Acre chega a 2026 entre serviços em crise, dependência do FPE e silêncio político, diz Leonildo Rosas

A disputa eleitoral de 2026 começou no Acre, mas, para o jornalista Leonildo Rosas, o principal debate ainda não entrou na campanha. Durante participação no programa Central de Política, da TV Gazeta, ele descreveu um estado que, na sua avaliação, perdeu a capacidade de reagir diante do avanço dos problemas estruturais. Em vez de discutir projetos para saúde, educação, economia e desenvolvimento, o Acre estaria mergulhado em um ambiente de acomodação política e social. “A sociedade acreana, a que a gente vive, a que a gente está presente, ela está caminhando de uma forma sonâmbula rumo ao abismo. Não há qualquer manifestação, qualquer reivindicação, qualquer protesto quanto aos desmandos que a gente vê ao longo dos últimos anos no nosso estado”, afirmou. Em seguida, elevou o tom do diagnóstico: “O pior dessa rumo ao abismo é que pode também ir para o fundo do poço, o subsolo do fundo do poço que a gente caminha.”

A imagem do “Acre sonâmbulo” tornou-se o eixo da análise apresentada por Rosas. Para ele, o silêncio da sociedade não decorre apenas do desgaste natural da política, mas da ausência de enfrentamento público diante de uma sucessão de problemas administrativos que, segundo sua leitura, deixaram de provocar indignação coletiva.

Na avaliação do jornalista, esse cenário começou a ser construído após a eleição de 2018. Ele atribui parte da responsabilidade às forças políticas derrotadas naquele pleito, que, segundo disse, abandonaram o espaço do debate público e permitiram a consolidação de um ambiente sem contraponto. “O que está acontecendo é o reflexo da covardia das forças de esquerda ao longo dos últimos oito anos. É um pessoal que perdeu a eleição em 2018, a maioria vazou do estado do Acre, fugiu, não fez o enfrentamento, não fez o combate político. E dentro da política não tem espaço vazio. Deixou-se criar um discurso único: rejeição a um grupo político que fez muito pelo Acre.”

Para Rosas, a consequência dessa ausência foi uma campanha cada vez mais superficial, incapaz de discutir um projeto de Estado. Na visão dele, muitos candidatos sequer demonstram disposição para construir uma candidatura competitiva. “O candidato precisa primeiro levar essa candidatura a sério. Então, se ele não leva, como é que as pessoas vão acreditar?”

As críticas avançaram para a relação entre governo e imprensa. Ex-secretário estadual de Comunicação, Rosas afirmou que nunca houve um investimento tão elevado em publicidade institucional. Na interpretação dele, esse volume de recursos reduziu o espaço para o escrutínio público sobre a administração estadual. “Primeiro, nunca se gastou tanto para calar a imprensa no Acre como o governo de Gladson Cameli. Eu fui secretário de Comunicação, eu sei o tanto que era o orçamento da Secretaria de Comunicação para mídia. Dobrou oficialmente. A população, obviamente, ela não ficou sabendo dos desmandos que foram cometidos desde o primeiro dia do Gladson Cameli.”

Ao relacionar comunicação institucional e cobertura jornalística, Rosas sustentou que episódios de grande repercussão acabaram perdendo espaço no debate público. “Nós temos um governador ou um ex-governador que, de forma inédita, levou a Polícia Federal para dentro do palácio, para dentro da sua casa, para a casa dos pais dele, e ele é condenado a 25 anos e 9 meses de cadeia. Tem pessoas que não sabem que ele foi condenado porque a imprensa não cumpriu o papel dela. A oposição não cumpriu o papel dela. Ela não fez o combate, se acovardou. Aqueles que não se acovardaram, foram embora.”

Ao comentar a atual governadora Mailza Assis, Rosas fez uma distinção entre responsabilidades administrativas e responsabilidades políticas. Segundo ele, ela não ocupava a posição de ordenadora de despesas durante os fatos que citou, mas assumiu um governo identificado com a continuidade do grupo político. “A partir de agora, se houver desmando dentro do governo dele — porque já há indícios e muitas denúncias de continuidade de casos de corrupção —, se ela souber que está acontecendo e mantiver essas pessoas, aí sim passará a ter culpa. Mas ela assumiu um governo com o discurso da continuidade. Será que nós queremos para o Acre a continuidade da corrupção?”

Depois das críticas políticas, Rosas concentrou a análise nos serviços públicos. Para ele, o debate eleitoral ignora justamente as áreas que mais afetam a rotina da população. “A discussão é rasa da nossa política. Ninguém discute mais um projeto de Estado. Ninguém discute os rumos da nossa saúde, que todo dia a gente vê coisas absurdas. Ninguém debate a nossa educação, que voltou a ser a pior do país em apenas oito anos. Foram anos construindo um processo para a educação melhorar. Nós temos uma assistência social que é um desastre.”

Na economia, o jornalista descreveu um estado paralisado, sem novos investimentos capazes de alterar a estrutura produtiva. “A nossa produção não produz nada. A construção civil não constrói nada. Passaram-se sete anos sem construir uma casa sequer.” Para ele, o Acre abandonou políticas voltadas à diversificação econômica e voltou a depender quase exclusivamente da circulação de recursos públicos.

Foi nesse contexto que Rosas apresentou um dos dados que considera mais preocupantes para o futuro das contas estaduais. Segundo ele, o Acre voltou a depender majoritariamente do Fundo de Participação dos Estados (FPE), revertendo um processo que buscava ampliar a arrecadação própria. “A economia do contracheque voltou agora. Quando o Tião Viana deixou o governo, nós estávamos quase que FPE e receita própria equivalente: 53% a 47%. Voltamos a depender quase 80% do FPE.”

Ao defender políticas de incentivo adotadas em governos anteriores, Rosas citou cadeias produtivas que continuam movimentando parte da economia acreana. “Se critica por ter iniciativa de fazer? Eu nunca vi isso. Se critica por não fazer. Nós estamos há oito anos no marasmo, na paralisação. A única coisa que cresceu no Acre foi a corrupção, que voltou para dentro do governo.”

Mais do que uma crítica à gestão estadual, a entrevista foi construída como um alerta sobre o rumo do Estado. Na avaliação do jornalista, o Acre corre o risco de chegar às urnas discutindo nomes e alianças enquanto deixa em segundo plano a deterioração dos serviços públicos, a dependência crescente de transferências federais e a ausência de uma estratégia de desenvolvimento capaz de reduzir a vulnerabilidade econômica. O “estado sonâmbulo” descrito por Leonildo Rosas resume, para ele, uma sociedade que deixou de reagir justamente quando os problemas passaram a exigir maior mobilização.

Zequinha Lima rebate Vagner Sales após acusação de traição política

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, rebateu neste sábado, 11, as críticas do presidente estadual do MDB, Vagner Sales, e afirmou que não entrará em disputas pessoais. A reação ocorreu após o dirigente emedebista acusá-lo de traição política durante um encontro realizado em Rio Branco para confirmar o apoio do partido à pré-candidatura da governadora Mailza Assis.

No evento, Vagner cobrou uma posição mais dura do Progressistas contra Zequinha, que decidiu apoiar o senador Alan Rick na disputa pelo Governo do Acre. O presidente do MDB também voltou a questionar o resultado da eleição municipal de 2024, quando o prefeito derrotou Jéssica Sales, filha do dirigente, por 197 votos.

Zequinha afirmou que aceita críticas relacionadas à atuação política, mas classificou as declarações como ataques pessoais.

“Críticas fazem parte, já ataques pessoais dizem mais sobre quem faz do que sobre quem recebe. Enquanto alguns gastam tempo me atacando, eu sigo trabalhando e entregando resultados”, declarou.

O prefeito disse que pretende concentrar sua atuação na administração de Cruzeiro do Sul e na apresentação de propostas, sem responder a novos confrontos pessoais.

“Prefiro investir minha energia no que realmente faz diferença, não em discussões. Vai brigar sozinho, eu faço política com propostas e não com ataque e baixaria”, completou.

A troca de declarações ocorre durante a reorganização das alianças para a eleição estadual de 2026. O MDB confirmou apoio à pré-candidatura de Mailza e apresentou a ex-deputada federal Jéssica Sales como nome do partido para a vaga de vice-governadora.

A aproximação entre Alan Rick e Zequinha aumentou a distância entre o senador e o grupo político da família Sales. O prefeito de Cruzeiro do Sul anunciou apoio ao pré-candidato do Republicanos no fim de junho e, dias depois, pediu afastamento temporário das funções que ocupava no Progressistas.

Apesar da decisão, Zequinha permanece filiado ao partido de Mailza. O pedido encaminhado à direção estadual suspende suas atividades partidárias até o fim de 2026.

A nova composição também leva para a disputa estadual a rivalidade da eleição municipal de Cruzeiro do Sul. Em 2024, Zequinha foi reeleito com 24.478 votos, contra 24.281 recebidos por Jéssica Sales.

Com as alianças anunciadas, Mailza terá no Juruá o apoio da família Sales, enquanto Alan Rick contará com a estrutura política do prefeito de Cruzeiro do Sul. A divisão coloca a região entre os principais centros da disputa pelo Governo do Acre em 2026.ões.

Federação aciona Alan Rick após prefeito do PP declarar apoio à pré-candidatura

A Federação União Progressista entrou com uma nova ação contra o senador Alan Rick, pré-candidato ao governo do Acre pelo Republicanos, depois de agendas políticas no Juruá que terminaram com a adesão do prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, ao grupo do parlamentar. A representação aponta possível propaganda eleitoral antecipada e reforça a disputa jurídica que passou a acompanhar a movimentação dos pré-candidatos ao Palácio Rio Branco.

O caso ganhou força após Zequinha, filiado ao Progressistas, partido que integra a federação ao lado do União Brasil, anunciar apoio a Alan Rick. A decisão teve impacto direto no campo governista, já que o prefeito administra a principal cidade do Vale do Juruá e era tratado como peça importante na articulação política da base ligada à governadora Mailza Assis.

A nova ação ocorre em meio a um ambiente de pré-campanha cada vez mais tensionado. Alan Rick já havia sido alvo de questionamentos eleitorais envolvendo peças de divulgação espalhadas pelo estado. A defesa política do senador tem sustentado que as ações fazem parte da prestação de contas do mandato e da divulgação de atividades parlamentares, sem pedido explícito de voto.

A legislação eleitoral permite a propaganda somente a partir de 16 de agosto. Antes desse prazo, atos de pré-campanha podem ocorrer desde que não haja pedido direto de voto nem uso de meios vedados pela lei. A discussão, agora, deve se concentrar no alcance das agendas realizadas por Alan Rick e na forma como a adesão de lideranças políticas foi divulgada.

O movimento de Zequinha também abriu uma crise interna no Progressistas. Após declarar apoio ao senador, o prefeito pediu afastamento temporário das atividades partidárias, mas permaneceu filiado à legenda. A decisão buscou reduzir o desgaste dentro do partido, sem romper formalmente com a sigla.

Nos bastidores, a disputa reflete a reorganização das forças políticas para 2026. Alan Rick tenta consolidar apoios fora do campo tradicional de aliados, enquanto a União Progressista busca conter perdas dentro da própria base. A adesão de Zequinha ampliou o peso da pré-candidatura do Republicanos no Juruá e acirrou a reação dos adversários.

Foto: Sérgio Vale/AC24h

MDB de Tarauacá declara apoio a Tião Bocalom em articulação para 2026

O pré-candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom, abriu a agenda desta segunda-feira (6) em Tarauacá com uma reunião voltada à formação de alianças para as eleições de 2026. O encontro reuniu lideranças de diferentes partidos, entre elas o presidente da executiva municipal do MDB, o empresário e pecuarista Mirabô, além de integrantes da direção local da sigla. Ao fim da agenda, o MDB de Tarauacá declarou apoio à pré-candidatura de Bocalom ao Palácio Rio Branco.

Durante a reunião, Bocalom apresentou ações e resultados de sua gestão à frente da Prefeitura de Rio Branco e afirmou que a experiência administrativa pode servir de base para ampliar políticas públicas em todo o estado. “Mostramos aquilo que conseguimos realizar em Rio Branco e reafirmamos que é possível fazer muito mais pelo Acre, com planejamento, responsabilidade e incentivo à produção. Nosso objetivo é construir um projeto que una pessoas comprometidas com o desenvolvimento do estado”, disse.

A declaração de apoio foi anunciada após a reunião com a executiva municipal do MDB. Segundo Mirabô, a decisão levou em conta a trajetória administrativa do pré-candidato e a avaliação da direção local do partido sobre o cenário eleitoral. “Entendemos que o Bocalom é o nome mais preparado para governar o Acre. Por isso, o MDB de Tarauacá estará ao lado dele nessa caminhada rumo ao Palácio Rio Branco”, afirmou o dirigente.

A agenda em Tarauacá faz parte da articulação política de Bocalom no interior do estado, em busca de ampliar a base de apoio para a disputa de 2026.

Carta de Flávio Bolsonaro aos EUA expõe cálculo eleitoral em meio a ameaça de tarifaço

A carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos sobre a ameaça de novas tarifas contra produtos brasileiros abriu uma crise política para a oposição ao colocar o interesse eleitoral no centro da negociação. Em vez de contestar de forma frontal a pressão americana sobre o Brasil, o parlamentar pediu que a decisão fosse adiada para depois das eleições de 2026, argumento que transformou a própria carta em munição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ponto mais sensível do texto é a admissão de que a sobretaxa poderia favorecer Lula politicamente. Ao levar esse argumento a autoridades americanas, Flávio deslocou o debate do impacto econômico sobre empresas, trabalhadores e exportadores para o efeito da medida sobre sua campanha presidencial. A iniciativa passou a ser lida no meio político como uma tentativa de calibrar o tempo da pressão externa para reduzir danos eleitorais à oposição.

A carta também enfraqueceu o discurso bolsonarista de defesa do Brasil. O pedido não se concentra em barrar definitivamente a tarifa, mas em suspender sua aplicação até depois da eleição. Na prática, a mensagem enviada a Washington sugere que o problema principal não seria a agressão comercial em si, mas o momento em que ela poderia ocorrer. Essa diferença deu ao Planalto espaço para enquadrar a oposição como dependente de uma decisão estrangeira em plena disputa nacional.

O erro político foi agravado pela exposição da estratégia. Ao avisar que o tarifaço ajudaria Lula, Flávio entregou ao adversário a narrativa de que a crise fortalece o discurso de soberania do governo. A carta, que buscava reduzir o custo da medida para a campanha bolsonarista, acabou produzindo o efeito contrário: associou a oposição a uma articulação externa e permitiu ao PT apresentar o episódio como prova de interferência sobre o processo eleitoral brasileiro.

O caso também reacende o histórico de pressão internacional envolvendo integrantes da família Bolsonaro. A atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, em defesa de sanções contra autoridades brasileiras e medidas de pressão relacionadas ao processo judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, dificulta a tentativa de separar a discussão comercial da agenda política do bolsonarismo. A nova carta recoloca esse vínculo no centro do debate.

Para Lula, o episódio funciona como ativo de campanha. O presidente passou a tratar o tarifaço como ataque à economia nacional e à soberania do país, enquanto tenta colar em Flávio a imagem de candidato disposto a negociar com uma potência estrangeira a partir de conveniências eleitorais. Para Flávio, o desafio agora é explicar por que um presidenciável recorreu ao governo americano para pedir não a rejeição plena da tarifa, mas o adiamento de uma decisão que poderia prejudicá-lo nas urnas.

A disputa deixou de ser apenas comercial. A carta transformou a ameaça de tarifa em tema central da eleição e deu ao governo uma linha de ataque direta contra o bolsonarismo. O cálculo de Flávio era evitar que a pressão dos Estados Unidos fortalecesse Lula. O resultado imediato foi justamente ampliar esse risco.

Márcio Bittar diz que governo Mailza pode não querer o PL e coloca Bolsonaro como prioridade em 2026

O senador Márcio Bittar afirmou nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a eleição nacional será sua prioridade em 2026, defendeu o palanque bolsonarista no Acre, admitiu que uma articulação entre PL e Republicanos pode mexer no tabuleiro estadual e criticou a falta de diálogo do Palácio Rio Branco após a saída de Sula Ximenes do Deracre.

Bittar entrou no estúdio com a política acreana atravessada por três disputas ao mesmo tempo: a pré-campanha ao governo, a tentativa de reeleição ao Senado e a montagem do palanque presidencial ligado a Jair Bolsonaro. Logo no início da entrevista, ele defendeu que a vida pessoal de quem disputa cargo público também precisa entrar no debate. “O político, quando entra numa campanha dizendo que a vida pessoal não importa, está mentindo. A vida pessoal importa, sim”, disse o senador.

Para explicar a posição, Bittar citou a própria família. Falou da mãe, de 93 anos, com Alzheimer, e da irmã mais nova, que depende de cuidados desde o nascimento. “Se você descobre, por exemplo, que o Márcio Bittar não cuida da mãe dele, não cuida da irmã dele, você acha que ele vai cuidar bem do Estado?”, questionou. A frase abriu a linha central da entrevista: campanha, para ele, deve revelar trajetória, comportamento e lado político.

Na leitura de Bittar, o Acre vive uma eleição diferente porque a velha divisão entre PT e anti-PT perdeu força na disputa estadual. Ele lembrou que o grupo petista governou o Acre por 20 anos, tentou voltar em 2022 e também saiu derrotado nas eleições municipais de 2024. “Depois de tanto tempo, nós conseguimos vencer o PT e depois derrotamos a tentativa de voltar em 2022 e em 2024 também”, afirmou.

Com o PT fora do centro da disputa, Bittar disse ter relação política e pessoal com os três nomes que hoje aparecem no campo competitivo para o governo: Mailza Assis, Tião Bocalom e Alan Rick. “No meu caso, eu tenho amizade com os três, eu tenho história com os três. Cabe a mim cuidar da tentativa de me reeleger”, declarou. Segundo ele, a ausência da polarização estadual permite que sua energia se concentre mais na eleição nacional.

O senador foi direto ao tratar de Bolsonaro. “Como você disse, Chico, eu tenho lado. O meu lado é o lado do presidente Bolsonaro”, afirmou. Em outro momento, ao ser perguntado se cuidaria no Acre do palanque bolsonarista, reforçou que a pauta federal é o que mais pesa em sua atuação. “A eleição mais importante para mim, com todo respeito à Mailza, ao Bocalom e ao Alan, não é eleição local. Eles não vão resolver os problemas que eu trabalho e que eu estudo há 30 anos.”

Bittar citou Flávio Bolsonaro como nome do seu campo para a Presidência e disse que pretende trazê-lo ao Juruá. “O Flávio vai vir aqui. Ele vem no Juruá. Ele não vem nem parar em Rio Branco, é direto para cá”, afirmou. A declaração serviu de ponte para o tema que mais mexe no bastidor da direita acreana: uma possível aliança nacional entre PL e Republicanos, partido de Alan Rick.

O senador confirmou conversa com Rogério Marinho, secretário-geral do PL e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. “Ele confirmou isso. Não tem novidade nisso. O PL, que tem o nosso pré-candidato, quer o apoio, quer uma coligação com o Republicanos”, disse. Bittar tratou a negociação como movimento natural de política nacional. “No momento em que o PL busca o apoio do Republicanos na candidatura do Flávio, é natural que o Republicanos peça reciprocidade.”

Essa reciprocidade pode chegar ao Acre. Bittar afirmou que Rogério Marinho lhe disse que não haverá obrigação formal. “Ninguém vai te obrigar a nada, não há verticalização”, relatou. Ainda assim, reconheceu que uma pressão direta de Flávio Bolsonaro mudaria o peso da decisão. “Se ele vem e me pede: Márcio, nós estamos aqui numa articulação nacional, queremos trazer o Republicanos, ajuda a gente, eu vou ficar numa situação”, disse.

A relação com o governo Mailza Assis ganhou tensão quando o assunto chegou ao Deracre. Bittar disse que sempre viu como mais coerente manter a aliança entre PL, PP e União Brasil, mas afirmou sentir, em alguns momentos, que o próprio governo pode não querer essa aproximação. “Eu sempre entendi que seria mais coerente manter essa aliança. Agora, às vezes eu tenho a impressão de que o governo é que não quer o PL”, declarou.

O caso de Sula Ximenes virou o exemplo principal. Bittar lembrou que ela é filiada ao PL, foi retirada de uma possível candidatura a deputada estadual e voltou ao Deracre a pedido do governo. Depois, deixou o cargo. “Ela me disse que pediu demissão porque se sentiu empurrada para fora, e o governo não fala nada com o PL”, afirmou.

O senador também disse que soube da saída de Sula pela imprensa. “Pela imprensa”, respondeu, ao ser perguntado como tomou conhecimento da exoneração. Na avaliação dele, a situação expôs ruído político dentro do Palácio Rio Branco. “Falta articulação no Palácio Rio Branco”, disse. Bittar evitou personalizar a crítica, mas manteve o recado: “Não quero botar isso no nome de ninguém, mas senta o chapéu na cabeça de quem couber.”

A saída de Sula, para Bittar, não atinge apenas a relação partidária. O senador ligou a crise à execução de obras e emendas no Deracre. Ele afirmou que ainda tem recursos destinados à autarquia e citou o viaduto da Corrente e outras ações em andamento. “Eu continuo sendo o parlamentar que mais tem emenda no Deracre”, declarou.

Bittar também respondeu às cobranças sobre o período em que foi relator do Orçamento da União. Disse que o poder do relator era limitado e que não poderia levar todo o orçamento nacional para o Acre. “O poder que eu tive como relator é um poder relativo. Eu não posso pegar o orçamento e levar todo para o meu Estado”, afirmou.

Segundo o senador, por sua atuação como relator, conseguiu trazer cerca de R$ 600 milhões a mais para o Acre. Somando emendas extraordinárias liberadas no governo Bolsonaro, disse que o valor passou de R$ 1 bilhão. “Quando eu digo que trouxe mais de R$ 1 bilhão, são outras tantas emendas. Eu consegui muita emenda extraordinária no governo do presidente Bolsonaro”, afirmou.

Ele citou recursos para ramais, máquinas entregues a prefeituras e obras como o mini anel de Brasileia e Epitaciolândia. Também afirmou que destinou R$ 200 milhões para a BR-364 dentro do orçamento geral. “Para a BR-364 foram R$ 200 milhões. Mas, dos R$ 600 milhões que eu consegui, eu tive que atender prefeitura, governador, todo mundo queria emenda”, disse.

Na pauta ambiental, Bittar voltou a defender sua tese de que os principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia estão em Brasília, e não nos governos locais. “Os grandes problemas da região amazônica não se resolvem aqui, se resolvem no Brasil”, afirmou. Para ele, leis federais permitem ações de órgãos como Ibama e ICMBio em áreas rurais. “Se você é contra, como eu sou contra, essas ações, eu tenho que ajudar a mudar a lei. E ela é em Brasília.”

O senador também respondeu por que essas mudanças não avançaram durante o governo Bolsonaro. “Não mudou porque não tinha maioria, principalmente no Senado”, disse. Bittar afirmou que o poder de organizações não governamentais na Amazônia é maior do que parte da população imagina e defendeu a CPI das ONGs como instrumento para expor esse debate.

Em sua fala mais dura, classificou a disputa ambiental na Amazônia como conflito econômico. “Na verdade, isso é uma guerra econômica travestida de preocupação ambiental. Nós temos que desfazer isso”, declarou. Ele também acusou ONGs de atuarem contra obras estratégicas no Acre, citando a ponte de Rodrigues Alves e a continuidade da BR-364.

Ao final da entrevista, Bittar voltou ao tema da campanha. Para ele, a pré-campanha e a campanha servem para mostrar ao eleitor quem são os candidatos, o que pensam e o que fizeram quando tiveram poder. “A pré-campanha e a campanha são para você saber quem é quem, o que pensa, o que está fazendo. Se você é governo do Acre, o que fez? Se você é governo do Brasil, o que fez?”, afirmou.

A entrevista deixou Bittar no lugar onde ele costuma se colocar: sem tentar esconder o lado. O senador quer a reeleição, mantém relação com os principais nomes do governo estadual, mas avisou que sua prioridade será o palanque nacional de Bolsonaro. No Acre, essa escolha pode aproximar ou afastar aliados. E, pelo tom da conversa, o Deracre virou mais que uma autarquia em crise: virou a primeira rachadura visível entre o Palácio Rio Branco e o grupo que o governo ainda precisa decidir se quer manter por perto.

Bocalom rejeita ser vice e mantém candidatura ao governo do Acre

O ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom voltou a negar, nesta quarta-feira (24), qualquer possibilidade de compor como vice em uma chapa governista e manteve a candidatura ao governo do Acre nas eleições deste ano. Filiado ao PSDB, ele disse que deixou a Prefeitura de Rio Branco para disputar o Palácio Rio Branco e não para ocupar posição secundária em uma aliança com a governadora Mailza Assis, do PP.

“Alguém acha que eu deixei a prefeitura para ser vice de alguém? Quem espalha esse tipo de boato quer me tirar da frente, porque sabe que ganharei o governo. Ninguém tem nem a coragem de vir com essa conversa comigo”, afirmou Bocalom.

A declaração ocorre em meio às articulações para a sucessão estadual, num cenário em que partidos da base governista discutem alianças, composição de chapa e espaços nas disputas para o Senado, Assembleia Legislativa e Câmara Federal. Bocalom tenta se firmar como alternativa fora da chapa de Mailza e aposta no legado de sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco para sustentar a campanha.

O ex-prefeito disse que seu grupo começou a distribuir à população um jornal com realizações de sua gestão municipal. Segundo ele, a receptividade nas ruas mostra que há espaço para crescimento eleitoral. “Meu pessoal está distribuindo um jornal com as minhas realizações como prefeito, e noventa por cento dos que são abordados para receber o material, recebe e ainda me elogia. O povo quer o Bocalom no governo”, afirmou.

Bocalom também pretende usar como bandeira de campanha o argumento de que não responde a processos por mau uso de recursos públicos nas gestões em Acrelândia e Rio Branco. Mesmo aparecendo atrás de adversários em pesquisas recentes, ele minimizou os levantamentos e disse confiar no desempenho nas urnas.

“São pesquisas feitas para agradar. Quando foi que uma pesquisa me colocou na liderança? Sempre me colocaram como sem chance de ser eleito, e quando as urnas são abertas o Bocalom é que ganha. Foi assim nas duas últimas eleições para a prefeitura da capital”, disse.

A posição de Bocalom reduz, no momento, a possibilidade de uma composição com a chapa governista e mantém a disputa pelo governo aberta entre os principais nomes colocados no tabuleiro eleitoral acreano.

Alan Rick diz que ação para barrar agendas mostra “desespero” de adversários no Acre

O senador Alan Rick (Republicanos-AC), pré-candidato ao governo do Acre, reagiu na terça-feira, 23, à ação movida pela Federação União Progressista para tentar impedir novas agendas políticas dele no estado. Em fala ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, o parlamentar classificou a ofensiva como uma tentativa de limitar sua circulação pelos municípios e afirmou que o movimento dos adversários “dá a impressão de que estão desesperados”.

A ação foi apresentada após uma agenda em Feijó, onde Alan Rick participou de compromissos ao lado do prefeito Railson Ferreira da Silva. A federação, formada por União Brasil e Progressistas, alegou à Justiça Eleitoral que o evento teve características de propaganda eleitoral antecipada, com recepção no aeroporto, carreata, presença de apoiadores e mobilização nas redes sociais.

Alan Rick rebateu o pedido e tratou a medida como reação ao crescimento de sua pré-campanha no interior. “Não tem cabimento, não tem lógica”, afirmou o senador, ao comentar a tentativa de impedir novas agendas antes do início oficial da campanha. A avaliação do parlamentar é que os adversários recorreram à Justiça porque passaram a se incomodar com a recepção popular em municípios estratégicos.

O pedido de urgência foi negado pelo juiz Jair Araújo Facundes, relator do caso no Tribunal Regional Eleitoral do Acre. A liminar pretendia proibir Alan Rick e Railson Ferreira de promover ou participar de novos eventos semelhantes ao ato de Feijó até 16 de agosto, data de início da campanha eleitoral. O magistrado entendeu que não havia prova concreta de que outro evento com as mesmas características estivesse prestes a ocorrer.

Na decisão, a Justiça Eleitoral rejeitou a possibilidade de restringir previamente a atuação política com base em fatos futuros e incertos. A ação continuará tramitando, mas a negativa da liminar manteve liberadas as agendas políticas e parlamentares do senador em municípios acreanos.

Ao comentar o caso, Alan Rick também defendeu tratamento igual para todos os grupos políticos que já se movimentam antes do período oficial de campanha. “O pau que dá em Chico dá em Francisco”, disse o senador, ao sustentar que a regra aplicada a uma pré-candidatura deve valer para todas as demais.

A disputa ocorre em meio ao avanço das articulações para a eleição de 2026. Alan Rick aparece como um dos principais nomes da oposição ao grupo da governadora Mailza Assis e tem intensificado visitas ao interior. A representação judicial da União Progressista levou a pré-campanha para o campo jurídico e aumentou a tensão entre os blocos que disputam o Palácio Rio Branco.

O episódio de Feijó virou o primeiro embate judicial de maior peso envolvendo diretamente a agenda de rua do senador. Para a federação autora da ação, a mobilização teria extrapolado os limites da pré-campanha. Para Alan Rick, a ofensiva tenta transformar agenda política em irregularidade eleitoral. “Dá a impressão de que estão desesperados”, repetiu o senador ao tratar da reação dos adversários.

O mérito da representação ainda será analisado pelo TRE-AC. Alan Rick e Railson Ferreira deverão apresentar defesa no processo, que seguirá depois para manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral antes da decisão final sobre as acusações de propaganda eleitoral antecipada.

No Jornal da Manhã, Jorge Viana diz que quer ser “resolvedor de problemas” do Acre

O ex-governador Jorge Viana usou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta terça-feira, 23, no Juruá, para apresentar sua pré-candidatura ao Senado como uma disputa centrada na reconstrução da capacidade política do Acre em Brasília, na recuperação da BR-364 e na relação direta com prefeitos, governo estadual e governo federal. “Eu não estou desesperado para ganhar uma eleição. Eu quero muito ganhar essa eleição, eu quero muito ajudar o Acre. A causa é o Acre”, disse Jorge, ao defender que a política precisa sair da lógica de ataque pessoal e voltar a resolver problemas concretos da população.

A entrevista ocorreu em meio à agenda que Jorge Viana cumpre pelo Vale do Juruá. Ele citou passagens por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa, dentro de uma estratégia de escuta antes da formalização da candidatura. O tom adotado foi de cobrança sobre o atual momento do estado. “Eu estou descontente com o caminho que o Acre pegou. As coisas não estão boas e eu posso ajudar. Eu estou me oferecendo para ajudar”, afirmou.

O ponto mais forte da conversa foi a BR-364. Jorge disse que percorreu a estrada “quilômetro a quilômetro” e levou ao Dnit um plano para enfrentar os trechos mais críticos da rodovia. Segundo ele, a proposta foi apresentada ao ministro dos Transportes, Renan Filho, que esteve no Acre e aceitou o encaminhamento. “Hoje um ônibus demora dezoito horas daqui de Cruzeiro para Rio Branco. Uma carreta, dois dias. Uma caminhonete, doze a quinze horas. E, se Deus quiser, em setembro nós vamos ter uma estrada regular, com aquelas áreas intragáveis e péssimas resolvidas”, declarou.

A fala mira diretamente a vida de quem depende da estrada para trabalhar, vender, estudar, fazer tratamento de saúde ou viajar entre o Juruá e a capital. Ao tratar da BR-364, Jorge tentou amarrar sua experiência administrativa à promessa de articulação federal. “Eu fui governador, fui senador, fui prefeito. Juntaram uns técnicos, montaram um plano quilômetro a quilômetro, e o ministro dos Transportes veio e acatou o plano”, disse.

Jorge também falou sobre a ponte que caiu em Sena Madureira e comparou o caso com obras feitas em governos anteriores no Juruá, como a ponte de Cruzeiro do Sul, iniciada em seu governo, executada por Binho Marques e inaugurada por Tião Viana. “Essa ponte tem dezesseis anos. Ela foi preparada inclusive para algum tipo de terremoto. Caiu lá uma ponte em Sena, é lamentável, com dois anos de uso, mas eu não posso acusar ninguém. Eu quero que tenha uma apuração rigorosa, porque era dinheiro público”, afirmou.

Na leitura política de Jorge, o Acre perdeu planejamento e passou a depender de ações soltas. Ele criticou a substituição de políticas públicas estruturadas por emendas parlamentares usadas como vitrine eleitoral. “Acabar com essa onda de emenda para cá, emenda para lá. Tem que ter políticas públicas”, disse. Em seguida, citou obras de sua gestão no Juruá, como o Hospital do Juruá, o aeroporto, a avenida em Mâncio Lima, a chegada da universidade a Cruzeiro do Sul, a ponte e a própria estrada. “Não dá para a gente não ter mais governos que não têm um projeto”, completou.

Ao falar de Cruzeiro do Sul, Jorge foi direto na crítica ao ritmo de investimentos públicos na cidade nos últimos anos. “Eu não vejo obras aqui em Cruzeiro do Sul. Se tirar as coisas que o governo federal ainda está fazendo, não sobra nada”, disse. Para ele, a falta de obras afeta o comércio, o emprego e o ambiente social. “O comércio não vende, ninguém emprega. Há um ambiente de sofrimento na população”, afirmou.

A entrevista também abriu espaço para uma proposta voltada à economia digital. Jorge defendeu que Cruzeiro do Sul e o restante do Acre precisam de mais cabos de fibra óptica e internet de alta qualidade para permitir que jovens trabalhem de casa prestando serviços para empresas de outros países. “Eu quero três, quatro cabos de fibra óptica daqui para Rio Branco, e a cidade fibrada, com internet de altíssima qualidade”, disse. “Essa nova geração de garotos de 15, 16, 20 anos é talentosa. Nós estamos na era do serviço. Eles podem, de casa, prestar serviço para empresa na China, na Índia, na Europa, nos Estados Unidos.”

A relação com o presidente Lula ocupou outro bloco central da entrevista. Jorge criticou políticos acreanos que, segundo ele, evitam reconhecer investimentos federais por divergência ideológica. “O cara ganha um mandato para fazer guerra ideológica. Não conte comigo para isso”, declarou. Ele disse que, caso seja eleito, pretende atuar como ponte entre o governo federal, o governo estadual e as prefeituras. “Eu serei o interlocutor do presidente Lula aqui em Cruzeiro do Sul e nos municípios todos. Como é que eu só vou trabalhar quando o PT tiver? Eu não estou candidato para ser senador do PT. Eu estou candidato para ser senador do Acre e do Brasil.”

Jorge citou o cumprimento à governadora Gladson Cameli durante a agenda com o ministro dos Transportes e defendeu relação institucional com qualquer gestor. “Se eu quero ser senador da República, eu vou ter que trabalhar por dois anos com todos os prefeitos do Acre. É assim que funciona”, disse. A frase funciona como recado para um ambiente político estadual marcado por alinhamentos nacionais, disputas de grupo e dificuldade de convivência entre adversários.

A entrevista também teve resposta aos ataques contra jornalistas do Juruá. Sem citar nome, Jorge criticou um pré-candidato que, segundo ele, teria acusado profissionais da imprensa de serem comprados. “Eu queria ser solidário com vocês, porque teve um dos pré-candidatos que veio agredir o jornalismo dizendo que jornalista aqui se compra. Eu não combinei nunca nenhuma entrevista na minha vida”, afirmou. “Eu não estou usando microfone nem minhas redes sociais para agredir ninguém. Tomei uma decisão. Não tenho mais idade, não tenho tempo, e acho que a população cansou desse tipo de malandragem política.”

Jorge buscou se diferenciar de adversários que apostam no confronto permanente nas redes sociais. “Não contem comigo para ficar rebatendo coisa, agredindo ninguém. Não vai ter isso. Me esperem com a minha vivência para ser um resolvedor de problemas”, disse. A fala resume o eixo escolhido para sua pré-campanha: experiência administrativa, acesso a Brasília, crítica ao improviso e promessa de reconstruir pontes políticas em um estado que depende de obras federais para destravar transporte, produção, saúde e conectividade.

Médico Thor Dantas foca em reestruturação da saúde e desenvolvimento econômico em pré-candidatura ao governo do Acre

O médico infectologista Thor Dantas detalhou seu plano de governo para o Estado do Acre durante sabatina no podcast Bar do Vaz, apresentado pelo jornalista Roberto Vaz. Pré-candidato ao governo estadual, Dantas propõe uma quebra na polarização ideológica para focar na reestruturação do sistema de saúde, na ampliação da infraestrutura viária e na inserção do estado em novas rotas comerciais da Ásia. A movimentação política busca atrair eleitores insatisfeitos com a atual gestão e conter o êxodo de jovens acrianos gerado pela ausência de oportunidades profissionais.

A corrida eleitoral no Acre ganha contornos de readequação administrativa. Pesquisas iniciais de intenção de voto colocam Dantas com 2% da preferência do eleitorado, atrás de nomes consolidados como Alan Rick, com 39%. Os números preliminares não alteram a estruturação da campanha, que foca no planejamento de longo prazo e no diálogo direto com a população nas ruas. O pré-candidato diagnostica um esvaziamento da capacidade de investimento do atual governo, que executa apenas 35% de seu orçamento disponível. O principal gargalo da gestão pública acriana é a escassez de planejamento e liderança, refletida na estagnação de obras civis e na precarização de unidades hospitalares do interior, a exemplo da estrutura de Sena Madureira.

A saúde pública é o eixo central do programa. Com 28 anos de atuação no estado e participação direta na criação do curso de medicina e da residência médica local, Dantas avalia a ampliação do número de leitos e a construção de um novo complexo hospitalar como medidas emergenciais. O projeto abrange a implementação de um plano de carreira sólido para fixar os cerca de 50 especialistas formados anualmente no Acre, contendo a fuga de profissionais para outros grandes centros. A reestruturação do Sistema Único de Saúde (SUS) passará obrigatoriamente por uma pactuação com as prefeituras, garantindo o atendimento básico nos municípios e aliviando a superlotação nos prontos-socorros da capital. “A saúde tem uma parte que é cara realmente, mas tem coisa na saúde que é só trabalho em equipe para dar conta. Se eu tratar as hepatites aqui embaixo, eu evito o transplante lá em cima”, declarou o médico.

No campo econômico, a diretriz é a diversificação produtiva. O plano engloba o asfaltamento integral e permanente da ligação viária entre Cruzeiro do Sul e Rio Branco, além da injeção de crédito e fomento no agronegócio, na agricultura familiar e no extrativismo. O objetivo estratégico é utilizar o recém-inaugurado Porto de Chancay, no Peru, para exportar a produção acriana diretamente ao mercado asiático. Essa rota comercial servirá de alavanca para a industrialização local de insumos como castanha, cupuaçu e proteína animal. O desenvolvimento tecnológico, atrelado à geração de emprego e renda, forma a base do projeto para manter a força de trabalho jovem dentro do estado.

O pré-candidato rechaça a manutenção do embate entre esquerda e direita, classificando a disputa ideológica excessiva como um entrave governamental. A proposta defende o diálogo irrestrito com todas as esferas de poder e correntes políticas, assegurando a captação de recursos federais vitais para a sobrevivência econômica do estado. O desgaste gerado pela condução da crise sanitária nos anos anteriores e a fragmentação do grupo político que atualmente governa o Acre pavimentam o cenário no qual a nova chapa tenta se estabelecer.

A consolidação dessa plataforma eleitoral reconfigura o tabuleiro político acriano, forçando o debate público a abandonar as pautas exclusivamente ideológicas para se concentrar na execução orçamentária e na eficiência dos serviços básicos. O avanço da pré-candidatura ao longo do período pré-eleitoral testará a viabilidade de converter o desgaste da administração vigente em capital político, definindo o modelo de gestão, as alianças federativas e os padrões de investimento público no Acre para a próxima década.