Clodoaldo cobra ação nos ramais, diz que BR-364 depende de pressão em Brasília e reafirma apoio a Mailza

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Integração FM 99,9, em Cruzeiro do Sul, na manhã desta segunda-feira (18), o deputado estadual Clodoaldo Rodrigues colocou no centro do debate a situação dos ramais do Juruá, a falta de resposta para a BR-364 e a articulação do grupo governista para 2026. Aliado de Mailza Assis, ele disse que seguirá com a governadora, mas deixou claro que apoio político não elimina cobrança pública por obras, planejamento e presença mais efetiva do Estado no interior.

Clodoaldo abriu a conversa falando da própria pré-campanha e da rotina de viagens pelo Acre. Disse que montou gabinete em Cruzeiro do Sul, ampliou a atuação do mandato e hoje mantém base política nos 22 municípios. Ao resumir a correria da agenda, soltou uma frase que acabou definindo o tom da entrevista: “Eu prefiro não ter tempo, mas ter agenda”.

A parte mais incisiva da fala veio quando o assunto chegou aos produtores rurais. Clodoaldo disse que o problema dos ramais se arrasta há anos, voltou a relatar comunidades isoladas no inverno e afirmou que quem está no campo não pede favor, pede estrada para trabalhar e escoar a produção. “Tenho que cobrar. Sou deputado. Não é porque sou da base que não vou cobrar”, afirmou. Em seguida, apontou onde vê o principal erro: “O que está faltando é planejamento e priorização”.

Na avaliação do deputado, o debate sobre de quem é a obrigação de recuperar ramal já passou do limite. Ele disse que prefeitura, governo, bancada estadual e bancada federal precisam entrar no mesmo esforço e defendeu o uso de emendas parlamentares para garantir obras todos os anos na região. “Ramal é responsabilidade de todos nós”, afirmou, ao cobrar que a disputa política dê lugar a uma solução permanente para o Juruá.

Ao falar do governo Mailza Assis, Clodoaldo evitou romper o discurso de lealdade, mas reconheceu dificuldade na transição e ruído dentro do próprio grupo. Disse que assumir um governo em andamento impõe limites e tempo de adaptação, mas avisou que a governadora precisa estar cercada de gente disposta a mostrar problema e caminho. “A pior coisa para um político é ter do lado alguém que só diz que está tudo certo”, disse.

A entrevista também entrou nos bastidores da sucessão estadual. Clodoaldo afirmou que a tendência é de que a vaga de vice na chapa governista fique com o MDB, embora o nome ainda não esteja fechado. No mesmo bloco, tratou de esfriar a ideia de dependência eleitoral do Palácio Rio Branco e afirmou que a própria campanha será construída com base no mandato e na presença política que diz ter consolidado no interior.

No trecho sobre deslocamentos do governo, o deputado diferenciou o debate sobre o fretamento de aeronaves da polêmica envolvendo contrato de jatinho e disse que o Acre precisa discutir logística sem perder de vista o problema real da região. Foi quando puxou a conversa para a BR-364 e resumiu a situação da estrada com a frase mais forte da entrevista: “Nosso jatinho é essa BR cheia de buraco”.

Para ele, a recuperação da rodovia não será resolvida com discurso local nem com promessa repetida a cada inverno e verão. Clodoaldo disse que a pressão precisa sair do Acre e chegar ao governo federal. “Acho que o caminho é Brasília. Para resolver a BR, é lá em Brasília”, afirmou. Em outra passagem, reforçou o peso da estrada para a região ao dizer que “a BR é o Juruá”.

Na prestação de contas do mandato, o deputado citou ações voltadas para saúde, agricultura familiar e apoio social, falou em defesa de um hospital do câncer no Juruá e disse que pretende fazer a disputa de 2026 mostrando entregas, presença e resultado. Também comentou a relação com o prefeito Zequinha Lima, hoje sem proximidade política. “Cada um está cuidando da sua vida”, resumiu.

Já sobre 2028, Clodoaldo não fechou a porta para uma candidatura à Prefeitura de Cruzeiro do Sul, mas disse que esse debate ficará para depois da eleição estadual. Antes disso, quer consolidar a mudança para o PP, manter o alinhamento com Mailza Assis e tentar renovar o mandato com um discurso que mistura fidelidade ao governo e cobrança direta por obras que seguem pendentes no Juruá.

Zequinha Lima recebe apoio de prefeitos em reunião da Amac e reforça retomada da entidade

Em reunião da Associação dos Municípios do Acre, em Brasília, nesta segunda-feira, 18, o presidente da entidade e prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, afirmou que a presença maciça de gestores municipais devolve credibilidade e confiança à Amac. “Quando eu cheguei aqui e vi a Amac repleta de prefeitos, isso me alegrou”, disse, ao defender a preservação da história da associação e a retomada da confiança das prefeituras no trabalho técnico e político da instituição. O encontro ocorre um mês depois de Zequinha ser eleito para comandar a entidade até 31 de dezembro de 2026, após a saída de Tião Bocalom da presidência.

A fala de Zequinha se encaixa no discurso que ele vem adotando desde a eleição, centrado na reorganização da Amac e na reaproximação com os municípios. Ao assumir o comando, ele afirmou que a entidade precisava destravar uma fila de 107 projetos, reforçar o apoio às prefeituras e reconstruir a confiança dos prefeitos. A associação atua justamente no suporte técnico aos municípios, com elaboração de projetos, engenharia e apoio administrativo, área considerada estratégica sobretudo para as cidades do interior, mais dependentes de emendas e convênios.

O apoio dos prefeitos presentes deu o tom político da reunião. O prefeito de Brasiléia, Carlinhos do Pelado, afirmou que Zequinha “está aqui nos representando muito bem”. Já a prefeita de Senador Guiomard, Rosana Gomes, disse estar “muito feliz” com o novo comando da Amac por considerar que a atual presidência conhece de perto os problemas enfrentados pelos prefeitos do interior. A sinalização reforça o peso da eleição de Zequinha, apontado como o primeiro prefeito do interior escolhido por votação para presidir a associação.

A nova fase da Amac coincide com uma agenda decisiva para os municípios acreanos. Nos últimos dias, a entidade abriu o cadastramento das emendas especiais do Orçamento-Geral da União de 2026 e manteve a mobilização para a Marcha dos Prefeitos. Em outra frente de articulação, Zequinha já havia dito ao governo estadual que há cerca de R$ 300 milhões em projetos dentro da Amac à espera de suporte para andamento.

A reunião desta segunda amplia o gesto de apoio político ao presidente da entidade e recoloca a associação no centro da disputa por recursos, projetos e presença institucional dos municípios acreanos em Brasília, onde começou hoje a XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, marcada para 18 a 21 de maio.

Rio Branco fecha trecho da Boulevard Augusto Monteiro para retomada da Orla do 15

A Avenida Boulevard Augusto Monteiro, em Rio Branco, terá um trecho interditado a partir das 16h deste domingo, 17 de maio, com liberação prevista para as 9h de segunda-feira, 18. O bloqueio foi programado para a assinatura da ordem de serviço que marca a retomada das obras da Orla do 15, no bairro Quinze.

A interdição atinge o segmento entre as ruas Salim Fajat e Guilherme Bastos, nas proximidades da Escola Carlos Vasconcelos. O fechamento temporário ocorre em uma das áreas mais tradicionais do Segundo Distrito da capital, onde o governo do Acre concentra parte de um pacote de obras voltado à mobilidade urbana e à requalificação de espaços públicos.

A retomada da Orla do 15 integra um conjunto de intervenções em andamento durante o verão amazônico, período em que o governo estadual acelera frentes de infraestrutura em Rio Branco e em outras regiões do estado. Na capital, a obra foi planejada para conter o avanço da erosão nas margens do Rio Acre e preservar estruturas históricas como o Mercado do Quinze e a própria Boulevard Augusto Monteiro.

O projeto também prevê quiosques, praças, mirantes e áreas de convivência, com a proposta de ampliar o uso turístico e de lazer na região. Em agenda anterior sobre a intervenção, a governadora em exercício Mailza Assis afirmou que a obra era aguardada pelos moradores do bairro e disse que a entrega representa “segurança, emprego, valorização e beleza para o bairro”.

Gladson Cameli vira réu no Caso Colorado e amplia cerco judicial após condenação no STJ

O governador do Acre, Gladson Cameli, virou réu no Superior Tribunal de Justiça no Inquérito 1.674, conhecido como Caso Colorado, em decisão da Corte Especial tomada em 6 de maio de 2026. A nova ação penal apura fraude à licitação e peculato-desvio no Contrato 067/2021, firmado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Acre com o consórcio liderado pela Construtora Colorado para a duplicação da rodovia AC-405, em obra avaliada em mais de R$ 36 milhões. O avanço do processo abriu uma nova frente criminal contra o chefe do Executivo acreano no mesmo dia em que ele recebeu uma condenação de 25 anos e 9 meses de prisão em outro caso de corrupção.

No voto que embasou o recebimento da denúncia, a ministra Nancy Andrighi descreveu uma estrutura marcada pelo controle familiar e pela simulação de concorrência nas licitações. A investigação sustenta que a Construtora Colorado tinha como “proprietário de fato” Eládio Cameli, pai do governador, enquanto Linker Cameli, primo de Gladson, aparecia apenas como sócio formal. Para a relatora, o material reunido no inquérito aponta interferência direta no resultado do certame. “Há fundados indícios de que Gladson e Eládio direcionaram a concorrência para a vitória da Colorado, frustrando o caráter competitivo”, registrou.

A apuração também reuniu mensagens extraídas de celulares apreendidos na operação. Em um dos diálogos considerados centrais, Gladson cobra o primo sobre o aproveitamento das oportunidades abertas pelo governo e afirma: “Todo mês [eu] tô soltando pacotes de obras, depois não pode é vir dizer que eu não tô avisando”. Os investigadores tratam o conteúdo como peça importante para sustentar a suspeita de proximidade entre o núcleo político e a empresa beneficiada pelos contratos.

Embora o mérito da ação penal tramite no STJ, o Supremo Tribunal Federal já analisou desdobramentos do caso em diferentes momentos. Em 3 de outubro de 2024, o ministro Edson Fachin negou o habeas corpus 228.193, apresentado pela defesa para derrubar as medidas cautelares impostas ao governador. Na decisão, Fachin manteve as restrições ao apontar “fortes indícios de autoria” e afirmar que as provas indicavam a “posição de liderança da organização criminosa” por parte de Gladson Cameli. Em 14 de novembro de 2024, o ministro voltou a rejeitar outro pedido da defesa no HC 248.709/DF, também voltado às cautelares. Já em 14 de abril de 2026, o ministro André Mendonça analisou a Reclamação 93.197/DF e determinou o desentranhamento de alguns Relatórios de Inteligência Financeira, sem suspender o andamento do julgamento.

O novo revés judicial ocorreu no mesmo 6 de maio de 2026 em que Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do STJ, na Ação Penal 1.076, a 25 anos e 9 meses de prisão em regime inicial fechado. Sob relatoria de Nancy Andrighi, o processo tratou do Caso Murano e resultou em condenação por dispensa indevida de licitação, peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa.

Nesse processo, a engrenagem descrita pela acusação girava em torno da contratação da Murano Construções por adesão a uma ata de registro de preços da Secretaria de Infraestrutura. Sem estrutura para atuar no Acre, a empresa teria funcionado como fachada para repassar obras e pagamentos à Construtora Rio Negro, ligada a Gledson Cameli, irmão do governador. O dinheiro desviado, segundo a condenação, percorreu empresas interpostas, entre elas a Seven, até ser usado na compra de uma Toyota Hilux e no pagamento de um apartamento de luxo no condomínio Alameda Jardins, em São Paulo.

Com a abertura de uma nova ação penal no Caso Colorado e a condenação já imposta no Caso Murano, Gladson Cameli passa a enfrentar um dos momentos mais graves de sua trajetória política e jurídica. A condenação colegiada no STJ também produz efeito eleitoral e torna o governador inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.

Fotos: Secom/AC

Dia de campo em Acrelândia reforça avanço do café e aposta de Bocalom no agro

A cafeicultura voltou ao centro do debate sobre desenvolvimento rural no Acre neste sábado, 16 de maio, durante um dia de campo realizado na propriedade do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, em Acrelândia. O encontro reuniu produtores, técnicos, pesquisadores e autoridades para discutir produtividade, mercado e expansão do café robusta amazônico, hoje tratado por lideranças do setor como uma das principais alternativas de renda no estado.

A programação contou com a presença do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, do prefeito de Acrelândia, além de produtores do município e representantes de outras atividades do agronegócio. Ao longo do evento, a defesa do café apareceu associada à geração de emprego no campo, ao fortalecimento da agricultura familiar e à ampliação da economia local em municípios do Baixo e do Alto Acre.

Com área cultivada de pouco mais de 20 hectares, a lavoura de Bocalom foi apresentada aos participantes como exemplo de desempenho produtivo. Durante o encontro, ele afirmou que o robusta amazônico tem capacidade de elevar a renda do produtor e ampliar a presença do Acre no mercado regional. “O café robusta amazônico é altamente produtivo e oferece uma rentabilidade muito interessante para o produtor. É uma cultura que pode transformar a realidade econômica de muitas famílias”, disse. Mais adiante, reforçou: “O café é uma grande oportunidade para o Acre. O pequeno produtor consegue ter renda, melhorar sua qualidade de vida e ainda contribuir para o crescimento da economia local”.

Bocalom também resgatou o período em que administrou Acrelândia e associou a expansão da cafeicultura no município às políticas de incentivo implantadas naquela fase. Hoje, a cidade é tratada como principal polo produtor do grão no estado. “Quando fui prefeito, investimos fortemente no incentivo ao café. Hoje, Acrelândia é referência no Acre, mostrando que, com apoio e planejamento, é possível desenvolver uma cadeia produtiva forte e sustentável”, afirmou.

Entre os participantes estavam nomes ligados à produção cafeeira local, como Celso Timpurim, Wanderley Lara, Wagner Álvares e outros produtores de Acrelândia. O encontro também atraiu representantes de outras cadeias produtivas. O pecuarista Jorge Moura, que atua ainda com soja, classificou o agronegócio como uma saída econômica para o estado. Já o produtor Mário Maffi, com atuação no cultivo de milho e soja no Alto Acre, avaliou que o café já entrou em fase de consolidação no campo e amplia seu peso na economia rural acreana.

A programação técnica abriu com a palestra de Ronaldo Marciano, representante da UPL, que apresentou um panorama do mercado global do café, a alta dos preços, os custos de produção e a necessidade de gestão eficiente da propriedade. Em seguida, Hadamés Wilson expôs dados da produção no Acre, com foco nas regiões do Baixo e do Alto Acre, e tratou de estratégias de plantio entre abril e maio para reduzir perdas na colheita. Também foram citados resultados de produtividade em municípios como Capixaba, Rio Branco, Porto Acre e Acrelândia.

No encerramento, o professor Leonardo Tavela, da Universidade Federal do Acre, apresentou um panorama da cafeicultura no Vale do Juruá, com os entraves para ampliar a atividade e os avanços obtidos a partir do laboratório de qualidade do café da universidade. A exposição incluiu dados de produtividade e perspectivas de fortalecimento da cadeia no estado.

Após as palestras, produtores e convidados seguiram para visitas de campo. A projeção apresentada durante a atividade aponta safra acima de 880 sacas na área observada. Outra demonstração mostrou o desempenho de um plantio com um ano e três meses conduzido com cobertura vegetal para conter o mato ao redor da planta. O evento também recebeu representantes do governo da Bolívia e da área de agricultura de Boca do Acre, no Amazonas, num movimento que amplia o interesse regional pelo avanço da cafeicultura acreana.

Serviço Geológico faz mapeamento de áreas de risco em Brasileia após enchentes e enxurradas

O Serviço Geológico do Brasil concluiu nesta semana uma etapa de mapeamento de áreas de risco em Brasileia, no interior do Acre, após a sequência de enchentes e enxurradas que atingiu o município nos últimos meses. As visitas técnicas começaram na segunda-feira, 12, e seguiram até quinta-feira, 15, com acompanhamento da Defesa Civil Municipal e da Secretaria de Planejamento.

As equipes percorreram pontos da zona urbana e rural considerados mais vulneráveis, com levantamentos sobre tipos de solo, processos erosivos, deslizamentos de terra e riscos nas margens do Rio Acre. Entre os locais vistoriados está uma propriedade no km 59, onde foram encontradas rachaduras no solo. Áreas urbanas com histórico de enxurradas e erosões também entraram no trabalho de campo.

Na quinta-feira, 15, os pesquisadores se reuniram com o prefeito Carlinhos do Pelado para apresentar um balanço preliminar das vistorias. “Esse mapeamento é fundamental para que possamos identificar as áreas mais vulneráveis e agir de forma preventiva, garantindo mais segurança para nossa população. Brasileia tem enfrentado eventos climáticos extremos e precisamos estar preparados para minimizar os impactos”, disse o prefeito.

A prefeitura trabalha com a expectativa de usar o levantamento no planejamento de medidas preventivas e na definição de prioridades para reduzir danos em períodos de chuva intensa. O coordenador da Defesa Civil Municipal, Sargento Lima, afirmou que o estudo deve reforçar as ações de prevenção, monitoramento e resposta em situações de emergência.

Brasileia enfrenta uma sucessão de eventos extremos nos últimos anos. Em abril deste ano, uma enxurrada atingiu o município após 242 milímetros de chuva em cinco horas. Em janeiro, outro temporal deixou mais de 500 famílias isoladas na zona rural, comprometeu cerca de 40 pontes e destruiu aproximadamente 20 linhas de bueiros.

O histórico recente também inclui a enchente de março de 2024, quando cerca de 80% da área urbana ficou submersa. Diante desse cenário, o município aparece entre os prioritários no país para ações de gestão de risco e resposta a desastres naturais, por causa da exposição a deslizamentos, enxurradas e inundações.

O mapeamento feito pelo Serviço Geológico do Brasil deve servir de base para novas medidas de prevenção e proteção da população, em uma cidade que passou a conviver com maior frequência com episódios de chuva extrema e avanço das águas.


Foto: Jayne Castro/Secom

Intercâmbio nos EUA leva alunos de Rio Branco da sala de aula à experiência internacional

A volta de seis estudantes da rede municipal de Rio Branco após um intercâmbio nos Estados Unidos reposiciona uma aposta da prefeitura na educação como porta de entrada para experiências fora do país. Depois de uma semana em Orlando, com visitas à NASA e a atrações da Disney, o grupo retornou à capital acreana com relatos que misturam aprendizado, contato com tecnologia e episódios de forte emoção.

A viagem reuniu Yasmin Silva Matos, Carlos Davi da Silva de Mendonça, José Pedro Rebouças Felix, Ana Luisa da Silva Montalvão, Kauã Victor Soliza da Silva e Miguel Lima da Costa, todos selecionados a partir do desempenho escolar. O embarque ocorreu no dia 8, e o retorno a Rio Branco foi marcado pelo encontro com familiares e pela repercussão de uma experiência rara para alunos da rede pública municipal.

Ao longo da programação, os estudantes circularam por espaços voltados à ciência, inovação e entretenimento, em uma agenda montada para combinar formação e vivência cultural. O guia turístico Josué Pacheco afirmou que a passagem pela NASA e pelos parques ampliou o repertório dos alunos em áreas que vão além do conteúdo tradicional da sala de aula. “Na NASA eles puderam aprender sobre o primeiro homem que foi à Lua, conheceram o Saturno V, o maior foguete construído pela NASA. Nos parques também aprenderam sobre tecnologia, velocidade, física e produção cinematográfica”, disse.

O encerramento da viagem concentrou uma das cenas mais lembradas pelo grupo. Durante a queima de fogos, os alunos fizeram uma transmissão ao vivo para as mães. “Todo mundo se emocionou na queima de fogos. Fizemos uma transmissão ao vivo para as mães e foi muito especial. É uma oportunidade que todos podem alcançar”, afirmou Pacheco.

Na avaliação da Secretaria Municipal de Educação, o intercâmbio foi tratado como uma ação de impacto pedagógico e de estímulo dentro da própria rede. O gerente do Departamento de Ensino Fundamental, Hélio Sebastião, afirmou que a experiência cria referências concretas para os estudantes e reforça o papel da escola na transformação de trajetórias. “Não se trata somente de uma viagem. Essas crianças trazem na bagagem conhecimento, experiências e contato com tecnologias que antes elas viam apenas pela televisão. Isso contribui diretamente para a formação delas e motiva outros alunos a acreditarem que a educação pode transformar vidas”, disse.

Entre os relatos do grupo, um dos episódios mais celebrados foi vivido por Carlos Davi da Silva de Mendonça, que completou aniversário durante a viagem e foi surpreendido com uma comemoração ao lado de personagens da Disney. “Foi incrível. A gente se abraçou, tirou muitas fotos. Foi uma experiência muito especial”, afirmou.

O retorno dos estudantes amplia o alcance político e simbólico do projeto. Para a prefeitura, a viagem funciona como vitrine de um modelo que associa mérito escolar, acesso a novas experiências e valorização da rede municipal. Para os alunos, a semana nos Estados Unidos deixa um efeito mais direto: a ideia de que o esforço na escola pode levar a destinos antes vistos como distantes.

UFAC convoca aprovados na 3ª chamada do Sisu 2026 para matrícula no Acre

A Universidade Federal do Acre divulgou a 3ª chamada do Sisu 2026 e convocou candidatos aprovados para a matrícula institucional em cursos de graduação nos campi de Rio Branco e Cruzeiro do Sul. O procedimento será feito de forma virtual entre 18 e 19 de maio e é obrigatório para garantir a vaga na universidade.

Os convocados devem acessar o sistema da UFAC, preencher as informações exigidas e enviar a documentação dentro do prazo estabelecido no edital. Além dos documentos pessoais e acadêmicos, a universidade também exige o preenchimento do formulário socioeconômico. Nos casos de vagas reservadas, os candidatos terão de apresentar documentação complementar de acordo com a modalidade escolhida no processo seletivo.

A etapa também prevê procedimentos específicos para parte dos candidatos. Os aprovados nas vagas destinadas a pessoas com deficiência passarão por validação com apresentação de laudos e documentos médicos. Já os estudantes convocados nas modalidades voltadas a pretos, pardos e indígenas terão de participar da banca de heteroidentificação nos dias 20 e 21 de maio.

A universidade informou que o candidato que não concluir a matrícula institucional, deixar de enviar os documentos exigidos ou não comparecer às etapas complementares perderá o direito à vaga. O resultado preliminar dessa fase está previsto para 25 de maio, enquanto o resultado final deve ser publicado em 28 de maio, após o período de recursos.

Depois da matrícula institucional, os aprovados ainda terão de fazer a matrícula curricular, etapa também obrigatória para o ingresso nos cursos de graduação da UFAC. O procedimento será realizado pelo Portal do Aluno ou conforme orientação repassada pela coordenação de cada curso.

Caminhão atola em acesso à balsa no Rio Juruá entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves

Um caminhão ficou preso na lama na área de acesso à balsa que faz a travessia entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves, no Vale do Juruá, na tarde deste sábado (16). O veículo, carregado com sacos, perdeu tração ao deixar a embarcação, inclinou na pista improvisada e interrompeu a passagem por alguns minutos no local.

O incidente ocorreu no trecho usado para embarque e desembarque de veículos na travessia gratuita entre os dois municípios. A área passou a operar novamente nesta semana, depois da construção de um novo acesso provisório, aberto após o desbarrancamento que comprometeu a estrutura anterior na margem do Rio Juruá.

A travessia havia sido suspensa no último dia 11 por causa da erosão provocada pela vazante do rio. Com a interrupção, motoristas passaram a usar a AC-407 para o deslocamento entre Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves, num percurso mais longo do que o trajeto feito pela balsa.

O acesso segue sob manutenção constante por causa das mudanças no nível do rio e da instabilidade do terreno. “Quando a água sobe ou baixa rapidamente, a rampa precisa ser refeita para manter a operação da balsa”, afirmou o presidente do Deracre, Roberto Assaf. A travessia é uma das principais ligações da região e atende moradores, produtores rurais e veículos de carga que circulam entre os dois municípios.

Acre embarca primeira carga de carne bovina para Singapura e amplia presença no mercado externo

O Acre deu neste sábado mais um passo na expansão das exportações de carne bovina ao embarcar a primeira carga com destino a Singapura, mercado considerado um dos mais rigorosos do Sudeste Asiático. A remessa saiu da unidade do Nosso Frigorífico e reforça o avanço da indústria local, que ampliou investimentos, elevou a produção e abriu espaço em novos destinos internacionais.

A operação ocorre em meio à mudança de escala vivida pelo setor no estado. Em cinco anos, o número de países compradores da carne acreana passou de cinco para 17. A expectativa das empresas é fechar o ano com embarques para 25 mercados. A carga enviada a Singapura deixou a planta industrial em um rodotrem com cerca de 27 toneladas e seguirá até o Porto de Itajaí, em Santa Catarina, antes do transporte para a Ásia.

O movimento acompanha a ampliação da estrutura frigorífica no Acre. O Nosso Frigorífico emprega cerca de 450 trabalhadores e concentra quase metade dos investimentos anunciados pelo setor nos últimos anos. Diretor da empresa, Murilo Leite afirmou que a abertura de novos mercados encerra uma longa espera da cadeia produtiva local. “O nosso frigorífico concentra praticamente metade dos investimentos realizados no setor nos últimos anos. Isso representa geração de emprego, renda e desenvolvimento econômico para o Acre. Nós tentávamos há muitos anos avançar nesses mercados e hoje estamos vivendo um momento histórico”, disse.

Nos últimos três anos, os frigoríficos instalaram ou anunciaram cerca de R$ 120 milhões em investimentos no estado. Na unidade responsável pelo embarque deste sábado, a capacidade de abate subiu de 400 para 800 animais por dia, enquanto o processamento industrial passou de 100 para 500 animais diariamente. A expansão elevou o volume de produção e fortaleceu a cadeia da pecuária acreana.

Além de Singapura, a carne produzida no Acre já segue para compradores na América do Sul, na Ásia e no Oriente Médio. Para atender parte dessa demanda, as empresas adaptaram protocolos industriais e passaram a operar também com exigências específicas de mercados externos, como o abate halal, adotado para países muçulmanos, entre eles a Arábia Saudita.

Murilo Leite atribuiu a abertura comercial ao trabalho de articulação feito nos últimos anos entre empresários e representantes do governo brasileiro. “O Jorge enxergou o potencial que o Acre tinha, especialmente no setor de proteína. Ele fez um chamamento para que os empresários acreditassem. Levou os empresários do Acre para o mundo e colocou o estado na rota das exportações. Sem esse apoio, sem a diplomacia restabelecida e sem o trabalho do ministro Carlos Fávaro no Ministério da Agricultura, nós não estaríamos vivendo esse momento”, afirmou.

Ex-presidente da ApexBrasil, Jorge Viana afirmou que o avanço do setor revela uma nova fase da economia acreana. “Isso não acontecia no Acre e está acontecendo agora. E é só o começo. É emocionante ver jovens formados na Universidade Federal do Acre trabalhando aqui, mulheres liderando equipes, pequenos produtores participando desse crescimento e a carne acreana chegando ao mundo inteiro”, disse.

Ele também relacionou o crescimento das exportações à agenda de promoção comercial construída nos últimos anos. “Foram dezenas de encontros empresariais organizados para abrir mercados para o Brasil. E hoje vemos aqui o resultado: geração de empregos, crescimento econômico e o Acre entre os estados que mais ampliaram as exportações nos últimos anos. Onde eu vou, eu levo o Acre junto, porque minha vida é aqui”, afirmou.

A ampliação das vendas externas não ficou restrita a uma única empresa. Outras indústrias do segmento também reforçaram operações no estado, em um cenário de expansão da atividade pecuária e de diversificação dos mercados compradores. Para o setor, o embarque deste sábado inaugura uma nova etapa para a proteína animal produzida no Acre. “O empresariado acreditou, investiu e fez acontecer. Hoje é um momento de celebração para todo o setor frigorífico acreano”, declarou Murilo Leite.