Jornal da Manhã em Coluna – 19 de junho de 2026

Ponte de Sena, PF no Juruá e pesquisa eleitoral movimentam o debate da Integração

Aleac reage à queda da ponte

A queda da ponte em Sena Madureira foi o principal tema político do Jornal da Manhã desta sexta-feira, 19. A bancada destacou que a Assembleia Legislativa saiu da posição de silêncio e passou a se movimentar após a proposta do deputado Edvaldo Magalhães para criar uma comissão externa de acompanhamento do caso.

De 9 para 18 assinaturas

Durante entrevista ao programa, Edvaldo Magalhães afirmou que o requerimento da comissão começou com nove assinaturas, passou para 14 e terminou a sessão com 18 deputados apoiando a apuração. Segundo ele, a instalação deve ocorrer na terça-feira, com definição dos membros, presidência e relatoria.

“Um passo de cada vez”

Edvaldo explicou que optou por uma comissão externa, e não por uma CPI, porque considera necessário avançar por etapas. Segundo o deputado, a comissão poderá acompanhar o trabalho do Ministério Público, Tribunal de Contas e Polícia Técnica, além de cobrar informações que ainda não apareceram de forma clara sobre a obra.

Valor da ponte virou ponto central

A bancada voltou a questionar o valor da ponte. O debate começou com os R$ 36 milhões do contrato inicial, mas Edvaldo afirmou que o custo total teria chegado a cerca de R$ 45 milhões, considerando aditivos e reajustes. Para o deputado, o problema é que parte dessas informações não estaria devidamente lançada nos sistemas de controle.

Garantia e execução sob suspeita

Outro ponto levantado por Edvaldo foi a garantia da obra. Ele disse que, até a véspera da entrevista, não havia sido identificado o documento de garantia da ponte. O deputado também afirmou que há diferença entre o que estava previsto no projeto básico e o que teria sido executado, especialmente em relação às estacas e à estrutura da ponte.

Governo perdeu controle da base

Rogério Wenceslay avaliou que a adesão de deputados governistas à comissão mostra mudança de clima dentro da Assembleia. Para ele, a proximidade da eleição faz parlamentares se distanciarem de temas que podem desgastar a própria imagem. Edvaldo também disse que o governo tentou manter sua maioria em silêncio, mas não conseguiu impedir a movimentação.

PF inaugura nova sede em Cruzeiro do Sul

O programa também destacou a inauguração da nova sede da Polícia Federal em Cruzeiro do Sul. Segundo a bancada, o investimento foi de cerca de R$ 22 milhões e a estrutura chega em um momento de aumento das operações contra narcotráfico, crime organizado e crimes transfronteiriços na região do Juruá.

Andrei Rodrigues fala em PF sem lado

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, participou da agenda em Cruzeiro do Sul. Em fala reproduzida no programa, ele afirmou que a PF “não persegue e não protege”, mas cumpre sua missão institucional. A declaração foi comentada pela bancada no contexto de operações nacionais que atingem políticos de diferentes campos.

Troca de tiros entre viaturas ainda sem resposta

A troca de tiros entre duas guarnições da Polícia Militar em Cruzeiro do Sul voltou a ser cobrada no programa. Chico Melo e Rogério Wenceslay defenderam que o comando da PM e a Secretaria de Segurança deem uma explicação pública. Para Wenceslay, quando não há uma versão oficial convincente, a boataria ocupa o espaço da informação.

Pesquisa RealTime agita pré-campanha

A pesquisa RealTime Big Data também entrou no debate. O levantamento citado no programa mostra Alan Rick com 39%, Mailza Assis com 26%, Tião Bocalom com 18% e Thor Dantas com 5%. A bancada destacou que Bocalom foi o primeiro a reagir com força, chamando a pesquisa de mentirosa e dizendo que sua verdadeira pesquisa está nas ruas.

Bocalom desafia adversários

No áudio comentado pela bancada, Bocalom lembrou eleições anteriores em que aparecia atrás nas pesquisas e acabou tendo desempenho melhor nas urnas. Ele desafiou adversários a andarem com ele pelas ruas para medir quem recebe mais apoio popular. A bancada avaliou que, apesar dos 18%, Bocalom ainda tem capacidade de movimentar o cenário.

MDB perto de Alan Rick

O programa também trouxe informação de bastidores sobre uma conversa entre Jéssica Sales e Alan Rick. Segundo a apuração comentada na bancada, o MDB deve anunciar apoio à pré-candidatura de Alan ao governo do Acre. Não houve, no entanto, compromisso de que Jéssica será vice. A definição da chapa, segundo foi dito, ficará para mais adiante.

Marcos Alexandre fica com Mailza

Ainda sobre o MDB, o programa informou que Marcos Alexandre já teria decidido continuar apoiando Mailza Assis, mesmo com parte do partido caminhando para Alan Rick. A bancada avaliou que o MDB segue como uma incógnita, com posições internas diferentes no processo eleitoral.

Porto Walter tem mudança na Câmara

No bloco final, o Jornal da Manhã informou que Rosildo Cassiano Correia, do PSD, renunciou à presidência da Câmara de Porto Walter após decisão do TSE que cassou seu diploma por unanimidade. Com a saída, o vereador Robson Rodrigues foi eleito presidente da Casa. Os demais integrantes da mesa diretora permanecem nos cargos.

Vagner Sales e Ilderlei recuperam direitos políticos

Mazinho Rogério informou que os ex-prefeitos Vagner Sales e Ilderlei Cordeiro tiveram os direitos políticos restabelecidos por decisão da Justiça do Acre. A informação foi tratada como relevante para a política regional, especialmente no contexto das movimentações do MDB e das articulações para 2026.

PAA beneficia produtores em Cruzeiro do Sul

O programa também destacou o Programa de Aquisição de Alimentos, do governo federal, que deve beneficiar 45 produtores rurais e investir mais de R$ 307 mil em Cruzeiro do Sul. A bancada avaliou que o recurso é importante, mas poderia ser maior diante da importância da agricultura familiar para o abastecimento local.

No Jornal da Manhã, Edvaldo cobra investigação da ponte de Sena Madureira e questiona valores

No Jornal da Manhã desta sexta-feira, 19 de junho de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães levou a queda da ponte de Sena Madureira para o centro da cobrança política no Acre. A obra, construída pelo governo do Estado por meio do Deracre, foi entregue, recebida, paga e caiu pouco mais de dois anos depois. Para Edvaldo, a Assembleia Legislativa não pode ficar fora da apuração porque o caso envolve dinheiro público, contrato, aditivos, fiscalização e uma pergunta simples: por que a ponte não resistiu?

A entrevista começou pela escolha do instrumento de investigação. Edvaldo explicou que não pediu uma CPI porque ela poderia ser barrada antes de funcionar. A saída foi propor uma comissão de acompanhamento externo, com objeto definido: a ponte de Sena Madureira. A comissão, na avaliação do deputado, permite que a Assembleia acompanhe o trabalho do Tribunal de Contas, do Ministério Público e da polícia técnica, cobre documentos e leve informações já levantadas pelos parlamentares.

O ponto mais forte da entrevista foi a diferença entre o valor do contrato inicial e o custo final da obra. Edvaldo disse que o contrato era de R$ 36 milhões, mas que o valor pago chegou a R$ 45 milhões e alguns quebrados, perto de R$ 46 milhões. A Procuradoria-Geral do Estado, o Ministério Público e a Justiça de Sena Madureira trabalharam, até ali, com pedido de bloqueio e ressarcimento de R$ 36 milhões. Para o deputado, a conta não fecha porque os aditivos também saíram dos cofres públicos.

Edvaldo rejeitou a tentativa de separar o aterro da ponte. “Você não contrata o tabuleiro da ponte, você contrata uma ponte inteira”, disse. A frase mirou o argumento de que cerca de R$ 9 milhões teriam sido usados em obra complementar. Para ele, cabeceira, acesso, aterro, fundação e tabuleiro fazem parte do mesmo conjunto entregue à população. Se o dinheiro foi pago dentro do contrato da ponte, deve entrar na apuração e no cálculo do possível prejuízo.

A cobrança avançou sobre a transparência dos pagamentos. Edvaldo afirmou que procurou no Tribunal de Contas os registros da obra e encontrou no Sicom apenas os R$ 36 milhões do contrato original. Os aditivos, reajustes e novas medições, segundo ele, não apareciam no sistema. O deputado tratou essa ausência como uma das razões para a comissão existir, porque cada pagamento de obra pública precisa ter origem, medição, serviço executado e registro disponível aos órgãos de controle.

A parte técnica da entrevista foi direta. Edvaldo afirmou que havia diferença entre o que estava previsto nas linhas iniciais do projeto e o que teria sido executado. Ele citou tubulações com diâmetro menor e estacas menos profundas do que o previsto. A obra foi contratada pelo modelo RDC, em que o edital sai com diretrizes gerais e projeto básico, mas, na leitura do deputado, nem essas linhas teriam sido respeitadas na execução.

A explicação da “terra caída” também foi contestada. Edvaldo lembrou que rios amazônicos enchem, secam, mudam barrancos e provocam erosão todos os anos. Isso precisa estar dentro do cálculo de engenharia. Para ele, uma coisa é perder uma cabeceira e reconstruir o acesso; outra é a ponte cair por completo. “Nós estamos tratando de uma ponte que não aguentou porque a sua estrutura foi mal feita”, afirmou.

A garantia da obra virou outro ponto sem resposta. Edvaldo disse que, até o dia anterior à entrevista, o documento da garantia da ponte não havia sido identificado. Ele também rebateu a versão de que a carta de garantia valeria apenas até o recebimento da obra. Para o deputado, se o contrato prevê garantia de cinco anos, a empresa precisa bancar essa responsabilidade por meio da garantidora. A pergunta que ficou foi objetiva: quem garante a ponte que caiu?

No fim da entrevista, a ponte deixou de ser apenas um problema de engenharia. Virou um teste para a Assembleia. A proposta começou com Edvaldo, passou por nove assinaturas e chegou a 14 apoios no debate do Jornal da Manhã. A queda da ponte abriu uma fissura política porque expôs uma obra cara, recente e sem explicação completa. Agora, a comissão terá de dizer se vai atrás dos documentos ou se deixará que a lama do rio cubra também os rastros do contrato.

Prefeito de Plácido de Castro declara apoio a Lula durante encontro com Jorge Viana

O prefeito de Plácido de Castro, Camilo Silva, do PP, declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro com o ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana, nesta quarta-feira, 17, na sede da Prefeitura. A conversa tratou de obras no município, investimentos federais e da participação de Jorge em ações realizadas na região durante seus governos.

O encontro teve clima informal e incluiu o tradicional café preparado por Jorge Viana. Durante a visita, Camilo citou obras que marcaram Plácido de Castro, como a pavimentação da BR-475, conhecida como Estrada do Agricultor, a eletrificação rural, melhorias em ruas e avenidas e a chegada da Universidade Federal do Acre à região.

“É uma honra receber um dos maiores governadores que o Acre já teve. Plácido de Castro recebeu investimentos que transformaram a vida das pessoas e muitos deles tiveram a participação decisiva do Jorge”, afirmou o prefeito.

Camilo também relacionou o apoio a Lula ao volume de recursos federais aplicados no município. “Hoje, cerca de 70% das obras que temos em Plácido de Castro contam com recursos do Governo Federal. Não tenho dúvida de que Lula será o meu candidato à Presidência da República, porque os investimentos da União têm feito a diferença para os municípios”, declarou.

A agenda reforça a movimentação de Jorge Viana no interior do Acre em meio à articulação para a disputa ao Senado. Em Plácido de Castro, o ex-governador tem ligação familiar e política. Ele lembrou que sua mãe nasceu no município e que parte da história de sua família começou na região.

Além da reunião na Prefeitura, Jorge Viana cumpriu agenda com lideranças locais, conversou com moradores e participou de encontros políticos no município. A passagem por Plácido de Castro reuniu aliados, vereadores, empresários e representantes de famílias tradicionais da cidade.

Jornal da Manhã em Coluna – 18 de junho de 2026

Bastidores, cobranças e tensão política no Acre

Chapa quente

O Jornal da Manhã desta quinta-feira, 18, começou com a política em temperatura alta. A decisão judicial que mandou retirar outdoors do senador Alan Rick em Rio Branco dominou boa parte do debate e virou combustível para uma discussão maior: a regra vale só para Alan ou será aplicada também a outros políticos que fazem divulgação de mandato?

Dois pesos

Rogério Wenceslau avaliou que a ação contra os outdoors de Alan Rick pode ter produzido efeito contrário ao esperado. Para ele, ao judicializar a divulgação do mandato do senador, o Progressistas colocou o governo no centro da crítica e abriu espaço para Alan se apresentar como alvo de perseguição política.

Regra para todo mundo?

Chico Melo entrou no debate com uma pergunta direta: se há outdoors de outros parlamentares pelo Acre divulgando emendas e ações de mandato, a mesma medida será adotada contra todos? A provocação expôs o ponto mais sensível da discussão: o critério usado contra Alan Rick será geral ou seletivo?

Michele no alvo

Wenceslau também chamou atenção para os ataques contra Michele Miranda, esposa de Alan Rick, após ela sair em defesa do marido nas redes sociais. O comentarista disse que blogs e sites alinhados ao governo passaram a mirar Michele, levando a disputa para um campo pessoal.

Limite perigoso

Na avaliação de Wenceslau, atacar cônjuges abre um limite perigoso na disputa política. Ele afirmou que, se esse for o caminho, o governo pode ter mais a perder, porque familiares de outros personagens políticos também podem ser puxados para o centro do debate.

Arasuper no furacão

Outro ponto levantado foi a decisão que também atingiu propaganda institucional de Alan Rick em telas da rede Arasuper. Wenceslau avaliou que o movimento levou para dentro da disputa política um grupo empresarial que não tinha interesse em entrar nessa briga. Para ele, foi mais um erro de cálculo da articulação governista.

Expoacre Juruá sob alerta

A organização da Expoacre Juruá também entrou na coluna de bastidores. Wenceslau afirmou que há preocupação entre empresários de Cruzeiro do Sul com o andamento dos preparativos para o evento, marcado para começar no dia 30 de junho. Segundo ele, faltando menos de duas semanas, a estrutura ainda não estaria no ritmo esperado.

Dinheiro e holofote

Para Wenceslau, os grandes eventos do governo movimentam dinheiro, visibilidade e interesses políticos. No caso da Expoacre Juruá, ele disse que há muita gente interessada nos recursos e nos holofotes da feira. A preocupação é que a disputa interna atrase decisões e comprometa a entrega da estrutura.

Ponte pressiona governo

A comissão externa da Aleac para acompanhar o colapso da ponte de Sena Madureira já conta com apoio acima do necessário. O assunto foi tratado como mais um desgaste para o governo, especialmente porque a queda da ponte abriu uma cobrança mais ampla sobre obras públicas estaduais.

Deputados mudando de lado

A leitura feita na bancada é que parte dos deputados estaduais já começa a se afastar do governo na prática. Com a eleição se aproximando, a tendência é que parlamentares busquem preservar a própria imagem diante do eleitor, principalmente em temas de forte desgaste, como obras paradas, contratos questionados e estruturas que falharam.

Sem paz até 2026

Wenceslau foi direto: não é para esperar tempos de paz até a eleição. Segundo ele, tudo que estiver mal resolvido no governo tende a vir à tona. A Assembleia, nesse cenário, vira palco natural das cobranças, principalmente porque deputados precisarão mostrar serviço antes de pedir voto novamente.

TFD vira cobrança pública

Fora da política partidária, o caso de Jéssica Souza trouxe uma cobrança dura ao governo. A mãe da jovem, Clécia Souza, relatou ao vivo a espera de 56 dias por transferência via TFD. A fala expôs a falta de resposta às famílias e transformou a fila por atendimento especializado em mais uma pressão pública sobre a Secretaria de Saúde.

PM precisa explicar

A troca de tiros entre duas guarnições da Polícia Militar em Cruzeiro do Sul também entrou no programa com tom de cobrança. A bancada considerou o caso grave e mal explicado. Ninguém ficou ferido, mas o episódio deixou uma pergunta incômoda: como duas equipes da própria polícia acabam atirando uma contra a outra?

Guajará no limite

A situação da delegacia de Guajará, usada como presídio, também foi destaque. O Ministério Público cobra solução definitiva para o problema, que envolve superlotação, presos condenados em delegacia e estrutura inadequada. O caso mostra uma crise prisional que não para na divisa entre Acre e Amazonas.

O recado do programa

O Jornal da Manhã desta quinta deixou um recado claro: a pré-campanha de 2026 já começou no Acre, e começou sem clima de trégua. Outdoors, familiares, obras públicas, eventos do governo, TFD e segurança pública entraram no mesmo tabuleiro. A partir de agora, cada problema administrativo tende a virar fato político.

Alan Rick lidera pesquisa RealTime para governo do Acre com 39%

O senador Alan Rick (Republicanos) lidera a disputa pelo governo do Acre, com 39% das intenções de voto no cenário estimulado da pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta quinta-feira, 18. A governadora Mailza Assis (PP) aparece em segundo lugar, com 26%, seguida pelo prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PSDB), com 18%.

Thor Dantas (PSB) tem 5%, enquanto Eudo Raffael (PCB) não pontuou. Brancos e nulos somam 6%, mesmo percentual dos eleitores que não souberam ou não responderam. A vantagem de Alan Rick sobre Mailza é de 13 pontos percentuais. A distância entre Mailza e Bocalom é de 8 pontos.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos pré-candidatos não são apresentados aos entrevistados, Alan Rick também aparece à frente, com 15%. Mailza Assis tem 8%, Tião Bocalom registra 6%, Gladson Cameli aparece com 3% e Jorge Viana tem 1%. Outros nomes somam 3%, brancos e nulos chegam a 11%, e 53% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

O levantamento também testou cenários de segundo turno. Contra Mailza Assis, Alan Rick aparece com 46%, ante 35% da governadora. Brancos e nulos somam 10%, e 9% não responderam. Em uma disputa contra Tião Bocalom, o senador tem 55%, contra 26% do prefeito de Rio Branco. Nesse caso, brancos e nulos são 11%, e 8% não souberam ou não responderam.

Na simulação entre Mailza Assis e Tião Bocalom, a governadora aparece com 40%, enquanto o prefeito registra 28%. Brancos e nulos somam 12%, e 20% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

A RealTime Big Data ouviu 1.600 eleitores do Acre entre os dias 16 e 17 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número AC-04914/2026.

Em levantamento separado sobre a disputa presidencial no Acre, Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente de Lula (PT). No cenário estimulado, Flávio tem 51%, contra 29% de Lula. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, Flávio registra 58%, e Lula aparece com 32%. Essa pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08879/2026.

Prefeitura vistoria Vale do Açaí e ocupação Jaguar para avaliar infraestrutura em Rio Branco

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, vistoriou nesta quarta-feira (17) o Residencial Vale do Açaí e a ocupação Jaguar para avaliar problemas de infraestrutura, saneamento, acesso e áreas de risco. A agenda reuniu equipes técnicas da gestão municipal e teve como foco levantar demandas das comunidades e definir medidas possíveis para reduzir os impactos enfrentados pelos moradores.

No Residencial Vale do Açaí, a principal reclamação envolve ruas com dificuldade de acesso, esgoto a céu aberto e problemas de mobilidade. Moradores relataram que a situação afeta de forma mais grave pessoas com deficiência e famílias que dependem de atendimento médico fora de casa. A líder comunitária Dje Cavalcante afirmou que os transtornos são antigos e que a falta de trafegabilidade já dificultou até a entrada de ambulâncias do Samu em alguns pontos da localidade.

Durante a vistoria, Bestene reconheceu a demanda dos moradores e afirmou que o município vai atuar dentro das condições legais e técnicas. O prefeito citou que o Vale do Açaí reúne áreas com diferentes situações, incluindo trecho regularizado, ruas judicializadas e pendências associadas a programas habitacionais antigos, como o Ruas do Povo.

A gestão municipal deve iniciar ações de limpeza e acompanhamento técnico na comunidade. O trabalho terá participação das áreas de infraestrutura, cuidados com a cidade e da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco, a Emurb. A proposta é fazer um diagnóstico das condições de acesso e das intervenções possíveis em cada ponto.

A comitiva também esteve na ocupação Jaguar, onde vivem famílias em situação de vulnerabilidade. O município pretende fazer o cadastro social dos moradores e incluir as famílias no Cadastro Único, etapa necessária para orientar políticas públicas e futuros programas habitacionais.

Bestene afirmou que a prefeitura busca alternativas para famílias que vivem em áreas de risco, alagadiças ou de preservação permanente. O planejamento envolve a identificação dos moradores, o acompanhamento social e a possibilidade de inclusão em programas como o Minha Casa Minha Vida, em parceria com o governo federal.

O secretário Cid Ferreira afirmou que parte dos problemas atuais tem origem em intervenções antigas sem planejamento adequado. Ele citou pendências deixadas pelo programa Ruas do Povo e disse que a gestão deve concentrar esforços em medidas para melhorar as condições de acesso, limpeza e infraestrutura nas comunidades vistoriadas.

Marcio Bittar vs. Jorge Viana: quando a irrelevância se incomoda com o prestígio

Por Daniel Sant’Ana*

A política tem uma forma simples de separar prestígio de mandato. Jorge Viana, mesmo sem cargo eletivo, chegou à presidência da ApexBrasil e passou a ocupar um espaço de articulação nacional que devolveu o Acre à mesa de conversas sobre exportações, investimentos e presença institucional em Brasília. Márcio Bittar, com oito anos de Senado e tendo ocupado a poderosa relatoria-geral do Orçamento da União de 2021, não conseguiu transformar essa posição em reconhecimento político proporcional dentro do próprio Estado.

A diferença não está apenas no cargo ocupado. Está no que cada um faz quando chega perto do centro das decisões. Jorge Viana, à frente da Apex, abriu diálogo com o governo acreano sobre exportações e desenvolvimento econômico logo no início de 2023, em uma agenda no Palácio Rio Branco voltada ao fortalecimento dos produtos do Acre no mercado externo. Esse tipo de articulação não rende apenas fotografia. Rende caminhos, relações institucionais, presença política e capacidade de fazer o Acre ser ouvido fora de suas fronteiras.

Márcio Bittar teve uma oportunidade ainda mais rara. Como relator do Orçamento, esteve no centro da disputa por bilhões de reais em Brasília. Era o momento em que poderia ter construído uma marca pública sólida, com projetos estruturantes, planejamento de longo prazo e obras capazes de melhorar a vida das pessoas de forma clara. O que ficou, no entanto, foi uma atuação cercada por controvérsias, disputas com a equipe econômica de Paulo Guedes e explicações sobre a distribuição de emendas em um orçamento que virou símbolo de tensão entre governo, Congresso e opinião pública.

Quando o senador presta contas de sua atuação, ele costuma recorrer aos números. Em 2023, na Câmara Municipal de Rio Branco, afirmou ter conseguido alocar R$ 720 milhões para o Acre por meio da relatoria do chamado orçamento secreto. O problema é que volume de dinheiro alocado não significa o mesmo volume de dinheiro liberado e, muito menos, executado. Ademais, isso não basta para construir prestígio. Recurso público precisa virar benefício público mensurável, precisa responder a prioridades reais e precisa sobreviver ao escrutínio da população. Caso contrário, a emenda vira apenas falatório e propaganda, sem virar legado.

O caso do viaduto Mamedio Bittar resume bem essa contradição. A obra, supostamente bancada por emenda do senador (há quem diga que o recurso não foi liberado, obrigando a Prefeitura a executar a obra com recursos próprios) e orçada em pouco mais de R$ 25 milhões pela Prefeitura de Rio Branco, recebeu o nome do pai de Márcio Bittar. A homenagem pode ter valor afetivo para a família, mas, politicamente, abriu uma pergunta legítima: quando um parlamentar direciona recursos para uma obra pública que pretende eternizar o nome do próprio pai, a fronteira entre interesse coletivo e capital político pessoal fica estreita demais.

Há ainda o episódio envolvendo recursos destinados às Santas Casas no Acre. Em julho de 2025, o Ministério Público Federal informou que a Justiça Federal impediu o repasse de recursos públicos às entidades após uma ação que apontou desvio de finalidade, fraude contra credores e promoção pessoal com verba pública ligada a emenda parlamentar. Em um ambiente político sério, esse tipo de caso não pode ser tratado como detalhe lateral. É matéria de interesse público e pesa sobre qualquer discurso de eficiência administrativa.

Por isso, quando Márcio Bittar reage com irritação aos movimentos de Jorge Viana, o problema parece ir além da disputa eleitoral. A irritação nasce do contraste. Um, sem mandato, abre portas nacionais e internacionais e ocupa espaços estratégicos. O outro, mesmo com mandato, mesmo tendo passado pela relatoria do Orçamento, ainda precisa explicar por que tanto poder formal não se converteu em reconhecimento amplo e benefícios concretos para o povo do Acre.

A política pune a irrelevância antes mesmo das urnas. Ela aparece nas pesquisas, nas ruas, nas conversas de bastidor e na dificuldade de transformar barulho em autoridade. Márcio Bittar recebeu do povo acreano mandatos sucessivos e oportunidades raras. Ainda assim, parece carregar a frustração de quem sabe que teve poder, teve dinheiro, teve acesso e não conseguiu construir uma entrega à altura da confiança recebida.

No fim, a diferença entre Jorge Viana e Márcio Bittar não está apenas no currículo. Está na capacidade de fazer o Acre aparecer com respeito onde as decisões são tomadas. Mandato se ganha nas urnas, relevância se prova no exercício do poder e prestígio não se improvisa. E é exatamente nessa diferença que Márcio se incomoda, reage, ataca e tenta transformar incômodo pessoal em debate público. Freud talvez explique. A política já explicou.

*Doutor (UnB) em Direito e Mestre (UFSC) em Relações Internacionais. Professor do Curso de Direito da UFAC com atuação em Direito Administrativo, Direito Internacional e Sociologia do Direito. Ex-diretor-presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour, ex-secretário Estadual de Educação e ex-deputado estadual pelo PT do Acre.

Jorge Viana põe pré-candidatura ao Senado na estrada e anuncia agenda em Capixaba e Acrelândia

Pré-candidato ao Senado pelo PT no Acre, o ex-governador e ex-senador Jorge Viana publicou nesta quarta-feira, 17, um vídeo nas redes sociais em que anuncia agenda no interior do estado, com passagem por Capixaba e Acrelândia. Na gravação, ele diz que a mobilização começa ainda nesta quarta e segue nos próximos dias, com deslocamento por estrada e pernoite fora de casa.

“Se o pessoal acha que o Acre tem problema, eu posso ajudar”, afirma Jorge Viana no vídeo. Em seguida, ele detalha o roteiro: “E vocês estão dormindo, a gente madruga. Já estamos aqui hoje e amanhã vamos para a estrada Capixaba dormir lá em plástico, depois Acrelândia, porque a nossa luta começa cedo e vai até tarde.”

Na mesma publicação, o petista também faz um chamado aos apoiadores e associa a agenda à defesa do estado. “É por isso que, graças a Deus, a gente está juntando cada vez mais amigos e amigas que têm amor pelo Acre. Aqui é pelo Acre, aqui tem Acre. Vambora”, diz.

Já em Capixaba, o petista se reuniu com o prefeito Manoel Maia e visitou lideranças locais. Durante a passagem pelo município, ele defendeu diálogo entre diferentes grupos políticos e afirmou que a prioridade deve ser os interesses do estado.

Na visita, Jorge Viana relembrou ações realizadas em Capixaba durante o período em que governou o Acre e citou obras e serviços nas áreas de energia, abastecimento de água, eletrificação rural e urbanização. “Capixaba é um lugar pelo qual tenho um carinho muito especial. Quando assumi o governo, a cidade ainda enfrentava muitas dificuldades. Trabalhamos para levar energia de forma permanente, água tratada, eletrificação rural e melhorias urbanas que ajudaram a transformar a realidade da população”, afirmou.

Editorial – O poder da eminência parda no governo do Acre

O governo do Acre chegou a esta terça-feira, 16 de junho, cercado por uma pergunta que já circula nos corredores da política, nas conversas de bastidor e nas rodas onde deputado baixa a voz antes de falar: quem realmente manda no Palácio Rio Branco? A crise não nasce de uma portaria, de uma exoneração ou de um discurso oficial. Nasce da presença de figuras sem mandato, sem cargo político claro e sem responsabilidade formal, mas com força suficiente para atravessar reuniões, interferir em alianças, pressionar parlamentares e tentar controlar o rumo de um governo que deveria responder diretamente à população.

A expressão é antiga, mas voltou a vestir roupa nova no Acre: eminência parda. É aquele personagem que não aparece na placa da porta, não foi escolhido pelo eleitor, não senta na Assembleia, não carrega voto no bolso, mas age como se tivesse recebido procuração para decidir o destino de quem governa. Não assina ato, mas orienta. Não ocupa cargo visível, mas manda. Não enfrenta urna, mas tenta impor caminho a quem passou pelo voto. A política acreana conhece bem esse tipo de poder sem rosto. Ele sempre aparece quando a autoridade formal começa a dividir espaço com a conveniência do bastidor.

O problema não está na existência de auxiliares próximos. Todo governo precisa de conselheiros, articuladores e pessoas de confiança. O problema começa quando esses personagens deixam de aconselhar e passam a comandar. Quando isso acontece, o governo perde nitidez. O secretário não sabe até onde pode ir. O deputado não sabe com quem negociar. O aliado não sabe se fala com a governadora ou com quem fala por ela. O cidadão, que é o verdadeiro dono da máquina pública, fica sem saber quem cobrar quando a decisão dá errado.

No Acre de hoje, essa sombra pesa sobre a imagem da governadora Mailza Assis. A governadora parece tentar manter uma aparência de controle, mas a política não perdoa hesitação. Em governo, dúvida prolongada vira fraqueza. Aliança mal resolvida vira chantagem. Base insatisfeita vira ameaça silenciosa. E quando os próprios aliados começam a reclamar de interferência externa, de emendas represadas e de decisões tomadas por quem não tem mandato, o problema já saiu do cochicho e entrou na sala principal.

A base governista, embora numerosa no papel, já não se comporta como tropa obediente. Há incômodo entre deputados, especialmente em torno da liberação de emendas e da tentativa de transformar apoio político em obediência eleitoral. Emendas parlamentares não são presente do governo. São instrumentos públicos, muitas vezes destinados a associações, comunidades, instituições filantrópicas, pequenos municípios e serviços que atendem gente de carne e osso. Quando esse dinheiro vira moeda de pressão, quem sofre não é o deputado. Quem sofre é a dona Maria que espera atendimento, o dirigente de uma entidade que mantém serviço comunitário, a família que depende de uma ação social e o interior que vive na ponta do abandono.

É aí que a eminência parda se torna perigosa. Ela não aparece para explicar a demora. Não vai ao rádio prestar contas. Não sobe em palanque para pedir voto em nome próprio. Não encara eleitor na feira, no ramal, na fila do hospital ou na porta de uma escola. Quem carrega o desgaste é a governadora. Quem perde sustentação é o governo. Quem responde nas urnas é o grupo político. A sombra manda, mas a conta chega para quem está sob a luz.

O caso do MDB aprofunda esse desgaste. O partido entrou na aliança, saiu pela tangente, conversou com outros caminhos, voltou a deixar dúvidas e manteve a governadora em uma posição desconfortável. Na política, nada enfraquece mais uma liderança do que parecer dependente de quem não se decide. Quando um aliado oscila demais, cabe ao governo impor rumo. Mailza precisa decidir se conduz a própria campanha ou se continuará esperando que outros definam o tamanho do seu projeto. A indefinição do MDB já arranha o partido, mas também atinge a governadora, porque passa a impressão de que ela insiste em uma aliança que não lhe entrega segurança.

O Acre já atravessou períodos em que o poder se organizava por cartilha, senha e bênção. Quem estava dentro do círculo resolvia. Quem estava fora precisava rezar o terço inteiro para ser ouvido. Esse tipo de política envelheceu mal, mas não desapareceu. Ela apenas trocou o gabinete fechado pelo grupo de mensagem, a antessala pelo almoço reservado, o coronel antigo pelo operador moderno. A essência continua a mesma: poucos decidem, muitos obedecem e quase ninguém assume a responsabilidade.

Um governo que aceita esse modelo vai se afastando do chão. Deixa de ouvir prefeito pequeno, deputado incomodado, servidor cansado, liderança comunitária esquecida. Passa a ouvir apenas o eco de quem vive perto do poder. E o eco é sempre perigoso, porque devolve ao governante exatamente aquilo que ele quer escutar. O Acre real é diferente. O Acre real não quer saber quem cochicha no ouvido da governadora. Quer saber quem resolve. Quer saber quem responde. Quer saber por que a máquina pública parece travada quando deveria estar funcionando.

A crítica feita no Jornal da Manhã toca exatamente nesse ponto. Não se trata apenas de disputa eleitoral. Trata-se de responsabilidade pública. Quem manda precisa aparecer. Quem decide precisa assinar. Quem interfere precisa ter nome, cargo e dever legal. A democracia não combina com poder clandestino. Governo não pode ser comandado por presença na fotografia, influência de corredor ou intimidade com quem ocupa o cargo principal. Governo exige comando aberto, cadeia de decisão limpa e autoridade capaz de dizer sim, não e por quê.

Mailza Assis ainda tem tempo de reorganizar o próprio governo, mas esse tempo não é infinito. A governadora precisa separar conselho de comando, amizade de função pública, articulação de interferência. Precisa olhar para a base e entender que deputado não é empregado de palácio. Precisa olhar para os partidos e entender que aliança sem firmeza vira humilhação pública. Precisa olhar para dentro do governo e decidir quem fala, quem manda, quem executa e quem responde.

A eminência parda sobrevive porque raramente deixa impressão digital. Por isso mesmo, um governo responsável não pode entregar sua condução a esse tipo de personagem. A sombra protege quem opera, mas enfraquece quem governa.

Mãe cobra resposta após 54 dias de espera por TFD em Cruzeiro do Sul

A espera por Tratamento Fora de Domicílio interestadual chegou a 54 dias para uma jovem de 18 anos internada no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul. O caso, que já havia exposto a demora na transferência de pacientes graves para fora do Acre, ganhou novo elemento: um laudo da equipe de neurocirurgia confirma a complexidade do quadro, aponta a necessidade de atendimento fora da rede local e alerta para riscos em caso de demora na avaliação especializada.

A paciente tem hidrocefalia congênita e passou pela primeira cirurgia ainda recém-nascida, com apenas 11 dias de vida. Segundo a mãe, Antônia de S. Cruz, desde então a família enfrenta uma rotina de internações, cirurgias e tentativas de controle do quadro. Em 2022, a válvula de derivação ventriculoperitoneal, conhecida como DVP, começou a apresentar problemas.

“Minha filha tem hidrocefalia congênita, fez a primeira cirurgia com 11 dias. Desde então é uma luta. Hoje tem 18 anos e, no ano de 2022, a DVP começou a dar problema. Desde então vem fazendo vários procedimentos cirúrgicos sem êxito. Está à base de Tramal, que só alivia. Ou seja, é como ela suporta a dor”, afirmou Antônia.

O laudo da neurocirurgia descreve a paciente como portadora de hidrocefalia complexa, já submetida a múltiplas intervenções neurocirúrgicas e com evolução marcada por complicações relacionadas ao sistema de derivação. O histórico médico aponta implante de DVP de média pressão em novembro de 2022, troca para DVP de alta pressão em novembro de 2023 por quadro de hiperdrenagem e novo procedimento em setembro de 2025 para avaliação da hiperdrenagem e possível dependência valvular.

Apesar de, no momento da avaliação, a paciente estar consciente, orientada, com escala de coma de Glasgow 15 e sem déficits neurológicos focais ao exame, o documento é direto ao afirmar que ela precisa de reavaliação especializada. A equipe médica também registra que a manutenção do quadro sem avaliação adequada pode evoluir com piora neurológica, disfunção valvular, hipertensão intracraniana, rebaixamento do nível de consciência, déficits neurológicos permanentes e risco de óbito.

Diante da complexidade do caso e da necessidade de recursos terapêuticos não disponíveis na rede local, o laudo indica TFD interestadual para avaliação e possível realização de terceiroventriculostomia endoscópica ou implante de válvula programável ou autorregulável. O documento afirma ainda que o encaminhamento é necessário por se tratar de procedimento e acompanhamento de alta complexidade, exigindo equipe especializada e centro de referência com experiência em hidrocefalia complexa.

Para a família, a demora deixou de ser apenas uma espera por vaga. São 54 dias de internação, dor controlada com medicação e incerteza sobre quando a transferência será autorizada.

“Será que em 54 dias não teve nenhum estado disponível para receber os pacientes? 54 dias procurando leito, é vergonhoso isso!”, cobrou Antônia.

O caso não é isolado, segundo relato encaminhado ao Grupo Integração. A mãe também informou a situação de outro paciente, identificado como Manoel, que estaria internado desde 23 de abril deste ano no Hospital Regional do Juruá, também à espera de TFD interestadual.

De acordo com o relato, Manoel sofreu um acidente com disparo de arma de fogo em 20 de fevereiro de 2025 e, desde então, passou por cinco procedimentos cirúrgicos. Em 2026, voltou ao hospital com fortes dores e infecção no local da cirurgia. A situação exigiu a retirada de uma placa craniana. A equipe médica teria solicitado avaliação de um cirurgião plástico, já que a pele na região do crânio não estaria mais se regenerando adequadamente.

Manoel Oliveira da Conceição

Ainda segundo a família, Manoel enfrenta fortes dores de cabeça e já apresentou acúmulo de líquido cefalorraquidiano, o que exigiu nova drenagem. O quadro, conforme o relato, vem se agravando enquanto o paciente segue sem transferência para tratamento fora do estado.

Apesar da cobrança pela demora no TFD, os familiares destacam que os pacientes têm recebido acolhimento dos profissionais do Hospital Regional do Juruá. No caso de Manoel, o relato aponta acompanhamento psicológico durante a internação. A crítica se concentra na falta de resposta sobre a transferência, na ausência de prazo e na dificuldade de acesso a serviços de alta complexidade fora do Acre.

A espera de 54 dias escancara um problema que vai além de um caso individual. Em Cruzeiro do Sul, pacientes graves dependem de regulação, vaga, autorização e transporte para conseguir atendimento especializado em outros estados. Quando esse fluxo não acontece, a dor permanece dentro do hospital, sob cuidado das equipes locais, mas sem a solução que só pode vir com o tratamento fora da rede disponível no Juruá.

Enquanto isso, famílias seguem contando os dias. Para Antônia, a pergunta continua sem resposta: por que, em quase dois meses, o Estado ainda não conseguiu garantir um leito para quem precisa sair do Acre para tratar uma condição grave?