Rio Branco lança programa de mecanização agrícola 2026 no Polo Catuaba

A Prefeitura de Rio Branco lançou o Programa de Mecanização Agrícola 2026 no Polo Catuaba para ampliar o apoio à agricultura familiar e reforçar a produção rural na região. A ação reúne preparo do solo, distribuição de insumos, mudas de café e assistência técnica para produtores que abastecem a capital.

O lançamento ocorreu na sede da Associação do Catuaba, na BR-364, Ramal da Usina, e integra a estratégia da gestão municipal para fortalecer o campo em uma área onde cerca de 1,2 mil famílias dependem diretamente da atividade agrícola. A proposta é garantir melhores condições de plantio, aumentar a produtividade e dar suporte a culturas como arroz, feijão, mandioca, hortaliças, soja e café, além da pecuária leiteira.

Neste ano, o programa prevê a entrega de mais de 200 toneladas de fertilizantes, 900 toneladas de calcário, 150 kits de horas comunitárias e 150 mil mudas de café. A prefeitura aposta no reforço da mecanização e na correção do solo para melhorar o rendimento das lavouras e dar mais segurança ao produtor rural.

Durante o lançamento, o prefeito Alysson Bestene afirmou que a meta é ampliar a presença do poder público nas comunidades rurais e fortalecer a produção local. “A prefeitura vai continuar chegando às comunidades, fortalecendo a produção e gerando oportunidades”, disse.

O secretário municipal de Agropecuária, Eracides Caetano, afirmou que o calendário agrícola da região exige antecipação do trabalho por causa do risco de alagação no inverno. Segundo ele, o plantio precisa começar antes para que os produtores consigam colher dentro da janela mais segura.

O presidente da Associação do Catuaba, Cícero Medeiros Brandão, disse que a mecanização, o calcário, o adubo e a assistência técnica têm peso direto na rotina dos agricultores, mas voltou a cobrar melhorias nos ramais. Para os produtores, as estradas ainda são um dos principais gargalos para o escoamento da produção e o acesso a serviços básicos.

Moradores da região apontam que o uso de máquinas no preparo da terra e o apoio técnico ajudam a elevar a produtividade, especialmente em uma área com forte presença de culturas como macaxeira, banana, melancia, hortaliças, farinha, goma, tapioca e tucupi. Mesmo com o avanço do apoio à produção, a infraestrutura viária segue como uma demanda central das comunidades do Polo Catuaba.

Zequinha manda recado e expõe ruídos na pré-campanha de Mailza

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, entrou no centro da pré-campanha ao governo do Acre nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, por meio de uma mensagem enviada por seu assessor de imprensa, Paulo de Sá, à coluna do Crica. O recado afastou rumores de traição à governadora Mailza Assis, mas também cobrou uma correção de rumo dentro do próprio grupo governista.

“Prefeito Zequinha tem partido, tem lado e já tratou diretamente com a governadora Mailza Assis. Não iremos ficar martelando isso todos os dias”, escreveu Paulo de Sá. A frase surgiu em meio a especulações sobre uma possível aproximação de Zequinha com o senador Alan Rick, adversário direto de Mailza na disputa pelo Palácio Rio Branco.

A mensagem, porém, foi além da defesa pessoal. O assessor criticou pessoas próximas à governadora que, segundo ele, “vivem de fofocas” e deveriam “rever a metodologia adotada na pré-campanha, porque os números das pesquisas mostram que algo precisa ser corrigido”. Com isso, Zequinha deixou claro que permanece no barco de Mailza, mas não aceita ser tratado como suspeito enquanto a campanha enfrenta dificuldades para crescer.

Cruzeiro do Sul tem peso decisivo nesse tabuleiro. Maior cidade do interior e centro político do Juruá, o município não pode ser tratado como detalhe por nenhuma candidatura competitiva ao governo. Quando o prefeito da cidade precisa reafirmar lealdade em público, o problema já não é apenas boato. É sinal de que a base governista ainda busca unidade, comando e comunicação mais eficiente.

A cobrança nasce em um momento delicado. Pesquisa Veritá divulgada em maio colocou Alan Rick à frente, com Mailza em segundo lugar e Tião Bocalom em terceiro. Mesmo com a estrutura do governo e o apoio do grupo de Gladson Cameli, a governadora ainda tenta transformar presença institucional em força eleitoral nas ruas.

O recado de Paulo de Sá também conversa com uma crítica recorrente nos bastidores: Mailza precisa ser mais presente junto ao eleitor comum, menos presa à agenda oficial e mais próxima dos bairros, ramais, mercados e lideranças locais. No Acre, campanha não se vence apenas com fotografia de gabinete. O eleitor quer ver presença, escuta e resposta.

O episódio também se conecta à movimentação de Jéssica Sales, que descartou ser vice e passou a tratar o Senado como prioridade caso Gladson Cameli não consiga disputar. Essa posição mexe diretamente na composição da chapa governista e aumenta o peso político de lideranças como Zequinha na sustentação regional de Mailza.

No fim, a mensagem do assessor não foi apenas uma nota de fidelidade. Foi uma advertência. Zequinha reafirmou lado, mas cobrou respeito e estratégia. Para Mailza, o aviso é claro: antes de procurar traidores dentro da base, a pré-campanha precisa corrigir método, organizar aliados e encontrar o eleitor fora dos corredores do poder.

Foto: Felipe Freire/Secom

Jorge Viana diz que Acre vive crise de resultados e afirma que Gladson Cameli está inelegível após condenação no STJ

Jorge Viana afirmou, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta segunda-feira, 25 de maio, em Cruzeiro do Sul, que o Acre atravessa um momento de perda de capacidade política, concentração de poder sem entrega de resultados e abandono de prioridades estruturais, como a BR-364. Ao comentar a situação do ex-governador Gladson Cameli, condenado pelo Superior Tribunal de Justiça, o ex-governador e pré-candidato ao Senado disse lamentar o caso, negou qualquer participação do PT na origem do processo e afirmou que, na sua avaliação, a condenação em órgão colegiado torna Gladson inelegível pela Lei da Ficha Limpa.

A avaliação de Jorge sobre o Acre partiu de uma comparação entre o volume de poder acumulado pelo grupo que venceu as últimas eleições e a situação concreta enfrentada pela população. Para ele, o estado deu a um mesmo campo político o controle do governo, da bancada federal, das prefeituras mais importantes e da representação no Senado, mas não recebeu em troca obras, serviços e respostas proporcionais. “Dessa vez eles ganharam tudo. Ganharam oito deputados federais, três senadores, o governo, as prefeituras de Cruzeiro, a Prefeitura da capital e a Presidência da República. Porque, se você lembrar, tinha tudo e não entregaram”, afirmou.

Jorge disse que pesquisas qualitativas feitas em Cruzeiro do Sul mostram uma cobrança direta da população por realizações. Segundo ele, o sentimento ouvido nas conversas é de frustração com promessas não cumpridas e com a falta de obras estruturantes. “A população diz: não entregaram, não fizeram uma escola, não fizeram um hospital, não desenvolveram, não cuidaram da estrada. É isso que está na pesquisa qualitativa”, declarou.

A BR-364 foi usada por Jorge como o exemplo mais visível da situação atual do Acre. Ele relatou ter chegado a Cruzeiro do Sul pela estrada, depois de passar por Sena Madureira, Feijó, Terra Indígena Rio Gregório, Tarauacá e Manoel Urbano, e classificou a situação da rodovia como “uma verdadeira tragédia”. Para o ex-governador, o problema deveria unir governo, bancada federal e lideranças políticas, independentemente de partido. “Na minha época, você fazia daqui para Cruzeiro do Sul em oito horas. Agora, se for uma carreta, é dois dias. Se for um caminhão, é dois dias. E se for um carro, não faz menos do que quinze horas. Então isso é uma situação gravíssima que tem que nos unir e não separar”, afirmou.

Mesmo aliado do presidente Lula, Jorge disse que também cobrará o governo federal pela situação da rodovia. Afirmou que os recursos voltaram a ser destinados à estrada, mas que a execução ainda não chegou ao resultado esperado pela população. “No governo Lula, o dinheiro voltou, mas a estrada está destruída. E eu vou cobrar agora também, porque podia estar melhor com o dinheiro que está vindo”, disse. Para ele, a bancada federal deveria concentrar emendas e pressão política na recuperação da BR-364, em vez de pulverizar recursos em ações menores. “A bancada tinha que estar unida. São onze parlamentares. Em vez de ficar botando emenda para aqui, para acolá, põe o dinheiro todo na estrada e vamos cobrar que o DNIT faça”, declarou.

Ao falar sobre a crise política acreana, Jorge evitou reduzir o debate à disputa entre esquerda e direita. Disse que o eleitor quer entrega, presença do Estado e capacidade de resolver problemas concretos. “Eu nunca fiz um governo de esquerda. Tenho muito respeito por quem é de esquerda, tem pessoas que são conservadoras, de direita. Meu problema é com os extremistas, porque tudo mais dá para compor”, afirmou. Em seguida, completou: “O povo do Acre nem está muito interessado se é esquerda ou direita. Ele quer que as coisas sejam feitas direito, que as coisas aconteçam”.

A fala mais sensível da entrevista veio quando Jorge foi questionado sobre Gladson Cameli. O ex-governador disse lamentar profundamente a condenação e afirmou que não celebra a queda de adversários políticos. “Eu lamento profundamente. Eu não quero esse negócio de cadeia para ninguém. Eu queria um mundo de paz”, disse. Em seguida, buscou afastar qualquer ligação entre o processo e o PT, lembrando que as investigações começaram em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Quando é que começou esse processo contra o ex-governador? Em 2021. Quem era o presidente da República? O Bolsonaro. Onde estava o Lula? Preso. Quem era o ministro da Justiça? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o diretor-geral da Polícia Federal? Nomeado pelo Bolsonaro. Quem era o procurador-geral da República? Nomeado por Bolsonaro. Então não tem nada a ver com a gente”, declarou.

Jorge também citou o ex-vice-governador Major Rocha ao tratar da origem política da denúncia contra Gladson. “Vamos ser bem sinceros: o vice-governador do Gladson, o Major Rocha, foi quem fez a denúncia contra o Gladson”, afirmou. Com essa fala, o pré-candidato tentou deslocar o caso do campo da disputa PT contra Gladson e situá-lo dentro das próprias rupturas internas do grupo político que governou o Acre nos últimos anos.

Sobre os efeitos eleitorais da condenação, Jorge foi direto ao afirmar que, em sua leitura, Gladson está inelegível. Ele citou a Lei da Ficha Limpa e disse que a decisão do STJ tem peso por ter sido tomada por um colegiado. “Quem conhece minimamente a lei sabe que a Lei da Ficha Limpa, quando um político ou uma pessoa, um gestor público, é condenado em um colegiado, fica inelegível. Só que a condenação foi lá no STJ. Depois do STJ, só tem o Supremo”, afirmou. Apesar disso, disse esperar que o ex-governador consiga recorrer.

Jorge negou que sua pré-candidatura dependa da retirada de Gladson da disputa. Segundo ele, estava preparado para enfrentar a eleição mesmo com o ex-governador no páreo, inclusive porque parte do eleitorado poderia votar nos dois para o Senado. “Vai dizer: mas você se beneficia? Não. Eu estava preparado para inclusive concorrer com o Gladson, porque muita gente queria votar no Gladson e votar em mim. São dois votos para o Senado”, afirmou.

Na avaliação de Jorge, o Acre precisa sair da paralisia política provocada por brigas, extremismos e disputas pessoais. Ele defendeu a recomposição de pontes, mas associou essa postura à cobrança por resultados. O ex-governador disse que não quer voltar ao Senado para atacar o estado ou alimentar conflitos, e sim para recuperar interlocução em Brasília, buscar investimentos e colocar a infraestrutura no centro da pauta. “Eu não posso estar com a história para trás, com a história para frente, querendo ser parte do problema. Não. Eu sou parte da solução”, declarou.

“Não me vejo vice em nenhum cenário, em nenhum lado”, afirma Jéssica Sales

Jéssica Sales fecha porta para ser vice de Mailza e avisa que mira o Senado

“Não me vejo vice em nenhum cenário, em nenhum lado.” A frase da ex-deputada federal Jéssica Sales (MDB) caiu como um recado direto no meio das articulações políticas para a eleição deste ano no Acre. Em entrevista ao Blog do Crica, do ac24h, nesta terça-feira, 26, Jéssica afastou a possibilidade de ser candidata a vice-governadora na chapa da governadora Mailza Assis (PP) e deixou claro que seu projeto político não passa por uma vaga secundária.

A declaração desmonta uma das especulações que circulavam nos bastidores sobre a montagem da chapa governista. Jéssica não apenas negou a possibilidade de ser vice de Mailza, como reforçou que entrou no debate eleitoral olhando para o Senado.

“Se o Gladson não puder ser candidato ao Senado, eu entro na disputa”, afirmou.

A ex-deputada condiciona sua candidatura ao Senado ao futuro político do ex-governador Gladson Cameli, de quem é prima. Mas, ao mesmo tempo, se coloca como herdeira natural de uma eventual vaga deixada por ele na disputa majoritária.

“Entendo que sou a única candidata raiz do Vale do Juruá, que preencheria com honra a vaga do meu primo Gladson. Tenho serviço prestado em todos os municípios do Acre, principalmente, na nossa região do Juruá. Não me vejo vice em nenhum cenário, em nenhum lado. Eu desde o início me coloquei como pré-candidata ao Senado”, declarou.

Na prática, Jéssica mandou dois recados em uma só fala. O primeiro: não aceita ser puxada para uma composição como vice. O segundo: se Gladson ficar fora da disputa, ela quer ser tratada como nome real para o Senado, e não como peça de acomodação partidária.

“Só não entrarei na disputa se o meu primo Gladson sair, e sinceramente espero que tudo dê certo para ele, pois me sentiria representada e realizada”, disse.

Caso Gladson seja candidato ao Senado, Jéssica admitiu outro caminho: disputar novamente uma vaga de deputada federal.

“Se acontecer este cenário, quem sabe não disputaria uma vaga de deputada federal!”, afirmou.

A fala chega em um momento de movimentação intensa nos bastidores. Com Mailza buscando consolidar sua chapa e lideranças tentando ocupar espaços estratégicos, a manifestação de Jéssica reduz a margem para especulação e cria um problema político para quem contava com seu nome como alternativa de composição.

A ex-deputada também rebateu críticas sobre sua ausência do debate público. Disse que não sumiu, mas que segue trabalhando como médica.

“As pessoas maldosas ficam postando que sumi. Crica, eu trabalho praticamente de domingo a domingo. Ganho por plantões realizados no Santa Juliana. Toda segunda eu viajo, eu mesmo dirijo para Sena Madureira, para atender gestantes do pré-natal de alto risco”, afirmou.

Em outro trecho, Jéssica elevou o tom e fez questão de destacar sua independência política e financeira.

“Não sou filhinha de papai que ganha sem trabalhar, ou tem cargo, não suporto pensar em ser sustentada ou receber sem trabalhar. Na minha cabeça isso é impossível de acontecer. Graças a Deus tenho saúde para trabalhar. Quem pede favor a político, um dia será cobrado ou ficará amarrado, dizendo amém, amém… eu sou independente, graças a Deus, e não me encaixo nisso. Sou livre e sempre serei”, declarou.

Com a declaração, Jéssica Sales sai do silêncio, nega o papel de vice, coloca pressão sobre o tabuleiro governista e reafirma que, se entrar no jogo, será para disputar espaço de protagonismo. Para quem esperava vê-la acomodada em uma chapa, o recado foi curto e direto: vice, não.

Prefeito vistoria obras de recuperação no Ramal das Cooperativas em Rio Branco

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, acompanhou nesta segunda-feira os serviços de recuperação e manutenção no Ramal das Cooperativas, em mais uma frente do programa Prefeitura nas Ruas. A ação busca melhorar as condições de tráfego, facilitar o deslocamento dos moradores e reduzir os problemas de acesso em uma das regiões atendidas pela prefeitura.

Ao lado do presidente da Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco, Abdel Derze, o prefeito acompanhou o trabalho das equipes no local. As máquinas atuaram na recuperação das vias, com foco em trechos que apresentam desgaste e dificultam a circulação de veículos e moradores, sobretudo em períodos de chuva.

A intervenção integra o conjunto de ações de infraestrutura levado pela prefeitura a diferentes pontos da capital. A estratégia da gestão é concentrar serviços em áreas com demandas mais urgentes, principalmente em locais onde as condições das ruas e ramais comprometem a mobilidade da população.

Durante a agenda, Alysson Bestene afirmou que a prefeitura vai manter as frentes de trabalho em outras regiões da cidade. Segundo ele, o objetivo é ampliar a presença dos serviços públicos nos bairros e comunidades e garantir respostas mais rápidas às reivindicações dos moradores.

O Ramal das Cooperativas é uma das áreas incluídas nesse cronograma de manutenção urbana, que reúne ações de recuperação viária e melhorias de infraestrutura em Rio Branco.

Jorge Viana diz que vai procurar Zequinha e rejeita ser “senador de um pedaço do Acre”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta segunda-feira (25), em Cruzeiro do Sul, o ex-senador Jorge Viana afirmou que pretende pedir uma audiência com o prefeito Zequinha Lima na próxima visita ao município e disse que, se voltar ao Senado, atuará sem distinção política. No programa, ele afirmou que quer ser “solução do problema” e descartou a ideia de representar apenas parte do estado.

Ao falar sobre a agenda no Juruá, Jorge disse que retornará a Cruzeiro do Sul em cerca de uma semana para conversar com autoridades locais e incluiu Zequinha entre os encontros que quer fazer. “Vou pedir uma audiência com o prefeito Zequinha porque eu tô visitando todos os prefeitos”, declarou, ao defender uma atuação política voltada para todo o Acre.

Na entrevista, Jorge afirmou que um eventual mandato no Senado não pode ficar restrito a aliados. “Se eu quero ser senador, não é pra criar mais problema, é pra ser solução do problema”, disse. Em seguida, reforçou: “Se o prefeito lá tá com uma coisa, não importa se votou em mim ou não, porque eu tenho que defender, ou então eu não vou ser senador do Acre, vou ser senador de um pedaço do Acre.”

Prefeitura de Cruzeiro do Sul anuncia asfaltamento de 2,2 km no ramal do Pentecostes

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul assinou na sexta-feira, 22 de maio de 2026, a ordem de serviço para asfaltar 2,2 quilômetros do ramal da comunidade Pentecostes, com investimento de R$ 3 milhões. A obra começa neste sábado, 23, e inclui drenagem e implantação de meio-fio, com prazo estimado de 90 dias para conclusão.

A pavimentação foi apresentada pela gestão municipal como uma resposta aos problemas de trafegabilidade enfrentados pelos moradores, principalmente no inverno amazônico, quando trechos com atoleiros dificultam o deslocamento, o transporte escolar e o escoamento da produção local. A administração informou que as máquinas já estavam no trecho no momento da assinatura da ordem de serviço.

Durante o ato, o prefeito Zequinha Lima afirmou que a obra deve melhorar o acesso à comunidade e reduzir os transtornos provocados pelo período chuvoso. Segundo ele, a região tem forte atividade produtiva e precisa de melhores condições de mobilidade para moradores, estudantes e produtores rurais.

Os recursos para a execução do serviço são de emenda parlamentar do deputado federal Zezinho Barbary. A expectativa apresentada no evento é de que a pavimentação ajude a dar mais segurança e regularidade ao tráfego no local, sobretudo nos meses de chuva intensa.

Moradores da comunidade acompanharam a assinatura e comemoraram o início da obra. O principal relato foi de dificuldade de locomoção durante as chuvas, com prejuízos no transporte e no acesso à cidade. A avaliação entre os residentes é de que o asfaltamento pode mudar a rotina da região e facilitar a circulação ao longo de todo o ano.

Agenda de Alan e Zequinha no Juruá vira recado político e acende alerta no governo

Neste domingo, 24, a agenda que reuniu ontem o senador Alan Rick e o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, segue repercutindo nos bastidores da política acreana. O que começou no sábado, 23, como uma programação pública de entrega de máquinas, caminhão-pipa e casas de farinha móveis para a produção rural, além de visita ao Mercado do Agricultor, terminou lido no Palácio Rio Branco como um movimento político com endereço certo: a tentativa de Alan de avançar sobre uma das principais lideranças do Juruá e tirar Zequinha da órbita exclusiva do grupo governista.

A agenda de ontem em Cruzeiro do Sul foi montada sobre obras e investimentos. Ao lado de Zequinha, Alan participou da entrega de equipamentos avaliados em cerca de R$ 4,5 milhões para fortalecer a agricultura familiar e a produção rural. No mesmo roteiro, acompanhou a preparação para o início das obras de revitalização do Mercado do Agricultor, bancadas com recursos de emenda parlamentar. Foi nesse ambiente, cercado por entregas e discurso administrativo, que a agenda ganhou peso eleitoral. Zequinha fez questão de registrar que Alan mantém presença antiga no município, lembra das demandas locais e destina recursos com frequência para Cruzeiro do Sul.

O ponto central não foi apenas a foto dos dois juntos, mas o conteúdo político que saiu dela. Em vez de tratar Alan como mais um visitante de pré-campanha, Zequinha reforçou publicamente que não pode se afastar de quem ajuda o Acre e o município. A fala teve peso porque saiu no momento em que Alan tenta consolidar palanque no interior e ampliar presença no Juruá. O gesto foi interpretado como mais que cortesia institucional: soou como demonstração de canal aberto, confiança mútua e disposição para uma conversa que vai além da agenda administrativa.

A repercussão veio rápido. Na manhã deste domingo, o Blog do Crica registrou que um vídeo de Alan, no qual o senador diz estar bem encaminhada uma aliança com Zequinha, acendeu o sinal vermelho no governo. Na mesma linha, Zequinha apareceu em vídeo dizendo que recebe todos os candidatos de forma republicana, citando Mailza Assis, Alan Rick e Tião Bocalom. O discurso foi de equilíbrio, mas sem desfazer o efeito político do encontro de ontem. Na prática, o prefeito tentou manter a porta aberta para todos sem apagar o fato de que, neste fim de semana, quem ocupou o centro da cena em Cruzeiro do Sul foi Alan.

Nos bastidores, a movimentação foi percebida ainda durante o evento de sábado. Relatos repassados à redação apontam que gente ligada ao governo acompanhou de perto os passos de Zequinha ao longo da agenda. O recado do prefeito veio no próprio discurso, quando afirmou não ter medo de espião nem aceitar pressão política. A fala foi entendida como resposta direta ao clima de vigilância criado em torno de sua aproximação com Alan.

Bastidores de 2026: Jorge Viana quebra barreiras ideológicas, atrai o “PIB do Acre” e costura apoios ao centro e à direita

O ex-governador e pré-candidato ao Senado, Jorge Viana (PT), vem operando uma sutil e estratégica aproximação com setores historicamente distantes de seu campo político. Durante a edição desta semana do programa Boa Conversa, produzido pelo portal ac24horas, os jornalistas e colunistas políticos Luís Carlos Moreira Jorge, Astério Moreira e Marcos Venícios revelaram que Viana promoveu um encontro reservado em sua residência com cerca de 40 dos maiores empresários do Acre — um grupo de forte peso econômico e majoritariamente alinhado ao eleitorado bolsonarista.

A movimentação sinaliza uma guinada pragmática do petista rumo ao centro e à moderação, focando no xadrez eleitoral de duas vagas para o Senado no pleito deste ano.

O PIB do Acre na chácara: vinho, café e sem selfies

De acordo com os bastidores detalhados pelos analistas do programa, a reunião ocorreu sob absoluto sigilo e blindagem mútua. Realizado na chácara do ex-governador, o encontro foi marcado pela ausência de registros em redes sociais, atendendo ao perfil discreto do empresariado local de grande porte.

Os colunistas apontaram que a estratégia central de Jorge Viana se ancora no fato de que cada eleitor terá direito a dois votos para o Senado nas eleições de 2026. Ao se apresentar como um interlocutor moderado e aberto ao diálogo com as forças produtivas, Viana tenta se consolidar como a segunda opção viável em um eleitorado que, para o governo estadual ou para a Presidência, votará convictamente em candidaturas de direita.

Para desarmar a barreira do antipetismo na região, o discurso adotado na pré-campanha resgata a retórica regionalista dos anos 1990. Focando no mote de que “o Acre é uma família onde todos se conhecem”, o pré-candidato busca desviar o debate da polarização nacional (Lula versus Bolsonaro) para focar em pautas estritamente locais e econômicas. As caminhadas e agendas de articulação têm contado com o apoio direto do também ex-governador Binho Marques, figura de trânsito leve e respeitada no estado.

Avanço no interior e alianças em Sena Madureira

Além de dialogar com o topo da pirâmide econômica da capital, a capacidade de articulação de Jorge Viana além das fronteiras da esquerda ganhou contornos práticos no interior do estado. Durante o debate no Boa Conversa, os jornalistas confirmaram que lideranças de peso de Sena Madureira estão prestes a formalizar apoio à candidatura do ex-governador.

A aproximação envolve o ex-prefeito Mazinho Serafim e o atual prefeito, Gerlen Diniz, com quem esteve reunido nesta semana, durante visita ao município. O movimento sacode o cenário local, uma vez que ambas as lideranças municipais transitam em palanques ligados à direita e à base da governadora Mailsa Lima (PP), evidenciando o pragmatismo das costuras de bastidores nesta fase de pré-campanha.

O fiel da balança: Como a eleição para o Senado ocorre em turno único e o cenário de direita no Acre se encontra fragmentado entre múltiplas pré-candidaturas fortes, os analistas do Boa Conversa avaliam que essa capacidade de “ciscar para fora do próprio terreiro” recoloca Jorge Viana em uma posição de alta competitividade no epicentro do tabuleiro político acreano.

Alan e Zequinha sorriem para a mesma foto. Falta saber quem entra como vice – Editorial

Alan Rick não respondeu como quem despista. Ao ser perguntado sobre a vontade de ter Zequinha Lima em seu projeto, foi direto ao ponto: disse que a vontade é “no corpo todo”. A frase saiu com jeito de brincadeira, mas na política acreana esse tipo de declaração raramente fica só no campo da simpatia.

O senador sabia o que estava dizendo. Estava em Cruzeiro do Sul, no território político de Zequinha, diante de uma plateia que entende o peso de cada gesto. Chamou o prefeito de amigo, elogiou sua gestão, lembrou a parceria de campanha e fez questão de dizer que nunca deixou de atender os pedidos do município. Em outras palavras, Alan não apenas abriu a porta. Colocou tapete vermelho.

Zequinha também não fechou a porta. Preferiu o caminho mais cuidadoso, como costuma fazer quem sabe que está sendo observado por vários lados. Disse que conversa com todos os que pretendem governar o Acre. Citou Mailza, Bocalom e Alan. Lembrou que Mailza é do seu partido e que teve papel importante em sua trajetória. Disse que Bocalom é amigo. Mas, quando falou de Alan, destacou algo concreto: recursos, emendas e presença em Cruzeiro do Sul.

Foi aí que a fala institucional ganhou temperatura política.

Zequinha afirmou que Alan tem história no município, que todos os anos destinou recursos para ajudar Cruzeiro do Sul e citou a revitalização do Mercado Público Municipal como exemplo dessa relação. O recado, sem precisar ser dito em tom de rompimento, foi entendido: o prefeito não pretende se afastar de quem ajuda sua cidade.

A frase mais importante de Zequinha talvez tenha sido essa. Não pela cortesia, mas pelo cálculo. Ao dizer que precisa estar ao lado dos políticos que ajudam o Acre, o prefeito se coloca numa posição confortável. Não rompe com Mailza, não se entrega a Alan, não fecha com Bocalom. Mas deixa claro que apoio político, para ele, precisa ter retorno administrativo.

É nesse ponto que a aproximação entre Alan e Zequinha deixa de ser apenas troca de elogios e entra no terreno da engenharia eleitoral.

Alan quer crescer no Juruá. Zequinha é hoje a principal liderança municipal da região. Para o senador, ter o prefeito de Cruzeiro do Sul ao lado não seria apenas ganhar um apoio. Seria abrir uma avenida política no segundo maior colégio eleitoral do Acre e reduzir o espaço de movimentação dos adversários.

Para Zequinha, o jogo também é evidente. Ele não precisa correr. Está no comando da Prefeitura, foi reeleito, tem base, tem vitrine e virou peça disputada no tabuleiro estadual. Se entrar no projeto de Alan, dificilmente será para ocupar a plateia. A pergunta que se impõe é outra: qual pedaço da mesa lhe será oferecido?

É aí que aparece a questão do vice.

Nos bastidores, a hipótese de Zequinha indicar o nome para a vice de Alan deixou de ser especulação solta e passou a circular como uma senha política. A lógica é simples: se o prefeito entregar peso regional, estrutura e presença no Juruá, vai querer algo mais que promessa de parceria futura. Vai querer uma marca na chapa.

O nome mais lembrado é Marcelo Siqueira.

Ex-secretário municipal de Saúde, professor doutor da Ufac e filiado ao PSD, Marcelo saiu da gestão de Zequinha em abril e passou a ser tratado como uma peça possível para 2026. Não é um nome aleatório. Tem vínculo com o grupo do prefeito, passou por uma secretaria sensível, circula no campo técnico e pode ser apresentado como representante do Juruá sem obrigar Zequinha a deixar a Prefeitura.

Essa é a vantagem política de Marcelo. Ele poderia carregar a digital de Zequinha na chapa de Alan, enquanto o prefeito permaneceria em Cruzeiro do Sul com a máquina municipal nas mãos. Para Alan, seria um gesto objetivo em direção ao Juruá. Para Zequinha, seria a confirmação de que seu apoio não foi recebido como favor, mas como sociedade política.

Mas Marcelo não corre sozinho nesse tabuleiro.

Janaína Terças, secretária municipal de Turismo, Empreendedorismo e Inovação, aparece como uma possibilidade com outro tipo de leitura. Seu nome permitiria ao grupo de Zequinha apresentar uma alternativa ligada à economia, ao turismo, à inovação e ao discurso de desenvolvimento regional. Em uma campanha estadual, especialmente com o Juruá no centro da conversa, Janaína poderia representar uma tentativa de mostrar Cruzeiro do Sul não apenas como base eleitoral, mas como território de oportunidades.

A presença de Janaína numa lista de possibilidades também teria um efeito simbólico: colocaria uma mulher do entorno de Zequinha em uma composição majoritária e abriria espaço para uma narrativa menos tradicional, mais conectada a empreendedorismo, geração de renda e fortalecimento econômico do interior. Não seria a escolha mais óbvia, mas justamente por isso poderia funcionar como gesto de renovação controlada dentro do grupo.

Milca Santos é outro nome que precisa ser observado.

À frente da Assistência e Desenvolvimento Social, Milca ocupa uma área de contato direto com famílias, bairros, comunidades e pessoas em situação de vulnerabilidade. Em campanha, isso não é detalhe. A assistência social é uma das pontes mais sensíveis entre a gestão e a vida cotidiana da população. Um nome vindo dessa área poderia ajudar a compor uma imagem de cuidado, presença territorial e atenção às demandas mais concretas das famílias.

Se Marcelo Siqueira carrega o perfil técnico e administrativo, Janaína fala com desenvolvimento e economia, e Milca Santos dialoga com o campo social. São três possibilidades diferentes para uma mesma equação: como Zequinha poderia transformar sua força em Cruzeiro do Sul em espaço real dentro da chapa de Alan Rick.

O pano de fundo de tudo isso é a crise recente entre Zequinha e o governo Mailza. Não houve rompimento formal. Houve ruído. E, em política, ruído também comunica. O prefeito demonstrou incômodo com setores do governo, aliados falaram em isolamento, e colunas políticas passaram a registrar a possibilidade de seu grupo olhar para Alan ou Bocalom.

Mailza tenta manter a relação institucional. Zequinha também evita queimar pontes. Mas a dúvida já foi instalada: o prefeito está apenas ampliando diálogo ou preparando uma mudança de lado?

Alan percebeu a fresta e entrou por ela.

Ao dizer que a vontade de ter Zequinha é “no corpo todo”, o senador fez mais do que uma gentileza pública. Ele produziu uma imagem política. Deixou claro para o Juruá, para os aliados e para os adversários que o prefeito de Cruzeiro do Sul é prioridade em sua estratégia.

Zequinha respondeu à altura, mas com freio de mão puxado. Elogiou Alan, lembrou as emendas, destacou a parceria, mas não assinou adesão. É o movimento típico de quem sabe que seu passe valorizou.

A partir de agora, a questão não é mais saber se Alan quer Zequinha. Isso já foi dito. Também não é saber se Zequinha conversa com Alan. Ele mesmo confirmou.

A pergunta que realmente importa é outra: Alan está disposto a entregar a vice ao grupo de Zequinha?

Porque carinho político, por si só, não fecha aliança. Foto bonita ajuda. Frase espirituosa rende manchete. Elogio aquece o ambiente. Mas chapa majoritária se decide em outro balcão.

Se o acordo avançar, o vice será o recibo.