Alan Rick diz que vontade de ter Zequinha no grupo é “no corpo todo”

O senador Alan Rick afirmou, em Cruzeiro do Sul, que deseja ter o prefeito Zequinha Lima em seu projeto político para 2026. Ao ser questionado sobre a possibilidade de aproximação com o gestor, Alan respondeu em tom direto: “A vontade é no corpo todo”.

A declaração realizada hoje, 23, em agenda em Cruzeiro do Sul, ocorre em meio às especulações sobre a composição da chapa majoritária para o governo do Acre. Alan disse que Zequinha é “um amigo querido”, lembrou que esteve ao lado dele na campanha municipal e afirmou que o prefeito de Cruzeiro do Sul sempre teve apoio de seu mandato.

“Zequinha é um excelente gestor. Todo município tem dificuldade. A gente sabe dos problemas que os prefeitos enfrentam com a baixa arrecadação e muitas vezes o prefeito tem que buscar nos parlamentares o recurso para poder realizar as obras”, declarou o senador.

Alan também afirmou que nunca deixou de atender demandas apresentadas por Zequinha. Segundo ele, a relação entre os dois é baseada em “companheirismo, amizade e respeito”. O senador disse ainda que Cruzeiro do Sul sempre contou com sua atuação quando precisou de recursos.

“Todas as vezes que Cruzeiro do Sul precisou, prontamente ele atendeu. E farei isso sempre, porque eu sei que o Zequinha tem no coração o mesmo desejo meu de melhorar a vida do seu povo, de trabalhar pelo seu povo”, afirmou.

Ao comentar a escolha do vice em sua chapa, Alan evitou cravar nomes, mas disse que a movimentação mostra o interesse de partidos e lideranças em participar de seu projeto político.

“Essa questão do vice é muito bonita porque mostra que tem muita gente querendo ingressar no nosso projeto, muita gente colocando nomes, muitos partidos aliados colocando nomes. Isso é muito bonito. Estou vendo do outro lado, parece que ninguém quer ser vice lá, mas aqui todo mundo quer”, disse.

Zequinha, por sua vez, não confirmou adesão a nenhum projeto eleitoral, mas defendeu que precisa manter diálogo com todos os que pretendem disputar o governo do Acre. O prefeito disse que não pode se isolar politicamente e que conversa com Mailza Assis, Tião Bocalom e Alan Rick.

“Eu tenho conversado com todo mundo. Eu acho que a gente tem que conversar com todos aqueles que pretendem governar o Acre. A gente não pode se isolar politicamente. Ninguém sabe quem é que vai ganhar a eleição. Qualquer um dos três pode ganhar”, afirmou.

O prefeito destacou que mantém relação com Mailza, que é do seu partido, e disse ser grato à governadora por tê-lo incentivado a disputar a Prefeitura de Cruzeiro do Sul. Também afirmou ter relação política com Tião Bocalom e Alan Rick.

“Assim como eu converso com a Mailza, tenho excelente relação com a Mailza. É do meu partido, e eu sou muito grato a ela porque ela sempre me incentivou a ser candidato a prefeito. Converso com o Boca também. Boca é meu amigo. Foi presidente da Amac por dois mandatos. Eu fui vice-presidente dele”, declarou.

Sobre Alan, Zequinha afirmou que o diálogo ocorre também pela condição do senador como representante do Acre no Congresso. O prefeito citou emendas e investimentos destinados a Cruzeiro do Sul, incluindo ações no Mercado Público Municipal.

“Estou conversando com Alan Rick hoje aqui como senador da República, como representante dos acreanos, como representante do povo cruzeirense. Porque o Alan Rick tem história também aqui em Cruzeiro do Sul. Todos os anos ele colocou recursos para ajudar o povo de Cruzeiro do Sul”, disse.

A aproximação ocorre após semanas de ruídos entre Zequinha e o governo Mailza. Em abril, o ac24horas publicou que um grupo ligado ao prefeito cogitava indicar o vice em uma eventual chapa de Alan Rick ou Tião Bocalom, em meio à insatisfação com setores do governo estadual. A coluna também apontou o nome do ex-secretário Marcelo Siqueira como uma das possibilidades discutidas nos bastidores.

Dias depois, outra publicação registrou que a assessoria de Zequinha negava que ele estivesse integralmente dentro da campanha de Mailza, enquanto interlocutores políticos já apontavam a possibilidade de o prefeito entrar no projeto de Alan com peso na composição, inclusive indicando o vice.

Até agora, não há rompimento formal entre Zequinha e Mailza. O que existe é uma disputa aberta por espaço político em torno do prefeito de Cruzeiro do Sul, principal liderança municipal do Juruá. Enquanto Alan Rick tenta atrair Zequinha para seu campo, o prefeito evita fechar portas e sustenta publicamente que dialoga com todos os candidatos que podem governar o Acre a partir de 2027.

Jorge Viana chega ao Juruá e Alan Rick reorganiza agenda em meio à disputa por espaço político

A presença de Jorge Viana no Vale do Juruá e a movimentação de Alan Rick no interior do Acre entraram no centro dos comentários políticos do Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta sexta-feira, 22. Na avaliação feita durante o programa, o Juruá deixou de ser apenas uma região visitada por lideranças em agenda institucional e passou a ocupar lugar estratégico na disputa política que já movimenta o estado.

O tom foi dado logo no início da análise. Ao comentar a passagem de Alan Rick por Feijó, Rogério Wenceslau afirmou que a agenda teve aparência de campanha eleitoral. Segundo ele, o senador reuniu “centenas de carros” em uma cidade pequena, desfilou em carro aberto e foi acompanhado por uma multidão.

“Aquilo ali é carreata de sexta-feira antes do domingo da eleição”, disse Wenceslau. Para o jornalista, a movimentação ultrapassou o limite de uma visita política comum. “Não tem como o Ministério Público Eleitoral não enxergar aquilo como campanha antecipada. Não tem como. Impossível”, afirmou.

A partir daí, o debate se deslocou para o Juruá. Chico Melo observou que “já está todo mundo em campanha”, e Wenceslau completou que a região “virou a bola da vez”. O motivo é a chegada de Jorge Viana, que tem entrevista marcada para segunda-feira na Rádio Integração, em Cruzeiro do Sul. A presença do ex-governador, segundo os comentários feitos no programa, teria provocado uma reorganização da agenda de Alan Rick.

“O senador Alan Rick, que também viria para o Juruá, está refazendo a agenda dele. Ele tinha compromisso aqui na segunda-feira e cancelou esses compromissos em função da presença de Jorge Viana no Juruá”, disse Wenceslau. Chico Melo resumiu a leitura política do episódio: “Não quer dividir os holofotes”.

Durante o programa, Mazinho Rogério atualizou a agenda atribuída à assessoria de Alan Rick. O senador deve estar no sábado em Mâncio Lima, durante a programação de aniversário do município, e no domingo em Cruzeiro do Sul, na sede do PSD. A ida de segunda-feira, no entanto, foi cancelada.

“Alan Rick vai estar sábado em Mâncio Lima, na festa de aniversário, e domingo aqui em Cruzeiro do Sul, na sede do PSD. Mas os compromissos de segunda-feira foram cancelados”, informou Mazinho.

A leitura feita na bancada foi de que a disputa não envolve apenas presença física nos municípios, mas controle de narrativa, espaço de mídia e demonstração de força. Alan Rick tenta manter agenda no Juruá sem dividir o centro das atenções com Jorge Viana. Jorge, por sua vez, chega à região com entrevista marcada e peso político próprio, em um momento em que lideranças já se movimentam como se o calendário eleitoral estivesse aberto.

O programa também registrou uma cobrança direta à assessoria de Alan Rick. Chico Melo disse que a emissora tenta contato desde segunda-feira para entrevistar o senador e criticou a dificuldade de acesso.

“A gente quer também entrevistar o senador Alan Rick. Estamos aguardando a resposta”, afirmou. Em seguida, deixou um recado à equipe do parlamentar: “Você não pode fechar a porta para colega de imprensa. Você não pode criar dificuldade, porque nunca se sabe o dia de amanhã”.

Outro ponto do debate foi a relação entre Alan Rick e a governadora Mailza Assis. Rogério Wenceslau comentou que Mailza teria dito que não convidaria o senador para a inauguração do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco. O jornalista lembrou que a obra recebeu emenda de R$ 17 milhões destinada por Alan Rick e interpretou a declaração como tentativa de confronto político.

“Ontem ela deu uma cacetada no Alan Rick. Disse que não vai convidar ele para a inauguração do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco”, afirmou. “Uma das principais obras da capital hoje, a emenda é do senador. Ele botou R$ 17 milhões nessa obra”, acrescentou.

Para Wenceslau, a governadora tenta abrir uma polarização com o nome que aparece na frente da corrida eleitoral. Ele comparou a movimentação à estratégia de Márcio Bittar em relação a Jorge Viana.

“Ela está tentando polarizar com quem está disputando a corrida eleitoral. Alan Rick está liderando. Já tem pesquisa que dá ele ganhando em primeiro turno”, disse. “Márcio Bittar faz isso toda hora com o Jorge Viana, tenta polarizar com quem está em cima, para puxar briga, para puxar mídia”, completou.

O debate no Jornal da Manhã mostrou um cenário em que o Vale do Juruá passa a ser tratado como território central da disputa política acreana. A chegada de Jorge Viana, a agenda de Alan Rick em Mâncio Lima e Cruzeiro do Sul, a aproximação com o PSD, a cobrança por entrevista e as críticas sobre possível campanha antecipada formaram o pano de fundo de uma leitura comum entre os comentaristas: a campanha ainda não começou oficialmente, mas os movimentos já estão nas ruas, nas agendas e nos microfones.

Wenceslau: “repercussão de entrevista sobre Gladson expôs carência de informação”

O jornalista Rogério Wenceslau afirmou nesta sexta-feira (22), durante o Jornal da Manhã, que a repercussão em Rio Branco da entrevista exibida no dia anterior com o advogado Emerson Soares revelou, na avaliação dele, uma falta de informação qualificada na capital. Ao comentar as reações ao conteúdo, ele disse que “me parece que em Rio Branco há uma carência de informação relevante, informação verídica e calçada na verdade e no conhecimento técnico”.

A declaração foi feita no momento em que a bancada discutia os desdobramentos da entrevista sobre a situação jurídica de Gladson Cameli e o impacto político do tema. Rogério relatou ter ficado “mais impressionado com a repercussão que teve na capital” e disse que o alcance cresceu com a circulação de cortes nas redes e em aplicativos de mensagem. “Muita gente ouviu, comentou, recebi ligações, comentários, mensagem de WhatsApp”, afirmou.

Ao falar sobre a participação de Emerson Soares, Rogério reforçou o tom elogioso e disse que o advogado “deu uma aula”. Na sequência, acrescentou: “a explicação dele foi impecável em todos os sentidos”. Ele ainda afirmou que a entrevista provocou reação positiva no meio jurídico e entre ouvintes, o que, para ele, mostrou interesse represado em torno do assunto.

Rogério também disse que a resposta do público foi além da repercussão imediata e expôs uma procura maior por debate técnico sobre o cenário político e jurídico do Estado. “A gente percebe que há uma demanda reprimida”, afirmou. Em seguida, resumiu o ambiente que, na leitura dele, tomou conta do debate: “todo mundo quer falar disso, mas nem todo mundo tem coragem de botar a cara”.

No mesmo comentário, o jornalista citou a entrevista concedida mais tarde pela governadora ao jornalista Luciano Tavares e disse que houve novo reforço da defesa da candidatura de Gladson Cameli. Para Rogério, a insistência nessa linha mostra que a versão política enfrenta desgaste. “As coisas são do jeito que elas são, e um dia a realidade bate na porta de todo mundo”, declarou.

Na entrevista que puxou a repercussão, Emerson Soares sustentou que Gladson Cameli está inelegível hoje por causa da condenação imposta por órgão colegiado do Superior Tribunal de Justiça no caso ligado à Operação Ptolomeu. Segundo a explicação apresentada por ele, a exclusão de parte das provas pelo Supremo Tribunal Federal não derrubou a condenação nem anulou todo o processo, enquanto uma eventual reversão dependeria de recurso ao STF ou de liminar, cenário que ele classificou como juridicamente possível, mas remoto. Ao longo da análise, o advogado também afirmou que, se o prazo de registro terminasse naquele momento, Gladson não poderia registrar candidatura. Quem quiser acompanhar a explicação completa pode conferir o material publicado pelo portal Integração Net.

Entenda o caso Gladson Cameli: advogado explica por que ex-governador está inelegível após condenação no STJ

O ex-governador Gladson Cameli, condenado pelo Superior Tribunal de Justiça a 25 anos e nove meses de prisão, está hoje inelegível e não poderia registrar candidatura se o prazo terminasse nesta quinta-feira, 21 de maio, conforme análise feita pelo advogado Emerson Soares no programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM. A explicação ocorreu em meio à confusão provocada por publicações que passaram a tratar a anulação de parte das provas pelo Supremo Tribunal Federal como se ela tivesse derrubado todo o processo. Para o advogado, a situação jurídica é outra: a condenação permanece válida, os recursos ainda são possíveis, mas a chance de uma liminar devolver a elegibilidade de Gladson foi classificada por ele como remota.

A dúvida central apresentada no programa foi direta: se o último dia para registro de candidatura fosse hoje, Gladson poderia registrar a candidatura ao Senado? Emerson Soares respondeu sem margem para dupla interpretação. “Não. Efetivamente, não”, afirmou. A base da resposta está na Lei Complementar 64/90, conhecida como Lei da Ficha Limpa, que torna inelegíveis os condenados por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado. Como a condenação de Gladson foi dada pela Corte Especial do STJ, um colegiado, o advogado sustentou que a inelegibilidade já produz efeitos, mesmo sem o trânsito em julgado.

A condenação citada no debate foi a imposta pelo STJ no caso ligado à Operação Ptolomeu. Gladson foi condenado pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A pena fixada chegou a 25 anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado. O tribunal também determinou multa, indenização superior a R$ 11 milhões ao Estado do Acre e perda do cargo de governador, embora Gladson já tivesse renunciado anteriormente para tentar disputar o Senado.

Emerson Soares explicou que, por envolver crimes contra a administração pública, a inelegibilidade não se encerraria apenas com oito anos contados da condenação. Na leitura apresentada por ele, Gladson teria de cumprir a pena e, depois disso, ainda ficaria oito anos impedido de disputar eleições. “Fazendo uma matemática bem simples, ele está inelegível por 33 anos e nove meses”, disse o advogado. Ele acrescentou que esse cálculo considera apenas a condenação já proferida, sem contar possíveis efeitos de novas condenações em outros processos.

O advogado também tratou da nova ação penal recebida pelo STJ, ligada à duplicação da AC-405, em Cruzeiro do Sul. Para ele, essa segunda frente ainda está no início e não é, neste momento, o fator que impede a candidatura de Gladson. “Hoje, o que torna ele inelegível é tão somente essa condenação”, afirmou. A nova ação, segundo a explicação dada no programa, ainda terá defesa prévia, instrução e tramitação própria. A condenação já imposta pelo STJ é o ponto jurídico decisivo para o quadro eleitoral atual.

A principal confusão pública, na avaliação do advogado, está na decisão do STF sobre relatórios de inteligência financeira do Coaf. Emerson explicou que parte dessas provas foi considerada ilegal por problemas na forma como entrou no processo, sem respeito à cadeia de custódia. Isso, porém, não significaria a queda da condenação. “Essas provas que foram excluídas por serem consideradas ilegais não tiveram influência, não serviram de base probatória para formulação da denúncia, tampouco para imposição da condenação”, afirmou.

Para o advogado, a publicação recente do acórdão do STF não representa um fato novo capaz de reabrir automaticamente o caminho eleitoral de Gladson. Ele classificou a repercussão como uma leitura equivocada do andamento processual. “Foi só a materialização instrumental de uma decisão que já existia desde o ano passado. Então não é fato novo e muito menos é uma anulação do processo que foi julgado pelo STJ”, disse. Em outro momento, reforçou: “O que foi divulgado ontem, parecendo que o governador podia ser candidato sem nenhum problema, não é bem assim não”.

A possibilidade de recurso existe. Emerson Soares afirmou que a defesa pode levar o caso ao Supremo por meio de recurso extraordinário, mas explicou que esse caminho é estreito porque exige discussão constitucional, demonstração de repercussão geral e superação de barreiras de admissibilidade. “Possibilidade no direito sempre existe”, disse ele, antes de ponderar que a via recursal não permite rediscutir livremente provas e fatos. Na avaliação dele, o STF não costuma reexaminar o conjunto probatório nesse tipo de recurso.

A alternativa mais comentada no campo político seria uma liminar para suspender os efeitos da condenação e permitir o registro da candidatura. Emerson explicou que essa medida teria de demonstrar dois requisitos: a plausibilidade jurídica do pedido e o risco de dano pela demora, já que o prazo eleitoral se aproxima. Mesmo reconhecendo que o risco da demora seria mais fácil de demonstrar por causa do calendário eleitoral, o advogado avaliou que o ponto mais difícil seria convencer o Supremo de que há chance concreta de reversão da decisão do STJ. “As possibilidades desse recurso extraordinário ser admitido são remotas, mas não são impossíveis, e mais remota ainda é uma peça recursal conseguir desconstruir todo um voto, toda uma instrução do Superior Tribunal de Justiça”, afirmou.

Emerson também comentou o peso político de Gladson, que segue com forte capital eleitoral no Acre e nunca perdeu uma eleição. Ainda assim, afirmou que popularidade não basta para alterar uma decisão judicial. O advogado fez questão de registrar sua relação pessoal com o ex-governador e disse falar “com dor”, por gostar de Gladson e já ter atuado como advogado dele na primeira candidatura à Câmara Federal. “Eu tenho uma admiração por ele, inegavelmente, independentemente de qualquer coisa. É um grande líder político do nosso estado e da região Norte, nunca perdeu uma eleição”, disse. Logo depois, ponderou que, sem Gladson na disputa, “o cenário muda radicalmente” e “as peças se mexem no tabuleiro”.

Outro ponto explicado no programa foi o prazo para recursos. Emerson informou que a defesa já apresentou embargos de declaração, instrumento usado para questionar pontos de obscuridade, omissão ou contradição e também para preparar o caminho do recurso ao STF. Como os embargos interrompem o prazo, o período para o recurso extraordinário ainda não começou. Quando começar, segundo ele, o prazo será de 15 dias corridos, contados a partir da publicação da decisão correspondente, com prorrogação apenas se o vencimento cair em fim de semana ou dia sem expediente.

A análise feita no Jornal da Manhã também separou dois conceitos que têm sido misturados no debate político: o lícito e o justo. Para Emerson, a licitude está ligada ao respeito ao devido processo legal, com contraditório, ampla defesa e julgamento por autoridade competente. Já a justiça social pode variar conforme a percepção de cada pessoa. Ao tratar da condenação de Gladson, ele afirmou que, do ponto de vista judicial, o resultado deve ser compreendido a partir das regras do processo e dos recursos cabíveis. “A decisão do juiz não se questiona, se recorre”, disse.

O quadro, portanto, é este: Gladson Cameli foi condenado por órgão colegiado, está hoje inelegível pela Lei da Ficha Limpa, ainda pode recorrer ao STF e pode tentar uma liminar para suspender os efeitos da condenação. Mas, na avaliação jurídica apresentada por Emerson Soares, essa possibilidade existe mais no campo técnico do que no campo da probabilidade. A anulação de parte das provas pelo STF não derrubou a condenação, não anulou o processo e não devolveu automaticamente a condição de candidato ao ex-governador. Até uma decisão em sentido contrário, o impedimento eleitoral permanece.

Crise política e falta de planejamento aceleram saída de jovens do Acre, dizem Jorge Viana e Binho Marques

A crise política, a perda de capacidade de investimento do Estado e a ausência de um projeto de longo prazo estão empurrando jovens e famílias do Acre para outras regiões do país, sobretudo o Sul e o Sudeste. Essa foi a avaliação feita pelos ex-governadores Jorge Viana e Binho Marques na estreia do Podcast do Jorge Viana, apresentado por Marcela e pelo jornalista Toinho Alves, em um debate sobre o enfraquecimento da economia acreana e os caminhos para reter mão de obra e recuperar a atividade produtiva local.

Ao longo da conversa, os dois ex-governadores afirmaram que o Acre vive hoje um movimento oposto ao de décadas anteriores, quando o mercado de trabalho local absorvia trabalhadores e chegava a atrair profissionais de outros estados. Agora, segundo eles, moradores da periferia e jovens em idade produtiva estão deixando o estado para buscar emprego em cidades como Joinville, Chapecó e João Pessoa, muitas vezes em vagas de baixa qualificação e sob condições mais duras de adaptação.

Na avaliação de Binho Marques, a fragmentação da máquina pública entre grupos políticos comprometeu a capacidade de planejamento do Estado e travou políticas estruturantes. “Isso aconteceu quando os interesses pessoais foram maiores do que os interesses coletivos”, disse. Segundo ele, a ocupação de secretarias e órgãos estratégicos por indicações políticas substituiu metas permanentes de desenvolvimento por agendas imediatas, com impacto direto sobre a gestão pública e a execução de projetos.

O debate também apontou reflexos desse quadro sobre a economia interna. Jorge Viana e Binho citaram o abandono de polos produtivos e mudanças nas compras governamentais como sinais de enfraquecimento das cadeias locais. Um dos exemplos citados foi a redução da participação de cooperativas e agroindústrias acreanas no fornecimento de alimentos, inclusive para a merenda escolar, o que, segundo eles, reduz a circulação de renda dentro do próprio estado e enfraquece a produção regional.

Para os ex-governadores, a reversão desse cenário depende de um novo ciclo de investimentos e de uma estratégia capaz de conectar o Acre às transformações da economia digital. A ampliação da infraestrutura de internet, com fibra óptica alcançando municípios, comunidades rurais e aldeias indígenas, foi apontada como condição central para criar oportunidades de trabalho remoto, qualificação profissional e permanência da juventude no estado.

A aposta, segundo os debatedores, passa por combinar conectividade, formação técnica e inserção do Acre na agenda da bioeconomia. A avaliação apresentada no podcast é que, sem um programa consistente de compras públicas regionalizadas e sem expansão do acesso à internet de alta capacidade, o estado corre o risco de aprofundar a perda de população jovem e reduzir ainda mais sua base produtiva nos próximos anos.

Rio Branco acelera obras no Vitória e no Chico Mendes e prepara expansão do Prefeitura nas Ruas

A Prefeitura de Rio Branco intensificou nesta quarta-feira, 20, a recuperação de vias nos bairros Vitória e Chico Mendes e anunciou a ampliação do programa Prefeitura nas Ruas para outras regionais da capital. Durante vistoria nas frentes de serviço, o prefeito Alysson Bestene afirmou que o período de estiagem deve acelerar o cronograma e abrir espaço para novas equipes atuarem em diferentes pontos da cidade.

A agenda começou no bairro Vitória, na regional São Francisco, onde as equipes trabalham em terraplanagem, remendo profundo, tapa-buraco, drenagem, limpeza, calçamento e iluminação pública. Depois, a vistoria seguiu para a Rua Maestro Sandoval, no Chico Mendes, incluída no cronograma de recuperação viária do município.

Ao lado do secretário municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana, Cid Ferreira, do diretor-presidente da Emurb, Abdel Derze, e do secretário de Articulação, Márcio Pereira, o prefeito disse que a meta é reforçar a presença da prefeitura nos bairros com a chegada do verão amazônico. A previsão da gestão é ampliar as frentes de trabalho em até 30 dias, com apoio de novas empresas após a conclusão de licitações em andamento.

No bairro Vitória, a Emurb mantém três equipes em campo, divididas entre terraplanagem, remendo profundo e tapa-buraco. A prefeitura também informou que o plano inclui atendimento a indicações de vereadores, ruas judicializadas e demandas previstas no cronograma próprio da infraestrutura urbana.

Segundo a gestão municipal, a previsão é investir R$ 50 milhões em obras de infraestrutura, com recursos sustentados pelo aumento da arrecadação e pelo controle das contas públicas. A aposta é aproveitar o período mais seco para avançar em intervenções de pavimentação, drenagem e urbanização em áreas com maior acúmulo de problemas.

Moradores do bairro Vitória relataram transtornos recorrentes no inverno, principalmente por causa dos buracos e do acúmulo de água nas ruas. A chegada das máquinas foi recebida como resposta a uma demanda antiga da comunidade, que espera melhora na trafegabilidade e na drenagem antes do próximo período chuvoso.

Cruzeiro do Sul intensifica tapa-buracos, drenagem e limpeza em vários bairros

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul reforçou nesta quarta-feira, 20 de maio, os serviços de infraestrutura urbana com equipes da Secretaria Municipal de Obras mobilizadas em várias frentes para recuperação de ruas, drenagem e limpeza em diferentes regiões da cidade. A ação alcança bairros e avenidas com o objetivo de melhorar o tráfego, reduzir os impactos das chuvas e ampliar a segurança de motoristas e pedestres.

Entre os trabalhos em andamento está a operação tapa-buracos, com a aplicação de cerca de 30 toneladas de asfalto em vias dos bairros Formoso, Cohab e Lauro Muller, além de avenidas da cidade. A medida busca recuperar trechos desgastados e dar melhores condições de circulação em áreas com fluxo diário de veículos e pedestres.

Duas frentes de serviço também atuam na recuperação e melhoria de ruas nos bairros São Luís e Cinturão Verde. No bairro João Alves, as equipes executam serviços de drenagem, enquanto no Remanso o trabalho se concentra na melhoria dos dispositivos de escoamento da água para reduzir os problemas provocados pelas chuvas.

A programação inclui ainda roçagem e retirada de entulhos no Loteamento Jardim Primavera e no Conjunto Cumaru, além da roçagem na subida da Avenida 25 de Agosto. A limpeza dessas áreas faz parte da manutenção urbana e do esforço para manter vias e espaços públicos em melhores condições de uso.

O secretário municipal de Obras, Carlos Alves, afirmou que o município mantém atuação diária em diferentes pontos da cidade para acelerar a recuperação da infraestrutura. “Estamos trabalhando diariamente para melhorar a infraestrutura dos bairros e garantir mais qualidade de vida para a população. São várias equipes atuando ao mesmo tempo, levando serviços essenciais como recuperação de ruas, drenagem, limpeza e manutenção urbana”, disse.

Acre embarca 27 toneladas de carne bovina para o Peru e abre nova frente de exportação

O Acre abriu nesta terça-feira, 19 de maio, uma nova rota de exportação de carne bovina com o embarque de 27 toneladas produzidas pelo Nosso Frigorífico e destinadas a Lima, no Peru. A carga saiu de Rio Branco no fim da tarde e deve chegar à capital peruana em até três dias, ampliando a presença da proteína animal acreana no mercado internacional poucos dias depois do primeiro envio da empresa para Singapura.

A operação marca o início de uma sequência de seis carregamentos para o mercado peruano. Murilo Leite, sócio do Nosso Frigorífico e presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos e Matadouros do Estado do Acre, afirmou que os demais embarques estão programados para o próximo mês. “Os demais seguem no mês que vem”, disse.

O novo fluxo comercial reposiciona parte da carne que antes era enviada principalmente para estados do Sudeste e do Nordeste. A estimativa do setor é que 70% da produção processada pelos frigoríficos acreanos vinha sendo comercializada para outros estados brasileiros, enquanto 30% permaneciam no mercado local. Agora, uma parcela desse volume começa a atravessar as fronteiras do país em busca de novos compradores.

O avanço sobre o mercado peruano ocorre em um momento de expansão das exportações acreanas. Reportagem publicada na última semana informou que o Nosso Frigorífico havia embarcado o primeiro contêiner de carne bovina do estado para Singapura, num movimento de diversificação que levou a empresa de cinco para 17 países atendidos, com meta de chegar a 25 até o fim de 2026. A unidade industrial emprega diretamente 450 trabalhadores e mantém busca por mais profissionais para ampliar a produção.

A abertura do mercado peruano para a carne bovina acreana tem um histórico anterior. Em dezembro de 2022, o governo do Acre anunciou a autorização para exportação de carne suína e bovina ao Peru, com validade de três anos. Em abril deste ano, novas articulações federais voltaram a tratar da ampliação de mercados para as carnes produzidas no estado, incluindo negociações para Chile e Vietnã, enquanto o Peru seguia como destino estratégico para a proteína animal acreana.

No caso do Peru, o desafio comercial passa também pelo perfil de consumo. O país vizinho mantém consumo per capita mais elevado de carne de frango e suína, enquanto a bovina ainda ocupa espaço menor na dieta da população. A aposta do setor frigorífico acreano é crescer nesse mercado com oferta regular, proximidade logística e expansão da presença regional da carne produzida no estado. “Essa carne era comercializada em outros estados do país, mas agora está ampliando a presença do trabalho do produtor de carne do Acre e do trabalhador da indústria do Acre em outros lugares do mundo”, afirmou Murilo Leite.

Cruzeiro do Sul apresenta projeto de reciclagem em premiação nacional do Sebrae

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, destacou nas redes sociais, nesta terça-feira, 19, a participação do município no Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora, em Brasília. A cidade representou o Acre com o projeto Verde & Renda: Economia Circular e Reciclagem Comunitária, iniciativa voltada à sustentabilidade, à reciclagem e à geração de renda.

A participação ocorre após Cruzeiro do Sul vencer a etapa estadual da premiação na categoria Sustentabilidade e Meio Ambiente. O projeto é desenvolvido pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, com apoio à cadeia de reciclagem e à atuação dos catadores no município.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Cruzeiro do Sul foi anunciado durante o evento nacional com o projeto de economia circular e reciclagem comunitária. A postagem de Zequinha também registrou a presença da comitiva municipal na cerimônia e classificou a premiação como um reconhecimento às iniciativas que fortalecem o empreendedorismo e o desenvolvimento dos municípios.

O projeto tem como foco a ampliação da coleta seletiva, o reaproveitamento de materiais recicláveis e o apoio à Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Cruzeiro do Sul, a Coopsul. A proposta busca reduzir o descarte irregular de resíduos, fortalecer a organização dos trabalhadores da reciclagem e transformar a gestão ambiental em oportunidade de renda.

Com a iniciativa, a Prefeitura tenta consolidar uma política pública que une sustentabilidade, inclusão produtiva e economia circular. A ação também busca dar maior estrutura ao trabalho dos catadores, responsáveis por parte importante da destinação correta dos resíduos produzidos na cidade.

O Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora reconhece práticas de gestões municipais que contribuem para melhorar o ambiente de negócios, incentivar pequenos empreendedores e promover soluções de desenvolvimento local. Na edição 2025/2026, a premiação reúne projetos de municípios de todo o país em áreas como sustentabilidade, empreendedorismo rural, turismo, inclusão socioprodutiva, compras públicas e gestão inovadora.

Ao levar o projeto à etapa nacional, Cruzeiro do Sul busca dar visibilidade a uma experiência construída a partir de uma demanda concreta da cidade: organizar melhor a destinação dos resíduos, fortalecer quem vive da reciclagem e inserir a pauta ambiental na agenda de desenvolvimento do município.

“Tenho uma família e preciso priorizar minha família”: Clodoaldo abre lado pessoal e fala da alegria que encontra na política

A decisão de não levar adiante a candidatura da esposa a deputada federal abriu o trecho mais pessoal da entrevista concedida pelo deputado estadual Clodoaldo Rodrigues ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul. Ao sair do discurso sobre eleição, alianças e mandato, ele falou da rotina longe de casa, da criação dos filhos, da responsabilidade da mulher com os pais e do limite que decidiu impor à própria vida política. “Tenho uma família e preciso priorizar minha família”, afirmou.

Clodoaldo disse que a política não pode ser tratada como projeto familiar e explicou que a escolha de não avançar com o nome da esposa passou menos por cálculo eleitoral e mais pela necessidade de preservar a estrutura da casa. Contou que a família não se mudou para Rio Branco, apesar das exigências do mandato, e que a distância virou parte da rotina. “Vivo nessa ida e vinda pela BR, chegando de noite, às vezes correndo risco nessas viagens”, disse. Na mesma resposta, resumiu o motivo que pesou na decisão: “Se minha família não foi para Rio Branco, imagine se ela estivesse em Brasília e eu em Rio Branco. Como ficariam nossos filhos?”

O deputado também falou do peso que as perdas familiares têm sobre a forma como enxerga a própria trajetória. Ao lembrar que perdeu pai e mãe cedo, puxou a conversa para um terreno mais íntimo e menos comum no vocabulário político. “Há coisas na vida em que o tempo não volta. Perdi meus pais muito cedo, pai e mãe, e sei a falta que fazem. Chega um momento em que quero curtir meus filhos, minha família e cuidar deles”, afirmou.

Foi a partir daí que Clodoaldo tentou mostrar onde, segundo ele, ainda encontra sentido na vida pública. Em vez de falar em cargo ou projeção, preferiu descrever a satisfação que sente quando é reconhecido por alguém atendido ao longo do mandato. “Eu amo a política. Gosto de fazer política porque gosto de ajudar as pessoas”, disse. Em seguida, completou com a lembrança que, segundo ele, resume o melhor da atividade política: “O melhor momento da política é quando chego ao aeroporto, estou na BR ou chego ao município, e uma pessoa vem me agradecer porque ajudei em um tratamento de saúde.”

Na mesma linha, Clodoaldo procurou afastar a imagem da política ligada a privilégio e enriquecimento. Disse que não foi para Rio Branco em busca de poder ou patrimônio e afirmou encarar a trajetória até aqui como uma etapa de serviço público. “A política, para mim, é isso. Não é dizer que o Clodoaldo está andando de SW4, tem mansão ou fez negócio. Eu não fiz negócio na política”, afirmou. “Sempre disse que fui para Rio Branco para trabalhar, não em busca de poder nem de riqueza.”

Quando voltou a falar do contato com a população, o deputado repetiu uma ideia que atravessa boa parte da entrevista: a de que o mandato só faz sentido se continuar perto de quem procura ajuda. Ao lembrar a passagem de quatro meses pela Prefeitura de Cruzeiro do Sul, disse que aquele período o aproximou ainda mais das demandas do dia a dia. “Quando estive na prefeitura, pude olhar para as pessoas”, afirmou. Logo depois, reforçou a visão que tenta associar ao próprio estilo político: “Eu gosto de estar no gabinete atendendo as pessoas. Quem não gosta do povo tem que sair da política e dar espaço para quem gosta.”

A família voltou ao centro da fala quando Clodoaldo disse que costuma lembrar à esposa, hoje vice-prefeita, que mandato não é posse definitiva. “Nunca esqueça quem colocou você na cadeira, porque o povo coloca e o povo tira”, afirmou. Na sequência, resumiu a regra que diz seguir dentro e fora da política: “Nosso foco tem que ser estar perto do povo e ouvir.”

No fim, o que ficou dessa parte da entrevista foi menos o deputado em pré-campanha e mais o homem que tentou explicar por que decidiu frear um projeto político dentro da própria casa. Ao falar dos filhos, dos pais que perdeu cedo e da alegria que encontra quando alguém o procura apenas para agradecer, Clodoaldo procurou dar à política um tamanho mais próximo da vida comum, onde mandato passa, eleição passa, mas o tempo longe da família não volta.