TRE do Acre encerra instrução em processo que pode barrar candidatura de Gladson Cameli ao Senado

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre encerrou a fase de instrução do processo de registro de candidatura de Gladson Cameli ao Senado nas eleições de 2026 e remeteu os autos à Procuradoria Regional Eleitoral para manifestação no prazo de três dias. A decisão foi assinada pelo juiz-membro Thalles Vinicius de Souza Sales, relator do caso, em Rio Branco, no âmbito do pedido apresentado pela coligação Avança Acre.

O processo envolve a ação de impugnação ao registro de candidatura ajuizada pela Procuradoria Regional Eleitoral. O órgão aponta inelegibilidade com base na Lei Complementar nº 64/1990, em razão da condenação de Cameli pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça na Ação Penal nº 1.076/DF. A condenação foi de 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado, além de multa e indenização, pelos crimes de peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Também tramita nos autos uma notícia de inelegibilidade apresentada por Joaquim Pedro de Morais Filho, com fundamentos semelhantes aos da impugnação da Procuradoria Regional Eleitoral. A Secretaria Judiciária informou que os requisitos formais de elegibilidade foram preenchidos e que houve juntada posterior de certidões criminais para fins eleitorais expedidas pelo STJ e pela Justiça Federal de 1º e 2º graus, além do Diário Oficial com o ato de desincompatibilização do cargo de governador do Acre.

Na contestação, a defesa de Gladson Cameli levantou preliminares sobre a redistribuição do processo por prevenção, pediu o não conhecimento da notícia de inelegibilidade por suposto vício formal e extemporaneidade e defendeu a possibilidade de a Justiça Eleitoral examinar a validade do título penal diante de decisões do Supremo Tribunal Federal.

No mérito, a defesa alegou ofensa ao duplo grau de jurisdição, citou reflexos de decisão do STF no Habeas Corpus nº 247.281/DF sobre relatórios de inteligência financeira, mencionou a tramitação do HC nº 273.968/DF com pedido liminar para suspender os efeitos da condenação e pediu, de forma subsidiária, o sobrestamento do processo até deliberação cautelar do Supremo.

O relator entendeu que o caso está suficientemente instruído com os documentos já apresentados e que a controvérsia é de natureza jurídica e documental. Por isso, rejeitou a necessidade de produção de novas provas e dispensou alegações finais, em razão da ausência de fase probatória.

A questão sobre eventual irregularidade na redistribuição do processo por prevenção não foi decidida monocraticamente. O juiz Thalles Vinicius de Souza Sales determinou que esse ponto, assim como as demais preliminares, a notícia de inelegibilidade, o pedido de sobrestamento e o mérito da impugnação sejam analisados diretamente pelo plenário do TRE do Acre na sessão de julgamento definitivo.

Com a decisão, a Procuradoria Regional Eleitoral deverá se manifestar sobre a contestação e a documentação apresentada pela defesa. Depois disso, os autos voltarão conclusos para andamento do processo no tribunal.

Thor Dantas promete priorizar saúde, infraestrutura e segurança em sabatina no Jornal da Manhã

O candidato ao governo do Acre pelo PSB, Thor Dantas, apresentou nesta terça-feira (25), em Cruzeiro do Sul, as principais propostas que pretende levar ao governo caso seja eleito em outubro. Durante sabatina no Jornal da Manhã, ele colocou saúde, infraestrutura, desenvolvimento econômico, segurança pública e educação entre as prioridades de uma eventual gestão e defendeu mudanças na forma como o Estado planeja e executa políticas públicas.

Médico, Dantas dedicou parte da entrevista à própria trajetória profissional. Ele contou que deixou o Acre ainda jovem para estudar, cursou medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e passou 14 anos fora do estado durante a formação, período em que também fez mestrado, doutorado e especialização. Ao retornar, afirmou ter se apresentado voluntariamente ao Exército e escolhido servir no 61º Batalhão de Infantaria de Selva, em Cruzeiro do Sul.

O candidato disse que a passagem pelo Juruá marcou o início de sua vida profissional no Acre. Depois, participou de diferentes áreas da gestão da saúde e citou a implantação de serviços como UTI, Samu, hemodiálise e tratamento contra o câncer, além da participação em projetos ligados à expansão da rede hospitalar.

Dantas afirmou que a pandemia de Covid-19 teve peso em sua decisão de entrar diretamente na política. Na avaliação dele, problemas de gestão durante a emergência sanitária mostraram como decisões administrativas interferem na vida da população. “A política foi feita para resolver o problema da vida em sociedade”, afirmou.

Ao tratar do cenário atual do Acre, o candidato fez críticas à administração estadual e disse que saúde, educação, segurança e geração de oportunidades precisam de mudanças. Ele também se apresentou como uma alternativa de oposição na eleição e afirmou que sua campanha trabalha com um plano elaborado por equipes divididas em diferentes áreas.

Na saúde, primeira prioridade apresentada por Dantas, a proposta é reorganizar o funcionamento da rede e ampliar a capacidade de atendimento. Ele citou as dificuldades enfrentadas por pacientes que aguardam procedimentos e cirurgias e voltou a defender a implantação de um hospital universitário no Acre. “Nós vamos transformar essa saúde, que é a área que eu mais conheço e aquilo que para mim é mais sensível”, disse.

A infraestrutura aparece ligada à estratégia de desenvolvimento econômico. Dantas defendeu a solução de gargalos que dificultam a produção e a geração de empregos e afirmou que o Acre precisa aproveitar melhor produtos locais e ampliar a industrialização. Ao citar o cupuaçu como exemplo, disse que matérias-primas produzidas no estado poderiam participar de cadeias de maior valor agregado.

O candidato também defendeu que crescimento econômico e preservação ambiental sejam tratados de forma conjunta. “Não há nenhuma contradição entre a preservação e o desenvolvimento econômico. A gente tem que ser inteligente para fazer essas duas coisas juntas”, declarou.

Na segurança pública, Dantas propôs maior integração entre as forças policiais e uso de inteligência para enfrentar organizações criminosas. A estratégia apresentada inclui articulação das polícias Civil, Militar e Federal, além de inteligência financeira para atingir estruturas econômicas ligadas ao crime organizado.

A educação foi colocada como base para uma transformação de longo prazo. O candidato defendeu melhoria do ensino de matemática, português e línguas, além da preparação dos estudantes para tecnologias digitais, inteligência artificial e novas formas de prestação de serviços. Ele também relacionou conectividade ao avanço de áreas como telemedicina, governo eletrônico e geração de renda.

Dantas afirmou ainda que pretende aumentar a capacidade do governo estadual de executar recursos disponíveis. Na entrevista, disse que uma gestão precisa ter equipes capacitadas para planejar, executar projetos e acompanhar resultados, modelo que comparou à experiência acumulada em procedimentos médicos de alta complexidade.

Na disputa eleitoral, o candidato reconheceu que ainda precisa ampliar o conhecimento de seu nome entre os eleitores, mas afirmou que considera a campanha aberta. Disse não estar preocupado com pesquisas divulgadas neste momento e que pretende usar as próximas semanas para apresentar sua candidatura e suas propostas.

Ao final da sabatina, Dantas pediu um voto de confiança para colocar em prática o plano de governo nos próximos quatro anos. “Eu quero ser o governador que vai resolver esses problemas que estão no dia a dia das pessoas”, afirmou. O candidato concorre pelo PSB com o número 40.

Alan Rick inaugura comitê central em Rio Branco e apresenta prioridades para o Acre

O senador Alan Rick (Republicanos), candidato ao Governo do Acre nas eleições de 2026, inaugurou nesta segunda-feira (24) o comitê central de campanha em Rio Branco. Instalado no Centro da capital, em frente ao Terminal Urbano, o espaço vai concentrar atividades de organização e mobilização eleitoral durante a disputa pelo Palácio Rio Branco.

A inauguração reuniu apoiadores, militantes e candidatos ligados à chapa. O ato ocorreu na segunda semana da campanha eleitoral, iniciada oficialmente em 16 de agosto, quando passaram a ser permitidas as atividades de propaganda nas ruas e na internet.

Durante o evento, Alan afirmou que pretende manter contato direto com os eleitores ao longo da campanha e apresentou saúde, educação, emprego, renda e infraestrutura entre as áreas que considera prioritárias para o estado.

Ao falar sobre a disputa, o candidato associou sua candidatura a uma proposta de mudança na administração estadual e afirmou defender o que chamou de “sonho da esperança” para o Acre. Na área da saúde, disse que pretende melhorar o funcionamento dos serviços. Para a educação, defendeu uma formação voltada à preparação dos jovens para o mercado de trabalho e para o ingresso na universidade.

Alan também colocou a geração de emprego e renda e os investimentos em infraestrutura entre os temas que pretende levar ao debate eleitoral. O candidato disse que a mobilização da campanha terá participação de apoiadores de diferentes municípios e regiões acreanas.

A abertura do comitê ocorre após Alan Rick iniciar as atividades públicas de campanha em Rio Branco. Na primeira semana da disputa, o candidato participou de atos no Segundo Distrito da capital e de encontros com apoiadores e lideranças políticas.

Mailza diz que campanha ganha apoio popular durante carreata em Rio Branco

A governadora do Acre e candidata à reeleição, Mailza Assis, afirmou neste domingo (23) que a campanha tem ampliado o apoio entre os eleitores durante a reta final da disputa pelo governo. A declaração foi feita durante a “Mega Carreata do 11 – Pro Acre Avançar”, que reuniu apoiadores, candidatos e lideranças políticas na parte alta de Rio Branco.

“Sinto todos os dias a população me abraçando”, disse Mailza ao comentar a participação de eleitores nas atividades realizadas pela campanha.

A candidata afirmou que a mobilização aumenta a responsabilidade do grupo político e defendeu a continuidade das visitas aos municípios e do diálogo com a população até a eleição. Mesmo com a adesão registrada durante a carreata, Mailza disse que considera a disputa aberta.

“Eu quero agradecer a participação de todos, mas não tem nada garantido, não tem nada certo. Nós temos aí longos 40 dias de caminhada, de pé no chão, visitando os municípios, conversando com as pessoas”, afirmou.

Mailza também disse que pretende manter a população envolvida na construção das propostas apresentadas durante a campanha. Para a candidata, os moradores devem participar das discussões sobre os projetos destinados ao desenvolvimento do Acre.

“Isso aqui é demonstração da aceitação das pessoas e de quanto elas se sentem incluídas nesse projeto que foi feito para a população, para a participação de cada acreano, independente da sua cor, da sua raça, do seu status social. Nós precisamos inserir a população naquilo que nós planejamos, pensamos e queremos para o nosso estado”, declarou.

A concentração da carreata ocorreu no início da Estrada Irineu Serra, em Rio Branco. A organização estimou que mais de 2 mil carros e motocicletas participaram da mobilização.

Bocalom lidera segunda carreata em Rio Branco ao lado de Velloso e Alysson Bestene

O candidato ao Governo do Acre Tião Bocalom liderou, neste domingo (23), a segunda carreata da coligação Produzir para Empregar em Rio Branco. A mobilização reuniu apoiadores e centenas de veículos em um percurso que começou no Calafate e terminou na região do Jequitibá, com a participação do candidato ao Senado Eduardo Velloso e do prefeito da capital, Alysson Bestene.

A concentração ocorreu em frente ao Campo do Calafate. De lá, carros e motocicletas seguiram por ruas da região até a Avenida Paulo Lemos, onde a programação foi encerrada em frente à quadra coberta do Jequitibá. Durante o trajeto, moradores acompanharam a passagem da comitiva das calçadas, residências e estabelecimentos comerciais.

Bocalom percorreu o trajeto ao lado de Velloso e Alysson, além de candidatos a deputado estadual e federal que integram a coligação. Kelen Bocalom, esposa do candidato ao governo e candidata a deputada federal, também participou da agenda.

A presença de Alysson Bestene reforçou a aproximação política mantida com Bocalom. Atual prefeito de Rio Branco, Alysson foi vice durante a administração de Bocalom e assumiu o comando da prefeitura após a saída do então titular para disputar o Governo do Acre.

Durante a mobilização, Bocalom concentrou o discurso na geração de emprego, produção e criação de oportunidades. O candidato também afirmou que pretende manter uma campanha voltada ao contato direto com moradores da capital e do interior.

Eduardo Velloso acompanhou a carreata e defendeu a ampliação das agendas nos bairros como parte da estratégia para apresentar as propostas da chapa. A campanha tem colocado desenvolvimento econômico e geração de empregos entre os principais temas defendidos nas atividades eleitorais.

Gladson Cameli e o risco de uma eleição sub judice no Acre

“A briga é em Brasília.” A frase publicada por Crica resume a estratégia de Gladson Cameli para permanecer na disputa pelo Senado, mas deixa aberta uma pergunta que deveria interessar mais ao Acre do que a própria sobrevivência eleitoral do ex-governador: até onde é razoável levar uma candidatura quando o eleitor pode votar, ajudar a eleger e descobrir depois que aquele voto não valeu?

Gladson entrou oficialmente na campanha enquanto responde a uma ação de impugnação de registro no Tribunal Regional Eleitoral do Acre. A Procuradoria Regional Eleitoral pediu que sua candidatura seja indeferida por causa da condenação criminal imposta pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. Pela legislação eleitoral, ele pode se defender, recorrer e continuar fazendo campanha enquanto a situação estiver sub judice. Pode pedir voto, aparecer na propaganda eleitoral e, dependendo do estágio do processo, permanecer na urna. A própria Lei das Eleições permite isso. O problema começa justamente aí: a mesma lei estabelece que, em determinadas situações de registro indeferido sob recurso, a validade dos votos dependerá do resultado posterior da batalha judicial.

Não é uma discussão pequena, nem nasceu às vésperas da eleição. A Operação Ptolomeu entrou em sua fase ostensiva em dezembro de 2021. Gladson permaneceu governador. Em maio de 2024, a Corte Especial do STJ recebeu por unanimidade a denúncia criminal contra ele. Gladson permaneceu governador. Em 2025, o mesmo tribunal prorrogou medidas cautelares que incluíam proibição de contato com testemunhas e investigados, entrega de passaporte e indisponibilidade de valores. Gladson permaneceu governador. Só deixou o Palácio Rio Branco em abril deste ano, para abrir caminho à candidatura ao Senado.

Durante boa parte desse período, portanto, o Acre conviveu com uma situação extraordinária que acabou incorporada à rotina política. Havia uma investigação de enorme gravidade em curso contra o governador, depois uma denúncia criminal aceita pelo STJ, e o governo continuou funcionando com Gladson no comando. Isso era juridicamente possível. A existência de uma investigação ou mesmo de uma ação penal não produz automaticamente a perda de um mandato conquistado nas urnas.

O que mudou em maio de 2026 foi a natureza do problema. A acusação deixou de ser apenas acusação. A Corte Especial do STJ julgou a ação e condenou Gladson a 25 anos e nove meses de prisão por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. Também determinou multa e indenização de R$ 11,785 milhões ao Estado. A maioria dos ministros acompanhou a relatora Nancy Andrighi, que atribuiu ao então governador posição de liderança no esquema criminoso julgado pelo tribunal. A defesa nega as acusações e continua recorrendo, e a condenação ainda não transitou em julgado.

Essa diferença é fundamental. Durante anos, Gladson podia responder politicamente que havia uma investigação e que caberia à Justiça dizer se a acusação procedia. Agora a Justiça já disse, embora ainda existam recursos. Não foi um juiz de primeira instância que tomou essa decisão sozinho. Foi a Corte Especial do STJ, em julgamento colegiado. Em agosto, o próprio tribunal rejeitou por unanimidade embargos apresentados pela defesa e manteve a condenação.

É exatamente nesse ponto que a eleição acreana passa a carregar um problema que ultrapassa Gladson.

A Lei da Ficha Limpa estabelece inelegibilidade a partir de condenação por órgão judicial colegiado para crimes que incluem delitos contra a administração pública, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. A legislação também permite que essa inelegibilidade seja suspensa por decisão judicial. Gladson tem direito de buscar essa suspensão e esgotar os recursos disponíveis. Isso faz parte das garantias de qualquer acusado.

O direito de recorrer, porém, não elimina o custo democrático de uma candidatura mantida nessas condições.

Gladson pode percorrer o Acre, montar palanque, reunir prefeitos, pedir votos e disputar uma das duas vagas de senador. Milhares de pessoas podem escolher seu número acreditando que estão elegendo alguém para representá-las em Brasília. E, se a situação jurídica não estiver resolvida até a votação e o registro acabar definitivamente negado nas condições previstas pela legislação, esses votos podem perder a validade. O próprio TSE estabelece que o candidato com registro sub judice pode continuar na campanha, mas a validade dos votos pode ficar condicionada ao deferimento posterior do registro.

É aí que aquilo que parece ser apenas uma batalha de advogados passa a atingir diretamente o eleitor.

Porque quem assume o risco não é somente Gladson. Não é somente seu partido. É também a pessoa que sai de casa, enfrenta fila, entra numa cabine e acredita estar fazendo uma escolha capaz de produzir um mandato. Uma eleição não deveria funcionar como uma aposta em que o eleitor descobre meses depois se o voto que depositou na urna juridicamente existia.

Há ainda um efeito político mais grave. Gladson é um candidato competitivo. Se alcançar uma votação suficiente para conquistar uma das vagas e depois tiver os votos invalidados, a composição final da disputa poderá não corresponder à fotografia que o eleitor viu na noite da eleição. O resultado político conhecido nas urnas ficará submetido ao resultado jurídico produzido nos tribunais. Não porque ministros estejam tomando para si o direito de escolher senador, mas porque uma candidatura juridicamente contestada foi levada até o voto antes que sua condição fosse definitivamente resolvida.

É uma espécie de tumulto eleitoral produzido dentro das próprias regras.

Isso precisa ser dito sem atalhos. Gladson não comete ilegalidade simplesmente por recorrer ou por continuar candidato enquanto a legislação permitir. O problema é outro: candidato e partido, ao sustentarem uma candidatura nessas condições, assumem conscientemente um risco que não termina neles. Uma parte desse risco é empurrada para o eleitor e para a própria legitimidade do resultado.

Durante anos, o tempo da Justiça favoreceu politicamente Gladson. A investigação começou, avançou, virou denúncia, a denúncia virou ação penal, medidas cautelares foram mantidas e ele continuou governando. Quando finalmente chegou a condenação, o mandato no Executivo estava no fim e o projeto político já havia mudado de endereço: saiu do Palácio Rio Branco e foi para a disputa pelo Senado.

Agora o relógio corre de outra maneira. De um lado, uma campanha curta, com data certa para terminar. Do outro, recursos que podem atravessar instâncias e consumir um tempo que a eleição não tem.

A democracia precisa garantir defesa até o último recurso cabível. Mas também precisa garantir ao eleitor algo elementar: saber, com a maior segurança possível, se a pessoa em quem está votando poderá receber o mandato caso seja escolhida.

No caso de Gladson, essa certeza não existe hoje.

Talvez por isso a frase de Crica seja tão precisa. A briga está em Brasília. Só que o voto será dado no Acre. E, se essa briga não terminar antes das urnas, quem poderá pagar a conta da incerteza não será apenas Gladson Cameli.

Será o eleitor.

Datafolha: Lula tem 47% e Flávio Bolsonaro 43% em eventual 2º turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno da eleição presidencial de 2026 contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que soma 43%, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21). O levantamento foi realizado em todo o país e mostra os dois candidatos em empate técnico no limite da margem de erro, de dois pontos percentuais.

Os votos em branco e nulos somam 9%. Outros 2% dos entrevistados não souberam responder. No levantamento anterior do instituto, divulgado em julho, Lula tinha 48% e Flávio Bolsonaro, 43%. A variação registrada desde então ocorreu dentro da margem de erro.

A pesquisa também mediu as intenções de voto para o primeiro turno. Lula aparece com 39%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33%. Ronaldo Caiado (PSD) tem 5%, Renan Santos (Missão) aparece com 4% e Romeu Zema (Novo) soma 3%.

Augusto Cury (Avante) registra 2%. Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), Veterinário Wilson Grassi (Democrata) e Edmilson Costa (PCB) aparecem com 1% cada. Outros nomes não pontuaram no cenário divulgado.

O Datafolha ouviu 2.058 eleitores em 128 municípios. As entrevistas foram presenciais e realizadas entre os dias 18 e 20 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-04496/2026.

O levantamento também mostra rejeição semelhante entre os dois candidatos que lideram a disputa. Flávio Bolsonaro é rejeitado por 46% dos entrevistados, enquanto 45% afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum.

TRE-AC defere registro de Mailza e chapa com Jéssica Sales supera período de incertezas

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) deferiu, em 19 de agosto, o registro da candidatura de Mailza Assis ao Governo do Acre e confirmou Jéssica Sales como candidata a vice-governadora pela coligação Avança Acre. A decisão afasta a incerteza que cercava a regularização da chapa após problemas na documentação partidária apresentada à Justiça Eleitoral.

A certidão expedida pela Secretaria Judiciária do TRE-AC registra que o Requerimento de Registro de Candidatura de Mailza foi deferido e que Jéssica Rojas Sales integra oficialmente a chapa. O processo tem como relator o juiz Thalles Vinícius de Souza Sales.

A situação que colocou a composição em atenção na Justiça Eleitoral não estava ligada, até então, a uma impugnação pessoal contra Jéssica Sales. O problema surgiu na organização documental da coligação, principalmente após o Democrata aparecer relacionado a duas alianças partidárias durante o registro das candidaturas.

A inconsistência obrigou os partidos envolvidos a corrigirem as atas apresentadas ao TRE-AC. O MDB também precisou complementar sua documentação para incluir formalmente o Democrata entre os integrantes da Avança Acre.

As correções passaram pela análise da Justiça Eleitoral antes do julgamento definitivo. A regularização era necessária porque a validade da coligação interfere diretamente nos registros das candidaturas vinculadas à chapa majoritária.

No julgamento, o TRE-AC considerou regular a formação da Avança Acre. A coligação reúne MDB, PDT, PL, Democrata e a Federação União Progressista, formada por Progressistas e União Brasil.

Com o deferimento, Mailza Assis e Jéssica Sales ficam com os registros reconhecidos pela Justiça Eleitoral e podem seguir na disputa pelo Governo do Acre. No caso de Jéssica, a decisão elimina a dúvida jurídica que permanecia enquanto o tribunal analisava a documentação e as correções realizadas pelos partidos.

A certidão emitida pelo TRE-AC confirma de forma expressa que Jéssica integra a chapa de Mailza e vincula o deferimento à decisão proferida no processo de registro eleitoral analisado em 19 de agosto.

Cinco indígenas entram na disputa eleitoral no Acre em 2026

Cinco candidatos registrados para as eleições de 2026 no Acre se declararam indígenas, de um total de 384 candidaturas contabilizadas no estado até esta quarta-feira, 19 de agosto. O número corresponde a 1,3% dos concorrentes registrados e ainda pode mudar durante a análise das candidaturas pela Justiça Eleitoral.

Entre os cinco candidatos indígenas, três informaram também a etnia no cadastro eleitoral. Dois declararam pertencer ao povo Kaxinawá e um ao povo Manchineri. Nos outros dois registros, não há informação sobre pertencimento étnico.

A identificação de cor ou raça e a declaração de etnia são feitas em campos diferentes no sistema eleitoral. Por isso, uma candidatura pode constar como indígena mesmo sem apresentar o nome do povo ao qual o candidato pertence.

A maior parte dos candidatos registrados no Acre em 2026 se declarou parda. São 236 pessoas, ou 61,46% do total. Os brancos aparecem em seguida, com 93 candidaturas, equivalentes a 24,22%.

Outros 45 candidatos se declararam pretos, o que representa 11,72% dos registros. Além dos cinco indígenas, outras cinco candidaturas foram registradas por pessoas que se declararam amarelas, também com participação de 1,3%.

Os dados correspondem aos registros disponíveis até 19 de agosto e podem sofrer mudanças com novas candidaturas, substituições ou decisões da Justiça Eleitoral ao longo do calendário das eleições de 2026.

Alan Rick percorre Baixada da Sobral e promete ações em saúde, esporte e educação

O candidato ao governo do Acre Alan Rick cumpriu agenda de campanha nesta terça-feira (18) na Baixada da Sobral, em Rio Branco, onde participou de um café da manhã e percorreu o comércio da região. Durante a caminhada, ele conversou com moradores e comerciantes e apresentou propostas para saúde, esporte, educação e saneamento básico.

Alan Rick estava acompanhado do candidato a vice-governador Rico Leite, dos candidatos ao Senado Mara Rocha e Sérgio Petecão, além de candidatos a deputado e lideranças políticas. O grupo saiu da região da Praça da Semsur e percorreu o trecho entre o mercado e o início da Rua 15.

Durante a visita, o candidato lembrou ações realizadas no período em que exerceu mandato de deputado federal e afirmou ter participado da destinação de recursos para o Centro de Iniciação ao Esporte e para obras de pavimentação na Baixada.

“Já fizemos aqui algumas ações importantes. O Centro de Iniciação ao Esporte foi uma ação nossa lá no nosso primeiro mandato de deputado federal. Nós trouxemos aqui o ministro à época, colocamos o recurso que faltava. Fizemos aqui várias ruas nessa região, Rua Rádio e Farol e várias outras aqui dentro da Baixada”, afirmou.

Na área esportiva, Alan Rick defendeu a ampliação dos espaços destinados às atividades e a recuperação de estruturas existentes. Ele citou uma escolinha de futebol mantida na região e afirmou que pretende ampliar os investimentos no setor caso seja eleito.

O candidato também falou sobre a necessidade de revitalização do ginásio coberto da Baixada e mencionou atividades como futebol e artes marciais desenvolvidas na comunidade. “O povo da Baixada, nós temos aqui o exemplo, nosso ginásio coberto que é antigo, precisa de uma revitalização”, disse.

Na saúde, Alan Rick afirmou que pretende direcionar atenção à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Baixada da Sobral e incluir obras de saneamento básico entre as ações para a região. “Aqui nós precisamos trabalhar saneamento básico, aqui nós precisamos trabalhar a nossa UPA da Baixada. Ela precisa ser também um local de referência da saúde”, declarou.

Para a educação, o candidato citou como prioridade a ampliação da formação técnica e profissionalizante. Ele afirmou que outras medidas voltadas à Baixada da Sobral fazem parte do plano de governo apresentado durante a campanha.