Vazante do Rio Juruá provoca desbarrancamento e deixa casas sob risco em Cruzeiro do Sul

A vazante do Rio Juruá abriu uma nova frente de problemas em Cruzeiro do Sul e deixou ao menos cinco casas sob risco de desabamento no bairro Miritizal. A Defesa Civil passou a atuar na área para retirar famílias de pontos mais vulneráveis, desmontar imóveis ameaçados e evitar acidentes com o avanço da erosão na margem do rio.

Uma das residências começou a ser desmontada de forma controlada, enquanto moradores afetados recebem atendimento emergencial. Parte das famílias deve ser incluída em programas de apoio habitacional temporário, e outras aguardam a transferência para terrenos em áreas mais seguras, com ajuda do município para reaproveitar material das casas atingidas.

O problema surgiu após o recuo das águas, que deixou o solo fragilizado e acelerou o desgaste da encosta. Em vez do alívio esperado com o fim da cheia, moradores passaram a enfrentar o risco de perder as casas para o barranco, em uma mudança de cenário comum nas áreas ribeirinhas depois de enchentes prolongadas.

Cruzeiro do Sul já havia sido afetada pela cheia do Juruá neste ano, dentro de um quadro mais amplo de enchentes no Acre. Com a descida do nível do rio, o impacto agora aparece na forma de rachaduras no terreno, desmoronamento da margem e ameaça direta a imóveis construídos próximos da beira.

Equipes técnicas seguem com vistorias para dimensionar a área comprometida e definir novas remoções, caso o barranco continue cedendo. A prioridade é retirar moradores antes que novas estruturas sejam atingidas e reduzir o risco de desabamento em uma região que ainda sente os efeitos do período de cheia.

Entre os moradores, o clima é de insegurança. Famílias acompanham o avanço da erosão com receio de perder a casa e os bens acumulados ao longo dos anos, enquanto a Defesa Civil mantém o monitoramento e prepara novas ações emergenciais no local.

Com informações do Juruá 24 Horas

MPAC denuncia influenciadores por jogos de azar e lavagem de dinheiro no Acre

O Ministério Público do Acre denunciou influenciadores digitais investigados por promover plataformas de cassino online e por suposta lavagem de dinheiro ligada a rifas digitais no estado. As duas denúncias criminais foram apresentadas pela 15ª Promotoria de Justiça Criminal e divulgadas nesta terça-feira, 19 de maio, em meio ao avanço das apurações sobre a exploração irregular de apostas e sorteios na internet.

Um dos casos trata da divulgação de cassinos online, com acusações de promoção de jogos de azar, lavagem de dinheiro e associação criminosa. O outro mira exclusivamente a lavagem de dinheiro envolvendo valores que teriam sido obtidos com rifas digitais promovidas nas redes sociais. As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Fazendários, da Polícia Civil do Acre, após a identificação de perfis usados para impulsionar apostas online e sorteios irregulares.

De acordo com a apuração, os influenciadores recebiam pagamentos fixos e também comissões calculadas a partir do número de acessos e cadastros feitos por seguidores por meio de links promocionais. Os usuários eram encaminhados para plataformas hospedadas, em sua maioria, em servidores no exterior e sem autorização legal para funcionar no Brasil. Em um dos pontos centrais da investigação, o Ministério Público afirma que uma das denunciadas recebeu cerca de R$ 5 milhões vinculados à divulgação dessas plataformas.

No braço da investigação sobre rifas digitais, o MPAC sustenta que houve lavagem de dinheiro com parte dos valores arrecadados em uma atividade que teria movimentado mais de meio milhão de reais. O órgão também afirma que, em alguns casos, foi identificada a venda de quantidade de bilhetes superior ao total que teria sido disponibilizado para sorteio, o que ampliou a suspeita sobre a regularidade da operação.

Para o Ministério Público, os recursos obtidos com as atividades investigadas teriam sido inseridos na economia formal por meio de mecanismos de ocultação e dissimulação, o que embasou a imputação do crime de lavagem de dinheiro. Além das denúncias, a atuação do órgão resultou na celebração de acordos de não persecução penal com investigados, com recuperação de R$ 1.087.523,54 e destinação de bens apreendidos. Os valores e bens foram direcionados prioritariamente ao reforço das estruturas da Polícia Civil, do próprio Ministério Público e de órgãos de inteligência e apoio técnico no Acre.

Cruzeiro do Sul intensifica tapa-buracos, drenagem e limpeza em vários bairros

A Prefeitura de Cruzeiro do Sul reforçou nesta quarta-feira, 20 de maio, os serviços de infraestrutura urbana com equipes da Secretaria Municipal de Obras mobilizadas em várias frentes para recuperação de ruas, drenagem e limpeza em diferentes regiões da cidade. A ação alcança bairros e avenidas com o objetivo de melhorar o tráfego, reduzir os impactos das chuvas e ampliar a segurança de motoristas e pedestres.

Entre os trabalhos em andamento está a operação tapa-buracos, com a aplicação de cerca de 30 toneladas de asfalto em vias dos bairros Formoso, Cohab e Lauro Muller, além de avenidas da cidade. A medida busca recuperar trechos desgastados e dar melhores condições de circulação em áreas com fluxo diário de veículos e pedestres.

Duas frentes de serviço também atuam na recuperação e melhoria de ruas nos bairros São Luís e Cinturão Verde. No bairro João Alves, as equipes executam serviços de drenagem, enquanto no Remanso o trabalho se concentra na melhoria dos dispositivos de escoamento da água para reduzir os problemas provocados pelas chuvas.

A programação inclui ainda roçagem e retirada de entulhos no Loteamento Jardim Primavera e no Conjunto Cumaru, além da roçagem na subida da Avenida 25 de Agosto. A limpeza dessas áreas faz parte da manutenção urbana e do esforço para manter vias e espaços públicos em melhores condições de uso.

O secretário municipal de Obras, Carlos Alves, afirmou que o município mantém atuação diária em diferentes pontos da cidade para acelerar a recuperação da infraestrutura. “Estamos trabalhando diariamente para melhorar a infraestrutura dos bairros e garantir mais qualidade de vida para a população. São várias equipes atuando ao mesmo tempo, levando serviços essenciais como recuperação de ruas, drenagem, limpeza e manutenção urbana”, disse.

STJ prorroga por 180 dias cautelares contra Gladson Cameli em sessão que também o condena e abre nova ação penal

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça prorrogou por mais 180 dias, no último dia 6 de maio de 2026, as medidas cautelares impostas ao ex-governador do Acre Gladson Cameli na Ação Penal 1.076, processo central da Operação Ptolomeu. A decisão foi unânime e manteve restrições como a proibição de deixar o país, de manter contato com investigados e testemunhas e a indisponibilidade de valores. O colegiado preservou exceções para acesso a órgãos públicos e contato com a ex-esposa.

A prorrogação atendeu a pedido do Ministério Público Federal e seguiu o voto da relatora, ministra Nancy Andrighi. Para o MPF, a condenação na ação penal principal não afastou o risco processual, porque Gladson continuava vinculado a outras frentes de investigação desmembradas da Ptolomeu. No pedido acolhido pelo tribunal, a Procuradoria afirmou que uma eventual flexibilização das restrições poderia gerar “risco concreto à futura e eventual aplicação da lei penal” e sustentou que a vedação de contato seguia necessária porque o ex-governador ainda era investigado em outros oito inquéritos.

No voto, Nancy Andrighi retomou o histórico do Inquérito 1.475 e afirmou que a apuração trata de uma suposta organização criminosa dividida em núcleos político, familiar, empresarial e operacional, com atuação voltada ao desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e fraude em contratos. A relatora registrou que, até a terceira fase da Operação Ptolomeu, as empresas investigadas haviam recebido mais de R$ 270 milhões desde 2019.

A ministra afirmou que os elementos reunidos no processo mantinham a necessidade das cautelares mesmo com o julgamento de mérito já iniciado. Segundo o voto, a retirada das restrições poderia permitir que a estrutura investigada “retorne ao pleno funcionamento”, com novas práticas contrárias ao interesse público. Foi com esse fundamento que a Corte Especial renovou as medidas por mais seis meses.

A sessão de 6 de maio também produziu outros dois desdobramentos para Gladson, mas em segundo plano em relação à decisão cautelar. No mesmo dia, a Corte concluiu o julgamento da Ação Penal 1.076 e condenou o ex-governador a 25 anos e 9 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. O tribunal ainda fixou multa, indenização ao Estado do Acre e perda do cargo público.

Depois da condenação, o colegiado analisou o Inquérito 1.674, conhecido como caso Colorado, e recebeu denúncia do Ministério Público Federal contra Gladson por fraude à licitação e peculato-desvio. A acusação envolve o contrato 67/2021, firmado entre o Deracre e um consórcio liderado pela Construtora Colorado para obras de duplicação, adequação e reabilitação da rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul. Nesse processo, o STJ também prorrogou por um ano as cautelares fixadas na Cautelar Inominada Criminal 87.

No caso Colorado, Nancy Andrighi apontou indícios de que Gladson atuava diretamente em atos de rotina administrativa e mantinha o pai, Eládio Cameli, informado sobre decisões de gestão e oportunidades em licitações. O acórdão registra ainda sinais de direcionamento da concorrência 26/2020 em favor da Colorado, empresa que, segundo a investigação, tinha Linker Cameli como sócio formal, mas seria controlada de fato por Eládio Cameli.

O STJ manteve em vigor as principais restrições impostas no processo da Operação Ptolomeu e reafirmou que a existência de outras apurações em curso continua a justificar, para o tribunal, a preservação das medidas cautelares.

Foto: Secom/AC

Valéria Lima cobra mais voz do Acre em Brasília e mira candidaturas sem vínculo com Cruzeiro do Sul

A vereadora Valéria Lima subiu o tom do debate político em Cruzeiro do Sul ao cobrar mais representação do Acre em Brasília e fazer um alerta direto ao eleitorado sobre as eleições de 2026. Em discurso voltado para problemas do interior, ela questionou a efetividade de parlamentares e pré-candidatos sem ligação com a realidade local e resumiu a cobrança em uma frase que atravessou toda a fala: “Muito cuidado com as suas escolhas. Muito cuidado com seus votos, porque votos errados é mais desemprego, voto errado é mais difícil ainda o ramal melhorar. Voto errado acaba com a cidade.”

A fala juntou crítica política e cobrança por resposta concreta para demandas antigas do município. Ao mencionar o deputado federal Nikolas Ferreira, Valéria afirmou que não tinha restrição pessoal ao parlamentar, reconheceu sua força eleitoral, mas contestou o que uma liderança de fora pode entregar para a região. “Nada contra o Nicolas. O cara deve ser uma máquina mesmo. O cara foi eleito. O deputado federal mais votado do Brasil entrou na história. O cara deve ser bom mesmo. Mas ele deve ser bom na cidade dele. Belo Horizonte, Minas Gerais. Não sei, eu não acompanho. Mas ele deve ter uma grande repercussão. Realmente muito grande. Ao público jovem, eu quero saber o que é que ele vai trazer pra cá.”

A partir daí, a vereadora transferiu o foco para os problemas que, segundo ela, seguem sem voz suficiente no Congresso. “Eu quero saber o que é que ele vai trazer pra cá. Porque até então eu votei em deputados federais. Esses deputados federais eles não falam lá não. Lá em Brasília, a situação dos nossos ramais, a situação que estamos vivendo na questão da fiscalização muito grande em relação à Amazônia, a falta de emprego que tem na nossa cidade, a falta de políticas públicas pros rios.” Em outro trecho, levou a crítica para a vida de comunidades ribeirinhas e áreas periféricas. “Os rios são navegáveis. É perigoso. Entra no Valparaíso. A população do Valparaíso mora no rio. O rio passa ali em frente, mas não tem água pra beber.”

O discurso avançou sobre a precariedade da infraestrutura em Cruzeiro do Sul, com menção direta a trapiches e pontes. “Nós estamos em 2026. As pessoas moram no trapiche caindo. É toda terça e quinta pedindo por trapiche. Agora que começaram a construir, as pontes são de madeira. Olha o que se gasta com pontes de madeira.” Ao associar esses problemas à ausência de representação efetiva, Valéria reforçou a crítica à bancada federal e ao distanciamento entre Brasília e o cotidiano de quem vive no interior.

A vereadora também mirou o cenário pré-eleitoral e disse que o Acre deve receber candidatos que não têm relação permanente com a cidade. “Vai vir muitos candidatos pra cá. Vai ver candidatos a deputados federais que nem daqui são. Aí você pergunta assim o que foi que a pessoa fez. Nada.” Na avaliação dela, o mandato precisa nascer de vínculo real com a população e não de uma passagem eleitoral. “Não tem condições de fazer política pública pensando que vai se candidatar. Chega aqui e se candidata. Ganha e some.”

No fim da fala, Valéria transformou o discurso em apelo político e emocional. “Sabe como é que se faz política pública? Com contato. Que é isso que nós fazemos. Se faz política pública com vínculo. Se faz política pública com amor, com empatia.” Em seguida, afirmou que o problema atinge diretamente as famílias da cidade. “Se eu não tenho vínculo, eu não tenho por que ter empatia com a população. E sabe quem sofre é a minha filha. São os filhos de vocês. É a nossa população.”

Assista:

Acre embarca 27 toneladas de carne bovina para o Peru e abre nova frente de exportação

O Acre abriu nesta terça-feira, 19 de maio, uma nova rota de exportação de carne bovina com o embarque de 27 toneladas produzidas pelo Nosso Frigorífico e destinadas a Lima, no Peru. A carga saiu de Rio Branco no fim da tarde e deve chegar à capital peruana em até três dias, ampliando a presença da proteína animal acreana no mercado internacional poucos dias depois do primeiro envio da empresa para Singapura.

A operação marca o início de uma sequência de seis carregamentos para o mercado peruano. Murilo Leite, sócio do Nosso Frigorífico e presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos e Matadouros do Estado do Acre, afirmou que os demais embarques estão programados para o próximo mês. “Os demais seguem no mês que vem”, disse.

O novo fluxo comercial reposiciona parte da carne que antes era enviada principalmente para estados do Sudeste e do Nordeste. A estimativa do setor é que 70% da produção processada pelos frigoríficos acreanos vinha sendo comercializada para outros estados brasileiros, enquanto 30% permaneciam no mercado local. Agora, uma parcela desse volume começa a atravessar as fronteiras do país em busca de novos compradores.

O avanço sobre o mercado peruano ocorre em um momento de expansão das exportações acreanas. Reportagem publicada na última semana informou que o Nosso Frigorífico havia embarcado o primeiro contêiner de carne bovina do estado para Singapura, num movimento de diversificação que levou a empresa de cinco para 17 países atendidos, com meta de chegar a 25 até o fim de 2026. A unidade industrial emprega diretamente 450 trabalhadores e mantém busca por mais profissionais para ampliar a produção.

A abertura do mercado peruano para a carne bovina acreana tem um histórico anterior. Em dezembro de 2022, o governo do Acre anunciou a autorização para exportação de carne suína e bovina ao Peru, com validade de três anos. Em abril deste ano, novas articulações federais voltaram a tratar da ampliação de mercados para as carnes produzidas no estado, incluindo negociações para Chile e Vietnã, enquanto o Peru seguia como destino estratégico para a proteína animal acreana.

No caso do Peru, o desafio comercial passa também pelo perfil de consumo. O país vizinho mantém consumo per capita mais elevado de carne de frango e suína, enquanto a bovina ainda ocupa espaço menor na dieta da população. A aposta do setor frigorífico acreano é crescer nesse mercado com oferta regular, proximidade logística e expansão da presença regional da carne produzida no estado. “Essa carne era comercializada em outros estados do país, mas agora está ampliando a presença do trabalho do produtor de carne do Acre e do trabalhador da indústria do Acre em outros lugares do mundo”, afirmou Murilo Leite.

Enxerga Mais leva atendimento oftalmológico gratuito a escolas de Rio Branco e prevê 24 mil consultas

A Prefeitura de Rio Branco iniciou nesta terça-feira, 19 de maio, um programa voltado à saúde visual da comunidade escolar, com a oferta de consultas oftalmológicas, exames e óculos gratuitos na rede municipal. O Enxerga Mais Rio Branco começou pela Escola Municipal Mariana da Silva Oliveira e deve alcançar cerca de 24 mil pessoas entre alunos, professores, servidores e familiares.

A ação é realizada em parceria entre as secretarias municipais de Saúde e Educação, com recursos de R$ 6 milhões. O atendimento ocorre dentro das escolas e inclui triagem, avaliação clínica, prescrição de óculos e encaminhamento para serviços especializados, inclusive cirurgias quando necessário. A proposta busca identificar problemas de visão que comprometem o aprendizado e ampliar o acesso ao diagnóstico.

O prefeito em exercício, Alysson Bestene, afirmou que a iniciativa foi estruturada a partir de demandas identificadas na rede de ensino. “Vamos possibilitar atendimento oftalmológico para crianças, professores e pais”, disse. O deputado federal Coronel Ulysses, responsável pela emenda que garantiu o financiamento, afirmou que dificuldades de visão impactam diretamente o rendimento escolar. “Muitas vezes têm dificuldade de enxergar e de absorver melhor o conhecimento”, declarou.

O secretário municipal de Saúde, Rennan Biths, afirmou que o programa reforça a atuação da atenção básica ao levar serviços diretamente à população. A secretária municipal de Educação, Kelce Nayra Paes, disse que a iniciativa atende uma necessidade recorrente nas escolas, onde muitos estudantes apresentam dificuldades visuais sem diagnóstico.

Na unidade onde ocorreu o lançamento, a equipe gestora relatou que a presença de alunos com dificuldade para enxergar o quadro é frequente. A limitação interfere na participação em sala e no desempenho escolar, cenário que impulsionou a criação da ação.

DNIT avança na recuperação da Estrada do Aeroporto e prevê liberar trecho após base de pedra em Rio Branco

O DNIT avançou na recuperação da Estrada do Aeroporto, em Rio Branco, com a execução de mais de 2,2 quilômetros de macadame hidráulico no trecho da BR-364 que dá acesso ao terminal aéreo da capital. A obra faz parte da restauração de 9,5 quilômetros da pista duplicada, entre os km 140 e 149,5, e tenta resolver um dos pontos mais críticos da rodovia no perímetro urbano.

O serviço entrou em uma fase decisiva com a reconstrução da base da estrada, etapa considerada essencial para suportar o tráfego intenso e reduzir os danos frequentes no pavimento. A técnica usada consiste na retirada do material comprometido e na recomposição da estrutura com pedras, formando uma camada mais resistente antes da aplicação do asfalto.

O superintendente regional do DNIT no Acre, Ricardo Araújo, afirmou que o objetivo é entregar uma pista com mais durabilidade e segurança para quem circula diariamente pelo acesso ao aeroporto. “A gente está reconstruindo a base da estrada com a técnica do macadame hidráulico para entregar uma via com mais qualidade e segurança. A gente tira o solo que está podre e recompõe com pedra até receber o macadame”, disse.

Com uma das pistas ainda absorvendo o fluxo concentrado de veículos, o trecho em obras passou a registrar desgaste acelerado, com buracos e deformações no asfalto. O órgão pediu atenção redobrada aos motoristas e orientou quem tem voo marcado a sair de casa com antecedência para evitar imprevistos no trajeto.

A liberação gradual do trânsito sobre a base já concluída deve começar pelos próximos dias, inicialmente até a altura do Lojão dos Parafusos. Segundo a engenheira Andressa Maciel, o macadame precisa permanecer sob tráfego por ao menos sete dias antes de receber a capa asfáltica, processo necessário para garantir a acomodação do material e permitir o avanço da recuperação no trecho mais castigado.

A intervenção ocorre em um dos principais acessos de entrada e saída de Rio Branco e atinge diretamente moradores, trabalhadores e passageiros que dependem da ligação com o aeroporto. Enquanto a obra avança, o DNIT admite os transtornos no tráfego e mantém a orientação para que os usuários redobrem a cautela ao passar pela região.

Nikolas Ferreira cumpre agenda no Acre com passagem pela BR-364, aldeias e polêmicas

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) iniciou na segunda-feira, 18 de maio, uma agenda de três dias no Acre a convite do senador Marcio Bittar (PL-AC), com chegada por Rio Branco e deslocamento ao interior para percorrer a BR-364, visitar comunidades e acompanhar de perto a rotina de moradores do Vale do Juruá. O roteiro começou por Feijó, avançou para Tarauacá e, nesta terça-feira, 19 de maio, chegou a Marechal Thaumaturgo.

Ainda na segunda, a situação da BR-364 dominou a primeira parte da visita. A rodovia, principal eixo de ligação entre municípios acreanos, virou ponto central da passagem do parlamentar pelo estado. Durante o trajeto, Nikolas criticou as condições da estrada e associou a precariedade da via às dificuldades enfrentadas por quem depende do trecho para transporte, acesso a serviços e circulação de mercadorias. Em Feijó, a comitiva reforçou o discurso de que a viagem tinha como objetivo dar visibilidade nacional a problemas históricos de infraestrutura no Acre.

No fim do dia, a agenda seguiu para Tarauacá, onde Nikolas visitou a Aldeia Pinuya, do povo Huni Kuin. Na conversa com indígenas, defendeu que as prioridades das aldeias sejam definidas pelos próprios moradores e afirmou que as decisões sobre equipamentos, ramais e estrutura precisam partir de quem vive a realidade local. “Muitos querem falar por vocês, mas eles não são vocês. Vocês são vocês. Vocês sabem o que vocês precisam. Se é uma retroescavadeira, tem que ter uma retroescavadeira. Se é um ramal, tem que ser um ramal”, disse.

Na mesma fala, ao mencionar demandas e desejos dentro das comunidades, citou itens como batom, calcinha e brinquedos. A declaração repercutiu no meio político acreano nesta terça-feira e abriu nova frente de embate entre aliados e adversários do deputado. A agenda, que já tinha peso político pela presença de uma das principais vozes da direita bolsonarista no país, passou a ser também alvo de críticas de opositores no estado.

Nesta terça-feira, 19 de maio, a programação avançou para Marechal Thaumaturgo, com visita a uma reserva extrativista e compromissos voltados à realidade de populações tradicionais da região. O roteiro do dia também incluiu passagem por Rodrigues Alves para tratar da travessia e da ponte sobre o Rio Juruá, além de visita ao projeto de assentamento Santa Luzia. A proposta da comitiva foi concentrar a viagem em pontos que simbolizam os gargalos de mobilidade, isolamento e acesso a serviços públicos no interior acreano.

A passagem de Nikolas pelo Acre ocorre em meio ao esforço de aliados para ampliar a exposição de pautas locais no debate nacional.

André Kamai reage à intimação do TRE-AC e acusa Márcio Bittar de tentar calar críticas

O vereador de Rio Branco André Kamai reagiu nesta terça-feira, 19, à intimação expedida pela Justiça Eleitoral em uma ação movida pelo senador Márcio Bittar por causa de um vídeo publicado nas redes sociais. Após ser notificado, Kamai disse que vai apresentar defesa, afirmou que pode retirar o conteúdo dentro do prazo determinado e acusou o adversário de usar a via judicial para conter críticas políticas.

Na declaração feita após a intimação, Kamai disse que o material questionado é uma animação publicada em seu Instagram com críticas ao mandato e ao posicionamento político de Bittar. “Como a justiça determinou que eu tenho até amanhã para fazer, eu vou me defender e se tiver que tirar, vou tirar amanhã no horário que tá determinado pela justiça”, afirmou. Em seguida, elevou o tom do embate. “Mas a covardia é tão grande que essa turma que defende a liberdade de expressão não aguenta uma crítica que corre para fazer intimidação judicial.”

O vereador também ampliou a ofensiva política ao cobrar que Bittar enfrente o debate diretamente. “Eu tô fazendo um debate com ele e ele, sem coragem de vir para o debate comigo, manda o filho. Mas eu já disse eu não vou brigar com as crianças. Meu debate é com o Márcio. Se ele quiser, eu tô pronto”, disse.

A disputa começou depois da publicação de um vídeo em que Kamai atacou Bittar e o deputado federal Nikolas Ferreira, que cumpre agenda no Acre a convite do senador. Na gravação, o vereador cobra resultados concretos para o estado e cita problemas como a situação da BR-364, as enchentes e a falta de moradias populares, além de críticas à condução da pandemia e ao orçamento secreto.

A ação apresentada por Bittar sustenta que o conteúdo se enquadra como propaganda eleitoral irregular no ambiente da pré-campanha de 2026. A decisão judicial determinou a retirada do vídeo em prazo fixado pela corte e proibiu a republicação de conteúdo considerado equivalente, enquanto a defesa de Kamai deve ser apresentada dentro do período estabelecido no processo.

O caso amplia a tensão política no Acre em meio à movimentação de aliados de Bittar pelo interior do estado e ao avanço das articulações para a disputa de 2026. A passagem de Nikolas Ferreira pelo Acre, ao lado do senador, deu novo impulso ao confronto entre grupos ligados à direita e à esquerda e empurrou o embate para o centro da cena política local.