Jornal da Manhã em Coluna – 8 de julho de 2026

A coluna desta quarta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, participação de Mazinho Rogério, cobertura de Gledson Albano e entrevista com o ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana.

Ramais viraram o retrato da crise

O Jornal da Manhã desta quarta-feira começou com a pergunta que saiu dos estúdios da Rádio Integração e ganhou as comunidades rurais do Acre: cadê o dinheiro dos ramais?

A cobrança não nasceu do nada. Veio depois da ida de produtores rurais à Assembleia Legislativa, da pressão sobre deputados, da tentativa do governo de segurar a crise e, principalmente, do áudio vazado de Celso Souza, diretor de ramais do Deracre. A fala expôs aquilo que a propaganda oficial tenta esconder: a Operação Verão ainda não chegou como deveria ao chão da zona rural.

O problema deixou de ser apenas administrativo. Virou problema político.

O áudio que furou a blindagem

No áudio levado ao ar pelo Jornal da Manhã, Celso Souza fala em dificuldade de liberação de recursos, fornecedores sem pagamento, máquinas alugadas sendo devolvidas e atraso no pagamento de terceirizados. A frase mais pesada não precisou de floreio: sem repasse, o Deracre não paga quem contratou.

A bancada tratou o áudio como um divisor de águas. Até então, o governo ainda tentava empurrar a narrativa de que havia programação, cronograma e articulação. Depois da fala do próprio diretor de ramais, ficou mais difícil sustentar a aparência de normalidade.

Quando um integrante da estrutura do governo diz que não dá para continuar trabalhando devendo combustível, peça, aluguel de máquina e funcionário, a crise deixa de ser boato de bastidor. Passa a ser confissão administrativa.

Governo prometeu cronograma, mas produtor quer máquina

A resposta do governo, até agora, foi prometer um cronograma até o dia 17. O problema é que produtor rural não planta cronograma, não escoa banana em cronograma e não atravessa ponte caída com apresentação de PowerPoint.

A cobrança feita no programa foi simples: julho já chegou, junho passou praticamente sem chuva forte, e as máquinas ainda não estão roncando nos ramais como deveriam.

A zona rural conhece o calendário melhor do que muito gabinete. Sabe que o verão amazônico é curto. Quando o governo perde junho e começa julho discutindo planejamento, quem paga a conta é quem mora longe do asfalto.

Mailza chamada para o centro da roda

Outro ponto forte da manhã foi a cobrança para que a governadora Mailza Assis assuma pessoalmente a crise. Produtores não querem mais apenas interlocutores, secretários ou deputados tentando acalmar os ânimos. Querem a palavra de quem está com a caneta.

Essa é a nova fase do governo Mailza: sair da posição de vice que herdou o mandato e assumir o desgaste de quem agora responde pelo Estado.

O Jornal da Manhã foi direto nesse ponto. A governadora precisa dizer onde está o dinheiro, qual é o plano, quais ramais serão atendidos e quando o serviço começa. Não basta anunciar Operação Verão em evento. É preciso entregar estrada trafegável na comunidade.

O jogo de empurra chegou a Cruzeiro do Sul

A crise ganhou contorno local quando a bancada trouxe a fala de Amauri, representante do Deracre em Cruzeiro do Sul, atribuindo às prefeituras responsabilidade pela recuperação dos ramais.

A tentativa de jogar a conta no colo dos municípios foi rebatida ao vivo pelo secretário de Obras de Cruzeiro do Sul, Carlos Alves. Ele afirmou que há ramais de responsabilidade municipal, mas lembrou que trechos como Lagoinha e Santa Luzia sempre foram atendidos historicamente pelo Deracre. Também disse que a prefeitura assumiu mais 100 quilômetros, incluindo trecho da Linha 307, para ajudar o governo do Estado.

A leitura política é evidente: quando a obra é anunciada, todos querem sair na foto. Quando a máquina não chega, começa a disputa para saber quem fica com a culpa.

A prefeitura não quer herdar a crise do Estado

Carlos Alves foi cuidadoso, mas deixou claro que Cruzeiro do Sul não aceita carregar sozinha uma conta que sempre foi dividida com o governo estadual. Segundo ele, a prefeitura tem sua malha própria, executa serviços em áreas como Badé de Cima e Badé do Meio, mas não tem estrutura para assumir toda a malha de ramais que historicamente depende do Deracre.

Essa resposta tem peso político porque Cruzeiro do Sul virou uma das vitrines da crise. Foi no Juruá que o governo anunciou ações, fez reunião, falou em Operação Verão e criou expectativa. Agora, com a cobrança chegando, tenta-se reorganizar a narrativa.

Só que o morador do ramal não quer narrativa. Quer estrada.

Jorge Viana entrou no ponto fraco do governo

O entrevistado do dia, Jorge Viana, não precisou procurar muito para encontrar o ponto vulnerável do governo. A crise dos ramais estava posta sobre a mesa.

Ex-governador e pré-candidato ao Senado, Jorge afirmou que ramal se planeja no inverno para executar no verão. Disse que o governo precisa trabalhar junto com as prefeituras, organizar máquinas, combustível e prioridades antes do período seco. Para ele, chegar a julho ainda discutindo como fazer é sinal de desorganização.

A fala atinge o governo Mailza onde mais dói: na comparação com gestões anteriores. Jorge lembrou ações feitas quando governou o Acre e tentou se colocar como alguém que conhece o funcionamento da máquina pública, principalmente na área rural.

Candidatura sem guerra ideológica

Jorge também usou a entrevista para reforçar uma estratégia política que vem adotando nas últimas semanas: tentar tirar a candidatura ao Senado da briga ideológica.

Disse que sua candidatura é pelo Acre, não apenas por um partido. Defendeu Lula para presidente e Thor Dantas para o governo, mas evitou ataques diretos a adversários. Afirmou que não pretende brigar com Márcio Bittar, Sérgio Petecão, Mara Rocha, Eduardo Velloso ou outros nomes que podem disputar o Senado.

É uma tentativa clara de falar com um eleitorado mais amplo, inclusive com setores que não votam no PT, mas ainda reconhecem obras e entregas de seu governo.

O Senado virou tabuleiro aberto

A eleição para o Senado apareceu no programa por dois caminhos. Primeiro, pela entrevista de Jorge Viana. Depois, pelo bastidor envolvendo Gladson Cameli.

Rogério Wenceslau levou ao ar a informação de que, nos meios políticos e jurídicos, circula a tentativa da defesa de Gladson de buscar no TSE uma liminar que pudesse viabilizar o registro de candidatura ao Senado. A informação foi tratada como bastidor, sem confirmação oficial, mas com impacto político evidente.

Se Gladson tentar entrar no jogo, mesmo sub judice, mexe com todo o tabuleiro. Se ficar fora, abre espaço para reorganização de votos, alianças e apoios.

Gladson ainda pesa mesmo fora do governo

A situação de Gladson é uma das grandes sombras sobre a eleição de 2026. Mesmo fora do governo e enfrentando problemas judiciais graves, seu nome ainda aparece como peça relevante na disputa. Isso explica a movimentação em torno de eventual candidatura.

A pergunta que fica é se o grupo político de Gladson conseguirá manter força eleitoral sem o controle direto do Palácio Rio Branco. Mailza herdou o governo, mas não herdou automaticamente a liderança política do ex-governador.

E essa diferença começa a aparecer nos bastidores.

A caneta de Mailza pesa mais a cada crise

O Jornal da Manhã voltou a bater em uma tecla que vem se repetindo: Mailza precisa assumir o governo de fato, não apenas formalmente.

A crise dos ramais mostra isso. Quando falta dinheiro, quando o cronograma não aparece, quando o Deracre troca comando, quando produtor ocupa a Assembleia e quando diretor manda áudio dizendo que não dá para continuar, não há mais como terceirizar a responsabilidade.

A partir de agora, cada ramal sem máquina é também um problema da governadora.

Assembleia entrou pressionada

A presença de produtores na Aleac também serviu para testar os deputados. A Assembleia tem o papel de fiscalizar, cobrar documentos, exigir explicações e não apenas tentar baixar a temperatura quando a crise chega ao plenário.

A fala de Edvaldo Magalhães, reproduzida no programa, colocou o dedo na ferida: qualquer planejamento mínimo deveria estar pronto antes da abertura do verão. Dinheiro, máquina, contrato e equipe precisam estar organizados antes do sol aparecer.

O atraso, agora, não é apenas técnico. É político.

A verdade está nos ramais

A frase que melhor resume o programa veio da própria leitura da bancada: a verdade está nos ramais.

Não está no discurso do governo. Não está na nota oficial. Não está no cronograma prometido. Está na ponte caída, no bueiro comprometido, na estrada ruim, no produtor que perde carga, no ônibus que não entra e no morador que não sabe se vai conseguir sair quando a chuva voltar.

A crise dos ramais virou a síntese de um governo que prometeu operação, mas ainda não mostrou comando.

O governo nas cordas

A avaliação política do Jornal da Manhã foi dura: o governo Mailza está nas cordas. Não por causa de um episódio isolado, mas pelo acúmulo de sinais.

Deracre instável. Produtores revoltados. Prefeituras se defendendo. Assembleia pressionada. Bastidores eleitorais em ebulição. Gladson ainda assombrando a cena. E, no meio disso tudo, uma governadora que precisa provar que tem comando próprio.

A Operação Verão deveria ser vitrine. Até agora, virou cobrança.

Produtores expõem crise dos ramais e fala de Calixto revela improviso do governo na Operação Verão

Secretário tenta jogar parte da responsabilidade para as prefeituras, fala em R$ 15 milhões iniciais e culpa áudio por manifestação; dados do Deracre mostram repasses pendentes, saldos abertos e histórico de lentidão na execução

A manifestação de produtores rurais na Assembleia Legislativa do Acre, nesta terça-feira, 7, colocou a crise dos ramais no centro da agenda política do Estado. Agricultores e moradores da zona rural foram à Aleac cobrar do Deracre um cronograma oficial de recuperação das estradas vicinais, com a lista dos ramais que serão atendidos, prazo de execução e garantia de continuidade das máquinas em campo.

A cobrança ocorre após o vazamento de um áudio atribuído a um diretor do Deracre, no qual ele teria relatado dificuldade de recursos, risco de paralisação dos serviços e retirada de máquinas terceirizadas das frentes da Operação Verão. O episódio ampliou uma insatisfação que já vinha das comunidades rurais, especialmente em regiões como a Transacreana, onde moradores relatam ramais intrafegáveis, pontes danificadas e dificuldade para escoar a produção.

Diante da pressão, o secretário de Governo, Luiz Calixto, tentou reorganizar a versão oficial em entrevista ao jornalista Itaan Arruda, do AC24Agro. Mas, ao tentar justificar a situação, acabou deixando clara a dimensão da crise.

Calixto afirmou que o governo já fez convênios com alguns municípios para recuperação de ramais, disse que disponibilizou equipamentos como tratores e caçambas e informou que a Operação Verão conta, inicialmente, com uma dotação de R$ 15 milhões. Ao mesmo tempo, o secretário transferiu parte da responsabilidade às prefeituras ao dizer que “a questão dos ramais é uma obrigação municipal” e que o Estado entra apenas como “colaborador”.

A fala é sensível porque o governo estadual vinha vendendo a Operação Verão como uma grande ação própria. No lançamento oficial, a gestão Mailza Assis anunciou mais de 40 frentes simultâneas, mais de 400 máquinas e equipamentos, cerca de 500 trabalhadores, meta de atender 12 mil quilômetros de ramais e investimentos superiores a R$ 70 milhões.

Agora, pressionado por produtores, o governo reduz o tom e passa a falar em “possibilidades”, “colaboração” e limitação financeira. Calixto também reconheceu que o Acre tem uma malha de cerca de 20 mil quilômetros de ramais e que o governo não tem condições de resolver tudo. A declaração reforça a pergunta feita pelos produtores: se o Estado sabia que não teria capacidade para atender todos os ramais, por que não apresentou desde o início um cronograma público, realista e transparente?

O secretário também tentou atribuir a manifestação ao áudio vazado. Segundo ele, quando a gravação circulou, a Operação Verão havia sido lançada havia pouco tempo e ainda não existiriam medições realizadas nem dívidas a pagar. Calixto classificou o episódio como precipitação de um gestor do próprio órgão e disse que a situação criou um clima de incerteza junto aos produtores.

A justificativa, porém, não encerra a crise. O áudio pode ter acelerado a mobilização, mas não criou os ramais ruins, não destruiu pontes, não isolou comunidades e não produziu, sozinho, a desconfiança sobre a continuidade das máquinas. O problema é anterior e mais profundo: o governo anunciou uma operação de grande porte, mas os dados de execução ainda não sustentam, de forma clara, o tamanho da propaganda.

Na base de pagamentos do Deracre, até o início de julho, havia R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos em 2026. No recorte específico de ramais e estradas vicinais, eram R$ 11,1 milhões empenhados sem pagamento. No mesmo período, o termo literal “Operação Verão” aparecia quase só em diárias, com apenas R$ 37,8 mil pagos.

Ou seja: o governo tenta tratar a crise como um problema de comunicação interna, mas os números mostram uma fila de compromissos abertos e uma diferença grande entre o anúncio político e o rastro financeiro disponível até agora.

A tentativa de empurrar parte da responsabilidade para as prefeituras também precisa ser confrontada com dados. Na base atualizada de pagamentos do Deracre em 2026, os repasses para municípios somam R$ 26,1 milhões empenhados e R$ 20,6 milhões pagos. Ainda há R$ 5,5 milhões empenhados e não pagos para prefeituras.

Entre os saldos abertos aparecem Cruzeiro do Sul, com R$ 1,5 milhão; Assis Brasil, com R$ 1 milhão; Brasileia, com R$ 1 milhão; Porto Walter, com R$ 942 mil; Jordão, com R$ 667 mil; e Santa Rosa do Purus, com R$ 400 mil.

No recorte de repasses com menção direta a ramais, a situação é ainda mais reveladora. O Deracre empenhou R$ 475 mil para ações municipais ligadas a ramais. Desse total, R$ 200 mil foram pagos e R$ 275 mil seguem liquidados e não pagos, todos ligados a Porto Walter, para manutenção de ramais.

Isso mostra que a explicação de Calixto é insuficiente. Se o governo diz que os ramais são obrigação municipal, precisa mostrar quais prefeituras receberam, quais ainda têm recursos pendentes, quais convênios estão em execução e quais ramais ficaram fora do planejamento. Não basta dizer que o Estado é colaborador quando a própria gestão estadual lançou a Operação Verão como vitrine e prometeu máquinas em todo o Acre.

O que aparece, até aqui, é uma condução marcada por improviso. Primeiro, o governo anuncia uma operação grandiosa, com números fortes e promessa de presença em todas as regiões. Depois, diante da cobrança, admite limitação de recursos, fala em dotação inicial de R$ 15 milhões, joga parte da responsabilidade para os municípios e culpa um áudio interno pelo desgaste político.

A crise dos ramais não é apenas um problema de chuva, verão ou logística. É uma crise de planejamento e de execução. O governo Gladson/Mailza acumula histórico de lentidão na recuperação de ramais e chega a julho de 2026 pressionado por produtores que ainda precisam pedir o básico: saber onde a máquina vai entrar, quando o serviço começa e se ele será concluído.

A manifestação na Aleac obrigou o governo a prometer a apresentação de um cronograma no Deracre. Esse calendário, no entanto, deveria ter sido a primeira etapa da Operação Verão, não uma resposta tardia à pressão dos produtores.

No campo, a pergunta permanece simples: se o dinheiro estava garantido, por que houve risco de retirada de máquinas? Se a operação estava planejada, por que os produtores precisaram ocupar a Aleac para cobrar cronograma? E, se os ramais são responsabilidade das prefeituras, por que o governo vendeu a Operação Verão como solução estadual para a crise?

Ex-esposa de Madson Cameli volta a cobrar Justiça e questiona permanência de acusado em cargo público

A manifestação pública de Melissa Sampaio em uma postagem sobre o pedido de afastamento de um servidor do Hospital Manoel Marinho Monte, em Plácido de Castro, recolocou no centro do debate a cobrança por tratamento igual a denúncias de assédio e violência no Acre. Ao reagir ao caso, Melissa questionou por que, enquanto há pedido de medida imediata em uma investigação de assédio moral no serviço público, o homem que ela acusa de agressão continua em cargo de destaque no governo estadual.

No comentário, Melissa escreveu: “É importante ver medidas sendo adotadas diante de denúncias de assédio. Mas não posso deixar de perguntar: e o meu agressor, que hoje ocupa um dos mais altos cargos do Governo do Estado? A sociedade também espera que a lei seja aplicada com o mesmo rigor, independentemente do cargo que alguém ocupe.”

A fala foi feita depois da divulgação de que o Ministério Público recomendou à Secretaria de Estado de Saúde o afastamento preventivo do servidor investigado no hospital de Plácido de Castro, com prazo de cinco dias úteis para a medida e abertura de processo administrativo disciplinar. O órgão sustenta que a providência é necessária para proteger os demais servidores e preservar a regularidade do atendimento público de saúde.

O comentário também reacende o caso de Melissa, que voltou a público nas últimas semanas com relatos de agressões físicas e psicológicas durante o relacionamento com o ex-marido, Madson de Castro Cameli. Ela afirmou que viveu sob medo constante, descreveu uma rotina de tensão dentro de casa e passou a cobrar celeridade da Justiça, sob o argumento de que a demora prolonga o sofrimento de mulheres que denunciam violência.

Ao relembrar o episódio, a cobrança de Melissa ganha peso político e institucional. De um lado, ela vê o Ministério Público agir com rapidez diante de indícios de assédio moral em uma unidade de saúde do interior. De outro, afirma ainda esperar uma resposta mais firme no caso que envolve sua própria denúncia. A comparação, feita por ela de forma direta, transformou um comentário em novo ponto de pressão sobre o poder público e sobre a exigência de isonomia na aplicação da lei.

As acusações no caso envolvendo Melissa são negadas pela defesa do acusado, que sustenta versão diferente para os fatos.

Jorge Viana diz que tirou carga ideológica da campanha ao Senado: “Minha candidatura é do Acre”

O ex-governador e pré-candidato ao Senado Jorge Viana afirmou, durante entrevista na última noite da Expoacre Juruá, no Portal Acre, que pretende conduzir a campanha de 2026 com foco no desenvolvimento do Acre e longe da polarização partidária. Filiado ao PT, ele disse que não vai negar sua trajetória política, mas defendeu que a disputa não seja resumida a um confronto ideológico. “Eu tirei a carga ideológica da minha campanha. Minha candidatura ao Senado é uma candidatura do PT, é uma candidatura do Acre”, afirmou.

Jorge Viana disse que o estado atravessa um momento difícil e que a eleição precisa tratar de propostas concretas. “O Acre está vivendo uma fase que não é boa. Se você gastar tua energia errada, aí piora. Eu quero gastar a minha de positiva”, declarou. Ele afirmou que tem encontrado pessoas em busca de “esperança de dias melhores” e que não pretende alimentar disputas políticas diárias. “As pessoas estão querendo ter esperança de dias melhores e não querer saber qual é a briga do dia.”

Ao comentar a rejeição ao PT e ao próprio nome, o ex-governador afirmou que o cenário político mudou com a polarização dos últimos anos. “Quando eu saí do governo, eu tinha 87% de ótimo e bom. Não era de aprovação. Isso era a maior do Brasil”, disse. Na sequência, reconheceu que houve desgaste nas gestões petistas no Acre. “Teve muitos erros nos nossos últimos governos, a gente cometeu falhas graves. Os acertos são maiores, mas teve muitos erros e teve uma rejeição enorme.”

O pré-candidato avaliou que uma campanha baseada em confronto partidário tende a fracassar. “Se fizer uma campanha aí PT contra não sei o quê, vai perder”, afirmou. Para Jorge Viana, a disputa pelo Senado deve ser apresentada como um projeto estadual, não apenas partidário. “O PT é o partido que eu tenho. Ninguém vai questionar. Eu não estou negando minha história. Só estou dizendo que eu não vou votar porque o PT”, disse.

Viana também falou sobre divergências internas no partido e citou a derrota eleitoral de 2018. “O PT, por exemplo, foi um dos responsáveis ou parte do PT pela minha derrota de 18, quando inventaram outra candidatura, querendo me tirar”, afirmou. Mesmo assim, disse que não pretende transformar esse episódio em nova disputa interna. “Eu vou brigar? Não. Então não tem briga com ninguém no PT. Não tem briga com nenhum. Mas a minha candidatura é pelo Acre.”

O ex-governador defendeu uma campanha de aproximação com eleitores de diferentes campos políticos. “Se o Acre nos une, se as pessoas acham que eu posso ajudar o Acre, então elas vão estar do meu lado”, declarou. Ele disse que tem visitado prefeitos e lideranças municipais para tratar de desenvolvimento, infraestrutura e serviços. “Meu propósito é ajudar o Acre, trabalhar com todo mundo, com todos os prefeitos, independente de partido.”

Ao responder sobre adversários políticos, Jorge Viana evitou ataques diretos ao senador Márcio Bittar e ao governador Gladson Cameli. “Eu não vou criticar o Márcio, não vou criticar o Gladson, não vou criticar ninguém”, disse. Em seguida, afirmou que pretende concentrar o debate em propostas como internet de qualidade, desenvolvimento econômico e recuperação de áreas estratégicas do estado. “Eu estava falando agora de botar internet de qualidade pra todo mundo, de ter um modelo de desenvolvimento.”

Viana criticou a dependência política de emendas parlamentares e cobrou planejamento para o Acre. “É uma falácia esse negócio das emendas. Fica todo mundo inventando. Arruma uma emenda pra cá, uma emenda pra lá. Cadê o plano?”, questionou. Para ele, a eleição ao Senado não deve ser movida pelo objetivo de impedir adversários de vencer. “Eu acho ruim uma pessoa ser candidata ao Senado pra derrotar isso, pra impedir que alguém não ganhe aquilo. Você tem que ser por um propósito.”

O ex-governador disse que pretende atuar em Brasília para recolocar o Acre em uma rota de crescimento. “Se eu ganhar, se o Lula for presidente, eu vou lutar pra que o Acre saia desse purgatório, desse borralho e volte a prosperar”, afirmou. “Eu vou ajudar. Então o meu propósito é esse.”

Foto: Cefas Queiróz

Naluh mira “pão e circo”; pasta da Indústria tem R$ 63 milhões em festas e eventos

A fala da conselheira Naluh Gouveia, durante sessão do Tribunal de Contas do Estado do Acre no último dia 2 de julho, colocou em palavras uma pergunta que os números tornam difícil de ignorar: a Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia tem financiado uma política de desenvolvimento ou virou uma das principais portas do governo Gladson Cameli e Mailza Assis para bancar festas, shows, feiras e eventos de curta duração?

Naluh foi direta ao tratar dos gastos públicos com festas. Disse que “essa situação dessas festas é um absurdo” e cobrou da Procuradoria-Geral do Estado uma postura menos voltada à defesa de secretários e governadores e mais comprometida com o Estado, a Constituição e o dinheiro público. “A Procuradoria tá nos devendo, como moradores do Acre, essa defesa do nosso Estado”, afirmou.

A manifestação ocorreu na sessão em que o TCE manteve suspensos pagamentos ligados à Festa do Trabalhador, realizada pelo governo em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com shows de Tierry e Joelma. O processo tratava dos Termos de Colaboração nº 3 e nº 4/2026, firmados pela SEICT com a Associação Transformar. Os valores discutidos chegam a cerca de R$ 2,2 milhões para Rio Branco e R$ 2,6 milhões para Cruzeiro do Sul, somando mais de R$ 4,8 milhões.

A cautelar havia sido adotada por falhas no processo, entre elas ausência de pesquisa de preços, falta de comprovação da capacidade técnica da entidade e problemas de transparência. A Procuradoria-Geral do Estado tentou derrubar a suspensão. Alegou que a secretaria entregou depois os documentos cobrados e que a manutenção do bloqueio poderia prejudicar fornecedores e trabalhadores locais, já que os eventos tinham sido realizados. Pediu a liberação dos pagamentos ou, ao menos, o repasse conforme a apresentação das notas fiscais.

A maioria dos conselheiros acompanhou o voto da relatora, conselheira Maria de Jesus, e manteve a suspensão. A entrega posterior dos documentos não bastou para liberar o dinheiro. Pelo volume de recursos e pelas dúvidas abertas no processo, o TCE decidiu que a documentação ainda precisa passar por análise técnica antes de qualquer pagamento.

A crítica de Naluh foi além da Festa do Trabalhador. Ela citou gastos com evento religioso, defendeu o princípio do Estado laico e disse que algumas movimentações em secretarias são “extremamente suspeitas”. No trecho mais duro, falou em “valores imensos para shows” em que o artista “vem aqui, canta e vai embora e não fica nada pro nosso Estado”.

A planilha de despesas da SEICT, após pesquisa no Portal da Transparência, dá tamanho financeiro a essa crítica. A base reúne 1.227 lançamentos entre 2022, 2024, 2025 e o primeiro semestre de 2026. Não há registros de 2023. No período disponível, a secretaria pagou R$ 131,1 milhões. Desse total, R$ 85,2 milhões aparecem na subfunção Promoção Comercial, o equivalente a 65% de tudo que saiu da pasta.

Quando o recorte busca nos históricos termos como Expoacre, evento, feira, show, atrações nacionais, carnaval, festa, festival e Dia do Trabalhador, o valor chega a R$ 63,1 milhões pagos. Na prática, quase metade de todo o dinheiro movimentado pela Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia no período analisado foi para despesas ligadas a festas, feiras, eventos e atrações nacionais.

O contraste é direto. A mesma pasta que carrega no nome as palavras indústria, ciência e tecnologia pagou R$ 7,6 milhões em Difusão do Conhecimento Científico e Tecnológico, R$ 10,7 milhões em Promoção Industrial e R$ 1,3 milhão em Tecnologia da Informação. Somadas, essas três áreas ficam muito abaixo do volume encontrado em eventos.

Só os históricos que citam Expoacre somam R$ 47,1 milhões. A Expoacre Juruá aparece em R$ 33,6 milhões. Os maiores recebedores desse bloco são a Casa da Amizade, com R$ 40,8 milhões em despesas vinculadas a eventos e feiras, e a Associação Comercial e Empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 11,5 milhões.

O caso mais expressivo é o Termo de Colaboração nº 3/2025/SEICT, firmado com a Casa da Amizade. O objeto aparece como promoção de eventos com atrações nacionais para as edições da Expoacre Juruá e da Expoacre em Rio Branco. Foram quatro pagamentos: R$ 9,7 milhões, R$ 9,1 milhões, R$ 3,2 milhões e R$ 135 mil. Ao todo, R$ 22,3 milhões.

A programação acompanhou o tamanho da conta. Em 2025, a Expoacre Juruá levou a Cruzeiro do Sul Raça Negra, Gusttavo Lima, Isaías Saad, Marcynho Sensação, Vila Kids Festival, Eric Land e Wesley Safadão. Em Rio Branco, a Expoacre teve Gusttavo Lima, Zezé Di Camargo & Luciano, Fernanda Brum, Matheus & Kauan, apresentações infantis, Tribe Festival, Ecofest e Jorge & Mateus no encerramento.

O modelo não começou em 2025. Em 2024, a Expoacre em Rio Branco teve Biguinho Sensação, Marília Tavares, Limão com Mel, Nadson o Ferinha, Thalles Roberto e Henry Freitas. Na Expoacre Juruá do mesmo ano, o governo anunciou Murilo Huff, Manu Bahtidão, Som e Louvor e Raquel dos Teclados. O discurso oficial sempre apresentou as feiras como vitrines econômicas e motores para o comércio local.

O Carnaval da Família também entrou na conta da SEICT. A planilha mostra R$ 5,16 milhões em despesas com carnaval. Em 2025, a programação teve atrações nacionais como Tchakabum e Gilmelândia, além de artistas locais.

No Dia do Trabalhador de 2026, a base mostra R$ 1.595.503,29 pagos à Associação Transformar: R$ 914 mil para Cruzeiro do Sul e R$ 681,5 mil para Rio Branco. O valor localizado como pago é menor que o total discutido no TCE porque parte dos repasses foi suspensa. Na programação, o governo levou Joelma para Cruzeiro do Sul e Tierry para Rio Branco.

O governo costuma defender esses eventos como instrumentos de movimentação econômica. A Expoacre aquece hotéis, restaurantes, transporte, comércio, ambulantes e prestadores de serviço. Isso não elimina a pergunta central: essa política deixa uma base permanente de desenvolvimento ou só movimenta dinheiro enquanto o palco está montado?

Naluh resumiu a crítica em uma expressão antiga e incômoda. Disse que muitas vezes se dá “pão e circo” para a população esquecer que “não se tem creche, que não se tem emprego, que não se tem trabalho”. Para ela, quando o Estado escolhe a festa como prioridade, deixa de enfrentar problemas que continuam no dia seguinte ao show.

A conselheira também fez uma comparação com os artistas locais. Disse ver jovens formados em música pela Universidade Federal do Acre sem perspectiva, enquanto artistas de fora recebem R$ 300 mil, R$ 500 mil ou R$ 1 milhão e vão embora. “Isso não é certo”, afirmou. Em outro trecho, disse que esses shows entregam “aquele momento de felicidade naquela hora e depois 300 e poucos dias de sofrimento”.

A concentração dos pagamentos reforça o peso político e financeiro dessa engrenagem. Quase metade de todo o dinheiro pago pela SEICT aparece no elemento de despesa Contribuições, com R$ 64 milhões. Esse tipo de despesa inclui repasses a entidades por meio de parcerias, convênios e termos de colaboração. Os dez maiores credores da pasta receberam R$ 102,9 milhões, cerca de 78,5% de todo o valor pago.

O Acre também acumula investigações e decisões judiciais envolvendo shows, empresários de eventos, inexigibilidades e suspeitas de irregularidades. Em janeiro de 2026, a Operação Graco, da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal, mirou um contrato de R$ 1,3 milhão para três shows em Sena Madureira, firmado por inexigibilidade de licitação, com suspeita de prejuízo de até R$ 912 mil.

Em outra frente, a Operação Inceptio levou o Ministério Público do Acre a denunciar 14 pessoas por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação tratou de um grupo voltado ao envio de drogas para outros estados e à movimentação de dinheiro para esconder a origem dos valores. A imprensa local apontou entre os investigados empresários com atuação no setor de eventos, camarotes, casas noturnas e grandes shows no Acre.

O Ministério Público também já conseguiu suspender shows em municípios acreanos. Em Sena Madureira, a Justiça suspendeu em 2022 a contratação de Bonde do Forró e Mattos Nascimento para a ExpoSena, após ação que apontava desproporção entre festas e prioridades públicas. Em 2026, no Jordão, o MPAC conseguiu manter suspenso contrato de R$ 400 mil para show de Evoney Fernandes, com questionamentos sobre inexigibilidade, possível sobrepreço e compatibilidade da despesa com a realidade social do município.

Nada disso torna todo evento irregular. Feira, show e festa também movimentam economia, dão trabalho a muita gente e podem integrar uma política pública legítima. O problema começa quando uma secretaria criada para cuidar de indústria, ciência e tecnologia passa a concentrar dezenas de milhões em eventos e atrações nacionais sem mostrar, com a mesma clareza, o que ficou de permanente para o Acre.

Depois de R$ 63,1 milhões em despesas ligadas a eventos, feiras, carnaval, Dia do Trabalhador, Expoacre e atrações nacionais, o governo precisa responder quais indústrias foram atraídas, quais cadeias produtivas ganharam força, qual polo tecnológico avançou, quantos empregos permanentes foram criados e que legado econômico ficará quando as luzes da arena se apagarem.

A fala de Naluh Gouveia abriu o incômodo no TCE. A planilha da SEICT mostrou a dimensão da conta. No Acre, o palco passa, o artista embarca de volta e a despesa fica. O que ainda não apareceu, com a mesma força dos contratos de festa, foi a política industrial, científica e tecnológica capaz de justificar uma secretaria com esse nome gastar tanto com evento.

Zequinha vê jogo com Bittar e Gonzaga e manda recado ao PL em meio a racha na base de Mailza

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, do Progressistas, transformou o jogo entre Brasil e Noruega, neste domingo, 5, em mais um capítulo da disputa pelo comando das alianças políticas no Acre. Ao lado do senador Márcio Bittar, do PL, e do deputado estadual Luiz Gonzaga, do MDB, Zequinha usou o clima de Copa do Mundo para defender a aproximação do PL com o grupo que passou a apoiar após deixar a base da governadora Mailza Assis.

Em vídeo gravado durante a partida, Zequinha disse que era “uma honra” receber Bittar e Gonzaga em Cruzeiro do Sul e afirmou que o encontro não ficaria restrito ao futebol. “Além do papo hoje ser futebol, não tinha como o papo também ser política. Eu estou torcendo para que, quem sabe, o PL possa estar do nosso lado, apoiando, o Alan”, disse o prefeito. Na sequência, Bittar entrou na conversa e respondeu: “Aqui estamos juntos, é 3 a 0 contra a Noruega, que queria meter o bedelho na Amazônia. Agora é hora de derrotá-la no futebol, depois derrotá-la na política”.

A fala ocorre menos de uma semana depois de Zequinha romper com a pré-candidatura de Mailza, sua correligionária no PP, e anunciar apoio ao senador Alan Rick, do Republicanos, na disputa pelo governo em 2026. O movimento teve peso político por partir do prefeito de Cruzeiro do Sul, principal cidade do Juruá, região considerada decisiva na montagem das chapas majoritárias e no desempenho eleitoral dos candidatos ao Palácio Rio Branco.

A presença de Bittar ao lado de Zequinha aumenta a pressão sobre a aliança entre PL e PP. Nos últimos dias, o senador tornou públicas as insatisfações com o governo estadual e afirmou que a relação ficou “arranhada” após a saída de Sula Ximenes do Deracre. Bittar disse que o PL tem demonstrado mais disposição para manter a aliança com o governo do que o Palácio Rio Branco em preservar o partido no grupo governista.

O senador também admitiu que há pressão nacional para que o PL caminhe com Alan Rick no Acre. A articulação envolve conversas entre a direção nacional do PL e o Republicanos, dentro de uma costura mais ampla para 2026. Bittar afirmou que não recebeu ordem formal, mas reconheceu que um pedido direto de Flávio Bolsonaro teria peso na decisão do partido no estado.

O recado de Zequinha, portanto, não foi isolado. Ao dizer que torce para o PL “estar do nosso lado”, o prefeito se colocou como peça ativa na tentativa de atrair Bittar para o palanque de Alan Rick. A cena também reduz o espaço para leitura de neutralidade: Zequinha apareceu ao lado do principal nome do PL no Acre justamente no momento em que o partido discute se permanece com Mailza ou se migra para o projeto do Republicanos.

Luiz Gonzaga completa o simbolismo político do encontro. Filiado ao MDB, o deputado criticou recentemente a demora do partido em definir a aliança com Mailza e disse que a indefinição prejudica o processo. O MDB é tratado como uma das legendas-chave da eleição de 2026, tanto pela estrutura partidária quanto pela possibilidade de indicar a vice na chapa governista.

A imagem de Gonzaga ao lado de Bittar e Zequinha, em Cruzeiro do Sul, ocorre em um momento sensível para o partido. Parte do MDB é vista como inclinada a permanecer com Mailza, mas a legenda ainda convive com disputas internas e pressões de grupos que avaliam outros caminhos. O próprio Gonzaga, ao reclamar da demora, expôs o desconforto de lideranças que precisam organizar chapas proporcionais e definir lado antes das convenções.

Do outro lado da cena política, Gladson Cameli e Mailza Assis também acompanharam o jogo juntos em Cruzeiro do Sul. A presença dos dois no mesmo município, enquanto Zequinha reunia Bittar e Gonzaga, mostra como a partida da Seleção acabou servindo de pano de fundo para a disputa real: a reorganização das forças de direita no Acre.

Mailza tem evitado confronto direto com Zequinha desde o anúncio de apoio a Alan Rick. A governadora afirmou que não pretende puni-lo no PP e disse que cada liderança tem o direito de fazer sua escolha. Em outra declaração, porém, cobrou confiança e gratidão na política, lembrando que apoiou o prefeito desde a primeira eleição, em 2020, e também na reeleição.

O gesto de Zequinha amplia o desgaste dentro do Progressistas e atinge a estratégia de Mailza no Juruá. Além de perder o apoio do prefeito de uma das cidades mais importantes do estado, a governadora vê adversários tentarem puxar para o mesmo campo duas peças que eram tratadas como estratégicas para sua chapa: o PL de Bittar e o MDB de Luiz Gonzaga.

Bocalom intensifica agenda no Juruá e amplia articulação para disputa pelo governo do Acre

O pré-candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom, concentrou nesta semana uma série de agendas no Vale do Juruá, com passagens por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, para ampliar alianças políticas, ouvir setores produtivos e reforçar a construção de propostas para a disputa estadual de 2026.

A agenda começou no domingo, 28, com a chegada a Cruzeiro do Sul, onde Bocalom abriu uma rodada de compromissos com empresários, lideranças políticas e representantes de comunidades da região. No dia seguinte, participou do Seminário Estadual de Desenvolvimento do Vale do Juruá, realizado na Associação Comercial de Cruzeiro do Sul, com debates sobre agronegócio, infraestrutura, saúde, educação, segurança pública, turismo, cultura, esporte, qualificação profissional e novos empreendimentos.

A passagem pelo Juruá ocorre na mesma semana da Expoacre Juruá 2026, realizada entre 30 de junho e 5 de julho, em Cruzeiro do Sul. A feira movimentou a cidade, reuniu empresários, produtores rurais, empreendedores, lideranças políticas e visitantes de vários municípios, e transformou a região em um dos principais centros de discussão econômica e política do estado nos primeiros dias de julho.

Em Cruzeiro do Sul, Bocalom também cumpriu agenda na APAE, onde conheceu a estrutura de atendimento, conversou com funcionários, pais e alunos, e defendeu a manutenção de parcerias entre o poder público e instituições que prestam assistência a pessoas com deficiência. A entidade atende crianças, adolescentes, jovens e adultos de todo o Vale do Juruá nas áreas social, clínica e pedagógica.

Durante a semana, o pré-candidato também esteve na Expoacre Juruá, percorreu estandes, conversou com expositores e participou da noite gospel da feira, no Parque de Exposições. No contato com produtores e empreendedores, voltou a defender investimentos voltados ao campo, ao setor produtivo e à geração de emprego e renda no interior.

A articulação política avançou em Cruzeiro do Sul com adesões de lideranças locais. Entre os nomes que passaram a apoiar o projeto estão o médico Rondinei Brito, a médica cardiologista e empresária Joseane Tonussi e o ex-vereador Romário Tavares, que exerceu cinco mandatos no Legislativo municipal e atua na coordenação política da pré-campanha no Juruá.

Em Mâncio Lima, Bocalom reforçou a aproximação com o empresário e pecuarista Chicão da Distribuidora, candidato a prefeito nas eleições de 2024. Chicão declarou apoio à pré-candidatura e passou a integrar o grupo de lideranças locais que trabalham para ampliar a presença do tucano no município.

A agenda também chegou a Rodrigues Alves, onde Bocalom se reuniu com lideranças políticas, empresários e representantes do setor rural. No município, visitou o ex-vereador e ex-secretário municipal de Educação Petronilho Araújo e manteve diálogo com o vereador Chico Vaqueiro, ligado à pauta da agricultura e do homem do campo.

A estratégia adotada no Juruá combina encontros públicos, visitas institucionais, conversas com o setor produtivo e articulação com lideranças municipais. A movimentação marca uma tentativa de consolidar presença em uma das regiões mais importantes do estado e de transformar demandas locais em bandeiras para a pré-campanha.

Documentos de 2020 enfraquecem discurso de Mailza sobre Alan Rick e viaduto da Avenida Ceará

Documentos obtidos pelo site mostram indicação somente de Alan Rick para viaduto da Avenida Ceará

Documentos obtidos pelo site mostram que o recurso federal destinado ao viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco, entrou na emenda de bancada de 2020 por indicação vinculada ao então deputado federal Alan Rick. Conforme o documento afirma, ele foi o único a fazer essa indicação. Os registros enfraquecem o discurso da governadora Mailza Assis, que tratou a obra apenas como resultado de uma construção coletiva da bancada, Sudam, governo federal e governo do Acre.

O ponto central da controvérsia está na diferença entre a tramitação formal e a indicação política do recurso. Formalmente, a verba saiu por meio da Emenda de Bancada nº 71020001. Na prática, os documentos mostram que a parte destinada ao complexo viário aparece atribuída a Alan Rick, dentro da organização interna das indicações parlamentares da bancada federal acreana.

O principal registro é o Ofício nº 020/2020, assinado em 20 de março de 2020 pelo senador Sérgio Petecão, então coordenador da bancada federal do Acre. O documento foi encaminhado ao então governador Gladson Cameli para comunicar a abertura de programa no Siconv referente à construção do viaduto na Avenida Ceará com a Isaura Parente, em Rio Branco.

No quadro anexado ao ofício, a emenda aparece dividida em dois programas vinculados à Seinfra, nos valores de R$ 17.741.160,00 e R$ 1.032.568,00. Juntos, os dois valores somam R$ 18.773.728,00. Logo abaixo, Petecão registrou que a emenda havia sido “proposta e defendida pelo Deputado Federal Alan Rick”.

A planilha de acompanhamento das emendas de bancada de 2020 reforça a mesma informação. Na linha da Emenda 71020001, Alan Rick aparece como parlamentar vinculado ao recurso. O documento aponta a Sudam como unidade orçamentária e descreve o objeto como implantação de Complexo Viário no município de Rio Branco.

A própria comunicação política do governo Gladson Cameli também reconheceu, à época, a participação de Alan Rick. Em postagem antiga, o então governador apresentou a maquete da intervenção na Avenida Ceará, falou em investimento de R$ 20 milhões e agradeceu ao parlamentar pela emenda destinada ao projeto.

A fala de Mailza ganhou repercussão depois da liberação do tráfego no viaduto. Ao comentar a origem dos recursos, a governadora afirmou que a obra não poderia ser atribuída exclusivamente a Alan Rick e citou a emenda de bancada, a Sudam, o governo federal e a participação do Estado.

Os documentos, porém, mostram que a explicação fica incompleta quando ignora a indicação parlamentar que deu origem à destinação. A obra foi executada pelo governo do Acre e tramitou como emenda de bancada, mas os registros de 2020 ligam a escolha do viaduto ao então deputado federal Alan Rick.

Na prática, a documentação não retira o papel do Estado na execução nem o caráter formal da emenda coletiva. Mas enfraquece a tentativa de diluir a participação de Alan Rick na origem do recurso federal. O que os registros mostram é que a indicação política para o viaduto da Avenida Ceará saiu da cota articulada pelo então deputado, antes de a obra deixar o papel e passar a integrar o trânsito da capital.

Márcio Bittar diz que governo Mailza pode não querer o PL e coloca Bolsonaro como prioridade em 2026

O senador Márcio Bittar afirmou nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a eleição nacional será sua prioridade em 2026, defendeu o palanque bolsonarista no Acre, admitiu que uma articulação entre PL e Republicanos pode mexer no tabuleiro estadual e criticou a falta de diálogo do Palácio Rio Branco após a saída de Sula Ximenes do Deracre.

Bittar entrou no estúdio com a política acreana atravessada por três disputas ao mesmo tempo: a pré-campanha ao governo, a tentativa de reeleição ao Senado e a montagem do palanque presidencial ligado a Jair Bolsonaro. Logo no início da entrevista, ele defendeu que a vida pessoal de quem disputa cargo público também precisa entrar no debate. “O político, quando entra numa campanha dizendo que a vida pessoal não importa, está mentindo. A vida pessoal importa, sim”, disse o senador.

Para explicar a posição, Bittar citou a própria família. Falou da mãe, de 93 anos, com Alzheimer, e da irmã mais nova, que depende de cuidados desde o nascimento. “Se você descobre, por exemplo, que o Márcio Bittar não cuida da mãe dele, não cuida da irmã dele, você acha que ele vai cuidar bem do Estado?”, questionou. A frase abriu a linha central da entrevista: campanha, para ele, deve revelar trajetória, comportamento e lado político.

Na leitura de Bittar, o Acre vive uma eleição diferente porque a velha divisão entre PT e anti-PT perdeu força na disputa estadual. Ele lembrou que o grupo petista governou o Acre por 20 anos, tentou voltar em 2022 e também saiu derrotado nas eleições municipais de 2024. “Depois de tanto tempo, nós conseguimos vencer o PT e depois derrotamos a tentativa de voltar em 2022 e em 2024 também”, afirmou.

Com o PT fora do centro da disputa, Bittar disse ter relação política e pessoal com os três nomes que hoje aparecem no campo competitivo para o governo: Mailza Assis, Tião Bocalom e Alan Rick. “No meu caso, eu tenho amizade com os três, eu tenho história com os três. Cabe a mim cuidar da tentativa de me reeleger”, declarou. Segundo ele, a ausência da polarização estadual permite que sua energia se concentre mais na eleição nacional.

O senador foi direto ao tratar de Bolsonaro. “Como você disse, Chico, eu tenho lado. O meu lado é o lado do presidente Bolsonaro”, afirmou. Em outro momento, ao ser perguntado se cuidaria no Acre do palanque bolsonarista, reforçou que a pauta federal é o que mais pesa em sua atuação. “A eleição mais importante para mim, com todo respeito à Mailza, ao Bocalom e ao Alan, não é eleição local. Eles não vão resolver os problemas que eu trabalho e que eu estudo há 30 anos.”

Bittar citou Flávio Bolsonaro como nome do seu campo para a Presidência e disse que pretende trazê-lo ao Juruá. “O Flávio vai vir aqui. Ele vem no Juruá. Ele não vem nem parar em Rio Branco, é direto para cá”, afirmou. A declaração serviu de ponte para o tema que mais mexe no bastidor da direita acreana: uma possível aliança nacional entre PL e Republicanos, partido de Alan Rick.

O senador confirmou conversa com Rogério Marinho, secretário-geral do PL e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. “Ele confirmou isso. Não tem novidade nisso. O PL, que tem o nosso pré-candidato, quer o apoio, quer uma coligação com o Republicanos”, disse. Bittar tratou a negociação como movimento natural de política nacional. “No momento em que o PL busca o apoio do Republicanos na candidatura do Flávio, é natural que o Republicanos peça reciprocidade.”

Essa reciprocidade pode chegar ao Acre. Bittar afirmou que Rogério Marinho lhe disse que não haverá obrigação formal. “Ninguém vai te obrigar a nada, não há verticalização”, relatou. Ainda assim, reconheceu que uma pressão direta de Flávio Bolsonaro mudaria o peso da decisão. “Se ele vem e me pede: Márcio, nós estamos aqui numa articulação nacional, queremos trazer o Republicanos, ajuda a gente, eu vou ficar numa situação”, disse.

A relação com o governo Mailza Assis ganhou tensão quando o assunto chegou ao Deracre. Bittar disse que sempre viu como mais coerente manter a aliança entre PL, PP e União Brasil, mas afirmou sentir, em alguns momentos, que o próprio governo pode não querer essa aproximação. “Eu sempre entendi que seria mais coerente manter essa aliança. Agora, às vezes eu tenho a impressão de que o governo é que não quer o PL”, declarou.

O caso de Sula Ximenes virou o exemplo principal. Bittar lembrou que ela é filiada ao PL, foi retirada de uma possível candidatura a deputada estadual e voltou ao Deracre a pedido do governo. Depois, deixou o cargo. “Ela me disse que pediu demissão porque se sentiu empurrada para fora, e o governo não fala nada com o PL”, afirmou.

O senador também disse que soube da saída de Sula pela imprensa. “Pela imprensa”, respondeu, ao ser perguntado como tomou conhecimento da exoneração. Na avaliação dele, a situação expôs ruído político dentro do Palácio Rio Branco. “Falta articulação no Palácio Rio Branco”, disse. Bittar evitou personalizar a crítica, mas manteve o recado: “Não quero botar isso no nome de ninguém, mas senta o chapéu na cabeça de quem couber.”

A saída de Sula, para Bittar, não atinge apenas a relação partidária. O senador ligou a crise à execução de obras e emendas no Deracre. Ele afirmou que ainda tem recursos destinados à autarquia e citou o viaduto da Corrente e outras ações em andamento. “Eu continuo sendo o parlamentar que mais tem emenda no Deracre”, declarou.

Bittar também respondeu às cobranças sobre o período em que foi relator do Orçamento da União. Disse que o poder do relator era limitado e que não poderia levar todo o orçamento nacional para o Acre. “O poder que eu tive como relator é um poder relativo. Eu não posso pegar o orçamento e levar todo para o meu Estado”, afirmou.

Segundo o senador, por sua atuação como relator, conseguiu trazer cerca de R$ 600 milhões a mais para o Acre. Somando emendas extraordinárias liberadas no governo Bolsonaro, disse que o valor passou de R$ 1 bilhão. “Quando eu digo que trouxe mais de R$ 1 bilhão, são outras tantas emendas. Eu consegui muita emenda extraordinária no governo do presidente Bolsonaro”, afirmou.

Ele citou recursos para ramais, máquinas entregues a prefeituras e obras como o mini anel de Brasileia e Epitaciolândia. Também afirmou que destinou R$ 200 milhões para a BR-364 dentro do orçamento geral. “Para a BR-364 foram R$ 200 milhões. Mas, dos R$ 600 milhões que eu consegui, eu tive que atender prefeitura, governador, todo mundo queria emenda”, disse.

Na pauta ambiental, Bittar voltou a defender sua tese de que os principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia estão em Brasília, e não nos governos locais. “Os grandes problemas da região amazônica não se resolvem aqui, se resolvem no Brasil”, afirmou. Para ele, leis federais permitem ações de órgãos como Ibama e ICMBio em áreas rurais. “Se você é contra, como eu sou contra, essas ações, eu tenho que ajudar a mudar a lei. E ela é em Brasília.”

O senador também respondeu por que essas mudanças não avançaram durante o governo Bolsonaro. “Não mudou porque não tinha maioria, principalmente no Senado”, disse. Bittar afirmou que o poder de organizações não governamentais na Amazônia é maior do que parte da população imagina e defendeu a CPI das ONGs como instrumento para expor esse debate.

Em sua fala mais dura, classificou a disputa ambiental na Amazônia como conflito econômico. “Na verdade, isso é uma guerra econômica travestida de preocupação ambiental. Nós temos que desfazer isso”, declarou. Ele também acusou ONGs de atuarem contra obras estratégicas no Acre, citando a ponte de Rodrigues Alves e a continuidade da BR-364.

Ao final da entrevista, Bittar voltou ao tema da campanha. Para ele, a pré-campanha e a campanha servem para mostrar ao eleitor quem são os candidatos, o que pensam e o que fizeram quando tiveram poder. “A pré-campanha e a campanha são para você saber quem é quem, o que pensa, o que está fazendo. Se você é governo do Acre, o que fez? Se você é governo do Brasil, o que fez?”, afirmou.

A entrevista deixou Bittar no lugar onde ele costuma se colocar: sem tentar esconder o lado. O senador quer a reeleição, mantém relação com os principais nomes do governo estadual, mas avisou que sua prioridade será o palanque nacional de Bolsonaro. No Acre, essa escolha pode aproximar ou afastar aliados. E, pelo tom da conversa, o Deracre virou mais que uma autarquia em crise: virou a primeira rachadura visível entre o Palácio Rio Branco e o grupo que o governo ainda precisa decidir se quer manter por perto.

Jornal da Manhã em Coluna – 3 de julho de 2026

A coluna desta sexta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, cobertura de Gledson Albano, participação do senador Márcio Bittar e entrevista com o deputado estadual Pedro Longo em Cruzeiro do Sul.

Deracre sem comando

A saída de Sula Ximenes do Deracre abriu uma crise que não cabe apenas na troca de comando. O problema agora chegou ao caixa, ao planejamento e ao chão dos ramais. A autarquia entrou em julho sem direção definitiva, justamente quando o verão deveria estar com máquinas nas comunidades rurais.

No Jornal da Manhã, a cobrança foi direta: se o governo prometeu ramal recuperado, precisa mostrar máquina trabalhando. A zona rural não vive de anúncio. Vive de estrada aberta, ponte em pé, bueiro colocado e piçarra no trecho que corta a produção antes de chegar à cidade.

Operação Verão só na propaganda

A Operação Verão foi anunciada com mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho, 400 máquinas e a promessa de atender 12 mil quilômetros de ramais. Mas a leitura feita no programa foi outra: entre o discurso e a execução, a distância ainda é grande.

No Juruá, a avaliação da bancada é que a operação não chegou de verdade. Há ações pontuais, mas a percepção nos ramais é de espera. Em Rio Branco, até máquina que estava na Transacreana teria sido retirada, provocando preocupação entre moradores.

O produtor esperando

O mês de junho passou quase inteiro sem chuva forte, e mesmo assim a engrenagem não andou no ritmo prometido. Esse é o ponto que pesa. Quem mora no ramal sabe que o verão amazônico não espera reunião, nomeação nem disputa interna.

Quando a chuva voltar, o preço vai cair no colo de quem planta, cria, leva filho para a escola, tenta chegar ao posto de saúde e depende da estrada para vender o que produz. A cobrança do programa foi simples: promessa feita para a zona rural precisa virar serviço antes do inverno.

Calixto e a imprensa

A fala do secretário de governo Luiz Calixto também entrou no centro do debate. A bancada rebateu a tentativa de tratar críticas à gestão como misoginia contra a governadora Mailza Assis.

O questionamento feito no ar foi outro: crítica a governo não nasce do gênero de quem ocupa o cargo. Nasce do uso de dinheiro público, da falta de resposta, da promessa sem entrega e da obrigação de prestar contas. Quando a agenda é pública e a conta sai do bolso do contribuinte, o assunto deixa de ser pessoal.

Moralidade seletiva

Rogério Wenceslau tratou como moralidade seletiva o movimento de aliados do governo que passaram a defender uma limpeza administrativa depois que antigos aliados começaram a ser exonerados.

A avaliação foi dura: enquanto todos estavam no mesmo barco, ninguém parecia incomodar. Quando a cadeira mudou de peso e alguns nomes perderam espaço, a defesa da moralidade apareceu como discurso político. A pergunta que ficou foi se a régua vale para todos ou apenas para quem saiu do grupo.

Márcio Bittar no estúdio

O senador Márcio Bittar chegou ao Jornal da Manhã para uma conversa sem roteiro fechado. A bancada brincou que a pauta cabia em uma folha quase vazia, mas a entrevista passou por política nacional, alianças no Acre, BR-364, ambientalismo, PL, governo Mailza e a crise no Deracre.

Bittar deixou claro que tem lado. Repetiu que continua no campo bolsonarista e defendeu que a campanha precisa servir para o eleitor saber quem é quem, o que cada um pensa e o que cada grupo fez quando teve poder nas mãos.

O PL e o Palácio

A relação entre o PL e o Palácio Rio Branco apareceu como um dos pontos sensíveis da entrevista. Bittar afirmou que sempre viu coerência na manutenção da aliança com PP e União Brasil, mas disse ter a impressão de que o próprio governo pode não querer o PL por perto.

O caso de Sula Ximenes foi usado como exemplo. Para o senador, a saída dela do Deracre mexe com obras, emendas e compromissos assumidos. Ele também lembrou que há obras paradas pelo inverno que precisam ser retomadas agora no verão.

BR-364 e saída pelo Peru

A ligação do Juruá com o Peru voltou à pauta. Bittar defendeu que Cruzeiro do Sul não pode continuar como fim de linha e disse que uma saída internacional mudaria a lógica econômica da região.

A discussão passou pela BR-364, pela possibilidade de integração com mercados asiáticos e pelo entrave ambiental. O senador afirmou que o pré-projeto avançou no governo Bolsonaro, mas o passo seguinte, a licitação do projeto executivo, ficou parado após ação judicial movida por organização ambiental.

Malária no centro do mapa

O Ministério da Saúde escolheu o Juruá como projeto piloto do plano de eliminação da malária. A meta nacional é erradicar a doença até 2030, e Cruzeiro do Sul passa a ocupar posição central nesse esforço.

A escolha não veio por acaso. No Juruá, a malária não é estatística distante. É febre conhecida, exame repetido, remédio na rotina e famílias que contam episódios da doença como quem conta marcas de sobrevivência. O desafio agora é fazer o plano sair da reunião técnica e chegar ao morador do ramal, da beira do rio e da comunidade onde o mosquito ainda manda no território.

Pedro Longo no ramal

O deputado estadual Pedro Longo chegou ao estúdio depois da entrevista com Márcio Bittar e trouxe a experiência de agendas no Juruá. Ele contou que passou pela Expoacre, esteve em Mâncio Lima, foi a Rodrigues Alves e visitou o ramal dos Pinheiros.

A descrição foi direta: o ramal continua muito precário. Se chovesse, a saída seria difícil até com carro traçado. Longo também citou conversa com a Cooperverde, presidida por Paulo Sérgio, e falou em projetos de diversificação da produção naquela região.

MDB em teste

A situação do MDB no Acre entrou na conversa com Pedro Longo. A bancada provocou o deputado sobre a indefinição do partido entre o campo de Mailza Assis e uma eventual aproximação com Alan Rick.

Longo respondeu que entrou no MDB dentro de um contexto de alinhamento com o governo e afirmou que continuará onde sempre esteve: com Mailza. A frase deixou o recado político mais claro do que qualquer nota partidária. Se o MDB mudar de lado, Pedro Longo não necessariamente muda junto.