Rio Branco usa verão amazônico para tirar pacote de R$ 50 milhões do papel e abrir força-tarefa nos bairros

A Prefeitura de Rio Branco abriu uma força-tarefa de serviços urbanos e obras viárias com investimento inicial de R$ 50 milhões e colocou o bairro Vitória como ponto de partida do programa Prefeitura nas Ruas. A ofensiva começou nesta segunda-feira, 18, no Parque Urbano Vale do Açaí, na Rua Flôr de Maio, na região do Eldorado, com a promessa de aproveitar a estiagem para acelerar intervenções em ruas, espaços públicos e estruturas urbanas nas dez regionais da capital.

O novo gancho da gestão municipal está no calendário climático da cidade. Com a redução das chuvas, a prefeitura decidiu concentrar equipes, máquinas e secretarias em um modelo de atuação simultânea para dar escala à recuperação de vias e à limpeza urbana. A primeira etapa prevê serviços em 22 ruas do bairro Vitória, na parte alta de Rio Branco, em uma frente que reúne roçagem, retirada de entulho, manutenção de iluminação pública, tapa-buracos, calçamento e aplicação de revestimentos conforme a necessidade de cada trecho.

Ao lançar o programa, o prefeito Alysson Bestene afirmou que o objetivo é concentrar a presença da administração municipal nas áreas com maior demanda. “A gente vai chegar nas comunidades que mais necessitam, com limpeza, roçagem, recuperação de pavimento, calçamento e revitalização de espaços públicos”, disse. A previsão da prefeitura é manter o cronograma de forma contínua até alcançar todas as regionais da cidade.

A dinâmica do programa foi montada em etapas. Primeiro, entram as equipes da Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade com serviços de limpeza e preparação das áreas. Em seguida, a prefeitura faz reparos na iluminação, quando houver necessidade. Depois, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana assume a recuperação das ruas. Segundo o secretário Cid Ferreira, o município vai usar diferentes soluções, entre elas tapa-buracos, TSD, TSS e microrevestimento, de acordo com as condições técnicas e a disponibilidade financeira. “Primeiro entra a Secretaria de Cuidados com a Cidade, fazendo a limpeza. Se houver problemas de iluminação, os reparos também serão feitos. Ao final, a Seinfra entra com a recuperação das ruas, garantindo trafegabilidade”, afirmou.

A estrutura mobilizada na largada do programa reúne cerca de 50 trabalhadores e aproximadamente 20 máquinas. O secretário Tony Roque afirmou que a prefeitura pretende manter o avanço mesmo com variações no tempo durante o período de transição entre inverno e estiagem. “Estamos aproveitando essa trégua do inverno para avançar. Faça sol ou faça chuva, a prefeitura está nas ruas, trabalhando e atendendo a população”, disse.

O lançamento também serviu para medir a expectativa das lideranças comunitárias sobre o alcance da iniciativa. Presidente do bairro Chico Mendes, Hércules Marcos Mendes defendeu que a ação vá além da recuperação viária e inclua demandas históricas de infraestrutura básica. “Esperamos que as ruas sejam atendidas, mas também outros serviços essenciais, como esgoto, encanação de água e demais melhorias para os bairros”, afirmou.

Com o programa, a prefeitura tenta transformar o período de verão amazônico em janela de execução para obras e serviços acumulados nos bairros, em uma estratégia que combina resposta rápida, presença territorial e pressão por resultados em áreas que há anos cobram melhorias de acesso, mobilidade e urbanização.

Clodoaldo cobra ação nos ramais, diz que BR-364 depende de pressão em Brasília e reafirma apoio a Mailza

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul, na manhã desta segunda-feira (18), o deputado estadual Clodoaldo Rodrigues colocou no centro do debate a situação dos ramais do Juruá, a falta de resposta para a BR-364 e a articulação do grupo governista para 2026. Aliado de Mailza Assis, ele disse que seguirá com a governadora, mas deixou claro que apoio político não elimina cobrança pública por obras, planejamento e presença mais efetiva do Estado no interior.

Clodoaldo abriu a conversa falando da própria pré-campanha e da rotina de viagens pelo Acre. Disse que montou gabinete em Cruzeiro do Sul, ampliou a atuação do mandato e hoje mantém base política nos 22 municípios. Ao resumir a correria da agenda, soltou uma frase que acabou definindo o tom da entrevista: “Eu prefiro não ter tempo, mas ter agenda”.

A parte mais incisiva da fala veio quando o assunto chegou aos produtores rurais. Clodoaldo disse que o problema dos ramais se arrasta há anos, voltou a relatar comunidades isoladas no inverno e afirmou que quem está no campo não pede favor, pede estrada para trabalhar e escoar a produção. “Tenho que cobrar. Sou deputado. Não é porque sou da base que não vou cobrar”, afirmou. Em seguida, apontou onde vê o principal erro: “O que está faltando é planejamento e priorização”.

Na avaliação do deputado, o debate sobre de quem é a obrigação de recuperar ramal já passou do limite. Ele disse que prefeitura, governo, bancada estadual e bancada federal precisam entrar no mesmo esforço e defendeu o uso de emendas parlamentares para garantir obras todos os anos na região. “Ramal é responsabilidade de todos nós”, afirmou, ao cobrar que a disputa política dê lugar a uma solução permanente para o Juruá.

Ao falar do governo Mailza Assis, Clodoaldo evitou romper o discurso de lealdade, mas reconheceu dificuldade na transição e ruído dentro do próprio grupo. Disse que assumir um governo em andamento impõe limites e tempo de adaptação, mas avisou que a governadora precisa estar cercada de gente disposta a mostrar problema e caminho. “A pior coisa para um político é ter do lado alguém que só diz que está tudo certo”, disse.

A entrevista também entrou nos bastidores da sucessão estadual. Clodoaldo afirmou que a tendência é de que a vaga de vice na chapa governista fique com o MDB, embora o nome ainda não esteja fechado. No mesmo bloco, tratou de esfriar a ideia de dependência eleitoral do Palácio Rio Branco e afirmou que a própria campanha será construída com base no mandato e na presença política que diz ter consolidado no interior.

No trecho sobre deslocamentos do governo, o deputado diferenciou o debate sobre o fretamento de aeronaves da polêmica envolvendo contrato de jatinho e disse que o Acre precisa discutir logística sem perder de vista o problema real da região. Foi quando puxou a conversa para a BR-364 e resumiu a situação da estrada com a frase mais forte da entrevista: “Nosso jatinho é essa BR cheia de buraco”.

Para ele, a recuperação da rodovia não será resolvida com discurso local nem com promessa repetida a cada inverno e verão. Clodoaldo disse que a pressão precisa sair do Acre e chegar ao governo federal. “Acho que o caminho é Brasília. Para resolver a BR, é lá em Brasília”, afirmou. Em outra passagem, reforçou o peso da estrada para a região ao dizer que “a BR é o Juruá”.

Na prestação de contas do mandato, o deputado citou ações voltadas para saúde, agricultura familiar e apoio social, falou em defesa de um hospital do câncer no Juruá e disse que pretende fazer a disputa de 2026 mostrando entregas, presença e resultado. Também comentou a relação com o prefeito Zequinha Lima, hoje sem proximidade política. “Cada um está cuidando da sua vida”, resumiu.

Já sobre 2028, Clodoaldo não fechou a porta para uma candidatura à Prefeitura de Cruzeiro do Sul, mas disse que esse debate ficará para depois da eleição estadual. Antes disso, quer consolidar a mudança para o PP, manter o alinhamento com Mailza Assis e tentar renovar o mandato com um discurso que mistura fidelidade ao governo e cobrança direta por obras que seguem pendentes no Juruá.

Zequinha Lima recebe apoio de prefeitos em reunião da Amac e reforça retomada da entidade

Em reunião da Associação dos Municípios do Acre, em Brasília, nesta segunda-feira, 18, o presidente da entidade e prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, afirmou que a presença maciça de gestores municipais devolve credibilidade e confiança à Amac. “Quando eu cheguei aqui e vi a Amac repleta de prefeitos, isso me alegrou”, disse, ao defender a preservação da história da associação e a retomada da confiança das prefeituras no trabalho técnico e político da instituição. O encontro ocorre um mês depois de Zequinha ser eleito para comandar a entidade até 31 de dezembro de 2026, após a saída de Tião Bocalom da presidência.

A fala de Zequinha se encaixa no discurso que ele vem adotando desde a eleição, centrado na reorganização da Amac e na reaproximação com os municípios. Ao assumir o comando, ele afirmou que a entidade precisava destravar uma fila de 107 projetos, reforçar o apoio às prefeituras e reconstruir a confiança dos prefeitos. A associação atua justamente no suporte técnico aos municípios, com elaboração de projetos, engenharia e apoio administrativo, área considerada estratégica sobretudo para as cidades do interior, mais dependentes de emendas e convênios.

O apoio dos prefeitos presentes deu o tom político da reunião. O prefeito de Brasiléia, Carlinhos do Pelado, afirmou que Zequinha “está aqui nos representando muito bem”. Já a prefeita de Senador Guiomard, Rosana Gomes, disse estar “muito feliz” com o novo comando da Amac por considerar que a atual presidência conhece de perto os problemas enfrentados pelos prefeitos do interior. A sinalização reforça o peso da eleição de Zequinha, apontado como o primeiro prefeito do interior escolhido por votação para presidir a associação.

A nova fase da Amac coincide com uma agenda decisiva para os municípios acreanos. Nos últimos dias, a entidade abriu o cadastramento das emendas especiais do Orçamento-Geral da União de 2026 e manteve a mobilização para a Marcha dos Prefeitos. Em outra frente de articulação, Zequinha já havia dito ao governo estadual que há cerca de R$ 300 milhões em projetos dentro da Amac à espera de suporte para andamento.

A reunião desta segunda amplia o gesto de apoio político ao presidente da entidade e recoloca a associação no centro da disputa por recursos, projetos e presença institucional dos municípios acreanos em Brasília, onde começou hoje a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, marcada para 18 a 21 de maio.

Gladson Cameli vira réu no Caso Colorado e amplia cerco judicial após condenação no STJ

O governador do Acre, Gladson Cameli, virou réu no Superior Tribunal de Justiça no Inquérito 1.674, conhecido como Caso Colorado, em decisão da Corte Especial tomada em 6 de maio de 2026. A nova ação penal apura fraude à licitação e peculato-desvio no Contrato 067/2021, firmado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Acre com o consórcio liderado pela Construtora Colorado para a duplicação da rodovia AC-405, em obra avaliada em mais de R$ 36 milhões. O avanço do processo abriu uma nova frente criminal contra o chefe do Executivo acreano no mesmo dia em que ele recebeu uma condenação de 25 anos e 9 meses de prisão em outro caso de corrupção.

No voto que embasou o recebimento da denúncia, a ministra Nancy Andrighi descreveu uma estrutura marcada pelo controle familiar e pela simulação de concorrência nas licitações. A investigação sustenta que a Construtora Colorado tinha como “proprietário de fato” Eládio Cameli, pai do governador, enquanto Linker Cameli, primo de Gladson, aparecia apenas como sócio formal. Para a relatora, o material reunido no inquérito aponta interferência direta no resultado do certame. “Há fundados indícios de que Gladson e Eládio direcionaram a concorrência para a vitória da Colorado, frustrando o caráter competitivo”, registrou.

A apuração também reuniu mensagens extraídas de celulares apreendidos na operação. Em um dos diálogos considerados centrais, Gladson cobra o primo sobre o aproveitamento das oportunidades abertas pelo governo e afirma: “Todo mês [eu] tô soltando pacotes de obras, depois não pode é vir dizer que eu não tô avisando”. Os investigadores tratam o conteúdo como peça importante para sustentar a suspeita de proximidade entre o núcleo político e a empresa beneficiada pelos contratos.

Embora o mérito da ação penal tramite no STJ, o Supremo Tribunal Federal já analisou desdobramentos do caso em diferentes momentos. Em 3 de outubro de 2024, o ministro Edson Fachin negou o habeas corpus 228.193, apresentado pela defesa para derrubar as medidas cautelares impostas ao governador. Na decisão, Fachin manteve as restrições ao apontar “fortes indícios de autoria” e afirmar que as provas indicavam a “posição de liderança da organização criminosa” por parte de Gladson Cameli. Em 14 de novembro de 2024, o ministro voltou a rejeitar outro pedido da defesa no HC 248.709/DF, também voltado às cautelares. Já em 14 de abril de 2026, o ministro André Mendonça analisou a Reclamação 93.197/DF e determinou o desentranhamento de alguns Relatórios de Inteligência Financeira, sem suspender o andamento do julgamento.

O novo revés judicial ocorreu no mesmo 6 de maio de 2026 em que Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do STJ, na Ação Penal 1.076, a 25 anos e 9 meses de prisão em regime inicial fechado. Sob relatoria de Nancy Andrighi, o processo tratou do Caso Murano e resultou em condenação por dispensa indevida de licitação, peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa.

Nesse processo, a engrenagem descrita pela acusação girava em torno da contratação da Murano Construções por adesão a uma ata de registro de preços da Secretaria de Infraestrutura. Sem estrutura para atuar no Acre, a empresa teria funcionado como fachada para repassar obras e pagamentos à Construtora Rio Negro, ligada a Gledson Cameli, irmão do governador. O dinheiro desviado, segundo a condenação, percorreu empresas interpostas, entre elas a Seven, até ser usado na compra de uma Toyota Hilux e no pagamento de um apartamento de luxo no condomínio Alameda Jardins, em São Paulo.

Com a abertura de uma nova ação penal no Caso Colorado e a condenação já imposta no Caso Murano, Gladson Cameli passa a enfrentar um dos momentos mais graves de sua trajetória política e jurídica. A condenação colegiada no STJ também produz efeito eleitoral e torna o governador inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.

Fotos: Secom/AC

Intercâmbio nos EUA leva alunos de Rio Branco da sala de aula à experiência internacional

A volta de seis estudantes da rede municipal de Rio Branco após um intercâmbio nos Estados Unidos reposiciona uma aposta da prefeitura na educação como porta de entrada para experiências fora do país. Depois de uma semana em Orlando, com visitas à NASA e a atrações da Disney, o grupo retornou à capital acreana com relatos que misturam aprendizado, contato com tecnologia e episódios de forte emoção.

A viagem reuniu Yasmin Silva Matos, Carlos Davi da Silva de Mendonça, José Pedro Rebouças Felix, Ana Luisa da Silva Montalvão, Kauã Victor Soliza da Silva e Miguel Lima da Costa, todos selecionados a partir do desempenho escolar. O embarque ocorreu no dia 8, e o retorno a Rio Branco foi marcado pelo encontro com familiares e pela repercussão de uma experiência rara para alunos da rede pública municipal.

Ao longo da programação, os estudantes circularam por espaços voltados à ciência, inovação e entretenimento, em uma agenda montada para combinar formação e vivência cultural. O guia turístico Josué Pacheco afirmou que a passagem pela NASA e pelos parques ampliou o repertório dos alunos em áreas que vão além do conteúdo tradicional da sala de aula. “Na NASA eles puderam aprender sobre o primeiro homem que foi à Lua, conheceram o Saturno V, o maior foguete construído pela NASA. Nos parques também aprenderam sobre tecnologia, velocidade, física e produção cinematográfica”, disse.

O encerramento da viagem concentrou uma das cenas mais lembradas pelo grupo. Durante a queima de fogos, os alunos fizeram uma transmissão ao vivo para as mães. “Todo mundo se emocionou na queima de fogos. Fizemos uma transmissão ao vivo para as mães e foi muito especial. É uma oportunidade que todos podem alcançar”, afirmou Pacheco.

Na avaliação da Secretaria Municipal de Educação, o intercâmbio foi tratado como uma ação de impacto pedagógico e de estímulo dentro da própria rede. O gerente do Departamento de Ensino Fundamental, Hélio Sebastião, afirmou que a experiência cria referências concretas para os estudantes e reforça o papel da escola na transformação de trajetórias. “Não se trata somente de uma viagem. Essas crianças trazem na bagagem conhecimento, experiências e contato com tecnologias que antes elas viam apenas pela televisão. Isso contribui diretamente para a formação delas e motiva outros alunos a acreditarem que a educação pode transformar vidas”, disse.

Entre os relatos do grupo, um dos episódios mais celebrados foi vivido por Carlos Davi da Silva de Mendonça, que completou aniversário durante a viagem e foi surpreendido com uma comemoração ao lado de personagens da Disney. “Foi incrível. A gente se abraçou, tirou muitas fotos. Foi uma experiência muito especial”, afirmou.

O retorno dos estudantes amplia o alcance político e simbólico do projeto. Para a prefeitura, a viagem funciona como vitrine de um modelo que associa mérito escolar, acesso a novas experiências e valorização da rede municipal. Para os alunos, a semana nos Estados Unidos deixa um efeito mais direto: a ideia de que o esforço na escola pode levar a destinos antes vistos como distantes.

Acre embarca primeira carga de carne bovina para Singapura e amplia presença no mercado externo

O Acre deu neste sábado mais um passo na expansão das exportações de carne bovina ao embarcar a primeira carga com destino a Singapura, mercado considerado um dos mais rigorosos do Sudeste Asiático. A remessa saiu da unidade do Nosso Frigorífico e reforça o avanço da indústria local, que ampliou investimentos, elevou a produção e abriu espaço em novos destinos internacionais.

A operação ocorre em meio à mudança de escala vivida pelo setor no estado. Em cinco anos, o número de países compradores da carne acreana passou de cinco para 17. A expectativa das empresas é fechar o ano com embarques para 25 mercados. A carga enviada a Singapura deixou a planta industrial em um rodotrem com cerca de 27 toneladas e seguirá até o Porto de Itajaí, em Santa Catarina, antes do transporte para a Ásia.

O movimento acompanha a ampliação da estrutura frigorífica no Acre. O Nosso Frigorífico emprega cerca de 450 trabalhadores e concentra quase metade dos investimentos anunciados pelo setor nos últimos anos. Diretor da empresa, Murilo Leite afirmou que a abertura de novos mercados encerra uma longa espera da cadeia produtiva local. “O nosso frigorífico concentra praticamente metade dos investimentos realizados no setor nos últimos anos. Isso representa geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico para o Acre. Nós tentávamos há muitos anos avançar nesses mercados e hoje estamos vivendo um momento histórico”, disse.

Nos últimos três anos, os frigoríficos instalaram ou anunciaram cerca de R$ 120 milhões em investimentos no estado. Na unidade responsável pelo embarque deste sábado, a capacidade de abate subiu de 400 para 800 animais por dia, enquanto o processamento industrial passou de 100 para 500 animais diariamente. A expansão elevou o volume de produção e fortaleceu a cadeia da pecuária acreana.

Além de Singapura, a carne produzida no Acre já segue para compradores na América do Sul, na Ásia e no Oriente Médio. Para atender parte dessa demanda, as empresas adaptaram protocolos industriais e passaram a operar também com exigências específicas de mercados externos, como o abate halal, adotado para países muçulmanos, entre eles a Arábia Saudita.

Murilo Leite atribuiu a abertura comercial ao trabalho de articulação feito nos últimos anos entre empresários e representantes do governo brasileiro. “O Jorge enxergou o potencial que o Acre tinha, especialmente no setor de proteína. Ele fez um chamamento para que os empresários acreditassem. Levou os empresários do Acre para o mundo e colocou o estado na rota das exportações. Sem esse apoio, sem a diplomacia restabelecida e sem o trabalho do ministro Carlos Fávaro no Ministério da Agricultura, nós não estaríamos vivendo esse momento”, afirmou.

Ex-presidente da ApexBrasil, Jorge Viana afirmou que o avanço do setor revela uma nova fase da economia acreana. “Isso não acontecia no Acre e está acontecendo agora. E é só o começo. É emocionante ver jovens formados na Universidade Federal do Acre trabalhando aqui, mulheres liderando equipes, pequenos produtores participando desse crescimento e a carne acreana chegando ao mundo inteiro”, disse.

Ele também relacionou o crescimento das exportações à agenda de promoção comercial construída nos últimos anos. “Foram dezenas de encontros empresariais organizados para abrir mercados para o Brasil. E hoje vemos aqui o resultado: geração de empregos, crescimento econômico e o Acre entre os estados que mais ampliaram as exportações nos últimos anos. Onde eu vou, eu levo o Acre junto, porque minha vida é aqui”, afirmou.

A ampliação das vendas externas não ficou restrita a uma única empresa. Outras indústrias do segmento também reforçaram operações no estado, em um cenário de expansão da atividade pecuária e de diversificação dos mercados compradores. Para o setor, o embarque deste sábado inaugura uma nova etapa para a proteína animal produzida no Acre. “O empresariado acreditou, investiu e fez acontecer. Hoje é um momento de celebração para todo o setor frigorífico acreano”, declarou Murilo Leite.

Prefeitura de Cruzeiro do Sul intensifica tapa-buracos e limpeza urbana nesta sexta-feira

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul intensificou nesta sexta-feira, 15, os serviços de recuperação viária e manutenção urbana em diferentes pontos do município. As equipes da Secretaria de Obras, Desenvolvimento Urbano e Habitação executaram a operação tapa-buracos no bairro São José e no conjunto Jardim Primavera, além da retirada de borrachudos na Avenida Mâncio Lima, na região central da cidade. Somente nesta manhã, foram usadas 20 toneladas de asfalto.

Os trabalhos fazem parte da ampliação das frentes de serviço com a chegada do verão, período em que a prefeitura pretende acelerar as ações de infraestrutura e limpeza em vários bairros. Além da recuperação das vias, a secretaria mantém serviços de limpeza, roçagem, retirada de entulhos e troca de lâmpadas em áreas urbanas.

As equipes também atuaram no bairro Aeroporto Velho para fechar uma cratera que se formou nas proximidades de uma residência. A intervenção buscou evitar riscos para moradores e reduzir os danos provocados pelo avanço do problema no local.

O secretário de Obras, Carlos Alves, afirmou que a prefeitura ampliou o ritmo dos serviços neste período. “Estamos aumentando nossas frentes de serviços com a chegada do verão e assim estamos intensificando nossas ações em vários lugares da cidade”, disse.

Educação leva estudantes de Rio Branco a Orlando e encerra roteiro com despedida nos parques da Disney e Universal

Entre lágrimas, abraços e relatos de despedida, estudantes da educação municipal de Rio Branco encerraram nos dias 13 e 14 de maio, em Orlando, a etapa final de uma viagem internacional que reuniu parques temáticos e atividades de aprendizagem. Depois de passarem por experiências na Disney, na Universal Studios e na NASA, os alunos fecharam o roteiro com visitas ao Universal Islands of Adventure, no dia 13, e ao Magic Kingdom, no dia 14.

No Islands of Adventure, o grupo percorreu áreas ligadas a aventura, fantasia, super-heróis, dinossauros e franquias do cinema. Um dos pontos de maior expectativa foi a área de Harry Potter, onde os estudantes conheceram a atração Harry Potter and the Forbidden Journey, instalada no Castelo de Hogwarts, em um percurso que mistura movimento, narrativa, tecnologia e efeitos visuais. O roteiro no parque também incluiu montanhas-russas e simuladores entre as atrações mais procuradas pelos visitantes.

No dia seguinte, a programação seguiu para o Magic Kingdom, parque mais tradicional do Walt Disney World Resort. Os estudantes passaram por áreas como Adventureland e Fantasyland, conheceram a atração Peter Pan’s Flight, inspirada na animação de 1953, e embarcaram na Pirates of the Caribbean. À noite, o grupo acompanhou diante do Castelo da Cinderela o show Happily Ever After, com fogos, projeções, lasers e trilha sonora, no momento que marcou o fim da passagem pelos parques temáticos.

A despedida foi resumida pelos próprios alunos como uma experiência que uniu sonho, esforço e descoberta. Ana Luiza Montalvão afirmou que viveu “um sonho realizado com sucesso” e disse ter aprendido na NASA e nos parques que “não devemos desistir dos nossos sonhos”. Carlos Davi Mendonça definiu os oito dias de viagem como um período de “muita aventura, muita emoção e muita conexão”. Yasmin Matos afirmou que realizou um desejo de infância depois de se dedicar aos estudos e fazer a prova de seleção.

Entre os educadores, a avaliação foi de que a viagem ultrapassou o entretenimento. Hélio Sebastião da Silva, gerente do Departamento de Ensino Fundamental, afirmou que os estudantes voltam com novos conhecimentos, novos sonhos e novas metas de vida. “A educação transforma vidas”, disse. A professora Jocilda Melo relatou que acompanhar os alunos no encerramento da programação foi a realização de um trabalho construído pela educação e destacou a organização da viagem e o cuidado com os estudantes ao longo de todo o percurso. O guia turístico Josué Pacheco afirmou que a continuidade do projeto amplia a oportunidade para outras crianças viverem a mesma experiência.

O encerramento no Islands of Adventure e no Magic Kingdom fechou uma etapa de oito dias em que os estudantes tiveram contato com ciência, tecnologia, cultura, cinema e imaginação. No retorno a Rio Branco, o grupo leva lembranças da viagem, novas amizades e a percepção de que o desempenho escolar pode abrir caminhos antes vistos como distantes.

Governo do Acre retoma travessia gratuita de balsa entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves após obra emergencial

O governo do Acre restabeleceu a travessia gratuita por balsa entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves nesta quinta-feira (14) depois de concluir a construção de um novo acesso provisório no porto, permitindo a retomada do transporte de moradores, veículos e cargas pela ligação fluvial no Rio Juruá. A operação havia sido interrompida por segurança após a erosão provocada pela vazante do rio derrubar parte da estrutura de acesso no domingo (10).

A interdição foi adotada na segunda-feira (11), quando equipes do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) iniciaram a limpeza da área, o nivelamento do terreno e a recomposição da rampa. A travessia voltou a funcionar ainda na noite de quarta-feira (13), com manutenção prevista para ser feita diariamente, já que a variação rápida do nível do Juruá altera as condições do embarque e desembarque.

O presidente do Deracre, Roberto Assaf, afirmou que a recomposição do acesso é recorrente e depende do comportamento do rio. “Por determinação da governadora Mailza Assis, nossas equipes atuaram para restabelecer a travessia com segurança para a população. Esse trabalho é realizado há mais de 10 anos porque o acesso depende diretamente do comportamento do rio. Quando a água sobe ou baixa rapidamente, a rampa precisa ser refeita para manter a operação da balsa”, disse.

Além do serviço no porto, o governo estadual informou que executou melhorias na AC-407, rodovia que conecta Rodrigues Alves e sustenta parte do fluxo de deslocamento e abastecimento do município, em complemento à travessia fluvial.

Para substituir a balsa e garantir uma ligação definitiva, a alternativa em curso é a construção de uma ponte sobre o Rio Juruá, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Segundo o órgão, a previsão é iniciar a obra em 2026 e concluir em 2028. O edital para elaboração do projeto executivo já foi lançado e, após essa etapa, será aberta a licitação para execução. A ponte deverá ser implantada acima do ponto atual de travessia e com altura suficiente para permitir a passagem do navio hospital da Marinha do Brasil, que atende comunidades ribeirinhas da região.

Doce como mel, Mâncio Lima vira a queridinha da bancada federal

Mâncio Lima, conhecida como a terra do mel, vive um momento especialmente doce na relação com Brasília. De uma só vez, a Prefeitura aparece recebendo apoio de senadores e deputados federais de diferentes campos políticos, todos colocando recursos no município e todos ganhando espaço na vitrine montada pela gestão do prefeito Zé Luiz.

Para a população, a notícia é boa. Dinheiro pago significa possibilidade real de melhorar atendimento, comprar insumos, manter unidades funcionando e reforçar serviços básicos. Mas, na política, quando o mel escorre de todos os lados, também cabe perguntar: por que tanta disposição da bancada federal em adoçar justamente Mâncio Lima?

A prefeito divulgou que R$ 6.507.780 já estão na conta do município para reforçar a saúde, por meio do Incremento PAP, voltado ao custeio da Atenção Primária. A lista reúne quase um retrato da bancada acreana: R$ 2 milhões do senador Sérgio Petecão, R$ 500 mil do senador Márcio Bittar, R$ 500 mil do senador Alan Rick, R$ 2,126 milhões do deputado federal Zezinho Barbary, R$ 200 mil do deputado federal Eduardo Velloso e R$ 1.181.780 da deputada federal Antônia Lúcia.

A frase escolhida pela comunicação da Prefeitura diz muito: “tá na conta da Prefeitura”. Não é uma promessa distante, não é só foto em gabinete, não é apenas reunião em Brasília. É dinheiro pago. E, politicamente, dinheiro pago fala alto, principalmente em ano de movimentação pré-eleitoral.

O prefeito Zé Luiz também entrou no tom. Ao encerrar agenda em Brasília, escreveu nas redes sociais que voltava com “o coração cheio de gratidão” e com a certeza de que a gestão está “no caminho certo”, buscando investimentos e melhorias para Mâncio Lima. Em seguida, agradeceu aos parlamentares parceiros que, segundo ele, estão contribuindo para fortalecer a saúde do município, garantir mais atendimento, estrutura e qualidade de vida à população.

A fala é institucional, mas tem cálculo político. Zé Luiz aparece como o prefeito que vai a Brasília, abre portas, conversa com todos e volta com resultado. Não escolhe apenas um padrinho. Agradece a vários. E, com isso, transforma a Prefeitura em ponto de convergência de interesses da bancada federal.

A pergunta que fica é simples: Mâncio Lima está recebendo porque tem mais demanda, porque tem melhor articulação, porque o prefeito soube se posicionar ou porque o município virou vitrine política no Juruá?

A cidade tem necessidades reais. É município de fronteira, com comunidades distantes, população rural, desafios de transporte, saúde e infraestrutura. Não se discute se Mâncio Lima precisa de investimento. Precisa. O que se discute é o peso político dessa escolha e se a distribuição dos recursos está sendo equilibrada em relação às demais prefeituras da região.

Rodrigues Alves, Porto Walter, Marechal Thaumaturgo, Cruzeiro do Sul e outros municípios do Juruá também enfrentam filas na saúde, problemas de ramais, deslocamentos difíceis, comunidades isoladas e pressão sobre os serviços públicos. Estão recebendo na mesma intensidade? Têm o mesmo acesso aos gabinetes? Conseguem transformar emenda em dinheiro pago com a mesma velocidade?

A própria Prefeitura já vinha alimentando essa narrativa de força em Brasília. Antes desse pacote de mais de R$ 6,5 milhões para a saúde, a gestão anunciou quase R$ 10 milhões em recursos federais para infraestrutura, abastecimento de água, saúde e maquinários. Um bom dinheiro pra cidade, hein.

Ou seja, não é um episódio isolado. É uma sequência. Agenda em Brasília, foto com parlamentar, anúncio de recurso, card nas redes sociais, agradecimento público e reforço da imagem de uma gestão com trânsito federal. A Prefeitura entendeu que emenda parlamentar não é apenas orçamento. É também narrativa.

E a bancada também sabe disso. Cada senador e deputado que aparece destinando recursos para Mâncio Lima planta presença no município. Mostra serviço. Ocupa espaço. Fortalece laços locais. Em ano pré-eleitoral, esse tipo de relação vale muito mais do que uma simples postagem de agradecimento.

Por isso, o caso de Mâncio Lima merece ser observado além da comemoração. A cidade está recebendo recursos importantes, mas a concentração de apoios acende uma questão política: a bancada federal está olhando para o Juruá com critérios equilibrados ou cada parlamentar está escolhendo onde o retorno político parece mais promissor?

Na terra do mel, Brasília parece ter encontrado uma colmeia disputada. A população pode ganhar com os recursos. Mas a política também está de olho na colheita.