Gerlen cobra nova ponte em Sena Madureira e acusa governo do Acre de abandonar município

O prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz, cobrou nesta sexta-feira, 12, uma resposta imediata do governo do Acre sobre a queda da ponte que ligava o primeiro ao segundo distrito do município, durante entrevista ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração 99,9 FM, em participação por telefone. A obra, aguardada por décadas pela população, desabou e deixou quatro pessoas feridas. Para o prefeito, a cidade não pode receber apenas catraias como solução emergencial enquanto espera explicações sobre uma estrutura pública que custou R$ 45 milhões e caiu antes de cumprir plenamente sua função.

A entrevista começou pelo ponto mais sensível: a vida de quem ficou isolado ou passou a depender de travessia improvisada para estudar, trabalhar, comprar, vender ou buscar atendimento. Gerlen tratou o caso como uma tragédia urbana, não apenas como um acidente de engenharia. “Infelizmente, Sena Madureira vive um momento triste na sua história. Aguardou por décadas a construção de uma obra importante que une dois distritos e, de repente, esta obra ruiu, despencou, vitimou quatro pessoas”, disse. O prefeito frisou que não houve mortes, mas lembrou que vítimas ficaram feridas e que moradores ainda enfrentam medo, revolta e insegurança.

A principal cobrança de Gerlen é que o governo apresente uma solução definitiva. “O que a população gostaria de ouvir é que outra ponte vai ser construída”, afirmou. Na avaliação dele, a resposta oficial ainda não alcançou o tamanho do problema. O prefeito criticou o reforço da travessia por catraias e defendeu a instalação de uma balsa capaz de transportar motocicletas e bicicletas, enquanto uma nova ponte não sai do papel. “Vejam só, tinha uma catraia, estão botando a segunda catraia. É o suficiente? Não é. Essa população merece respeito neste momento”, disse.

Gerlen também cobrou assistência direta aos moradores do segundo distrito. Para ele, o governo deveria montar uma estrutura de atendimento na própria comunidade, com presença de equipes sociais, psicológicas e administrativas. “Tem gente que está abalada emocionalmente, tem gente que vai ter problemas psicológicos em razão disso. Tem senhoras, idosos, que ainda têm medo só do barulho que aconteceu ali na região”, afirmou. A fala revela uma dimensão que nem sempre aparece quando uma obra pública desaba: junto com concreto, ferro e madeira, cai também a sensação de segurança de quem vive ao redor.

O prefeito rejeitou a tentativa de atribuir a queda da ponte apenas ao fenômeno das terras caídas. Gerlen disse que o desbarrancamento às margens dos rios é conhecido há gerações por quem mora na Amazônia e deveria ter sido considerado no projeto. “Conversa para boi dormir”, afirmou. “Quem mora às margens dos rios sabe que todos os anos o barranco do rio desmorona. Isso não começou nesse ano nem no ano passado. Isso é assim há milhares e milhares de anos.” Para ele, uma obra desse porte precisava nascer preparada para a realidade do rio, e não cair diante de um fenômeno previsível.

Ao tratar dos custos da obra, Gerlen elevou o tom. “Eles gastam quarenta e cinco milhões, recebem quarenta e cinco milhões para construir uma ponte e a ponte cai. Fica o dito pelo não dito. Isso é um absurdo, isso é um escárnio”, declarou. A cobrança atinge diretamente o governo estadual, a empresa responsável pela construção e os órgãos de controle. O prefeito afirmou que a Procuradoria do Município já notificou a empresa e o governo do Acre para que adotem providências. “A população não pode ficar sem ter uma resposta. A população está revoltada, sobretudo a população do bairro Segundo Distrito.”

A queda da ponte também expôs a crise política entre a prefeitura e o Palácio Rio Branco. Gerlen afirmou que a relação institucional com o governo praticamente deixou de existir desde que ele assumiu posição política fora do grupo governista estadual. “A relação com o governo não existe. A governadora vem no município de Sena Madureira e sequer liga para o prefeito para dizer que está na cidade”, disse. Para ele, a divergência eleitoral passou a interferir na administração. “Estão preocupados simplesmente com eleição, não estão preocupados com a população.”

O prefeito levou a crítica para outras áreas da gestão. Disse que Sena Madureira tem uma das maiores malhas de ramais do Acre e que a prefeitura reabriu cerca de 4 mil quilômetros no ano passado, enquanto o governo estadual teria atuado em aproximadamente 200 quilômetros. “O governo do Estado não disponibilizou um litro de óleo diesel para a prefeitura fazer a reabertura desses ramais”, afirmou. A frase resume uma queixa recorrente de prefeitos do interior: a dependência de máquinas, combustível e apoio estadual para manter abertas as estradas de terra por onde passa a produção rural, o transporte escolar e boa parte da vida econômica dos municípios.

Gerlen também citou a cessão de servidores como exemplo do que considera desprestígio político contra Sena Madureira. Segundo ele, o governo mantém servidores cedidos para fora do Estado, mas não atende pedidos do município. “Para Sena Madureira não tem ninguém. Você entendeu a forma que Sena Madureira é tratada por esse governo?”, questionou. Na leitura do prefeito, o município paga o preço de uma disputa que deveria ficar restrita ao campo eleitoral, mas acaba chegando à rotina administrativa.

Outro ponto da entrevista foi a construção de casas populares. Gerlen afirmou que a prefeitura trabalha em unidades habitacionais no bairro Pista e pretende iniciar outras 100 casas de alvenaria, com ordem de serviço, recurso em conta, terreno comprado e licitação concluída. O prefeito acusou o Instituto de Meio Ambiente do Acre de embargar a construção de 30 casas de madeira em área urbana já habitada. “Hoje nós vamos entrar com mandado de segurança. Vamos recorrer ao Poder Judiciário para construir casas para as pessoas de Sena Madureira”, disse.

A crítica ganhou contorno social quando Gerlen afirmou que a medida prejudica famílias que esperam por moradia. “Isso é covardia com a população sena-madureirense, não é com o prefeito. Eles não fazem e nem querem deixar fazer”, declarou. A disputa, nesse caso, envolve duas responsabilidades públicas que precisam andar juntas: a proteção ambiental e o direito à moradia. O prefeito sustenta que a área já é ocupada e que a prefeitura tem condições legais de construir. O governo e o órgão ambiental precisam explicar à população quais riscos ou exigências motivaram o embargo.

Gerlen ainda comentou o bloqueio da BR-364 feito por moradores em protesto após a queda da ponte. Disse respeitar a manifestação, mas rejeitou cobranças para que estivesse no local. “O que é que o prefeito vai fazer no bloqueio, sendo que eu estou na prefeitura todos os dias, de manhã e à tarde, de segunda a sexta-feira?”, perguntou. Para ele, demandas dirigidas à prefeitura devem ser levadas ao gabinete. “Quem quer trazer algum problema, alguma situação para o prefeito municipal, vem na prefeitura, não vai bloquear a BR.”

Mesmo com críticas duras ao governo, Gerlen tentou afastar a imagem de conflito pessoal com a governadora. Ele negou ter abandonado um evento oficial em Sena Madureira e disse que permaneceu até o encerramento. “Eu fiquei até o final do evento, esperei a governadora terminar de falar, a cumprimentei e a tratei muito bem”, afirmou. Segundo o prefeito, estudantes deixaram o local porque a programação atrasou, e a saída acabou atribuída ao seu grupo político. “Não saímos. Ficamos até o final. Uma coisa que eu não sou é mal educado. Eu trato a governadora muito bem.”

Edvaldo cobra esclarecimentos sobre queda de ponte em Sena Madureira

O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) cobrou nesta terça-feira, 9 de junho, esclarecimentos na investigação sobre a queda da ponte Padre Paolino Baldassari, em Sena Madureira, ocorrida no último dia 5. O parlamentar levantou dúvidas sobre alterações entre o anteprojeto apresentado pelo Deracre e o projeto executivo da obra, além da origem dos recursos e da forma de execução do contrato.

No discurso, Edvaldo afirmou que a apuração precisa explicar por que o projeto final teria ficado diferente da proposta inicial elaborada pelo órgão estadual. Entre os pontos citados por ele estão a redução no tamanho e na circunferência das estacas e a retirada de anéis de aço previstos no anteprojeto. Para o deputado, a investigação deve identificar quem autorizou as mudanças e se elas tiveram relação com eventual redução de custos.

O parlamentar também defendeu a verificação da origem do dinheiro aplicado na obra. Segundo ele, o volume de recursos teria superado R$ 45 milhões e há suspeita de participação de verba federal por meio de emenda Pix. Caso isso seja confirmado, Edvaldo disse que a Polícia Federal também deve atuar nas investigações.

Outro ponto levantado foi a execução da obra pela Construtora Cidade. Edvaldo questionou se a empresa tocou o empreendimento sozinha ou se houve algum tipo de parceria não formalizada. Ao citar esse aspecto, ele relacionou o caso a problemas já apontados em outra obra pública, o Anel Viário de Brasiléia, e cobrou que a apuração avance sobre possíveis conexões administrativas e contratuais.

Ao final da fala, o deputado disse que Sena Madureira precisa recuperar o projeto de ligação viária e elogiou a articulação para levar o tema ao governo federal. A defesa dele é que a solução para a ponte corra em paralelo às investigações sobre responsabilidades técnicas, administrativas e financeiras.

STJ prorroga por 180 dias cautelares contra Gladson Cameli em sessão que também o condena e abre nova ação penal

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça prorrogou por mais 180 dias, no último dia 6 de maio de 2026, as medidas cautelares impostas ao ex-governador do Acre Gladson Cameli na Ação Penal 1.076, processo central da Operação Ptolomeu. A decisão foi unânime e manteve restrições como a proibição de deixar o país, de manter contato com investigados e testemunhas e a indisponibilidade de valores. O colegiado preservou exceções para acesso a órgãos públicos e contato com a ex-esposa.

A prorrogação atendeu a pedido do Ministério Público Federal e seguiu o voto da relatora, ministra Nancy Andrighi. Para o MPF, a condenação na ação penal principal não afastou o risco processual, porque Gladson continuava vinculado a outras frentes de investigação desmembradas da Ptolomeu. No pedido acolhido pelo tribunal, a Procuradoria afirmou que uma eventual flexibilização das restrições poderia gerar “risco concreto à futura e eventual aplicação da lei penal” e sustentou que a vedação de contato seguia necessária porque o ex-governador ainda era investigado em outros oito inquéritos.

No voto, Nancy Andrighi retomou o histórico do Inquérito 1.475 e afirmou que a apuração trata de uma suposta organização criminosa dividida em núcleos político, familiar, empresarial e operacional, com atuação voltada ao desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e fraude em contratos. A relatora registrou que, até a terceira fase da Operação Ptolomeu, as empresas investigadas haviam recebido mais de R$ 270 milhões desde 2019.

A ministra afirmou que os elementos reunidos no processo mantinham a necessidade das cautelares mesmo com o julgamento de mérito já iniciado. Segundo o voto, a retirada das restrições poderia permitir que a estrutura investigada “retorne ao pleno funcionamento”, com novas práticas contrárias ao interesse público. Foi com esse fundamento que a Corte Especial renovou as medidas por mais seis meses.

A sessão de 6 de maio também produziu outros dois desdobramentos para Gladson, mas em segundo plano em relação à decisão cautelar. No mesmo dia, a Corte concluiu o julgamento da Ação Penal 1.076 e condenou o ex-governador a 25 anos e 9 meses de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. O tribunal ainda fixou multa, indenização ao Estado do Acre e perda do cargo público.

Depois da condenação, o colegiado analisou o Inquérito 1.674, conhecido como caso Colorado, e recebeu denúncia do Ministério Público Federal contra Gladson por fraude à licitação e peculato-desvio. A acusação envolve o contrato 67/2021, firmado entre o Deracre e um consórcio liderado pela Construtora Colorado para obras de duplicação, adequação e reabilitação da rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul. Nesse processo, o STJ também prorrogou por um ano as cautelares fixadas na Cautelar Inominada Criminal 87.

No caso Colorado, Nancy Andrighi apontou indícios de que Gladson atuava diretamente em atos de rotina administrativa e mantinha o pai, Eládio Cameli, informado sobre decisões de gestão e oportunidades em licitações. O acórdão registra ainda sinais de direcionamento da concorrência 26/2020 em favor da Colorado, empresa que, segundo a investigação, tinha Linker Cameli como sócio formal, mas seria controlada de fato por Eládio Cameli.

O STJ manteve em vigor as principais restrições impostas no processo da Operação Ptolomeu e reafirmou que a existência de outras apurações em curso continua a justificar, para o tribunal, a preservação das medidas cautelares.

Foto: Secom/AC

Mailza libera retomada da Orla do Quinze e relança pacote de obras de R$ 137 milhões no Acre

A governadora Mailza Assis autorizou nesta segunda-feira, 18, a retomada das obras da Orla do Quinze, em Rio Branco, e o reinício de intervenções em rodovias, ruas e ramais em municípios do Acre, num pacote que supera R$ 137 milhões. A decisão abre a temporada de obras no verão amazônico, período em que o estado concentra serviços de infraestrutura por causa da redução das chuvas.

Na capital, a principal frente será a contenção e urbanização da Orla do Quinze, na Rua Boulevard Augusto Monteiro, na área do Mercado do Quinze. O investimento passa de R$ 21 milhões, com R$ 17 milhões em recursos estaduais. A obra havia sido paralisada depois da rescisão do contrato anterior, em novembro de 2025, após problemas no andamento dos serviços.

Ao anunciar a retomada, Mailza afirmou que o governo vai aproveitar a estiagem para ampliar o ritmo das intervenções em todo o estado. “Com a chegada do verão amazônico, começa também um período decisivo para o nosso estado. É o momento de avançar com as obras, recuperar ramais, levar infraestrutura, garantir acesso e trabalhar intensamente para melhorar a vida das pessoas”, disse.

O secretário de Obras Públicas, Ítalo Lopes, afirmou que o período de inverno foi usado para resolver entraves técnicos e administrativos e concluir a nova licitação. “Não queremos perder um dia de verão”, declarou.

Com 372 metros de extensão, a obra da Orla do Quinze prevê estabilização da encosta, contenção da erosão e requalificação urbana às margens do Rio Acre. O projeto inclui museu tecnológico, quiosques, praças, bancos, paradas de ônibus, áreas verdes e mirantes. A previsão do governo é concluir a intervenção até o fim de 2026.

Além da obra na capital, o Deracre liberou cerca de R$ 137 milhões para a retomada e abertura de novas frentes em diferentes regiões. Do total, R$ 123 milhões serão usados em restauração rodoviária, pavimentação urbana, implantação viária, recuperação de ramais e adequação de estradas vicinais. Outros R$ 14 milhões serão destinados ao início de novos serviços.

Entre as ações previstas estão a restauração da AC-405, entre Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, e a implantação da primeira etapa do Arco Metropolitano de Rio Branco, que inclui a sexta ponte sobre o Rio Acre. O pacote também alcança obras de pavimentação e revitalização urbana em Sena Madureira, Acrelândia e Epitaciolândia, além de intervenções em Assis Brasil, Tarauacá, Porto Acre, Manoel Urbano, Rodrigues Alves e Brasileia.

O presidente do Deracre, Roberto Assaf, afirmou que o objetivo é melhorar a mobilidade e criar condições para o escoamento da produção. “Estamos empenhados em garantir que esses serviços avancem com qualidade e responsabilidade”, disse.

A nova etapa de investimentos concentra obras urbanas e viárias em diferentes regiões do Acre e marca a tentativa do governo de acelerar entregas de infraestrutura ainda em 2026.

Gladson Cameli vira réu no Caso Colorado e amplia cerco judicial após condenação no STJ

O governador do Acre, Gladson Cameli, virou réu no Superior Tribunal de Justiça no Inquérito 1.674, conhecido como Caso Colorado, em decisão da Corte Especial tomada em 6 de maio de 2026. A nova ação penal apura fraude à licitação e peculato-desvio no Contrato 067/2021, firmado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Acre com o consórcio liderado pela Construtora Colorado para a duplicação da rodovia AC-405, em obra avaliada em mais de R$ 36 milhões. O avanço do processo abriu uma nova frente criminal contra o chefe do Executivo acreano no mesmo dia em que ele recebeu uma condenação de 25 anos e 9 meses de prisão em outro caso de corrupção.

No voto que embasou o recebimento da denúncia, a ministra Nancy Andrighi descreveu uma estrutura marcada pelo controle familiar e pela simulação de concorrência nas licitações. A investigação sustenta que a Construtora Colorado tinha como “proprietário de fato” Eládio Cameli, pai do governador, enquanto Linker Cameli, primo de Gladson, aparecia apenas como sócio formal. Para a relatora, o material reunido no inquérito aponta interferência direta no resultado do certame. “Há fundados indícios de que Gladson e Eládio direcionaram a concorrência para a vitória da Colorado, frustrando o caráter competitivo”, registrou.

A apuração também reuniu mensagens extraídas de celulares apreendidos na operação. Em um dos diálogos considerados centrais, Gladson cobra o primo sobre o aproveitamento das oportunidades abertas pelo governo e afirma: “Todo mês [eu] tô soltando pacotes de obras, depois não pode é vir dizer que eu não tô avisando”. Os investigadores tratam o conteúdo como peça importante para sustentar a suspeita de proximidade entre o núcleo político e a empresa beneficiada pelos contratos.

Embora o mérito da ação penal tramite no STJ, o Supremo Tribunal Federal já analisou desdobramentos do caso em diferentes momentos. Em 3 de outubro de 2024, o ministro Edson Fachin negou o habeas corpus 228.193, apresentado pela defesa para derrubar as medidas cautelares impostas ao governador. Na decisão, Fachin manteve as restrições ao apontar “fortes indícios de autoria” e afirmar que as provas indicavam a “posição de liderança da organização criminosa” por parte de Gladson Cameli. Em 14 de novembro de 2024, o ministro voltou a rejeitar outro pedido da defesa no HC 248.709/DF, também voltado às cautelares. Já em 14 de abril de 2026, o ministro André Mendonça analisou a Reclamação 93.197/DF e determinou o desentranhamento de alguns Relatórios de Inteligência Financeira, sem suspender o andamento do julgamento.

O novo revés judicial ocorreu no mesmo 6 de maio de 2026 em que Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do STJ, na Ação Penal 1.076, a 25 anos e 9 meses de prisão em regime inicial fechado. Sob relatoria de Nancy Andrighi, o processo tratou do Caso Murano e resultou em condenação por dispensa indevida de licitação, peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa.

Nesse processo, a engrenagem descrita pela acusação girava em torno da contratação da Murano Construções por adesão a uma ata de registro de preços da Secretaria de Infraestrutura. Sem estrutura para atuar no Acre, a empresa teria funcionado como fachada para repassar obras e pagamentos à Construtora Rio Negro, ligada a Gledson Cameli, irmão do governador. O dinheiro desviado, segundo a condenação, percorreu empresas interpostas, entre elas a Seven, até ser usado na compra de uma Toyota Hilux e no pagamento de um apartamento de luxo no condomínio Alameda Jardins, em São Paulo.

Com a abertura de uma nova ação penal no Caso Colorado e a condenação já imposta no Caso Murano, Gladson Cameli passa a enfrentar um dos momentos mais graves de sua trajetória política e jurídica. A condenação colegiada no STJ também produz efeito eleitoral e torna o governador inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.

Fotos: Secom/AC

Caminhão atola em acesso à balsa no Rio Juruá entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves

Um caminhão ficou preso na lama na área de acesso à balsa que faz a travessia entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves, no Vale do Juruá, na tarde deste sábado (16). O veículo, carregado com sacos, perdeu tração ao deixar a embarcação, inclinou na pista improvisada e interrompeu a passagem por alguns minutos no local.

O incidente ocorreu no trecho usado para embarque e desembarque de veículos na travessia gratuita entre os dois municípios. A área passou a operar novamente nesta semana, depois da construção de um novo acesso provisório, aberto após o desbarrancamento que comprometeu a estrutura anterior na margem do Rio Juruá.

A travessia havia sido suspensa no último dia 11 por causa da erosão provocada pela vazante do rio. Com a interrupção, motoristas passaram a usar a AC-407 para o deslocamento entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves, num percurso mais longo do que o trajeto feito pela balsa.

O acesso segue sob manutenção constante por causa das mudanças no nível do rio e da instabilidade do terreno. “Quando a água sobe ou baixa rapidamente, a rampa precisa ser refeita para manter a operação da balsa”, afirmou o presidente do Deracre, Roberto Assaf. A travessia é uma das principais ligações da região e atende moradores, produtores rurais e veículos de carga que circulam entre os dois municípios.

Retomada do Arco Viário de Rio Branco reacende obra estratégica para desafogar trânsito da capital

O governo do Acre retomou as obras do Arco Viário de Rio Branco, projeto tratado como uma das principais intervenções de mobilidade urbana em andamento na capital. A nova etapa dos serviços começou nesta sexta-feira (15), com atuação em diferentes frentes para preparar a estrutura da via que deve retirar parte do tráfego pesado das áreas centrais e abrir um novo eixo de circulação no município.

As equipes trabalham na remoção de trechos comprometidos, na regularização do subleito, no transporte e espalhamento de material para a sub-base da pista e na limpeza mecanizada ao longo do percurso. A retomada marca a reativação de uma obra esperada há anos e recoloca em andamento um corredor viário pensado para reorganizar o fluxo entre pontos estratégicos de Rio Branco.

Durante o acompanhamento dos trabalhos, a governadora Mailza Assis afirmou que a intervenção deve mudar a dinâmica do trânsito na capital. “Vai transformar a circulação em Rio Branco”, disse. O presidente do Deracre, Roberto Assaf, afirmou que o avanço da obra atende a uma cobrança recorrente da população e reforçou o compromisso de manter a execução dentro do cronograma previsto.

O traçado do Arco Viário foi dividido em quatro lotes. O primeiro trecho liga a BR-364, na Vila Custódio Freire, à AC-10. O segundo segue do entroncamento da AC-10 até a Estrada do Quixadá. O terceiro vai da Estrada do Quixadá até a 6ª Ponte. O quarto trecho conecta a 6ª Ponte à BR-364, completando o anel projetado para redistribuir o tráfego e ampliar a conexão entre regiões da cidade.

O investimento total na obra é de R$ 105 milhões. Os recursos vêm do Programa de Infraestrutura e Saneamento do Estado do Acre, com financiamento externo, além de R$ 38 milhões destinados por emenda parlamentar. Com a retomada, o governo aposta na conclusão de uma via que deve alterar a logística urbana de Rio Branco e reduzir a pressão sobre avenidas e acessos já sobrecarregados.

Governo do Acre retoma travessia gratuita de balsa entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves após obra emergencial

O governo do Acre restabeleceu a travessia gratuita por balsa entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves nesta quinta-feira (14) depois de concluir a construção de um novo acesso provisório no porto, permitindo a retomada do transporte de moradores, veículos e cargas pela ligação fluvial no Rio Juruá. A operação havia sido interrompida por segurança após a erosão provocada pela vazante do rio derrubar parte da estrutura de acesso no domingo (10).

A interdição foi adotada na segunda-feira (11), quando equipes do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) iniciaram a limpeza da área, o nivelamento do terreno e a recomposição da rampa. A travessia voltou a funcionar ainda na noite de quarta-feira (13), com manutenção prevista para ser feita diariamente, já que a variação rápida do nível do Juruá altera as condições do embarque e desembarque.

O presidente do Deracre, Roberto Assaf, afirmou que a recomposição do acesso é recorrente e depende do comportamento do rio. “Por determinação da governadora Mailza Assis, nossas equipes atuaram para restabelecer a travessia com segurança para a população. Esse trabalho é realizado há mais de 10 anos porque o acesso depende diretamente do comportamento do rio. Quando a água sobe ou baixa rapidamente, a rampa precisa ser refeita para manter a operação da balsa”, disse.

Além do serviço no porto, o governo estadual informou que executou melhorias na AC-407, rodovia que conecta Rodrigues Alves e sustenta parte do fluxo de deslocamento e abastecimento do município, em complemento à travessia fluvial.

Para substituir a balsa e garantir uma ligação definitiva, a alternativa em curso é a construção de uma ponte sobre o Rio Juruá, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Segundo o órgão, a previsão é iniciar a obra em 2026 e concluir em 2028. O edital para elaboração do projeto executivo já foi lançado e, após essa etapa, será aberta a licitação para execução. A ponte deverá ser implantada acima do ponto atual de travessia e com altura suficiente para permitir a passagem do navio hospital da Marinha do Brasil, que atende comunidades ribeirinhas da região.

Deracre monta novo acesso à balsa em Rodrigues Alves e prevê retomada da travessia nesta quinta

O Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) trabalha para entregar nesta quinta-feira (14) um novo acesso à balsa em Rodrigues Alves, no Rio Juruá, e liberar novamente a travessia entre o município e Cruzeiro do Sul. A medida foi adotada depois que a erosão na margem comprometeu a rampa usada para embarque e desembarque e levou à suspensão do serviço por risco de deslizamento.

As equipes entraram em campo na terça-feira (12) para abrir e preparar um novo ponto de atracação, com limpeza da área, movimentação de terra e estabilização do terreno. O Deracre afirma que a balsa principal só volta a operar quando o local estiver pronto para receber veículos, motociclistas e pedestres com segurança.

O acesso antigo foi interditado após vistoria técnica e articulação com a Prefeitura de Rodrigues Alves, Polícia Militar, Defesa Civil Municipal, Detran e Energisa. Durante o período de paralisação, a orientação oficial foi para que motoristas utilizem a AC-407 como rota alternativa.

A interrupção atingiu diretamente quem cruza diariamente o Juruá para trabalhar, estudar e acessar serviços em Cruzeiro do Sul. Moradores relataram aumento no tempo de deslocamento e no gasto com combustível ao substituir o trajeto mais curto pela Estrada da Variante por uma viagem de cerca de 47 quilômetros pela rodovia. O acadêmico de enfermagem Jânio Pablo disse que chegou ao porto, viu Cruzeiro do Sul do outro lado, mas precisou retornar e seguir pelo caminho mais longo. “Infelizmente esse problema não é de agora, é um problema já antigo e sempre vai acontecer enquanto não fizerem a ponte”, afirmou.

Quem depende da travessia para manter a rotina de trabalho também relatou perdas. A manicure e pedicure Rosa Maria Pereira da Silva disse que, sem a balsa, desistiu de seguir viagem. “Não tem como eu encarar pela 407, é muito longe, então eu vou ter que voltar”, contou.

Com a balsa principal parada, embarcações menores passaram a operar por um acesso provisório montado pela prefeitura, com cobrança de tarifa. Moradores relataram que motos passaram a pagar R$ 10 e carros, R$ 20 para atravessar. O presidente do Deracre, Roberto Assaf, disse que as equipes seguem mobilizadas para restabelecer a ligação no menor prazo possível. “Estamos trabalhando continuamente para construir esse novo acesso provisório e restabelecer a travessia o mais rápido possível. Nossa prioridade é garantir segurança aos usuários e manter a ligação entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves”, declarou.

A instabilidade no barranco se agravou com a vazante do Rio Juruá e chegou a ameaçar estruturas de energia no entorno do porto. No fim de semana, a Energisa informou que enviou equipe técnica para manutenções e para eliminar risco elétrico na área, após um poste de alta tensão ficar inclinado com a erosão.

Interdição no acesso à balsa em Rodrigues Alves força desvio pela AC-407 e eleva tarifa para motos e carros nesta terça (12)

O acesso ao porto da balsa em Rodrigues Alves, na travessia com Cruzeiro do Sul, segue interditado nesta terça-feira (12) após erosão e desbarrancamento na margem do Rio Juruá. O bloqueio foi adotado de forma preventiva por órgãos do Estado por risco à circulação de veículos, motos e pedestres na área de embarque e desembarque.

Com a passagem fechada, o deslocamento entre os dois municípios tem sido feito pela rodovia AC-407, que amplia o percurso para cerca de 47 quilômetros. Equipes do Departamento de Estradas de Rodagem, Infraestrutura Hidroviária e Aeroportuária (Deracre) trabalham na abertura de um novo acesso provisório ao porto em Rodrigues Alves. A previsão inicial é de até quatro dias para concluir o serviço e permitir a retomada da travessia em segurança.

No mesmo dia, a travessia ficou mais cara para quem utiliza o transporte fluvial. A nova tabela fixou em R$ 10 o valor para motocicletas e em R$ 20 para carros. Os catraieiros afirmam que o reajuste ocorreu porque a distância até o porto aumentou, elevando o consumo de gasolina e os custos das viagens.

Com informações de Juruá 24horas