Paraná Pesquisas recoloca Perpétua Almeida no pelotão da Câmara mesmo após mais de três anos sem mandato

Fora de mandato eletivo desde fevereiro de 2023, quando terminou a 56ª Legislatura da Câmara dos Deputados, Perpétua Almeida voltou a aparecer entre os nomes mais competitivos para a disputa por uma vaga federal no Acre. Em levantamento do Paraná Pesquisas divulgado nesta semana, a ex-deputada surge com 8,1% das intenções de voto na pesquisa estimulada, no grupo dos primeiros colocados, mesmo após três anos e quatro meses longe do exercício parlamentar.

O dado reforça um traço conhecido da política acreana: a força da memória eleitoral. Perpétua construiu uma trajetória longa na Câmara, com quatro mandatos de deputada federal, e manteve o nome em circulação mesmo fora do cargo. Esse capital político ajuda a explicar por que ela continua lembrada numa disputa que ainda está em fase de articulação, num cenário em que outros concorrentes contam com mandato, estrutura partidária ou exposição institucional mais recente.

A presença dela na pesquisa também se conecta à atuação que manteve nos últimos anos fora do Congresso. Na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, a ABDI, Perpétua esteve ligada a uma agenda de reindustrialização, desenvolvimento sustentável e fortalecimento de cadeias produtivas. No Acre, esse trabalho foi associado a projetos voltados à agroindústria, ao incentivo à produção local e à industrialização de setores estratégicos, temas que dialogam com uma parcela do eleitorado que acompanha pautas de geração de emprego, inovação e economia regional.

Esse movimento ajuda a sustentar a lembrança do nome dela entre os eleitores. Ao longo da carreira, Perpétua ocupou espaços de visibilidade em Brasília e participou de debates ligados a defesa, tecnologia, infraestrutura e políticas públicas, o que preservou uma imagem de atuação frequente em áreas de interesse nacional e local. Na prática, a pesquisa mostra que, mesmo sem mandato desde o início de 2023, ela ainda aparece como uma candidatura com lastro político, recall consolidado e capacidade de entrar competitiva na corrida por uma cadeira na Câmara em 2026.

Presença indígena na política é necessidade democrática diante da crise ambiental e da mentira

Artigo de Francisco Piyãko*

A presença indígena na política não é ameaça. É necessidade democrática. Num tempo em que a crise ambiental avança, a desinformação decide eleições e os povos da floresta continuam sendo atacados por defender seus territórios, ocupar espaços de decisão deixou de ser apenas uma escolha. Passou a ser uma responsabilidade com o futuro do Acre, da Amazônia e do Brasil.

Nós, povos indígenas, conhecemos bem o funcionamento da política tradicional. Vemos grupos investindo muito para chegar ao poder e, depois, usando ainda mais força para permanecer nele. Muitas vezes, o objetivo deixa de ser fazer melhor. Passa a ser apagar o outro, enfraquecer lideranças novas, fabricar medo e transformar a disputa pública numa guerra. Esse modelo não combina com a forma como entendemos liderança. Para nós, uma liderança cresce quando serve melhor ao seu povo, quando orienta, quando escuta e quando protege a comunidade diante das ameaças.

Ser liderança indígena não é privilégio. É sacrifício. Ninguém assume essa caminhada porque alguém está pagando ou bancando. A força vem da responsabilidade com o povo, da defesa do território, da necessidade de dialogar com governos, municípios, autoridades e instituições que nem sempre chegam preparados para ouvir. Quando existe espaço de conversa, nós sentamos. Quando não existe, seguimos organizados, fortalecendo alianças e protegendo nossos direitos.

O que dificulta a relação não é explicar o pensamento indígena. O que dificulta é a falta de respeito. Quanto menos se respeita os povos indígenas, mais crescem a violação de direitos, a pobreza e a vulnerabilidade. Onde o direito coletivo enfraquece, a violência avança. Por isso, a articulação entre os povos é tão importante. É ela que sustenta conquistas, protege territórios e mantém viva a força coletiva reconhecida na Constituição.

A mentira virou uma das principais armas contra nós. Fake news, promessas vazias e campanhas de medo exploram a necessidade das pessoas. Em muitos lugares, a desinformação chega antes da verdade, grita mais alto e ajuda a eleger candidatos que depois votam contra os povos indígenas, contra o meio ambiente, contra a região e contra os direitos sociais. Muitas vezes, os piores candidatos vencem porque a população foi cercada por mentiras.

É nesse cenário que a presença indígena na política precisa ser entendida. Nós não disputamos cargo para destruir ninguém. Não fazemos guerra contra não indígenas, extrativistas, ribeirinhos ou moradores das cidades. O cargo pode ser um meio para levar nossa voz aonde as decisões acontecem. Gestão, Legislativo, Judiciário, governo e parlamento precisam ouvir quem sempre foi tratado como assunto, mas raramente como sujeito da própria história.

Também é por isso que alguns grupos se sentem ameaçados quando aparece uma candidatura indígena. Eles estavam acostumados a falar em nosso nome, em nome da Amazônia, da floresta e até do futuro. Querem ser ambientalistas sem nunca ter plantado uma árvore, colhido uma semente, compreendido um rio, pescado para viver ou sentido a natureza como parte da própria vida. Usam a floresta em discursos bonitos fora daqui, mas, quando voltam, trabalham para enfraquecer lideranças que defendem os territórios de verdade.

Foi isso que apareceu quando Nikolas Ferreira veio ao Acre, a convite do senador Márcio Bittar, e disse que já conhecia o estado mais do que Marina Silva. Ele tentou atingir Marina, mas acabou enfraquecendo ainda mais o senador, que abriu o palanque para esse tipo de ataque. Porque quando um deputado de fora passa poucos dias no Acre e se sente autorizado a dizer que conhece esta terra mais do que uma mulher nascida no seringal, formada na luta social acreana e reconhecida no Brasil e no mundo pela defesa ambiental, ele não diminui Marina. Ele revela a arrogância de quem usa a Amazônia como palco.

Marina pode ser criticada, como qualquer liderança pública. O problema é transformar crítica em deboche contra uma história. Existe uma diferença profunda entre discordar de uma posição política e tentar apagar uma trajetória construída dentro da floresta. Quando isso acontece, o debate fica menor. E quem oferece palanque para esse tipo de ataque assume também o custo político da escolha.

Essa cena mostra uma disputa maior: quem tem o direito de falar sobre a Amazônia? Há quem chegue, grave vídeo, faça discurso, ataque lideranças da floresta e vá embora achando que entendeu tudo. Mas o Acre não se aprende em visita rápida. O rio não se compreende pela janela de caminhonete. A floresta não é cenário de campanha. Ela é casa, alimento, remédio, memória, água e futuro.

Nós não vivemos numa ilha. A luta socioambiental não pertence apenas aos povos indígenas. Quando se desmata uma cabeceira, quando se ameaça a Reserva Chico Mendes, quando se derrubam áreas de floresta que ajudam a sustentar os rios, a consequência chega também à cidade. Imaginem o Rio Acre secando de verdade, sem água suficiente para Rio Branco e para os municípios que dependem dele. Ninguém está preparado para isso com a seriedade necessária.

A ciência vem avisando. A nossa experiência também. O tempo da floresta mudou, os rios baixam, o calor aumenta, a fumaça volta e a situação hídrica se agrava. Mesmo assim, há setores que continuam defendendo mais desmatamento, inclusive em áreas que funcionam como reservatório natural da vida no Acre. Tratam a proteção ambiental como obstáculo, quando ela é condição básica para qualquer futuro.

A política indígena assusta porque coloca essa verdade na mesa. Ela pergunta desenvolvimento para quem, a que custo e por quanto tempo. Pergunta por que alguns grupos defendem interesses particulares como se fossem interesse do povo. Pergunta por que tantos têm medo de que os povos da floresta ocupem espaços de decisão e deixem de ser apenas mão de obra, símbolo de campanha ou assunto de discurso.

Nós não estamos no momento de dividir. Estamos no momento de falar sério. A seca não vai perguntar em quem cada pessoa votou. A falta de água não vai separar indígena, comerciante, trabalhador, empresário, criança, idoso, aldeia ou capital. Quando o colapso chegar, todos vão entender que proteger floresta, território indígena, reserva extrativista e rio era uma política de sobrevivência.

Por isso, candidatura indígena não é atraso. Atraso é uma cidade sem segurança hídrica. Atraso é destruir a floresta que protege a água. Atraso é votar contra direitos ambientais e depois dizer que defende a região. Atraso é usar mentira para convencer o povo de que seus verdadeiros defensores são inimigos.

A democracia brasileira precisa de mais presença indígena porque nós carregamos uma experiência que o Estado ignorou por tempo demais. Sabemos que território não é mercadoria comum. Sabemos que rio não é apenas recurso. Sabemos que floresta não é vazio. Sabemos que vida coletiva exige responsabilidade. Essa visão não substitui a ciência nem as instituições. Ela se soma a elas com a força de quem vive a realidade no corpo.

O medo de alguns grupos diante da nossa presença revela mais sobre eles do que sobre nós. Se uma candidatura indígena ameaça alguém, talvez ameace privilégios, negócios mal explicados, discursos vazios e a velha prática de falar sobre a Amazônia sem dividir a decisão com quem vive nela. Para a democracia, nossa presença não é ameaça. É correção de rota.

O Acre já pagou caro por ignorar suas vozes da floresta. Pagou com conflito, morte, abandono, seca, fumaça e desigualdade. Não podemos continuar tratando os povos indígenas como problema enquanto os verdadeiros problemas avançam sobre a terra, a água e a verdade. O que defendemos não é privilégio indígena. É o direito de todos a continuar vivendo.

A minha luta é para que nossa voz chegue aos espaços de decisão sem pedir licença a quem sempre nos quis calados. A presença indígena na política não divide o Acre. Ela obriga o Acre a se olhar com honestidade. Ela mostra que defender os povos da floresta é defender a água, a cidade, o clima, a comida, a memória e o futuro.

O que está em jogo não é apenas uma eleição. É saber se o Acre vai continuar servindo de palco para quem chega de fora e debocha da sua história, ou se vai abrir caminho para quem conhece esta terra pela responsabilidade de protegê-la. Eu escolho o segundo caminho. Nele, a presença indígena não é favor, não é concessão e não é ameaça. É necessidade democrática.

*Francisco Piyãko é liderança indígena do Povo Ashaninka, do Rio Amônia, de Marechal Thamaturgo, coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (Opirj), ex-secretário dos Povos Indígenas do governo do Acre e ex-assessor da presidência da Funai.

Alysson lidera diálogo com vereadores para alinhar ações da prefeitura em Rio Branco

O prefeito Alysson Bestene reuniu vereadores da base nesta terça-feira, em Rio Branco, para reforçar o diálogo entre a prefeitura e a Câmara e alinhar ações consideradas prioritárias para a capital. O encontro teve como foco a articulação entre Executivo e Legislativo para dar andamento a políticas públicas e responder com mais rapidez às demandas dos bairros.

Durante a reunião, Alysson defendeu a atuação conjunta entre os dois poderes e afirmou que o avanço dos projetos da gestão depende de parceria política e institucional. A conversa concentrou temas como infraestrutura, saúde pública e transporte coletivo, áreas que têm concentrado parte das principais cobranças da população.

A proposta da prefeitura foi consolidar uma agenda comum com os parlamentares da base, com prioridade para medidas que possam ter efeito mais imediato no atendimento à cidade. A avaliação no encontro foi a de que o alinhamento entre os poderes pode acelerar decisões administrativas e facilitar a execução de ações em diferentes regiões de Rio Branco.

O presidente da Câmara Municipal, Joabe Lira, disse que a aproximação entre prefeitura e vereadores é necessária para discutir soluções e destravar pautas de interesse público. Segundo ele, apesar da independência entre os poderes, há convergência em torno do objetivo de melhorar os serviços oferecidos à população.

O vereador Neném Almeida também reforçou a defesa do diálogo entre Executivo e Legislativo e afirmou que a sintonia entre as duas frentes beneficia diretamente os moradores. Ao final da reunião, a sinalização da gestão foi de manutenção da articulação política com a base para sustentar a agenda administrativa e ampliar a resposta da prefeitura nas áreas mais sensíveis.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul aplica 30 toneladas de asfalto em operação tapa-buracos nesta terça

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul mobilizou nesta terça-feira, 2 de junho, 30 toneladas de asfalto na Operação Tapa-Buracos, com frentes de trabalho nos bairros da Baixa e Cruzeirinho Novo. Além da recuperação das vias, as equipes também executaram roçagem, limpeza, retirada de entulho e troca de lâmpadas nas duas áreas.

A ação foi ampliada para outros pontos do município, com continuidade da drenagem na Rua Tavares de Lira, no bairro João Alves, melhorias no porto da região central para embarque e desembarque de cargas e serviços na zona rural, como a retirada de atoleiros no Ramal dos Carobas, na BR-307.

O presidente da Associação de Moradores do Bairro da Baixa, Carlos Costa, afirmou que a comunidade recebeu com rapidez as melhorias reivindicadas. Já o secretário municipal de Obras, Carlos Alves, disse que a prefeitura ampliou as frentes de serviço na área urbana e manteve as equipes também em atuação no interior do município.

Fábio Rueda diz que entrou na política por “propósito” e defende pontes em Brasília

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, em Cruzeiro do Sul, na manhã desta terça-feira, 2 de junho, o médico e pré-candidato a deputado federal Fábio Rueda disse que entrou na política por “propósito”, afirmou que o Acre precisa de articulação em Brasília e sustentou que a disputa eleitoral não pode virar “rivalidade de futebol” enquanto o estado segue dependente de recursos federais.

Ao explicar por que decidiu disputar espaço na política, Rueda puxou a própria trajetória na saúde. “Chico, é propósito”, disse, ao lembrar que chegou ao Acre em 2010 para atuar na implantação da linha de cuidado cardiovascular. Na entrevista, afirmou que, antes da estruturação do serviço, quem precisava de cirurgia cardíaca “precisava sair do estado”, mas que hoje “quem tem problema no coração trata dentro do Acre” e que esse atendimento “também já é entregue aqui em Cruzeiro do Sul”.

Rueda afirmou que a entrada na política não antecedeu o trabalho médico. “A política foi um convite”, disse, ao lembrar que a participação eleitoral veio depois de mais de uma década de atuação no estado. Em seguida, resumiu o que chama de motivação central da candidatura: “Como médico eu sempre servi e a política não é diferente. É uma outra forma de se servir.”

Na conversa com os apresentadores, o pré-candidato tentou afastar a ideia de que encara o mandato como projeto pessoal. Disse que a política precisa produzir resultado concreto e resumiu a visão do grupo do qual faz parte em uma frase direta: “A prática da boa política tem que ser exercida com responsabilidade, entendendo que ela tem que ser uma ferramenta de construção de soluções concretas com entrega à população, e não de projetos de poder individualistas.”

Rueda também falou longamente sobre o ambiente político e criticou a radicalização. Para ele, a polarização prejudica o estado e trava soluções. “O debate é sempre salutar, ninguém é dono da verdade absoluta”, afirmou. Na mesma resposta, reforçou que a política precisa ser encarada como dever público. “A gente não encara isso como oportunidade. A gente encara isso como obrigação.”

Ao tratar da relação com o governo federal, o médico defendeu pragmatismo e diálogo, mesmo entre adversários. “A gente tem que ser construtor de pontes”, disse. Na sequência, explicou o raciocínio: “O nosso estado, apesar das grandes potencialidades, ele é extremamente dependente de recursos federais.” Por isso, afirmou que, mesmo diante de divergências, quem ocupa função pública precisa dialogar com quem decide. “Se ele ocupa aquele espaço, eu preciso cobrar dele.”

O pré-candidato também usou a experiência no escritório de representação do Acre em Brasília para sustentar o discurso de articulação. Disse que a função da estrutura não é apenas burocrática, mas estratégica. “A vida não acontece lá em Brasília. A vida acontece no município”, afirmou, ao defender o acompanhamento de projetos e da tramitação de recursos até a chegada das ações na ponta. Segundo ele, esse trabalho ajudou a viabilizar investimentos em saúde, educação, segurança e infraestrutura.

Na área da saúde, Rueda disse que o Acre precisa reduzir a dependência de atendimento fora do estado com planejamento e formação de profissionais. “Isso é um projeto de vida. Isso não é apertando o botão e se fazer de um dia”, afirmou. Ao falar do SUS, adotou tom de defesa e cobrança ao mesmo tempo: “O sistema único de saúde, na teoria, ele é fantástico. Na prática, a grande dificuldade é fazer com que ele saia da teoria e vire realidade.”

No fim da entrevista, Rueda respondeu a críticas pelo fato de não ter nascido no Acre e afirmou que o vínculo com o estado foi construído na prática. “A gente não escolhe onde a gente nasce, a gente escolhe onde a gente vive”, disse. Em outra frase, tentou reforçar pertencimento: “Eu sou acreano de coração.” Para ele, a contestação sobre origem perde força diante do trabalho prestado e da decisão de seguir na política. “Entendo que é uma ferramenta de transformação social genuína”, afirmou.

Ao encerrar a participação, Rueda confirmou que está na disputa de 2026. “Realmente sou pré-candidato a deputado federal pelo nosso querido estado do Acre.”

Jorge Viana articula vinda de ministro de Lula ao Acre; 1,6 mil máquinas, veículos e equipamentos

Jorge Viana anunciou a vinda do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, ao Acre na sexta-feira, 5 de junho, para o lançamento do Programa INOVA, iniciativa do governo federal voltada à redução das desigualdades regionais e ao fortalecimento da infraestrutura produtiva dos estados e municípios. O evento será realizado às 10h, na Superintendência Federal do Ministério da Agricultura e Pecuária, em Rio Branco, e deve marcar a entrega de cerca de 1,6 mil máquinas, veículos e equipamentos para prefeituras, governo do Estado e entidades do setor produtivo.

A confirmação da agenda ocorreu em Brasília, durante encontro entre Jorge Viana e Waldez Góes. Na ocasião, o ministro informou que o Acre está entre os primeiros estados contemplados pela iniciativa, criada para ampliar a produtividade, incentivar o uso de tecnologia no campo e reforçar a capacidade operacional das gestões municipais.

Ao comentar a agenda, Jorge Viana atribuiu o avanço do programa à articulação entre o governo federal e a bancada acreana. Ele afirmou que a liberação dos equipamentos representa um esforço conjunto para atender os municípios e apoiar a produção local. “São mais de 1.600 equipamentos que chegam graças a uma parceria entre o Governo Federal e a bancada federal do Acre, que se uniu em torno de um objetivo comum”, disse.

Jorge também afirmou que a chegada do programa ao estado é resultado de uma mobilização política voltada à liberação de investimentos para áreas consideradas estratégicas. Segundo ele, a prioridade foi garantir estrutura para as prefeituras, melhorar as condições de trabalho no interior e abrir espaço para geração de emprego e renda.

Waldez Góes afirmou que o Programa INOVA foi estruturado por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para levar inovação, tecnologia e produtividade a estados e municípios. De acordo com o ministro, a proposta é facilitar o trabalho de quem atua no campo e de quem está à frente da gestão pública, com impacto direto sobre a produção e o desenvolvimento regional.

Os equipamentos previstos para o Acre devem ser usados no fortalecimento da infraestrutura produtiva dos municípios, no apoio às atividades agrícolas e na ampliação da capacidade de atendimento de órgãos públicos e entidades parceiras. A expectativa do governo federal é que a medida reforce a produção, melhore serviços e dê suporte a produtores, criadores e trabalhadores do estado.

O ato de lançamento em Rio Branco deverá reunir parlamentares da bancada federal, gestores públicos, representantes de associações e instituições beneficiadas pelo programa. Para Jorge Viana, a agenda simboliza uma convergência em torno de interesses comuns do Acre, com foco na estruturação dos municípios e no estímulo ao desenvolvimento regional.

Petecão diz que assinatura não muda texto da Câmara e defende debate no Senado sobre jornada 6×1

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, na manhã desta segunda-feira, 1º de junho, o senador Sérgio Petecão afirmou que o apoio dele à abertura de discussão no Senado sobre a jornada de trabalho não significa adesão a uma mudança no texto já aprovado pela Câmara. Segundo o parlamentar, a intenção é permitir que a proposta seja debatida com mais profundidade antes de qualquer votação. “Não tem uma proposta fechada”, disse. “O que se fez foi nós apoiarmos esse pedido pra que a gente possa abrir um debate também no Senado. Não tem nada mais democrático que isso.”

Petecão reagiu à repercussão criada em torno da assinatura dele e disse que parte do noticiário tratou o tema como se o Senado já estivesse prestes a rever o conteúdo aprovado pelos deputados. Na versão do senador, não é isso que está posto agora. “Isso é fake news”, afirmou ao reforçar que “no Senado não mudamos nada” e que o objetivo é apenas abrir espaço para discussão. Na entrevista, ele repetiu que a proposta aprovada pela Câmara, com a mudança da escala 6×1 para 5×2, continua sendo a referência principal, mas sustentou que o Senado não pode abrir mão de ouvir outros setores antes de decidir.

Foi justamente nesse ponto que Petecão concentrou a explicação dele. Segundo o senador, a tramitação no Senado ainda depende de debate político e técnico, e a assinatura em apoio à discussão não representa voto antecipado nem texto alternativo sacramentado. “Lá no plenário é quem vota. Ou eu voto a favor ou eu voto contra. Todo mundo vai conhecer meu voto, o voto é aberto”, disse. Antes disso, afirmou, a ideia é ouvir trabalhadores, sindicatos, lideranças do movimento e empresários. “Nós vamos abrir agora para ouvir os sindicatos, ouvir as lideranças desse movimento e vamos ouvir também os empresários, tanto os pequenos, os médios e os grandes empresários.”

Na prática, a explicação de Petecão é a seguinte: a proposta que saiu da Câmara chega ao Senado e passa a ser discutida pelos senadores, que podem manter o texto, alterar pontos ou até ampliar o debate com outras sugestões. É nesse espaço que ele diz defender a abertura de conversa, sem fechar posição de saída. Por isso, o senador insiste que a assinatura dele não deve ser lida como recuo em relação ao texto da Câmara nem como apoio automático a uma flexibilização maior. “A proposta que foi apresentada na Câmara eu acho que é uma proposta interessante”, afirmou. “Sou a favor da proposta da Câmara, mas não impede que eu possa ouvir outros companheiros aqui no Senado.”

Ao longo da entrevista, Petecão tentou se colocar no meio do embate entre trabalhadores e empregadores. Disse que a preocupação principal dele é com a preservação dos direitos de quem trabalha, mas acrescentou que o impacto sobre as empresas, principalmente as menores, precisa entrar na conta. “Eu me preocupo com o empresário, não vou mentir pra você, como também me preocupo com o trabalhador”, afirmou. “Esse debate é muito complexo.” Em outro trecho, resumiu a posição dele com mais franqueza: “Eu tenho que ver o que é melhor para o país.”

Questionado sobre o temor de perda de direitos como férias, décimo terceiro e FGTS, o senador disse que não vê risco imediato nesse ponto, mas reconheceu que essa será uma das frentes mais sensíveis da discussão. “Eu não vejo isso. Eu acho que tudo tem que ter diálogo”, declarou. Para ele, o desafio do Senado será construir uma saída que preserve o trabalhador sem empurrar empresas para demissões. “O nosso grande desafio é que nós possamos estar cuidando do nosso trabalhador, criando condições melhores pra ele, mas também não podemos tratar o empresário achando que o empresário é bandido.”

Petecão levou essa preocupação para exemplos do dia a dia e citou o caso de pequenos negócios que funcionam com escala apertada. Na visão dele, uma mudança brusca na jornada pode exigir novas contratações e elevar custos num ritmo que parte do mercado talvez não consiga suportar. “Se vai diminuir os dias de trabalho, ele vai ter que contratar mais”, disse. “Vamos dizer um cara do restaurante, que trabalha a semana toda. Aí, quando for sábado e domingo, ele vai fechar? Se ele fechar sábado e domingo, ele vai quebrar.” A partir dessa leitura, ele passou a defender que o debate sobre a jornada venha acompanhado de alguma discussão sobre contrapartidas do governo para setores mais atingidos.

O senador também reclamou da politização da pauta e afirmou que a discussão corre o risco de ser contaminada pelo ambiente eleitoral. “Eu não posso só por conta dos votos politizar esse debate. Não pode ser politizado”, disse. “Hoje não tem um abençoado que não faça o movimento se não for pensando em voto.” Na avaliação dele, esse tipo de disputa esvazia a discussão central, que deveria estar voltada para a relação entre trabalhador, empregador e mercado de trabalho.

Ainda durante a entrevista, Petecão contou que foi cobrado por eleitores e por empresários depois que a assinatura dele se tornou pública. Disse ter ouvido dúvidas de quem teme aumento de custo para manter funcionários e também de quem receia perda de direitos. Esse choque de interesses, segundo ele, explica por que o Senado precisa tratar o tema com cuidado. “Só tem uma forma de saber: é sentar numa cadeira com muita responsabilidade”, afirmou. “Eu não posso defender uma proposta porque isso aqui me dá mais voto. Eu tenho que ver o que é melhor para o país.”

Ao fim, Petecão tentou resumir a mensagem que quis passar: o Senado ainda não deu a palavra final sobre a jornada 6×1, a proposta da Câmara segue no centro do debate e a assinatura dele teve o objetivo de abrir a discussão, não de substituir o texto por outra saída já acertada. “Vamos abrir um debate pra que, se Deus quiser, nós possamos sair com consciência”, afirmou. “Não tem nada disso de que nós já mudamos alguma coisa.”

Prefeitura de Rio Branco faz balanço inicial do Prefeitura nas Ruas e amplia frente de serviços

A Prefeitura de Rio Branco reuniu secretários municipais na sexta-feira, 29 de maio, para avaliar os primeiros resultados do programa Prefeitura nas Ruas e definir a ampliação das ações em bairros da capital. O encontro foi conduzido pelo prefeito Alysson Bestene e serviu para ajustar a próxima etapa do trabalho integrado entre as pastas.

A proposta do programa é concentrar serviços em uma mesma região para acelerar o atendimento à população. Entre as ações previstas estão limpeza urbana, recuperação de vias, drenagem, calçamento e outras intervenções de infraestrutura. A gestão municipal avalia que a atuação conjunta das equipes tem dado mais alcance às operações e melhorado a resposta às demandas dos moradores.

Durante a reunião, o secretário municipal de Cuidados com a Cidade, Tony Roque, defendeu a continuidade do modelo de força-tarefa nos bairros. A estratégia, segundo a prefeitura, é manter o acompanhamento das áreas atendidas e organizar novas frentes de trabalho a partir das necessidades mais urgentes.

Alysson Bestene afirmou que a prefeitura tem monitorado os pontos que exigem manutenção e reforçou que a meta é dar mais agilidade aos serviços. A administração municipal também aposta na integração entre os setores para manter as ações de infraestrutura e conservação de forma contínua.

No mesmo encontro, a prefeitura confirmou a realização da ciclística educativa “Olhar que Salva”, marcada para domingo, 31 de maio. A atividade integra a agenda de conscientização sobre segurança no trânsito e incentivo à prevenção.

Aos 24 anos, indígena Huni Kuĩ se torna professor federal no Acre e leva representatividade à sala de aula

Aos 24 anos, Muru Inu Bake, nome indígena de Clécio Ferreira Nunes, assumiu o cargo de professor federal no Instituto Federal do Acre, no campus de Cruzeiro do Sul, e passou a integrar um grupo ainda raro de docentes indígenas na rede pública federal do estado. Formado em Letras Inglês pela Universidade Federal do Acre, ele chegou à instituição em meio a um cenário de baixa presença de povos originários em cargos de docência e transformou a nomeação em um marco de representatividade no ensino.

A entrada de Muru no Ifac amplia a presença indígena em espaços historicamente ocupados por não indígenas e reforça a discussão sobre pluralidade dentro das instituições públicas de ensino. Ao comentar o início da trajetória como docente, ele resumiu o significado da nova etapa: “Não falo só como docente, falo como sujeito Huni Kuĩ indígena”. A declaração dá o tom de uma atuação que ultrapassa a sala de aula e alcança também o campo da identidade, da permanência e da visibilidade dos povos originários na educação.

No campus de Cruzeiro do Sul, ele assumiu aulas de inglês e passou a adotar estratégias mais participativas para aproximar os estudantes do conteúdo, com o uso de dinâmicas e jogos em sala. A experiência no ensino se soma à trajetória acadêmica que ele mantém na pós-graduação. Atualmente, Muru cursa mestrado em Letras, com pesquisa voltada para línguas e literaturas indígenas brasileiras contemporâneas.

A nomeação também tem peso simbólico por romper uma ausência que marcou a formação de muitos estudantes indígenas no Acre. Em um estado com forte presença de povos originários, a chegada de professores indígenas à rede federal ajuda a mudar o perfil de quem ensina, pesquisa e produz conhecimento. Mais do que ocupar uma vaga, Muru passa a representar uma mudança concreta no espaço acadêmico e educacional acreano.

Porto Acre recebe 1ª indústria de beneficiamento de café para atender produtores do Projeto Tocantins

Porto Acre passou a contar neste sábado, 30, com a primeira indústria de beneficiamento de café do município, instalada no Ramal Boa União, no Projeto Tocantins. A estrutura foi entregue para atender cerca de 40 famílias produtoras e permitir que o café seja seco e processado na própria região, sem a necessidade de transporte até Acrelândia.

O investimento total foi de R$ 400 mil, sendo R$ 300 mil destinados por Perpétua Almeida e R$ 100 mil por Edvaldo Magalhães. A unidade recebeu equipamentos como secador e descascador, etapa considerada decisiva para reduzir custos de produção e ampliar a renda das famílias envolvidas na atividade.

Com a nova estrutura, os produtores deixam de arcar com o deslocamento da colheita para outro município, o que consumia parte do lucro da produção. A expectativa é que o beneficiamento local fortaleça a cafeicultura em Porto Acre e mantenha mais recursos circulando dentro da própria comunidade.

Durante a entrega, a avaliação entre lideranças locais foi de que a indústria representa um avanço para a agricultura familiar e para a organização da cadeia produtiva do café no município. A produção local vem crescendo nos últimos anos, e a nova unidade deve ampliar a capacidade de processamento e dar mais autonomia aos agricultores.

A instalação da indústria também reforça o movimento de expansão da cafeicultura no Acre, com foco em agregar valor ao produto ainda na origem e estimular a industrialização de pequenas cadeias rurais. Em Porto Acre, a aposta é que a estrutura ajude a consolidar a atividade como uma das principais fontes de renda das famílias do campo.