A ausência ocorre depois de uma sequência de entrevistas e sabatinas nas quais Mailza foi questionada sobre metas para um eventual novo mandato e sobre decisões da administração estadual que atualmente comanda. Em algumas dessas participações, respostas a perguntas objetivas ficaram sem definição de números, prazos ou medidas específicas.

Em sabatina realizada pelo ac24horas em agosto, Mailza foi questionada sobre a política habitacional e falou dos recursos disponíveis para a construção de 2,7 mil moradias, mas não apresentou uma meta de unidades que pretende entregar entre 2027 e 2030 caso seja reeleita.

A candidata também foi perguntada sobre a implantação da rastreabilidade individual do rebanho bovino. Ao ser provocada a apresentar um prazo para que o sistema estivesse efetivamente implantado no Acre, afirmou que o assunto ainda dependia de estudos, preparação e diálogo com o setor.

Outro questionamento envolveu a ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, que desabou em junho. Mailza responsabilizou a empresa responsável pela construção e citou a judicialização do caso. Quando perguntada sobre o prazo para uma resposta, afirmou não saber quanto tempo a empresa levaria. O episódio também passou a ser investigado pelo Ministério Público, inclusive em relação ao planejamento, fiscalização, monitoramento e manutenção da estrutura.

No dia seguinte, durante sabatina da TV Rio Branco, a candidata voltou a enfrentar perguntas relacionadas à administração estadual. Uma delas pedia que apontasse áreas nas quais os recursos públicos estariam sendo mal aplicados e quais despesas poderiam ser revistas. Mailza falou em planejamento e redução de gastos, mas não citou setores específicos.

Em outro momento, foi questionada sobre a possibilidade de recriar uma secretaria direcionada aos pequenos negócios. A resposta abordou desburocratização, empreendedorismo e ações realizadas pelo governo, mas não definiu se a estrutura administrativa seria recriada.

A entrevista também teve um episódio relacionado ao controle do tempo. Ao responder como pretendia entregar o Acre em 2030, Mailza tentou utilizar um direito de resposta antes da autorização do mediador e precisou interromper a fala. Posteriormente, ao tratar da Delegacia de Combate à Corrupção, afirmou que a unidade não havia sido extinta, mas transferida para outro departamento.

As cobranças durante as sabatinas têm uma característica diferente para Mailza em relação a candidatos que não ocupam atualmente o Executivo. A governadora assumiu definitivamente o comando do Estado em abril e disputa a permanência no Palácio Rio Branco. Por isso, parte das perguntas mistura propostas para os próximos quatro anos com medidas que podem ser adotadas ainda durante a atual administração.

Na reta final da campanha, esse ponto também apareceu em entrevistas sobre servidores públicos, segurança, infraestrutura e desenvolvimento econômico. Ao falar sobre mudanças futuras, Mailza foi questionada sobre o que poderia começar a executar ainda no atual mandato.

O cancelamento dos debates acontece ainda em uma semana marcada por investigações policiais no Acre. Na quarta-feira (16), a Polícia Civil deflagrou a Operação Algoritmo Cidadão, que apura uma suposta estrutura de ataques digitais contra o candidato Alan Rick (Republicanos). Três investigados ocupam cargos comissionados no governo estadual, mas a polícia informou que nenhum candidato é alvo da operação. A defesa de Mailza afirmou que a governadora nunca autorizou ou teve conhecimento das ações investigadas.

Na quinta-feira (17), a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram a Operação Death Note, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo recursos federais destinados à Educação no Acre. As apurações tratam de suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos, pagamento de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro. A Secretaria de Estado de Educação informou que colaborou com o cumprimento das determinações.

Jenilson Leite declara apoio à reeleição de Mailza Assis no Acre

O médico e ex-deputado estadual Jenilson Leite declarou apoio à reeleição da governadora do Acre, Mailza Assis, neste domingo (20), durante visita da candidata à clínica Med’AC, em Rio Branco. Proprietário da unidade, Jenilson recebeu Mailza durante uma agenda voltada ao atendimento de pacientes e à ampliação de parcerias entre o Estado e clínicas particulares para realização de exames e consultas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Ao manifestar apoio à governadora, Jenilson associou a gestão pública ao cuidado com a população. “Para dar para nossa população desenvolvimento, crescimento, mas também afetividade, o carinho. E a senhora proporciona isso”, afirmou o ex-parlamentar.

Durante a visita, Mailza conversou com pacientes e profissionais de saúde e defendeu o uso da estrutura da rede privada conveniada como alternativa para reduzir o tempo de espera por procedimentos na rede pública. A proposta apresentada durante a agenda prevê o fortalecimento das parcerias para ampliar a oferta de exames e consultas pelo SUS.

A Med’AC, localizada na Rua Rio Grande do Sul, atende pacientes por meio de convênio com o SUS. Entre as pessoas que estavam na unidade estava Mayla Araújo de Oliveira, moradora do bairro São Francisco, que conseguiu realizar um exame enquanto acompanhava uma amiga na clínica.

O secretário de Estado de Saúde, José Bestene, também acompanhou a visita e o atendimento realizado na unidade. A agenda reuniu a pauta da saúde com a movimentação política para as eleições estaduais de 2026, marcada pela declaração pública de apoio de Jenilson à candidatura de Mailza.

Denovo! MP Eleitoral pede rejeição de embargos de Gladson e manutenção do indeferimento ao Senado

A Procuradoria Regional Eleitoral no Acre se manifestou contra a tentativa de Gladson Cameli de reverter, por meio de embargos de declaração, a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Acre que indeferiu seu registro de candidatura ao Senado nas eleições de 2026. O órgão pediu que praticamente todas as teses apresentadas pela defesa sejam rejeitadas e que permaneça intacto o resultado do julgamento que reconheceu a inelegibilidade do candidato.

A manifestação foi assinada pelo procurador regional eleitoral Vitor Hugo Caldeira Teodoro na quarta-feira, 16 de setembro. Para o Ministério Público Eleitoral, os embargos devem ser acolhidos apenas em um ponto: a correção de um erro material na numeração de um habeas corpus citado no acórdão. A alteração, segundo o parecer, não produz qualquer efeito sobre a decisão que barrou o registro.

O MP Eleitoral pediu que, onde o Acórdão nº 7.445/2026 mencionou o HC nº 276.968, passe a constar o HC nº 273.968/DF. Fora dessa correção, a Procuradoria defendeu a rejeição dos demais argumentos apresentados por Gladson, sem os chamados efeitos infringentes, que poderiam modificar o resultado do julgamento.

Os embargos foram apresentados depois que o TRE-AC julgou procedente a ação de impugnação proposta pela própria Procuradoria Regional Eleitoral e indeferiu o registro de Gladson para disputar uma vaga no Senado. O julgamento ocorreu em 11 de setembro e terminou por unanimidade.

A inelegibilidade foi reconhecida com base na Lei Complementar nº 64/1990, a Lei da Ficha Limpa, em razão da condenação criminal imposta pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça na Ação Penal nº 1.076/DF. A condenação envolve os crimes de peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Na tentativa de modificar o acórdão, a defesa apresentou uma série de questionamentos. Entre eles estão a distribuição do processo, a existência de dissidência partidária, os efeitos de decisões do Supremo Tribunal Federal sobre elementos utilizados na investigação, a garantia do duplo grau de jurisdição, o controle de convencionalidade, a aplicação da Lei de Inelegibilidades e o pedido de suspensão do processo.

A Procuradoria rebateu os argumentos e sustentou que os embargos tentam rediscutir questões que já foram analisadas pelo TRE-AC. Sobre a condenação do STJ, o órgão afirmou que o título judicial permanece válido e eficaz enquanto não houver decisão da instância competente que suspenda, modifique ou desconstitua seus efeitos.

O parecer também afastou a tese de que pronunciamentos do Supremo poderiam, por si só, retirar a eficácia eleitoral da condenação. Para o MP Eleitoral, caberia ao órgão judicial competente para revisar a condenação do STJ definir eventual repercussão dessas decisões, e não à Justiça Eleitoral antecipar esse resultado durante o processo de registro.

Outro argumento rejeitado foi o de que a condenação criminal não poderia produzir inelegibilidade sem a possibilidade de recurso ordinário com ampla revisão da decisão. A Procuradoria sustentou que a legislação prevê a inelegibilidade após condenação por órgão judicial colegiado e não estabelece como requisito uma revisão prévia por recurso ordinário.

Também não prosperou, na manifestação do MP, a tentativa de suspender o processo enquanto outros pedidos e ações relacionados à condenação tramitam em tribunais superiores. O órgão considerou que a possibilidade de uma decisão futura favorável à defesa não retira, neste momento, os efeitos jurídicos da condenação utilizada pelo TRE-AC para indeferir o registro.

Com a apresentação das contrarrazões da Procuradoria Regional Eleitoral, os embargos foram encaminhados ao relator, juiz Thalles Vinícius de Souza Sales. O parecer do Ministério Público não representa uma nova decisão do TRE-AC: caberá ao Tribunal julgar o recurso apresentado pela defesa. Até lá, permanece vigente o acórdão que indeferiu o registro da candidatura.

Duas balsas passam a operar no Juruá; Só agora, Governo Mailza?

Quem chegou nesta quarta-feira, 16 de setembro, à travessia do Rio Juruá entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves encontrou uma situação diferente da rotina dos últimos anos: duas balsas de grande porte operando ao mesmo tempo. A mudança reduziu a espera de motoristas e passageiros em um serviço que normalmente funciona com apenas uma embarcação. O reforço, porém, começou sem que o Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária do Acre (Deracre), do governo Mailza Cameli, informasse publicamente por que decidiu colocar a segunda balsa em operação, quanto a medida vai custar e por quanto tempo as duas embarcações permanecerão trabalhando juntas.

A data ampliou os questionamentos. Faltam 18 dias para o primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para 4 de outubro. Nos comentários da publicação que mostrou as duas balsas em funcionamento, parte dos usuários comemorou a redução da espera, enquanto outros fizeram uma pergunta direta: por que isso não aconteceu antes?

A associação com o calendário eleitoral apareceu também em vídeo gravado na própria travessia. Em publicação de agosto deste ano, um integrante do movimento social pró-ponte criticou o momento escolhido para colocar a segunda embarcação no rio. “A ideia é boa, mas em pleno período eleitoral colocaram duas balsas de grande porte”, afirmou. 

A pergunta sobre o momento da mudança, no entanto, permanece porque a possibilidade de usar duas embarcações não surgiu agora.

Em 4 de setembro de 2024, o Deracre firmou a Ata de Registro de Preços nº 025/2024 com a empresa A. A. M. Cameli, vencedora do Pregão Eletrônico SRP nº 138/2024. Foram registrados preços para duas balsas com rebocador, pelo prazo de 12 meses, ao valor inicial de R$ 197.495 por mês para cada unidade. O valor global estimado chegou a R$ 4.739.880.

A previsão de duas balsas, sozinha, não significava que ambas deveriam permanecer permanentemente em funcionamento. A contratação foi estruturada para atendimento eventual e “sob demanda”. Na prática, o Estado registrou preço e quantidade para poder requisitar até duas unidades conforme a necessidade do serviço. A existência dessa possibilidade desde 2024, portanto, não comprova descumprimento contratual nos períodos em que apenas uma embarcação trabalhou.

Ela cria outra questão, mais objetiva: diante dos problemas acumulados na travessia, em que momento o Deracre entendeu que havia necessidade de uma segunda balsa e por que essa decisão foi tomada agora?

Até esta quarta-feira, não havia informação pública sobre a ordem que autorizou o reforço, a data em que a segunda embarcação foi requisitada, o período previsto para a operação simultânea ou o impacto financeiro da mudança. Também não foi esclarecido se a segunda balsa ficará no Juruá depois de outubro.

O custo do serviço ajuda a dimensionar a cobrança. Nos registros do Portal da Transparência referentes a 2026 aparecem sete competências do Contrato nº 089/2024, de janeiro a julho, cada uma no valor de R$ 204.068,76, todas pagas integralmente. São R$ 1.428.481,32 nos sete primeiros meses do ano.

Os pagamentos pela locação de balsa com rebocador atravessam diferentes exercícios. Em 2025, chegaram a R$ 2.376.494,94. Em 2024, foram R$ 1.852.511,13; em 2023, R$ 1.815.106,56; e em 2022, R$ 1.913.982,48. A travessia, portanto, não é um serviço eventual na vida de quem mora no Juruá nem uma despesa recente para o Estado. Há anos ela ocupa espaço permanente no orçamento e na rotina de quem precisa cruzar o rio.

A empresa contratada também aparece em processo analisado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários. Em 2021, a Antaq tratou da operação da A. A. M. Cameli, CNPJ 07.111.525/0001-43, na travessia de passageiros, veículos e cargas no Acre. O transporte é gratuito para o usuário e custeado com recursos públicos estaduais. Naquele processo, a agência entendeu que esse modelo de contratação não produzia efeitos nocivos à livre concorrência.

Pela empresa, a ata de 2024 foi assinada por Antônio Assen Melo Cameli. Ele é pai de Madson Cameli, marido da governadora Mailza Assis e atual chefe do Gabinete Pessoal da governadora. A relação familiar entrou nos comentários feitos por usuários depois que as duas balsas apareceram operando simultaneamente. Ela, por si só, não comprova favorecimento nem irregularidade na contratação. Madson consta atualmente na estrutura oficial da Governadoria como chefe do Gabinete Pessoal, e o governo registra publicamente o casamento de Mailza com ele.

O peso da discussão está menos na existência de duas balsas do que no histórico enfrentado por quem depende delas.

Em janeiro deste ano, uma falha interrompeu a operação da embarcação principal. Vídeos registraram fumaça na balsa e, com a paralisação, veículos voltaram a depender das embarcações menores. A mudança provocou filas e atrasos para moradores e trabalhadores que fazem o percurso diariamente.

Dois meses depois, uma reportagem acompanhou a rotina da travessia em período de movimento considerado fraco. Um morador calculou a espera entre 20 e 25 minutos. Quando o fluxo aumenta, o ciclo de ida e volta pode chegar a cerca de uma hora e meia. Estudantes e trabalhadores relataram que a dependência da travessia interfere no custo e no horário de atividades básicas como estudar e trabalhar.

Os problemas já vinham do ano anterior. Em março de 2025, falhas mecânicas voltaram a interromper o serviço e obrigaram usuários a procurar alternativas enquanto a balsa passava por manutenção. A repetição das ocorrências acabou levando a questão para além das reclamações nas filas e nas redes sociais.

Em abril de 2025, o Ministério Público do Acre abriu inquérito civil para apurar irregularidades na prestação do transporte aquaviário entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves. A investigação alcançou a situação das embarcações, as condições de acesso aos pontos de atracação e a atuação do governo estadual. A própria portaria que instaurou o procedimento tratou da “precariedade do atual serviço de travessia” e cobrou informações sobre fiscalização, vistorias, manutenção e medidas capazes de enfrentar os problemas.

Em maio deste ano, a erosão voltou a expor a fragilidade da ligação entre os dois municípios. O desmoronamento do barranco no porto de Rodrigues Alves obrigou o fechamento temporário do acesso. Sem a travessia, moradores que normalmente percorrem cerca de 12 quilômetros entre os pontos de interesse tiveram de enfrentar uma rota terrestre próxima de 50 quilômetros. Um estudante relatou percurso de 46 quilômetros para conseguir chegar a Rodrigues Alves.

O governo reconstruiu um acesso provisório e restabeleceu o serviço dois dias depois. O Deracre atribuiu o problema à erosão causada pela vazante do Juruá e afirmou que a rampa precisa de intervenções frequentes porque a subida e a descida do rio alteram constantemente as condições de atracação.

É esse conjunto de episódios que explica a reação provocada pelas duas balsas nesta quarta-feira. Para quem enfrenta filas, falhas mecânicas, interrupções e problemas de acesso, duas embarcações trabalhando juntas representam uma melhora concreta. A questão levantada por usuários não é se o reforço deveria existir, mas por que uma estrutura contratual que admitia duas unidades desde 2024 só agora apareceu funcionando dessa forma.