Blog do Ray diz que vínculo de colaborador do Data Control com governo Mailza levanta dúvidas sobre pesquisa

O Blog do Ray publicou neste sábado (22) que a ligação de José Denis Moura dos Santos, fundador do Data Control e atualmente colaborador do instituto, com o governo da governadora Mailza Assis (PP) passou a ser questionada por grupos de oposição às vésperas da divulgação de uma nova pesquisa sobre a disputa pelo Governo do Acre. José Denis ocupa cargo de direção no Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac).

A publicação afirma que adversários políticos de Mailza avaliam levar o caso à Justiça Eleitoral. O principal questionamento envolve o fato de José Denis exercer uma função comissionada na administração estadual ao mesmo tempo em que mantém relação profissional com o instituto responsável por levantamentos eleitorais que medem o desempenho da própria governadora e de seus adversários.

Atualmente, José Denis aparece na estrutura oficial do Imac como diretor de Gestão Administrativa e Financeira. O Blog do Ray afirma ainda que, na folha de pagamento de julho, ele recebeu remuneração bruta de R$ 18.242,48, com valor líquido de R$ 13.616,18.

A relação de José Denis com o Data Control vem de longa data. Ele participou da criação do instituto em 1997. Em entrevista publicada em 2023, porém, afirmou que deixou de ser proprietário da empresa e que, desde 2019, o instituto pertence à advogada Marina Belandi. Na ocasião, declarou que continuava prestando serviços ao Data Control como colaborador.

Esse ponto diferencia a condição atual de José Denis da posição de proprietário da empresa, mas não encerrou os questionamentos levantados por integrantes da oposição sobre sua atuação simultânea no governo estadual e junto ao instituto.

O Blog do Ray também afirma que partidos de oposição questionam a situação do Data Control perante o Conselho Regional de Estatística da 7ª Região (Conre-7), responsável pela jurisdição que inclui o Acre. Na página pública de profissionais e empresas em situação regular consultada neste sábado, uma busca pelo nome Data Control não apresenta resultado.

A discussão ocorre antes da divulgação de uma nova rodada do Data Control prevista para este domingo (23). De acordo com as informações publicadas, o levantamento ouviu 1.620 eleitores em 20 municípios do Acre e teve custo declarado de R$ 20 mil, pago pelo próprio instituto.

A publicação lembra ainda uma pesquisa divulgada em fevereiro, quando Mailza apareceu com 18,3% das intenções de voto e o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, com 18%. Com margem de erro de 3,5 pontos percentuais, os dois estavam tecnicamente empatados.

Integrantes da oposição ouvidos pelo Blog do Ray afirmam que escritórios de advocacia ligados a grupos políticos avaliam possíveis medidas na Justiça Eleitoral após a divulgação dos novos números. Até o momento, não há decisão judicial citada que suspenda ou invalide o levantamento.

A existência de vínculo profissional ou funcional de uma pessoa ligada a um instituto de pesquisa, por si só, não permite concluir que os resultados tenham sido manipulados. Os questionamentos apresentados pelos adversários de Mailza tratam da independência e da percepção de credibilidade do levantamento, pontos que poderão ser discutidos formalmente caso alguma representação seja apresentada à Justiça Eleitoral.

TRE-AC defere registro de Mailza e chapa com Jéssica Sales supera período de incertezas

O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) deferiu, em 19 de agosto, o registro da candidatura de Mailza Assis ao Governo do Acre e confirmou Jéssica Sales como candidata a vice-governadora pela coligação Avança Acre. A decisão afasta a incerteza que cercava a regularização da chapa após problemas na documentação partidária apresentada à Justiça Eleitoral.

A certidão expedida pela Secretaria Judiciária do TRE-AC registra que o Requerimento de Registro de Candidatura de Mailza foi deferido e que Jéssica Rojas Sales integra oficialmente a chapa. O processo tem como relator o juiz Thalles Vinícius de Souza Sales.

A situação que colocou a composição em atenção na Justiça Eleitoral não estava ligada, até então, a uma impugnação pessoal contra Jéssica Sales. O problema surgiu na organização documental da coligação, principalmente após o Democrata aparecer relacionado a duas alianças partidárias durante o registro das candidaturas.

A inconsistência obrigou os partidos envolvidos a corrigirem as atas apresentadas ao TRE-AC. O MDB também precisou complementar sua documentação para incluir formalmente o Democrata entre os integrantes da Avança Acre.

As correções passaram pela análise da Justiça Eleitoral antes do julgamento definitivo. A regularização era necessária porque a validade da coligação interfere diretamente nos registros das candidaturas vinculadas à chapa majoritária.

No julgamento, o TRE-AC considerou regular a formação da Avança Acre. A coligação reúne MDB, PDT, PL, Democrata e a Federação União Progressista, formada por Progressistas e União Brasil.

Com o deferimento, Mailza Assis e Jéssica Sales ficam com os registros reconhecidos pela Justiça Eleitoral e podem seguir na disputa pelo Governo do Acre. No caso de Jéssica, a decisão elimina a dúvida jurídica que permanecia enquanto o tribunal analisava a documentação e as correções realizadas pelos partidos.

A certidão emitida pelo TRE-AC confirma de forma expressa que Jéssica integra a chapa de Mailza e vincula o deferimento à decisão proferida no processo de registro eleitoral analisado em 19 de agosto.

Sandra Mello cobra cachês atrasados enquanto Estado destina R$ 12,7 milhões a shows nacionais

Há mais de 90 dias, músicos e outros profissionais da cultura do Acre esperam receber por apresentações já realizadas em eventos ligados à Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM). A demora levou a cantora Sandra Mello às redes sociais nesta terça-feira, 18 de agosto, para cobrar o pagamento dos trabalhadores. A reivindicação ocorre no mesmo ano em que o Governo do Acre movimentou R$ 12,7 milhões para cachês das principais atrações nacionais contratadas ou previstas nas Expoacres do Juruá e de Rio Branco em 2026.

Sandra tornou pública uma cobrança que atravessa os bastidores da produção cultural acreana. Artistas sobem ao palco, músicos cumprem horários, equipes técnicas trabalham antes e depois dos shows, mas parte desses profissionais ainda aguarda o dinheiro por serviços prestados há mais de três meses. Na publicação, a cantora marcou a Fundação Elias Mansour, o responsável pela área de Cultura e a governadora Mailza Assis.

“A cultura pede ajuda e respeito”, escreveu.

Até a cobrança vir a público, a FEM não havia informado a razão da demora nem apresentado uma data para a quitação dos valores. Também permaneciam sem resposta questões básicas para dimensionar o problema: quantos profissionais estão com pagamentos pendentes, qual é o montante total devido, quais eventos deram origem às dívidas e em que estágio administrativo se encontram os processos.

A espera enfrentada pelos trabalhadores locais ganha outra dimensão quando colocada diante dos valores destinados aos grandes shows das duas principais feiras agropecuárias realizadas pelo Estado em 2026. Somados, os cachês nacionais previstos para a Expoacre Juruá e os contratos de artistas nacionais da Expoacre de Rio Branco alcançaram R$ 12,7 milhões.

Em Cruzeiro do Sul, a Expoacre Juruá teve R$ 6,25 milhões reservados no Plano de Trabalho da Associação Transformar para seis atrações nacionais. Leonardo aparece com o maior valor, R$ 2,1 milhões. Natanzinho Lima teve previsão de R$ 1,7 milhão. Ícaro e Gilmar, R$ 750 mil. Tierry e padre Fábio de Melo aparecem com R$ 650 mil cada. A Banda Morada completa a relação, com R$ 400 mil.

Os cachês faziam parte de uma estrutura financeira muito maior. Em 29 de junho, a Casa Civil transferiu R$ 15.848.310 à Associação Transformar para execução, gestão, organização e realização da Expoacre Juruá, por meio de Termo de Colaboração. O dinheiro destinado aos shows nacionais estava inserido nesse orçamento global.

Esse ponto exige uma diferença importante. O repasse de R$ 15,848 milhões comprova que o Estado colocou os recursos da parceria à disposição da entidade responsável pela feira. Não permite afirmar, isoladamente, que cada cantor ou banda recebeu o respectivo cachê naquele momento. A confirmação do valor efetivamente pago a cada atração e da data de cada pagamento depende da prestação de contas da Associação Transformar.

Ainda assim, os números mostram a dimensão da estrutura montada para receber artistas de fora do Acre. Além dos R$ 6,25 milhões destinados aos cachês nacionais no Juruá, outros R$ 2,448 milhões estavam previstos para produção e logística dessas atrações, com despesas como transporte aéreo, fretamento, hospedagem, alimentação, camarins, vans e serviços ligados à realização dos shows.

Em Rio Branco, o caminho administrativo foi diferente e os registros permitem acompanhar o dinheiro de forma mais direta. A Casa Civil firmou cinco contratos para seis atrações nacionais, num total de R$ 6,45 milhões. Os valores aparecem nos registros financeiros como empenhados, liquidados e pagos pelo Governo do Acre.

O maior contrato chegou a R$ 2,55 milhões e reuniu Leonardo e Ana Castela no mesmo instrumento. Como os dois nomes foram contratados conjuntamente, o valor disponível não permite separar quanto correspondeu individualmente a cada apresentação. Wesley Safadão teve contrato de R$ 1,8 milhão. Natanzinho Lima, de R$ 1,3 milhão. Padre Fábio de Melo recebeu contrato de R$ 500 mil, enquanto a Banda Som e Louvor ficou com R$ 300 mil.

A soma chega aos R$ 6,45 milhões já registrados como pagos em Rio Branco. Acrescentados aos R$ 6,25 milhões previstos para as atrações nacionais da Expoacre Juruá, são R$ 12,7 milhões destinados somente aos principais cachês de artistas de fora do estado nas duas feiras.

O valor não inclui palcos, iluminação, sonorização, segurança, montagem, reformas ou outras despesas de infraestrutura. Também não representa o custo total das duas Expoacres. Trata-se apenas da parcela relacionada aos principais shows nacionais, o que torna a comparação com a cobrança dos artistas acreanos ainda mais sensível.

Os processos não são iguais. Os pagamentos cobrados por Sandra Mello passam pela Fundação Elias Mansour. Na Expoacre de Rio Branco, as atrações nacionais foram contratadas diretamente pela Casa Civil. No Juruá, o Estado transferiu os recursos para uma organização da sociedade civil responsável pela execução da feira. Misturar os três caminhos administrativos como se fossem um único processo distorceria a realidade.

Há, porém, um ponto comum: todos dependem de recursos públicos estaduais.

E é justamente aí que a cobrança feita por Sandra ultrapassa a situação individual de um artista que ainda não recebeu. Ela expõe uma questão sobre a forma como o poder público organiza prioridades, contratos, fluxo financeiro e pagamento de quem trabalha na cultura acreana.

Para colocar grandes nomes nacionais nos palcos das Expoacres, o Estado estruturou contratos e repasses milionários. No Juruá, R$ 15,848 milhões foram transferidos de uma só vez à entidade encarregada da feira, dentro de um orçamento que reservava R$ 6,25 milhões aos principais shows nacionais. Em Rio Branco, R$ 6,45 milhões em contratos de atrações nacionais já aparecem como pagos.

Do outro lado estão artistas, músicos e trabalhadores locais que, conforme a cobrança de Sandra Mello, passaram dos 90 dias de espera por serviços já executados.

A diferença não permite afirmar, por si só, que o dinheiro destinado aos shows nacionais poderia ter sido usado para quitar os débitos da FEM. São contratos, fontes orçamentárias e procedimentos que podem seguir regras distintas. Mas torna inevitável uma cobrança por transparência: se o Estado conseguiu organizar o fluxo administrativo necessário para financiar eventos milionários e assegurar atrações nacionais, o que impede a conclusão dos pagamentos dos profissionais acreanos?

A resposta precisa vir acompanhada de números e datas. A FEM ainda deve esclarecer quantos trabalhadores aguardam pagamento, quanto o Estado deve a esses profissionais, quais contratos ou editais estão envolvidos, onde estão os processos e quando o dinheiro chegará a quem já trabalhou.

Enquanto essas informações não aparecem, a frase publicada por Sandra Mello resume uma situação que deixou de caber apenas nos bastidores dos palcos: “A cultura pede ajuda e respeito”.

Mailza visita Mercado da Cidade do Povo e conversa com moradores em Rio Branco

A governadora do Acre, Mailza Assis, esteve neste sábado (15) no Mercado da Cidade do Povo, em Rio Branco, onde participou de um café da manhã com moradores, comerciantes e lideranças comunitárias. O encontro reuniu cerca de 100 pessoas e teve como foco a apresentação de demandas do bairro e o diálogo sobre serviços e investimentos públicos.

Durante a visita, a governadora ouviu reivindicações relacionadas à infraestrutura, moradia, qualificação profissional e geração de oportunidades. Marcus Alexandre (MDB) também acompanhou a programação.

Mailza afirmou que a intenção é ampliar a presença do governo na comunidade e manter contato direto com os moradores. “Precisamos estar cada vez mais próximos das pessoas, ouvindo a comunidade e conhecendo de perto suas necessidades. A Cidade do Povo tem recebido investimentos importantes e, agora, queremos ampliar ainda mais esse olhar, esse cuidado e essa atenção com cada família que vive aqui”, disse.

Entre as ações recentes na região está a reforma da Escola de Gastronomia e Hospitalidade Miriam Assis Felício, espaço destinado à oferta de cursos de capacitação e formação profissional.

A Cidade do Povo também recebeu novas unidades habitacionais. Entre fevereiro e abril de 2026, foram entregues 964 moradias por meio dos programas Pró-Moradia e Minha Casa, Minha Vida. Outras 500 famílias foram selecionadas em uma nova etapa habitacional destinada à comunidade.

A agenda no mercado contou ainda com apresentação do Grupo Dançarinos da Noite. Moradores e comerciantes aproveitaram a presença da governadora para expor necessidades do bairro e cobrar continuidade das ações públicas na região.

Homenagem a Mailza em solenidade pública levanta debate eleitoral no Acre

A homenagem prestada à governadora Mailza Assis pela Defensoria Pública do Acre, nesta quinta-feira, em Rio Branco, abriu debate sobre a linha que separa o reconhecimento institucional da exposição política em plena campanha eleitoral. Governadora há quatro meses e candidata ao cargo nas urnas, Mailza recebeu um ato público de reconhecimento à gestão em uma solenidade que reuniu autoridades, defensores públicos e representantes do governo.

A cerimônia ocorreu no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Acre e foi organizada pela Defensoria Pública do Estado e pela Associação das Defensoras e Defensores Públicos do Acre. O evento reconheceu contribuições do Governo do Estado para o fortalecimento da estrutura da instituição, incluindo investimentos e uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada por Mailza quando exercia mandato no Senado Federal para a aquisição de uma unidade móvel de atendimento.

O ponto levantado pelo artigo do Acre ao Vivo é o momento político da homenagem. A solenidade não ocorreu em um período comum da vida administrativa. Mailza está no exercício do governo, ocupa posição de candidata e disputa a permanência no Palácio Rio Branco. Nesse contexto, um ato público com reconhecimento à gestão deixa de ser apenas uma agenda institucional e passa a exigir análise sobre eventual benefício eleitoral.

A Defensoria Pública tem papel essencial no atendimento jurídico da população mais vulnerável e ampliou sua estrutura nos últimos anos. O número de defensores passou de pouco mais de 40 para 61, e a instituição registrou mais de 210 mil atendimentos em 2025, com previsão de ultrapassar 240 mil neste ano. Esses dados explicam a relevância institucional do reconhecimento, mas não encerram a discussão sobre o impacto político da solenidade.

O debate se concentra no uso da imagem pública de uma governadora candidata em um evento de exaltação administrativa. Mesmo sem pedido explícito de voto, a exposição em cerimônias oficiais pode produzir efeito político quando associa a candidata a entregas, parcerias e resultados de governo. É justamente essa fronteira que o questionamento coloca em evidência.

Instituições públicas podem reconhecer parcerias, agradecer apoios e prestar contas à sociedade. O problema surge quando a forma, o momento e a comunicação do ato se confundem com a disputa eleitoral. Em ano de eleição, a prudência institucional precisa ser maior para evitar que homenagens públicas sejam interpretadas como promoção de quem está na corrida pelo voto.

Leia o artigo completo no site Acre ao Vivo

Mailza tem 5 dias para se explicar ao TRE-AC por suposta conduta vedada em isenção do IPVA

A governadora do Acre, Mailza Assis, tem cinco dias para apresentar defesa ao Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) em uma representação que a acusa de prática de conduta vedada pela legislação eleitoral na concessão de benefício fiscal em ano de eleição. A ação foi apresentada por Republicanos, PSD, Novo e Avante, partidos que integram a Coligação Trabalho da Esperança. A notificação já foi expedida pela Justiça Eleitoral.

O processo questiona a isenção do IPVA de 2026 para veículos novos adquiridos por pessoas físicas entre 1º e 30 de agosto. A medida foi proposta pelo governo estadual, encaminhada à Assembleia Legislativa do Acre em regime de urgência e posteriormente sancionada por Mailza.

Os partidos não pedem a suspensão nem a revogação da isenção. A representação concentra o questionamento na responsabilidade da governadora pela criação do benefício em ano eleitoral e pede que o TRE-AC reconheça a ocorrência de conduta vedada e aplique a penalidade prevista na legislação.

A ação se baseia no artigo 73, parágrafo 10, da Lei das Eleições, que proíbe, no ano eleitoral, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública, exceto em situações previstas pela própria legislação, como calamidade pública, estado de emergência ou programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior.

“Não se trata de programa social, de situação de calamidade ou de estado de emergência”, afirma a representação. Os partidos sustentam que a medida criou uma “exoneração tributária temporária e generalizada” em período que coincide com a realização de uma feira de negócios promovida pelo Estado.

A representação também cita decisões anteriores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo benefícios fiscais concedidos em ano de eleição. Entre os precedentes mencionados está um caso relacionado às eleições municipais de 2012, no Paraná, no qual uma lei de iniciativa do então prefeito concedeu isenção tributária e houve reconhecimento de conduta vedada pela Justiça Eleitoral.

No caso acreano, os autores atribuem responsabilidade direta a Mailza por ela ter encaminhado o projeto ao Legislativo e sancionado a medida. “Trata-se, portanto, da agente pública responsável pela iniciativa e pela sanção da norma que instituiu a vantagem”, diz a representação.

Esta é a segunda ação eleitoral recente envolvendo atos do governo estadual. Na semana passada, o Republicanos acionou o TRE-AC em outro processo que questiona cerca de 1,4 mil nomeações realizadas pelo governo durante o período de restrições estabelecido pela legislação eleitoral.

Na nova representação, Republicanos, PSD, Novo e Avante pedem a aplicação da multa máxima, calculada em R$ 106.410. Mailza poderá apresentar sua defesa dentro do prazo de cinco dias. Depois dessa etapa, o processo seguirá para julgamento, e caberá à Justiça Eleitoral decidir se houve ou não prática de conduta vedada.

Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Cruzeiro do Sul homenageia Melissa Sampaio no Dia dos Pais enquanto ela cobra andamento de caso contra Madson Cameli

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul escolheu Melissa Sampaio, ex-esposa de Madson de Castro Cameli, para uma campanha de Dia dos Pais publicada neste domingo, 9 de agosto. Na arte, Melissa aparece ao lado dos filhos e integra a homenagem dirigida a “todas as mulheres que também são pais”. A publicação ocorre enquanto ela cobra da Justiça andamento no caso em que Madson foi denunciado pelo Ministério Público do Acre por lesão corporal grave e violência psicológica.

A peça produzida pela prefeitura reúne duas mães acompanhadas dos filhos. Melissa aparece na parte superior da imagem, recebendo beijos das crianças. A mensagem principal diz: “Neste domingo especial desejamos feliz Dia dos Pais para todas as mulheres que também são pais!”. A campanha leva a identidade visual oficial da Prefeitura de Cruzeiro do Sul.

O caso envolvendo Melissa e Madson chegou ao Ministério Público em 2024. Em agosto daquele ano, o MPAC informou que Madson era investigado por lesão corporal grave e violência psicológica e que Melissa tinha medida protetiva deferida. Ela também passou a receber acompanhamento do Centro de Atendimento à Vítima.

Posteriormente, a 3ª Promotoria de Justiça Criminal de Cruzeiro do Sul denunciou Madson pelos crimes de lesão corporal grave e violência psicológica. A acusação foi apresentada com base nos elementos reunidos durante a investigação, entre eles depoimentos e documentos relacionados ao caso. A defesa de Madson contestou as acusações e afirmou que os fatos ocorreram no contexto do fim do relacionamento.

Em 2026, Melissa voltou a falar publicamente sobre o processo. Em junho, ela cobrou rapidez da Justiça em casos de violência doméstica e criticou a demora enfrentada por mulheres que procuram proteção e permanecem durante longos períodos sem uma decisão judicial.

“Nenhuma mulher deveria esperar anos por uma decisão”, escreveu Melissa ao tratar da necessidade de maior rapidez na tramitação de processos envolvendo violência contra a mulher.

A situação de Madson também mudou desde que o caso ganhou repercussão. Ele se casou com Mailza Assis, atual governadora do Acre, e passou a ocupar o cargo de chefe do Gabinete Pessoal da governadora, função diretamente ligada ao núcleo administrativo do Palácio Rio Branco.

A campanha da Prefeitura de Cruzeiro do Sul coloca Melissa em uma comunicação oficial voltada ao reconhecimento de mulheres que assumem responsabilidades familiares sem a presença cotidiana do pai. Ao mesmo tempo, ela continua cobrando resposta para um processo que envolve justamente o pai de seus filhos e que permanece sem desfecho judicial.

A arte não menciona Madson, a denúncia ou o processo. A homenagem se concentra na condição de Melissa como mãe e na criação dos filhos. A presença dela, porém, ocorre pouco tempo depois de voltar a público para reclamar da demora da Justiça em um caso iniciado há cerca de dois anos.

Madson não foi condenado pelos fatos relacionados ao processo. Há uma denúncia apresentada pelo Ministério Público, contestada pela defesa, e uma cobrança pública de Melissa para que o caso avance na Justiça.

Neste domingo, a Prefeitura de Cruzeiro do Sul escolheu Melissa como uma das mulheres que representam a mensagem de mães que “também são pais”. A homenagem ocorre enquanto ela permanece à espera de uma resposta judicial sobre as acusações feitas contra o ex-marido.

Apoiador de Mailza, Ulysses diz que chapa tem competência “apesar de serem mulheres”

O apoio político montado em torno da governadora Mailza Assis produziu mais um desgaste nesta terça-feira, 4 de agosto. Durante a convenção que oficializou a chapa com Jéssica Sales como candidata a vice-governadora, o deputado federal Coronel Ulysses afirmou que as duas têm competência “apesar de serem mulheres”. A declaração foi dada ao jornal A Gazeta do Acre, no Sesc Bosque, em Rio Branco.

“Eu entendo que essa chapa, apesar de a governadora e a vice-governadora serem mulher, tem muita competência, tem muito trabalho, tem muita entrega”, declarou Ulysses. Depois, citou a passagem de Mailza pelo Senado e o mandato de Jéssica na Câmara dos Deputados para defender a candidatura.

A frase expôs a contradição dentro do próprio palanque. A campanha apresenta uma chapa formada por duas mulheres como demonstração de força política, enquanto um dos principais aliados trata a competência feminina como uma exceção que precisa ser reconhecida.

O episódio ocorre quando Mailza já enfrenta questionamentos pela presença do marido, Madson Cameli, no centro do governo. Nomeado chefe do Gabinete Pessoal da Governadora, ele ocupa uma função diretamente ligada às decisões e à rotina do Palácio Rio Branco.

Madson também foi investigado por lesão corporal grave e violência psicológica contra a ex-mulher. Em agosto de 2024, o Ministério Público do Acre informou que a vítima tinha medida protetiva e que o inquérito estava sob análise da promotoria de Cruzeiro do Sul. Não há, nessa informação, registro de condenação.

É esse o apoio reunido em torno de Mailza: enquanto a candidata tenta transformar uma chapa feminina em ativo eleitoral, um aliado sobe ao palanque e condiciona a capacidade das duas ao fato de serem mulheres. A fala de Ulysses não atingiu a oposição. Atingiu o principal discurso da própria campanha.

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Wenceslau vê Bocalom fortalecido após convenção e questiona pesquisa AtlasIntel no Acre

O jornalista Rogério Wenceslau afirmou, na manhã desta segunda-feira, 3 de agosto, que a convenção de Tião Bocalom mudou a percepção sobre a força do ex-prefeito de Rio Branco na disputa pelo Governo do Acre. Durante sua análise no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, o apresentador também questionou a diferença entre os números divulgados pela AtlasIntel e o cenário construído por pesquisas anteriores no estado.

A leitura de Wenceslau partiu das imagens do Ginásio do Sesi lotado na sexta-feira, 31 de julho, durante o ato que oficializou a candidatura de Bocalom ao governo. Para o jornalista, a mobilização retirou o candidato de uma posição secundária no debate eleitoral e obrigou adversários, aliados e observadores da política acreana a reverem suas avaliações.

“Uma multidão lotou o ginásio, muita gente realmente, acho que mais de cinco mil pessoas. Isso reposicionou a candidatura de Tião Bocalom”, declarou.

Wenceslau sustentou que o tamanho do público teve um peso político que ultrapassou a formalidade da convenção. Na avaliação apresentada no programa, o evento mostrou que Bocalom preserva capacidade de mobilização, estrutura partidária e presença entre eleitores que já o acompanharam em outras disputas.

“Muita gente que achava que ele não estava tão forte assim acabou revendo os conceitos e entendendo que é um candidato que está na disputa, que está forte e que o jogo está pareado”, afirmou.

A convenção confirmou o sargento Adônis Souza como candidato a vice-governador e o deputado federal Eduardo Velloso como candidato ao Senado. Ao comentar a formação da chapa, Wenceslau lembrou que Velloso se aproximou do grupo de Bocalom depois de não conquistar espaço para disputar o Senado na composição governista.

Mesmo diante da demonstração de força, o jornalista tratou o cenário como aberto. As convenções ainda estavam em andamento, as candidaturas passariam pelo registro na Justiça Eleitoral e a campanha não havia começado oficialmente. Para Wenceslau, novas alianças e movimentos partidários ainda poderiam alterar a disputa antes de o eleitor entrar em contato direto com a propaganda eleitoral.

Foi nesse ambiente que a pesquisa AtlasIntel, divulgada pelo AC24horas, entrou no centro da análise. No cenário estimulado para o Governo do Acre, Mailza Assis apareceu com 35,2%, Alan Rick com 33,1%, Tião Bocalom com 18,5% e Thor Dantas com 9,7%.

Wenceslau não tratou os números como uma oscilação comum entre levantamentos. Para ele, a pesquisa colocou diante do eleitor uma configuração muito diferente daquela apresentada até então por institutos que acompanharam a corrida estadual.

“Essa pesquisa muda completamente o panorama político. Coloca a situação completamente diferente do que até então a gente imaginava”, disse.

O principal ponto de estranhamento levantado pelo jornalista foi a ascensão de Mailza Assis. Wenceslau comparou o resultado da AtlasIntel com pesquisas divulgadas poucos dias antes, nas quais a governadora aparecia em posição inferior, e questionou quais fatos políticos teriam provocado uma mudança tão rápida na preferência do eleitorado.

“Na pesquisa do AC24horas, a governadora já ultrapassou o pré-candidato Alan. Ela sai da terceira colocação para a primeira colocação em menos de 15 dias”, observou.

A crítica apresentada no Jornal da Manhã não se limitou à posição de Mailza. Wenceslau colocou em dúvida a capacidade dos levantamentos disponíveis de oferecer uma fotografia coerente da disputa, diante das diferenças entre os resultados divulgados por institutos nacionais e locais.

“Ou eu não vi nada do que aconteceu nos últimos dias na política ou todos os institutos de pesquisa da região estão mentindo, e mentindo feio. Das duas, uma”, afirmou.

O jornalista reconheceu que pesquisas eleitorais podem apresentar resultados diferentes. Cada levantamento trabalha com amostras, métodos, períodos de coleta e formas de abordagem próprias. Ainda assim, considerou difícil explicar uma mudança tão ampla em tão pouco tempo sem que um acontecimento político de grande impacto tivesse sido percebido nas ruas, nos partidos ou no debate público.

“Ou a gente não acompanhou nada de política nos últimos dias, que não viu essa mudança toda, ou os institutos de pesquisa do Acre não estão mais servindo para aferir a intenção de voto do eleitor, porque isso coloca de cabeça para baixo tudo que vinha sendo mostrado”, declarou.

Ao recuperar o histórico eleitoral de Bocalom, Wenceslau também pediu cautela na transformação de pesquisas em resultados antecipados. O apresentador lembrou que o político já chegou desacreditado a outras eleições municipais e terminou vencedor.

“No Acre, nós já temos um especialista em desmentir pesquisa. Eu acabei de falar nele, que é o Tião Bocalom. Nas eleições majoritárias que disputou, era dado como derrotado e venceu pelo menos duas”, comentou.

A análise feita por Wenceslau no Jornal da Manhã colocou lado a lado dois elementos que passaram a movimentar a eleição acreana. A convenção mostrou Bocalom cercado por apoiadores e lideranças, enquanto a pesquisa AtlasIntel o manteve distante dos dois primeiros colocados. Para o jornalista, essa diferença precisa ser acompanhada com atenção, porque a força demonstrada em um ato partidário não pode ser confundida automaticamente com intenção de voto, mas também não deve ser ignorada na leitura da campanha.

Wenceslau encerrou a análise defendendo que as pesquisas sejam divulgadas e debatidas, sem que os percentuais sejam tratados como sentença definitiva. Na avaliação do apresentador, a disputa ainda passará pelas convenções, pela campanha nas ruas, pelo confronto de propostas e pelo julgamento direto do eleitor. A resposta final, como ocorre em qualquer eleição, não estará no ginásio nem nas planilhas dos institutos, mas nas urnas.