Zequinha Lima rebate Vagner Sales após acusação de traição política

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, rebateu neste sábado, 11, as críticas do presidente estadual do MDB, Vagner Sales, e afirmou que não entrará em disputas pessoais. A reação ocorreu após o dirigente emedebista acusá-lo de traição política durante um encontro realizado em Rio Branco para confirmar o apoio do partido à pré-candidatura da governadora Mailza Assis.

No evento, Vagner cobrou uma posição mais dura do Progressistas contra Zequinha, que decidiu apoiar o senador Alan Rick na disputa pelo Governo do Acre. O presidente do MDB também voltou a questionar o resultado da eleição municipal de 2024, quando o prefeito derrotou Jéssica Sales, filha do dirigente, por 197 votos.

Zequinha afirmou que aceita críticas relacionadas à atuação política, mas classificou as declarações como ataques pessoais.

“Críticas fazem parte, já ataques pessoais dizem mais sobre quem faz do que sobre quem recebe. Enquanto alguns gastam tempo me atacando, eu sigo trabalhando e entregando resultados”, declarou.

O prefeito disse que pretende concentrar sua atuação na administração de Cruzeiro do Sul e na apresentação de propostas, sem responder a novos confrontos pessoais.

“Prefiro investir minha energia no que realmente faz diferença, não em discussões. Vai brigar sozinho, eu faço política com propostas e não com ataque e baixaria”, completou.

A troca de declarações ocorre durante a reorganização das alianças para a eleição estadual de 2026. O MDB confirmou apoio à pré-candidatura de Mailza e apresentou a ex-deputada federal Jéssica Sales como nome do partido para a vaga de vice-governadora.

A aproximação entre Alan Rick e Zequinha aumentou a distância entre o senador e o grupo político da família Sales. O prefeito de Cruzeiro do Sul anunciou apoio ao pré-candidato do Republicanos no fim de junho e, dias depois, pediu afastamento temporário das funções que ocupava no Progressistas.

Apesar da decisão, Zequinha permanece filiado ao partido de Mailza. O pedido encaminhado à direção estadual suspende suas atividades partidárias até o fim de 2026.

A nova composição também leva para a disputa estadual a rivalidade da eleição municipal de Cruzeiro do Sul. Em 2024, Zequinha foi reeleito com 24.478 votos, contra 24.281 recebidos por Jéssica Sales.

Com as alianças anunciadas, Mailza terá no Juruá o apoio da família Sales, enquanto Alan Rick contará com a estrutura política do prefeito de Cruzeiro do Sul. A divisão coloca a região entre os principais centros da disputa pelo Governo do Acre em 2026.ões.

O que o governo Gladson e Mailza deixa para a indústria do Acre

Entre 2022 e 7 de julho de 2026, a Secretaria de Indústria, Ciência, Tecnologia e Turismo do Acre pagou R$ 170,4 milhões. Desse total, R$ 76,1 milhões aparecem em históricos ligados à Expoacre, Expoacre Juruá, feiras, Carnaval, festas, festivais, shows, atrações nacionais, eventos e comemorações do Dia do Trabalhador. A execução financeira revela uma contradição que atravessa o governo Gladson Cameli e Mailza Assis: enquanto o discurso oficial fala em industrialização, inovação e geração de empregos, o orçamento concentrou seus maiores volumes na promoção comercial e na realização de eventos.

A discussão ganhou força após a conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Estado, questionar os elevados gastos públicos com festas e shows. Durante sessão do TCE, ela afirmou que artistas “vêm aqui, cantam e vão embora”, enquanto permanecem desafios como emprego, renda e infraestrutura. A provocação serve como ponto de partida para uma pergunta maior: o que fica para o Acre depois que o palco é desmontado?

A resposta passa pela própria execução orçamentária da pasta.

A maior subfunção da despesa foi Promoção Comercial, que consumiu R$ 85,2 milhões. A Promoção Industrial recebeu R$ 16,5 milhões. Na prática, para cada real destinado diretamente à promoção da indústria, mais de cinco foram direcionados à promoção comercial.

A diferença ajuda a explicar a prioridade construída ao longo do governo. Em vez de concentrar recursos na expansão da capacidade industrial, qualificação profissional, infraestrutura produtiva, inovação aplicada e fortalecimento das cadeias econômicas, a secretaria operou principalmente como organizadora de feiras, vitrines comerciais e grandes eventos.

A Expoacre tornou-se o principal símbolo dessa política. Os pagamentos que mencionam diretamente a feira somam R$ 50,9 milhões, sendo R$ 35,5 milhões relacionados à Expoacre Juruá. Entre os maiores beneficiários aparecem a Casa da Amizade e a Associação Comercial e Empresarial de Cruzeiro do Sul, em contratos destinados à promoção de eventos, estruturação de ambientes de negócios e contratação de atrações nacionais.

Em 2025, a Expoacre Juruá reuniu artistas como Gusttavo Lima, Wesley Safadão, Raça Negra, Isaías Saad, Marcynho Sensação e Eric Land. Na edição de Rio Branco, Jorge & Mateus liderou a programação. O Carnaval da Família também recebeu recursos da estrutura responsável pela política de desenvolvimento econômico.

Os próprios editais mostram essa opção. O Chamamento Público nº 002 da SEICT teve como objeto a promoção de eventos com atrações nacionais durante a Expoacre Juruá e a Expoacre de Rio Branco. Em 2026, a Festa do Trabalhador foi apresentada como evento voltado ao comércio, tecnologia e cultura.

Nada disso significa que feiras e eventos não movimentem a economia. Movimentam hotéis, restaurantes, transporte, ambulantes, fornecedores e pequenos comerciantes. Também aproximam produtores, compradores e investidores. A diferença está entre estimular negócios por alguns dias e construir uma política industrial permanente.

O palco gera renda temporária. A indústria produz riqueza continuamente. Ela exige infraestrutura, energia, logística, qualificação profissional, crédito, pesquisa, tecnologia, mercado consumidor e segurança para investir.

É justamente esse discurso que o governo apresenta.

Em junho de 2025, anunciou um plano de fortalecimento industrial e reforçou a atuação da Comissão da Política de Incentivo às Atividades Industriais do Acre (Copiai), responsável pela concessão de incentivos tributários e áreas em distritos industriais. Também lançou o Comprac, programa destinado a ampliar as compras públicas de produtos fabricados no estado.

Meses antes, o governo informou ter atraído R$ 16,5 milhões em investimentos para novas indústrias instaladas em Rio Branco, Brasileia e Epitaciolândia. Também inaugurou o Hub de Inovação do Acre e ampliou a campanha Feito no Acre, desenvolvida em parceria com a Federação das Indústrias, Sebrae e Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento.

O problema não está na existência dessas iniciativas. Elas existem. A questão é que ocupam espaço muito menor na execução financeira do que as despesas destinadas à promoção comercial.

Apesar disso, o Acre demonstra possuir uma base industrial capaz de crescer.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria, o estado possui PIB industrial de R$ 1,9 bilhão e emprega 18.564 trabalhadores. Ainda representa apenas 0,1% da indústria nacional, mas reúne cadeias produtivas consolidadas na proteína animal, café, castanha, frutas, madeira manejada e bioeconomia.

A Dom Porquito é um dos exemplos mais conhecidos. Instalada em Brasileia, a agroindústria reúne 387 colaboradores, processa cerca de 20 toneladas de carne suína por dia, abate entre 350 e 380 animais diariamente e comercializa aproximadamente 60 produtos dentro e fora do Acre.

Em 2025, foi anunciado um pacote superior a R$ 200 milhões destinado à cadeia da proteína animal. O valor reúne diferentes fontes de investimento. Cerca de R$ 82 milhões correspondem a financiamentos do Banco da Amazônia destinados à construção de 250 galpões de suínos e 40 de aves. Outros investimentos privados foram anunciados para modernização da indústria frigorífica bovina.

Nesse processo, a ApexBrasil, presidida por Jorge Viana, participou da articulação institucional voltada à abertura de mercados, exportação e aproximação entre empresas e instituições financeiras. Não há elementos para atribuir integralmente à Apex ou a Jorge Viana os mais de R$ 200 milhões anunciados, mas houve participação relevante na construção desse ambiente de investimentos.

A Acreaves representa outro exemplo de industrialização permanente. O complexo instalado no Alto Acre foi estruturado para gerar cerca de 300 empregos diretos e aproximadamente 1,5 mil indiretos, fortalecendo a cadeia integrada da avicultura e reduzindo a dependência de produtos vindos de outros estados.

Outro caso emblemático é o da Cooperacre.

A cooperativa já atua no beneficiamento de castanha-do-Brasil, borracha, palmito, café e frutas, envolvendo milhares de famílias extrativistas e agricultores familiares. Agora decidiu ampliar essa estrutura utilizando recursos próprios.

Em Rio Branco, a Cooperacre investe R$ 60 milhões na implantação de uma nova agroindústria de frutas tropicais. A unidade terá capacidade para processar até 10 milhões de quilos de polpas por ano, dez vezes mais que a estrutura anterior, utilizando frutas como açaí, cupuaçu, cajá, maracujá, acerola, manga, goiaba, caju, abacaxi e graviola.

A nova planta utilizará envase asséptico, permitindo armazenamento sem refrigeração por até dois anos, reduzindo custos logísticos e ampliando o acesso aos mercados nacional e internacional. A expectativa é beneficiar diretamente cerca de 5 mil famílias produtoras.

Esse investimento evidencia uma diferença importante. Enquanto a feira apresenta produtos, a indústria compra matéria-prima, processa alimentos, gera empregos, movimenta fornecedores, amplia exportações e mantém renda circulando durante todo o ano.

O café acreano oferece outro exemplo de política industrial baseada em estrutura permanente.

Em Mâncio Lima, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) financiou R$ 8 milhões para a construção do Complexo Industrial do Café do Juruá. A Coopercafé investiu outros R$ 2 milhões. O empreendimento reúne secagem, classificação, armazenamento e beneficiamento do café produzido principalmente pela agricultura familiar.

A articulação foi conduzida dentro da ABDI pela diretora Perpétua Almeida. O complexo atende mais de 180 cooperados e integra uma cadeia produtiva formada por milhares de pessoas ligadas ao cultivo do café.

Posteriormente, a ABDI assinou novo convênio, desta vez com a Cooperacre, no valor de R$ 14,7 milhões, destinado à construção de dois novos complexos industriais de café em Capixaba e Acrelândia.

Os projetos demonstram que a industrialização acontece quando o investimento chega ao galpão, à máquina, ao laboratório e à cooperativa. É ali que a matéria-prima ganha valor antes de deixar o estado.

Os dados do comércio exterior reforçam esse potencial.

As exportações acreanas passaram a ser lideradas pela carne bovina, seguidas pela castanha-do-Brasil, carne suína, soja e outros produtos agroindustriais. Cada etapa de beneficiamento realizada dentro do estado amplia empregos, arrecadação e renda local.

Outro gargalo continua sendo a mão de obra.

O Senai calcula que o Acre precisará qualificar aproximadamente 23 mil profissionais entre 2025 e 2027, sendo cerca de 4 mil novos trabalhadores e outros 19 mil em requalificação profissional. São vagas ligadas à automação, manutenção industrial, alimentos, logística, refrigeração, tecnologia e produção.

Esse talvez seja um dos maiores desafios para qualquer política industrial consistente.

A execução financeira também desperta dúvidas sobre a transparência de alguns investimentos.

A secretaria destinou aproximadamente R$ 18 milhões para integralização de capital da Agência de Negócios do Acre (Anac). Em tese, trata-se de um importante instrumento de desenvolvimento econômico. Entretanto, os históricos dos pagamentos não permitem identificar claramente quais empresas foram financiadas, quantos empregos surgiram, quais cadeias produtivas foram fortalecidas ou qual retorno econômico efetivamente foi obtido.

Essa falta de transparência dificulta medir resultados.

O balanço final mostra uma realidade menos simples do que o debate político costuma apresentar.

Não é correto afirmar que o governo Gladson e Mailza abandonou completamente a indústria. Houve incentivos fiscais, distribuição de terrenos, campanhas de valorização da produção local, apoio institucional à exportação, inovação tecnológica e aproximação com investidores.

Também não seria correto ignorar investimentos estruturantes realizados por cooperativas, empresas privadas, instituições financeiras e órgãos federais que ampliaram a capacidade industrial do Acre.

A questão central está na prioridade orçamentária.

Quando Promoção Comercial recebe R$ 85,2 milhões e Promoção Industrial R$ 16,5 milhões, a execução financeira revela que a principal função da pasta deixou de ser construir indústria para organizar vitrines da indústria.

Uma feira pode abrir mercados.

Um show pode movimentar hotéis.

Um festival pode aquecer o comércio durante alguns dias.

Mas são as fábricas, as agroindústrias, as cooperativas, os frigoríficos, os laboratórios, os centros tecnológicos e os trabalhadores qualificados que permanecem produzindo riqueza quando tudo isso termina.

O legado industrial de um governo não é medido pelo tamanho do palco.

É medido pelo que continua funcionando depois que ele é desmontado.

Pedro Pascoal diz que pagamento à GoiásMed foi parcial e confirma pendências apontadas pelo Grupo Integração

Em entrevista ao Jornal da Manhã, ex-secretário afirmou que governo não quitou todas as obrigações com empresa responsável pelas cirurgias ortopédicas

O ex-secretário de Estado de Saúde Pedro Pascoal afirmou, em entrevista ao Jornal da Manhã, que o pagamento realizado pelo governo do Acre à empresa responsável pelos serviços de Ortopedia e Traumatologia foi apenas parcial e que ainda existem obrigações pendentes.

A declaração confirma informação publicada pelo Grupo Integração na quinta-feira, 9, após análise dos dados atualizados de empenhos e pagamentos do Fundo Estadual de Saúde. O levantamento mostrou que o governo quitou R$ 1.630.134,00 referentes aos serviços médicos prestados em março, mas ainda havia valores e procedimentos administrativos pendentes.

“O pagamento foi parcial. Não foi pago tudo aquilo que a empresa estava cobrando”, afirmou Pedro Pascoal durante a entrevista.

A crise envolve a GoiásMed Serviços Médicos Ltda., contratada por meio do Contrato Sesacre nº 140/2026 para prestar serviços médicos em Ortopedia e Traumatologia na rede estadual de saúde.

A empresa havia comunicado oficialmente à Secretaria de Estado de Saúde que poderia paralisar parcialmente os atendimentos e as cirurgias eletivas caso os pagamentos em atraso não fossem regularizados. No ofício, a GoiásMed cobrou o saldo remanescente da competência de fevereiro, a quitação integral dos serviços prestados em março e a emissão do empenho referente a abril.

Após a ameaça de paralisação, a Sesacre informou que o pagamento havia sido processado e encaminhado à instituição bancária. Os dados consultados pelo Grupo Integração confirmaram que o empenho de R$ 1.630.134,00, referente aos serviços médicos de março, passou a aparecer como pago.

No entanto, o levantamento também mostrou que a regularização não alcançou todas as pendências citadas pela empresa.

“Quando se fala que foi pago, parece que foi resolvido tudo. Não foi. Houve um pagamento, mas ainda ficaram pendências”, declarou Pascoal.

Nos dados mais recentes, permanece sem pagamento um empenho de R$ 373.129,87 destinado ao fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais, conhecidos como OPME. Esses materiais são utilizados nas cirurgias e demais procedimentos ortopédicos e traumatológicos.

O empenho aparece registrado, mas ainda sem liquidação e sem pagamento. Além disso, o ofício da GoiásMed também menciona um saldo remanescente referente a fevereiro e a necessidade de emissão do empenho pelos serviços prestados em abril.

Pascoal reforçou que o problema não estaria relacionado à falta de dinheiro disponível no Fundo Estadual de Saúde.

“Dinheiro no Fundo Estadual de Saúde é o que não falta. Tem gente que vai perder a cirurgia pelo SUS, e o motivo não é falta de dinheiro”, afirmou.

Segundo o ex-secretário, os dados financeiros do Fundo Estadual de Saúde poderiam ser consultados publicamente e demonstrariam a existência de recursos para manter os contratos e serviços em funcionamento.

“Em 2023, a Saúde recebeu um repasse de R$ 240 milhões e, em 2025, deixei a gestão com um saldo de R$ 509 milhões. Esse é um dado que pode ser consultado”, disse.

Ao afirmar que o pagamento foi apenas parcial, Pascoal desloca novamente o debate para a administração dos processos internos da Sesacre. Se havia dinheiro disponível, o governo precisa explicar por que os débitos chegaram ao ponto de uma empresa ameaçar suspender cirurgias eletivas.

A GoiásMed havia informado que, caso as pendências não fossem regularizadas, suspenderia parcialmente os atendimentos e as cirurgias eletivas a partir das 18h do dia 8 de julho. Os procedimentos de urgência e emergência seriam mantidos no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco e no Hospital Geral de Cruzeiro do Sul.

O contrato com a GoiásMed é originado do Pregão Eletrônico SRP nº 600/2025 e possui valor total classificado de R$ 29.294.170,00. O objeto inclui serviços médicos de Ortopedia e Traumatologia, adulto e pediátrico, além de equipamentos, instrumentais e OPME para a rede estadual.

Até a última atualização dos dados analisados pelo Grupo Integração, o governo havia pago R$ 2.679.318,00 à empresa. O total inclui R$ 1.049.184,00 referentes à competência de fevereiro e R$ 1.630.134,00 pelos serviços de março.

Ainda assim, a cobrança formal da GoiásMed indica que o pagamento registrado não encerrou o impasse. A empresa continuava apontando saldo de fevereiro, materiais ortopédicos sem pagamento e serviços de abril ainda sem empenho.

A fala de Pedro Pascoal no Jornal da Manhã reforça, portanto, o que os números já haviam mostrado: o pagamento de março avançou depois da ameaça de paralisação, mas a relação financeira entre o governo e a empresa responsável pelas cirurgias ortopédicas permanecia sem regularização completa.

Jornal da Manhã em Coluna – 6 de julho de 2026

A coluna desta segunda-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, participação de Gledson Albano e Mazinho Rogério, no primeiro programa após o encerramento da Expoacre Juruá 2026.

Segunda começou com ressaca de feira e temperatura política alta

Cruzeiro do Sul amanheceu nesta segunda-feira, 6, ainda saindo do ritmo da Expoacre Juruá, mas o Jornal da Manhã não ficou preso apenas ao balanço da festa. A feira terminou com show de Leonardo, praça de alimentação cheia, trânsito travado e cidade movimentada, mas a bancada logo puxou a conversa para o ponto mais sensível da semana: dinheiro público, disputa eleitoral e articulação política no Acre.

A imagem da segunda-feira era conhecida por qualquer um que passou pela Arena do Juruá nos últimos dias. Repórter cansado, equipe com sono, comércio ainda fazendo conta, gente tentando voltar para casa e a cidade sentindo aquele vazio que aparece quando o palco apaga. Gledson Albano resumiu a cobertura com a sinceridade de quem passou seis dias gastando bateria no meio do povo. A festa movimentou Cruzeiro do Sul, levou multidão ao parque de exposições e colocou a economia local para girar.

Expoacre movimentou a cidade inteira

O superintendente do Sebrae, Marcos Lameira, avaliou a Expoacre Juruá como positiva e projetou números acima do ano passado. A feira lotou a praça de alimentação, atraiu público de todas as idades e fez o trânsito de Cruzeiro do Sul viver cenas raras, com filas quilométricas na chegada e na saída da Arena.

No domingo, Leonardo fechou a programação com um show que atravessou gerações. Muita gente cantou as músicas antigas, casais dançaram agarrados, famílias circularam pela feira e vendedores trabalharam no limite. A Expoacre, quando funciona, não fica dentro do parque. Ela alcança restaurante, hotel, posto de combustível, aplicativo, mototaxista, vendedor ambulante e pequeno comerciante.

Feira também virou palco eleitoral

A Expoacre Juruá não foi apenas festa. Virou vitrine política. Mailza Assis apareceu no camarote, Alan Rick também passou por Cruzeiro do Sul, Tião Bocalom participou do evento e Jorge Viana circulou pela arena, onde encontrou Leonardo e recebeu do cantor um abraço de velha intimidade. No meio da música e do movimento, cada presença carregava uma leitura de campanha.

A feira mostrou que os principais pré-candidatos ao governo sabem que o Juruá será território decisivo. Em ano eleitoral, ninguém aparece por acaso em evento de multidão. Cada aperto de mão, cada foto e cada conversa no camarote entra na conta da disputa.

Secretaria de Indústria entra na mira

O ponto mais duro do programa veio com os gastos da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre. A bancada levou ao ar a informação de que a pasta pagou R$ 63 milhões em eventos, número que abriu uma pergunta direta: a secretaria existe para desenvolver a indústria acreana ou para bancar festa?

A cobrança ganhou força depois da manifestação da conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Estado, no julgamento que manteve suspensos pagamentos ligados à Festa do Trabalhador, realizada pelo governo em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com shows de Tierry e Joelma. Os contratos foram firmados pela Secretaria de Indústria com a Associação Transformar e passam de R$ 4,8 milhões.

O TCE manteve o bloqueio porque ainda vê problemas no processo, como falta de pesquisa de preço, dúvidas sobre a capacidade técnica da entidade contratada e falhas de transparência. A Procuradoria-Geral do Estado tentou liberar os pagamentos sob o argumento de que os eventos já tinham ocorrido e fornecedores poderiam ser prejudicados, mas a maioria dos conselheiros decidiu aguardar nova análise técnica.

“Valores imensos para shows”

A fala de Naluh Gouveia entrou no Jornal da Manhã como uma das frases mais fortes da semana. “Valores imensos para shows que a pessoa vem aqui, canta e vai embora, e não fica nada com nosso estado. Nada. Então isso é um absurdo”, disse a conselheira, ao defender que o papel do Tribunal de Contas é proteger o dinheiro público.

A conselheira também criticou a postura da Procuradoria-Geral do Estado e levou a discussão para o campo das prioridades. Falou de creche, emprego, trabalho e da opção recorrente por festas enquanto artistas locais seguem sem perspectiva. A frase mexe com o ponto que a política costuma evitar: quem paga a conta quando o governo prefere palco a serviço público?

Expoacre também entrou na conta dos gastos

A discussão sobre eventos não parou na Festa do Trabalhador. O Jornal da Manhã também tratou dos valores ligados à Expoacre no histórico de pagamentos da Secretaria de Indústria. O levantamento citado no programa aponta R$ 47,1 milhões em despesas que trazem Expoacre no histórico dos empenhos. Desse total, R$ 33,7 milhões aparecem vinculados diretamente à Expoacre Juruá.

Os repasses se concentram principalmente em 2024 e 2025. Entre os maiores beneficiários citados no programa estão a Casa da Amizade, com R$ 35,7 milhões, e uma associação comercial e empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 11,3 milhões em despesas descritas como estruturação de feira de negócios e promoção de eventos com atrações nacionais.

A pergunta feita na bancada ficou no ar: qual é a prioridade? O Acre ainda convive com problemas de saneamento, moradia e famílias vivendo em áreas de risco. A crítica foi direta ao governo, que, na avaliação do programa, não entregou casas populares próprias enquanto ampliou gastos com eventos.

Governo sob pressão de dentro e de fora

Rogério Wenceslau ampliou a análise e disse que o problema não está apenas no governo. Para ele, instituições com obrigação de fiscalizar também precisam responder. Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas e Ministério Público foram chamados à responsabilidade dentro do debate sobre gastos públicos.

O comentário expôs uma leitura política que vem se repetindo no Jornal da Manhã: a gestão de Mailza Assis enfrenta desgaste não apenas por decisões administrativas, mas pela perda de controle da narrativa. A bancada afirmou que parte das informações chega de dentro do próprio governo, por servidores e aliados insatisfeitos que não querem romper publicamente, mas ajudam a alimentar a crise nos bastidores.

Viaduto da Avenida Ceará abriu nova frente contra Alan Rick

Outro foco da manhã foi a disputa entre a governadora Mailza Assis e o senador Alan Rick em torno do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco. Mailza afirmou que a obra foi feita com emenda de bancada e não por emenda exclusiva do senador. A fala abriu nova frente de desgaste justamente entre dois nomes que caminham para se enfrentar na eleição ao governo.

A bancada afirmou que Alan Rick apresentou documento para sustentar que destinou sua parte da emenda de bancada à obra. Rogério explicou que, desde 2019, as emendas de bancada passaram a ser divididas em partes para contemplar as indicações dos 11 parlamentares federais do Acre, sendo oito deputados federais e três senadores. Nessa lógica, a parte destinada por Alan Rick ao viaduto seria dele, ainda que o recurso apareça formalmente como emenda de bancada.

O programa também lembrou postagem antiga de Gladson Cameli agradecendo a Alan Rick por emenda de R$ 20 milhões destinada ao projeto. A leitura da bancada foi que a discussão poderia ter sido evitada. A obra está pronta, serve ao povo de Rio Branco e deveria render reconhecimento a quem participou da construção do recurso, não disputa por placa.

A ausência de Gladson no comando político pesa

Mazinho Rogério entrou no debate para dizer que Gladson Cameli faz falta na articulação política. A avaliação da bancada foi que o ex-governador tinha trato, carisma e capacidade de manter aliados por perto, mesmo em meio a problemas administrativos.

A comparação atingiu diretamente Mailza. Para Rogério, a governadora não firmou uma relação direta com aliados, terceirizou conversas e deixou acordos nas mãos do marido e chefe de gabinete, Madson Cameli. Em política, quem procura o governo quer falar com quem tem a caneta. Quando isso não acontece, a aliança perde segurança.

Pesquisa Delta acende alerta no Palácio

A pesquisa do Instituto Delta, realizada entre 27 e 30 de junho, também entrou na mesa. No cenário estimulado para o governo, Alan Rick aparece com 41,25%. Tião Bocalom vem em seguida com 19,5%. Mailza Assis aparece com 19,25%, tecnicamente encostada em Bocalom, mas atrás no número direto. O candidato do PSB, Thor Dantas, aparece com 2,5%.

A leitura política da bancada foi dura para a governadora. Mailza, mesmo no exercício do governo, aparece em terceiro lugar faltando pouco tempo para a eleição. A crítica não ficou apenas nos números. O programa atribuiu o desempenho a uma articulação travada, falta de diálogo, ausência de um núcleo experiente e dificuldade de transformar o comando do Palácio Rio Branco em força eleitoral.

Prefeitos podem deixar o barco

O Jornal da Manhã também levou ao ar a informação de que novos aliados podem deixar o grupo de Mailza ainda esta semana. O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, já anunciou apoio a Alan Rick. Segundo a bancada, outros prefeitos do Juruá estariam próximos de seguir o mesmo caminho.

A leitura é simples e dura: quando a eleição se aproxima, prefeito olha para pesquisa, estrutura e perspectiva de vitória. Ninguém quer carregar sozinho o desgaste de um governo que perdeu tração. No interior, onde a política passa por ramal, posto de saúde, escola e máquina na estrada, a troca de lado costuma acontecer antes do discurso público.

PL pode mudar de direção

A conversa sobre alianças também chegou ao senador Márcio Bittar. Na semana passada, em entrevista ao Jornal da Manhã, ele já havia deixado no ar desconforto com a relação entre o PL e o governo Mailza. A frase lembrada pela bancada foi de que “parece que não querem o PL por lá”.

Depois, Bittar apareceu em vídeo com Zequinha Lima durante o jogo do Brasil. O prefeito lançou a provocação sobre o PL estar junto, e o senador respondeu: “já estamos juntos”. Para Rogério, a frase não fecha a mudança, mas deixa a porta aberta. O casamento com o governo, nas palavras usadas no programa, parece manco por falta de reciprocidade.

MDB perdeu força por excesso de cálculo

O MDB também entrou na conta. Primeiro, o nome de Jéssica Sales apareceu como possível vice. Depois, surgiu a versão de que o ex-prefeito Wagner Sales poderia ser vice de Mailza. O secretário de Governo, Luiz Calixto, veio a público negar a informação e chamou a conversa de fake news.

A análise da bancada foi que o MDB se colocou num leilão político prolongado e acabou perdendo credibilidade. Quando a legenda fala uma coisa em um dia, muda no outro e volta atrás depois, fica difícil saber onde termina a estratégia e onde começa a barganha. Para o Jornal da Manhã, só a ata da convenção vai dizer com segurança para onde o MDB vai.

Onze vereadores na sinuca

A pergunta mais local, e talvez a mais incômoda para Cruzeiro do Sul, ficou para os vereadores. O programa afirmou que pelo menos 11 vereadores ainda não se declararam depois do apoio de Zequinha Lima a Alan Rick. A dúvida é para onde esse grupo vai: fica com o governo estadual ou acompanha o prefeito?

A situação é delicada porque, segundo a bancada, vereadores têm cargos indicados tanto no governo quanto na prefeitura. O prazo para exonerações e nomeações antes da eleição já venceu, o que limita movimentos administrativos, mas não resolve o problema político. Houve reunião fechada em Cruzeiro do Sul com integrantes do governo cobrando posição dos vereadores. Agora, quem ficou calado terá que escolher lado.

Senado também entrou na roda

A pesquisa para o Senado apareceu com Márcio Bittar na liderança. No cenário comentado no programa, Bittar tem 19,12%, Gladson Cameli aparece com 17% e Jorge Viana com 16%. Depois vêm Mara Rocha, com 12,9%, Sérgio Petecão, com 8,5%, Eduardo Velloso, com 7,6%, Nasser Moreira, com 1,7%, e Júnior Feitosa, com 1,6%.

A bancada questionou a presença de Gladson nas pesquisas por causa da situação jurídica do ex-governador. A leitura feita no programa é que, sem ele no cenário, Márcio Bittar e Jorge Viana passam a ocupar o centro da corrida ao Senado. É uma disputa ainda aberta, mas com um detalhe importante: os números publicados contam apenas parte da história. As pesquisas internas, aquelas que os grupos guardam para consumo próprio, podem estar mostrando um ambiente diferente do que aparece na vitrine.

Bocalom ironiza pesquisas

Tião Bocalom também apareceu no encerramento da análise política. A bancada lembrou uma frase atribuída ao prefeito de Rio Branco: soltem ele numa esquina e soltem os outros candidatos em outra para ver quem tem mais força na rua. O recado mira as pesquisas, que Bocalom costuma tratar com desconfiança.

Essa é uma disputa que mistura número e presença. Alan Rick lidera com folga no levantamento citado, Mailza tenta segurar o governo, Bocalom aposta no contato direto e Jorge Viana trabalha para reconstruir pontes no interior. A Expoacre Juruá mostrou esse tabuleiro ao vivo, no meio do povo, sem precisar de comício formal.

Naluh mira “pão e circo”; pasta da Indústria tem R$ 63 milhões em festas e eventos

A fala da conselheira Naluh Gouveia, durante sessão do Tribunal de Contas do Estado do Acre no último dia 2 de julho, colocou em palavras uma pergunta que os números tornam difícil de ignorar: a Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia tem financiado uma política de desenvolvimento ou virou uma das principais portas do governo Gladson Cameli e Mailza Assis para bancar festas, shows, feiras e eventos de curta duração?

Naluh foi direta ao tratar dos gastos públicos com festas. Disse que “essa situação dessas festas é um absurdo” e cobrou da Procuradoria-Geral do Estado uma postura menos voltada à defesa de secretários e governadores e mais comprometida com o Estado, a Constituição e o dinheiro público. “A Procuradoria tá nos devendo, como moradores do Acre, essa defesa do nosso Estado”, afirmou.

A manifestação ocorreu na sessão em que o TCE manteve suspensos pagamentos ligados à Festa do Trabalhador, realizada pelo governo em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com shows de Tierry e Joelma. O processo tratava dos Termos de Colaboração nº 3 e nº 4/2026, firmados pela SEICT com a Associação Transformar. Os valores discutidos chegam a cerca de R$ 2,2 milhões para Rio Branco e R$ 2,6 milhões para Cruzeiro do Sul, somando mais de R$ 4,8 milhões.

A cautelar havia sido adotada por falhas no processo, entre elas ausência de pesquisa de preços, falta de comprovação da capacidade técnica da entidade e problemas de transparência. A Procuradoria-Geral do Estado tentou derrubar a suspensão. Alegou que a secretaria entregou depois os documentos cobrados e que a manutenção do bloqueio poderia prejudicar fornecedores e trabalhadores locais, já que os eventos tinham sido realizados. Pediu a liberação dos pagamentos ou, ao menos, o repasse conforme a apresentação das notas fiscais.

A maioria dos conselheiros acompanhou o voto da relatora, conselheira Maria de Jesus, e manteve a suspensão. A entrega posterior dos documentos não bastou para liberar o dinheiro. Pelo volume de recursos e pelas dúvidas abertas no processo, o TCE decidiu que a documentação ainda precisa passar por análise técnica antes de qualquer pagamento.

A crítica de Naluh foi além da Festa do Trabalhador. Ela citou gastos com evento religioso, defendeu o princípio do Estado laico e disse que algumas movimentações em secretarias são “extremamente suspeitas”. No trecho mais duro, falou em “valores imensos para shows” em que o artista “vem aqui, canta e vai embora e não fica nada pro nosso Estado”.

A planilha de despesas da SEICT, após pesquisa no Portal da Transparência, dá tamanho financeiro a essa crítica. A base reúne 1.227 lançamentos entre 2022, 2024, 2025 e o primeiro semestre de 2026. Não há registros de 2023. No período disponível, a secretaria pagou R$ 131,1 milhões. Desse total, R$ 85,2 milhões aparecem na subfunção Promoção Comercial, o equivalente a 65% de tudo que saiu da pasta.

Quando o recorte busca nos históricos termos como Expoacre, evento, feira, show, atrações nacionais, carnaval, festa, festival e Dia do Trabalhador, o valor chega a R$ 63,1 milhões pagos. Na prática, quase metade de todo o dinheiro movimentado pela Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia no período analisado foi para despesas ligadas a festas, feiras, eventos e atrações nacionais.

O contraste é direto. A mesma pasta que carrega no nome as palavras indústria, ciência e tecnologia pagou R$ 7,6 milhões em Difusão do Conhecimento Científico e Tecnológico, R$ 10,7 milhões em Promoção Industrial e R$ 1,3 milhão em Tecnologia da Informação. Somadas, essas três áreas ficam muito abaixo do volume encontrado em eventos.

Só os históricos que citam Expoacre somam R$ 47,1 milhões. A Expoacre Juruá aparece em R$ 33,6 milhões. Os maiores recebedores desse bloco são a Casa da Amizade, com R$ 40,8 milhões em despesas vinculadas a eventos e feiras, e a Associação Comercial e Empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 11,5 milhões.

O caso mais expressivo é o Termo de Colaboração nº 3/2025/SEICT, firmado com a Casa da Amizade. O objeto aparece como promoção de eventos com atrações nacionais para as edições da Expoacre Juruá e da Expoacre em Rio Branco. Foram quatro pagamentos: R$ 9,7 milhões, R$ 9,1 milhões, R$ 3,2 milhões e R$ 135 mil. Ao todo, R$ 22,3 milhões.

A programação acompanhou o tamanho da conta. Em 2025, a Expoacre Juruá levou a Cruzeiro do Sul Raça Negra, Gusttavo Lima, Isaías Saad, Marcynho Sensação, Vila Kids Festival, Eric Land e Wesley Safadão. Em Rio Branco, a Expoacre teve Gusttavo Lima, Zezé Di Camargo & Luciano, Fernanda Brum, Matheus & Kauan, apresentações infantis, Tribe Festival, Ecofest e Jorge & Mateus no encerramento.

O modelo não começou em 2025. Em 2024, a Expoacre em Rio Branco teve Biguinho Sensação, Marília Tavares, Limão com Mel, Nadson o Ferinha, Thalles Roberto e Henry Freitas. Na Expoacre Juruá do mesmo ano, o governo anunciou Murilo Huff, Manu Bahtidão, Som e Louvor e Raquel dos Teclados. O discurso oficial sempre apresentou as feiras como vitrines econômicas e motores para o comércio local.

O Carnaval da Família também entrou na conta da SEICT. A planilha mostra R$ 5,16 milhões em despesas com carnaval. Em 2025, a programação teve atrações nacionais como Tchakabum e Gilmelândia, além de artistas locais.

No Dia do Trabalhador de 2026, a base mostra R$ 1.595.503,29 pagos à Associação Transformar: R$ 914 mil para Cruzeiro do Sul e R$ 681,5 mil para Rio Branco. O valor localizado como pago é menor que o total discutido no TCE porque parte dos repasses foi suspensa. Na programação, o governo levou Joelma para Cruzeiro do Sul e Tierry para Rio Branco.

O governo costuma defender esses eventos como instrumentos de movimentação econômica. A Expoacre aquece hotéis, restaurantes, transporte, comércio, ambulantes e prestadores de serviço. Isso não elimina a pergunta central: essa política deixa uma base permanente de desenvolvimento ou só movimenta dinheiro enquanto o palco está montado?

Naluh resumiu a crítica em uma expressão antiga e incômoda. Disse que muitas vezes se dá “pão e circo” para a população esquecer que “não se tem creche, que não se tem emprego, que não se tem trabalho”. Para ela, quando o Estado escolhe a festa como prioridade, deixa de enfrentar problemas que continuam no dia seguinte ao show.

A conselheira também fez uma comparação com os artistas locais. Disse ver jovens formados em música pela Universidade Federal do Acre sem perspectiva, enquanto artistas de fora recebem R$ 300 mil, R$ 500 mil ou R$ 1 milhão e vão embora. “Isso não é certo”, afirmou. Em outro trecho, disse que esses shows entregam “aquele momento de felicidade naquela hora e depois 300 e poucos dias de sofrimento”.

A concentração dos pagamentos reforça o peso político e financeiro dessa engrenagem. Quase metade de todo o dinheiro pago pela SEICT aparece no elemento de despesa Contribuições, com R$ 64 milhões. Esse tipo de despesa inclui repasses a entidades por meio de parcerias, convênios e termos de colaboração. Os dez maiores credores da pasta receberam R$ 102,9 milhões, cerca de 78,5% de todo o valor pago.

O Acre também acumula investigações e decisões judiciais envolvendo shows, empresários de eventos, inexigibilidades e suspeitas de irregularidades. Em janeiro de 2026, a Operação Graco, da Controladoria-Geral da União e da Polícia Federal, mirou um contrato de R$ 1,3 milhão para três shows em Sena Madureira, firmado por inexigibilidade de licitação, com suspeita de prejuízo de até R$ 912 mil.

Em outra frente, a Operação Inceptio levou o Ministério Público do Acre a denunciar 14 pessoas por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A investigação tratou de um grupo voltado ao envio de drogas para outros estados e à movimentação de dinheiro para esconder a origem dos valores. A imprensa local apontou entre os investigados empresários com atuação no setor de eventos, camarotes, casas noturnas e grandes shows no Acre.

O Ministério Público também já conseguiu suspender shows em municípios acreanos. Em Sena Madureira, a Justiça suspendeu em 2022 a contratação de Bonde do Forró e Mattos Nascimento para a ExpoSena, após ação que apontava desproporção entre festas e prioridades públicas. Em 2026, no Jordão, o MPAC conseguiu manter suspenso contrato de R$ 400 mil para show de Evoney Fernandes, com questionamentos sobre inexigibilidade, possível sobrepreço e compatibilidade da despesa com a realidade social do município.

Nada disso torna todo evento irregular. Feira, show e festa também movimentam economia, dão trabalho a muita gente e podem integrar uma política pública legítima. O problema começa quando uma secretaria criada para cuidar de indústria, ciência e tecnologia passa a concentrar dezenas de milhões em eventos e atrações nacionais sem mostrar, com a mesma clareza, o que ficou de permanente para o Acre.

Depois de R$ 63,1 milhões em despesas ligadas a eventos, feiras, carnaval, Dia do Trabalhador, Expoacre e atrações nacionais, o governo precisa responder quais indústrias foram atraídas, quais cadeias produtivas ganharam força, qual polo tecnológico avançou, quantos empregos permanentes foram criados e que legado econômico ficará quando as luzes da arena se apagarem.

A fala de Naluh Gouveia abriu o incômodo no TCE. A planilha da SEICT mostrou a dimensão da conta. No Acre, o palco passa, o artista embarca de volta e a despesa fica. O que ainda não apareceu, com a mesma força dos contratos de festa, foi a política industrial, científica e tecnológica capaz de justificar uma secretaria com esse nome gastar tanto com evento.

Zequinha vê jogo com Bittar e Gonzaga e manda recado ao PL em meio a racha na base de Mailza

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, do Progressistas, transformou o jogo entre Brasil e Noruega, neste domingo, 5, em mais um capítulo da disputa pelo comando das alianças políticas no Acre. Ao lado do senador Márcio Bittar, do PL, e do deputado estadual Luiz Gonzaga, do MDB, Zequinha usou o clima de Copa do Mundo para defender a aproximação do PL com o grupo que passou a apoiar após deixar a base da governadora Mailza Assis.

Em vídeo gravado durante a partida, Zequinha disse que era “uma honra” receber Bittar e Gonzaga em Cruzeiro do Sul e afirmou que o encontro não ficaria restrito ao futebol. “Além do papo hoje ser futebol, não tinha como o papo também ser política. Eu estou torcendo para que, quem sabe, o PL possa estar do nosso lado, apoiando, o Alan”, disse o prefeito. Na sequência, Bittar entrou na conversa e respondeu: “Aqui estamos juntos, é 3 a 0 contra a Noruega, que queria meter o bedelho na Amazônia. Agora é hora de derrotá-la no futebol, depois derrotá-la na política”.

A fala ocorre menos de uma semana depois de Zequinha romper com a pré-candidatura de Mailza, sua correligionária no PP, e anunciar apoio ao senador Alan Rick, do Republicanos, na disputa pelo governo em 2026. O movimento teve peso político por partir do prefeito de Cruzeiro do Sul, principal cidade do Juruá, região considerada decisiva na montagem das chapas majoritárias e no desempenho eleitoral dos candidatos ao Palácio Rio Branco.

A presença de Bittar ao lado de Zequinha aumenta a pressão sobre a aliança entre PL e PP. Nos últimos dias, o senador tornou públicas as insatisfações com o governo estadual e afirmou que a relação ficou “arranhada” após a saída de Sula Ximenes do Deracre. Bittar disse que o PL tem demonstrado mais disposição para manter a aliança com o governo do que o Palácio Rio Branco em preservar o partido no grupo governista.

O senador também admitiu que há pressão nacional para que o PL caminhe com Alan Rick no Acre. A articulação envolve conversas entre a direção nacional do PL e o Republicanos, dentro de uma costura mais ampla para 2026. Bittar afirmou que não recebeu ordem formal, mas reconheceu que um pedido direto de Flávio Bolsonaro teria peso na decisão do partido no estado.

O recado de Zequinha, portanto, não foi isolado. Ao dizer que torce para o PL “estar do nosso lado”, o prefeito se colocou como peça ativa na tentativa de atrair Bittar para o palanque de Alan Rick. A cena também reduz o espaço para leitura de neutralidade: Zequinha apareceu ao lado do principal nome do PL no Acre justamente no momento em que o partido discute se permanece com Mailza ou se migra para o projeto do Republicanos.

Luiz Gonzaga completa o simbolismo político do encontro. Filiado ao MDB, o deputado criticou recentemente a demora do partido em definir a aliança com Mailza e disse que a indefinição prejudica o processo. O MDB é tratado como uma das legendas-chave da eleição de 2026, tanto pela estrutura partidária quanto pela possibilidade de indicar a vice na chapa governista.

A imagem de Gonzaga ao lado de Bittar e Zequinha, em Cruzeiro do Sul, ocorre em um momento sensível para o partido. Parte do MDB é vista como inclinada a permanecer com Mailza, mas a legenda ainda convive com disputas internas e pressões de grupos que avaliam outros caminhos. O próprio Gonzaga, ao reclamar da demora, expôs o desconforto de lideranças que precisam organizar chapas proporcionais e definir lado antes das convenções.

Do outro lado da cena política, Gladson Cameli e Mailza Assis também acompanharam o jogo juntos em Cruzeiro do Sul. A presença dos dois no mesmo município, enquanto Zequinha reunia Bittar e Gonzaga, mostra como a partida da Seleção acabou servindo de pano de fundo para a disputa real: a reorganização das forças de direita no Acre.

Mailza tem evitado confronto direto com Zequinha desde o anúncio de apoio a Alan Rick. A governadora afirmou que não pretende puni-lo no PP e disse que cada liderança tem o direito de fazer sua escolha. Em outra declaração, porém, cobrou confiança e gratidão na política, lembrando que apoiou o prefeito desde a primeira eleição, em 2020, e também na reeleição.

O gesto de Zequinha amplia o desgaste dentro do Progressistas e atinge a estratégia de Mailza no Juruá. Além de perder o apoio do prefeito de uma das cidades mais importantes do estado, a governadora vê adversários tentarem puxar para o mesmo campo duas peças que eram tratadas como estratégicas para sua chapa: o PL de Bittar e o MDB de Luiz Gonzaga.

Documentos de 2020 enfraquecem discurso de Mailza sobre Alan Rick e viaduto da Avenida Ceará

Documentos obtidos pelo site mostram indicação somente de Alan Rick para viaduto da Avenida Ceará

Documentos obtidos pelo site mostram que o recurso federal destinado ao viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco, entrou na emenda de bancada de 2020 por indicação vinculada ao então deputado federal Alan Rick. Conforme o documento afirma, ele foi o único a fazer essa indicação. Os registros enfraquecem o discurso da governadora Mailza Assis, que tratou a obra apenas como resultado de uma construção coletiva da bancada, Sudam, governo federal e governo do Acre.

O ponto central da controvérsia está na diferença entre a tramitação formal e a indicação política do recurso. Formalmente, a verba saiu por meio da Emenda de Bancada nº 71020001. Na prática, os documentos mostram que a parte destinada ao complexo viário aparece atribuída a Alan Rick, dentro da organização interna das indicações parlamentares da bancada federal acreana.

O principal registro é o Ofício nº 020/2020, assinado em 20 de março de 2020 pelo senador Sérgio Petecão, então coordenador da bancada federal do Acre. O documento foi encaminhado ao então governador Gladson Cameli para comunicar a abertura de programa no Siconv referente à construção do viaduto na Avenida Ceará com a Isaura Parente, em Rio Branco.

No quadro anexado ao ofício, a emenda aparece dividida em dois programas vinculados à Seinfra, nos valores de R$ 17.741.160,00 e R$ 1.032.568,00. Juntos, os dois valores somam R$ 18.773.728,00. Logo abaixo, Petecão registrou que a emenda havia sido “proposta e defendida pelo Deputado Federal Alan Rick”.

A planilha de acompanhamento das emendas de bancada de 2020 reforça a mesma informação. Na linha da Emenda 71020001, Alan Rick aparece como parlamentar vinculado ao recurso. O documento aponta a Sudam como unidade orçamentária e descreve o objeto como implantação de Complexo Viário no município de Rio Branco.

A própria comunicação política do governo Gladson Cameli também reconheceu, à época, a participação de Alan Rick. Em postagem antiga, o então governador apresentou a maquete da intervenção na Avenida Ceará, falou em investimento de R$ 20 milhões e agradeceu ao parlamentar pela emenda destinada ao projeto.

A fala de Mailza ganhou repercussão depois da liberação do tráfego no viaduto. Ao comentar a origem dos recursos, a governadora afirmou que a obra não poderia ser atribuída exclusivamente a Alan Rick e citou a emenda de bancada, a Sudam, o governo federal e a participação do Estado.

Os documentos, porém, mostram que a explicação fica incompleta quando ignora a indicação parlamentar que deu origem à destinação. A obra foi executada pelo governo do Acre e tramitou como emenda de bancada, mas os registros de 2020 ligam a escolha do viaduto ao então deputado federal Alan Rick.

Na prática, a documentação não retira o papel do Estado na execução nem o caráter formal da emenda coletiva. Mas enfraquece a tentativa de diluir a participação de Alan Rick na origem do recurso federal. O que os registros mostram é que a indicação política para o viaduto da Avenida Ceará saiu da cota articulada pelo então deputado, antes de a obra deixar o papel e passar a integrar o trânsito da capital.

Márcio Bittar diz que governo Mailza pode não querer o PL e coloca Bolsonaro como prioridade em 2026

O senador Márcio Bittar afirmou nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a eleição nacional será sua prioridade em 2026, defendeu o palanque bolsonarista no Acre, admitiu que uma articulação entre PL e Republicanos pode mexer no tabuleiro estadual e criticou a falta de diálogo do Palácio Rio Branco após a saída de Sula Ximenes do Deracre.

Bittar entrou no estúdio com a política acreana atravessada por três disputas ao mesmo tempo: a pré-campanha ao governo, a tentativa de reeleição ao Senado e a montagem do palanque presidencial ligado a Jair Bolsonaro. Logo no início da entrevista, ele defendeu que a vida pessoal de quem disputa cargo público também precisa entrar no debate. “O político, quando entra numa campanha dizendo que a vida pessoal não importa, está mentindo. A vida pessoal importa, sim”, disse o senador.

Para explicar a posição, Bittar citou a própria família. Falou da mãe, de 93 anos, com Alzheimer, e da irmã mais nova, que depende de cuidados desde o nascimento. “Se você descobre, por exemplo, que o Márcio Bittar não cuida da mãe dele, não cuida da irmã dele, você acha que ele vai cuidar bem do Estado?”, questionou. A frase abriu a linha central da entrevista: campanha, para ele, deve revelar trajetória, comportamento e lado político.

Na leitura de Bittar, o Acre vive uma eleição diferente porque a velha divisão entre PT e anti-PT perdeu força na disputa estadual. Ele lembrou que o grupo petista governou o Acre por 20 anos, tentou voltar em 2022 e também saiu derrotado nas eleições municipais de 2024. “Depois de tanto tempo, nós conseguimos vencer o PT e depois derrotamos a tentativa de voltar em 2022 e em 2024 também”, afirmou.

Com o PT fora do centro da disputa, Bittar disse ter relação política e pessoal com os três nomes que hoje aparecem no campo competitivo para o governo: Mailza Assis, Tião Bocalom e Alan Rick. “No meu caso, eu tenho amizade com os três, eu tenho história com os três. Cabe a mim cuidar da tentativa de me reeleger”, declarou. Segundo ele, a ausência da polarização estadual permite que sua energia se concentre mais na eleição nacional.

O senador foi direto ao tratar de Bolsonaro. “Como você disse, Chico, eu tenho lado. O meu lado é o lado do presidente Bolsonaro”, afirmou. Em outro momento, ao ser perguntado se cuidaria no Acre do palanque bolsonarista, reforçou que a pauta federal é o que mais pesa em sua atuação. “A eleição mais importante para mim, com todo respeito à Mailza, ao Bocalom e ao Alan, não é eleição local. Eles não vão resolver os problemas que eu trabalho e que eu estudo há 30 anos.”

Bittar citou Flávio Bolsonaro como nome do seu campo para a Presidência e disse que pretende trazê-lo ao Juruá. “O Flávio vai vir aqui. Ele vem no Juruá. Ele não vem nem parar em Rio Branco, é direto para cá”, afirmou. A declaração serviu de ponte para o tema que mais mexe no bastidor da direita acreana: uma possível aliança nacional entre PL e Republicanos, partido de Alan Rick.

O senador confirmou conversa com Rogério Marinho, secretário-geral do PL e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. “Ele confirmou isso. Não tem novidade nisso. O PL, que tem o nosso pré-candidato, quer o apoio, quer uma coligação com o Republicanos”, disse. Bittar tratou a negociação como movimento natural de política nacional. “No momento em que o PL busca o apoio do Republicanos na candidatura do Flávio, é natural que o Republicanos peça reciprocidade.”

Essa reciprocidade pode chegar ao Acre. Bittar afirmou que Rogério Marinho lhe disse que não haverá obrigação formal. “Ninguém vai te obrigar a nada, não há verticalização”, relatou. Ainda assim, reconheceu que uma pressão direta de Flávio Bolsonaro mudaria o peso da decisão. “Se ele vem e me pede: Márcio, nós estamos aqui numa articulação nacional, queremos trazer o Republicanos, ajuda a gente, eu vou ficar numa situação”, disse.

A relação com o governo Mailza Assis ganhou tensão quando o assunto chegou ao Deracre. Bittar disse que sempre viu como mais coerente manter a aliança entre PL, PP e União Brasil, mas afirmou sentir, em alguns momentos, que o próprio governo pode não querer essa aproximação. “Eu sempre entendi que seria mais coerente manter essa aliança. Agora, às vezes eu tenho a impressão de que o governo é que não quer o PL”, declarou.

O caso de Sula Ximenes virou o exemplo principal. Bittar lembrou que ela é filiada ao PL, foi retirada de uma possível candidatura a deputada estadual e voltou ao Deracre a pedido do governo. Depois, deixou o cargo. “Ela me disse que pediu demissão porque se sentiu empurrada para fora, e o governo não fala nada com o PL”, afirmou.

O senador também disse que soube da saída de Sula pela imprensa. “Pela imprensa”, respondeu, ao ser perguntado como tomou conhecimento da exoneração. Na avaliação dele, a situação expôs ruído político dentro do Palácio Rio Branco. “Falta articulação no Palácio Rio Branco”, disse. Bittar evitou personalizar a crítica, mas manteve o recado: “Não quero botar isso no nome de ninguém, mas senta o chapéu na cabeça de quem couber.”

A saída de Sula, para Bittar, não atinge apenas a relação partidária. O senador ligou a crise à execução de obras e emendas no Deracre. Ele afirmou que ainda tem recursos destinados à autarquia e citou o viaduto da Corrente e outras ações em andamento. “Eu continuo sendo o parlamentar que mais tem emenda no Deracre”, declarou.

Bittar também respondeu às cobranças sobre o período em que foi relator do Orçamento da União. Disse que o poder do relator era limitado e que não poderia levar todo o orçamento nacional para o Acre. “O poder que eu tive como relator é um poder relativo. Eu não posso pegar o orçamento e levar todo para o meu Estado”, afirmou.

Segundo o senador, por sua atuação como relator, conseguiu trazer cerca de R$ 600 milhões a mais para o Acre. Somando emendas extraordinárias liberadas no governo Bolsonaro, disse que o valor passou de R$ 1 bilhão. “Quando eu digo que trouxe mais de R$ 1 bilhão, são outras tantas emendas. Eu consegui muita emenda extraordinária no governo do presidente Bolsonaro”, afirmou.

Ele citou recursos para ramais, máquinas entregues a prefeituras e obras como o mini anel de Brasileia e Epitaciolândia. Também afirmou que destinou R$ 200 milhões para a BR-364 dentro do orçamento geral. “Para a BR-364 foram R$ 200 milhões. Mas, dos R$ 600 milhões que eu consegui, eu tive que atender prefeitura, governador, todo mundo queria emenda”, disse.

Na pauta ambiental, Bittar voltou a defender sua tese de que os principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia estão em Brasília, e não nos governos locais. “Os grandes problemas da região amazônica não se resolvem aqui, se resolvem no Brasil”, afirmou. Para ele, leis federais permitem ações de órgãos como Ibama e ICMBio em áreas rurais. “Se você é contra, como eu sou contra, essas ações, eu tenho que ajudar a mudar a lei. E ela é em Brasília.”

O senador também respondeu por que essas mudanças não avançaram durante o governo Bolsonaro. “Não mudou porque não tinha maioria, principalmente no Senado”, disse. Bittar afirmou que o poder de organizações não governamentais na Amazônia é maior do que parte da população imagina e defendeu a CPI das ONGs como instrumento para expor esse debate.

Em sua fala mais dura, classificou a disputa ambiental na Amazônia como conflito econômico. “Na verdade, isso é uma guerra econômica travestida de preocupação ambiental. Nós temos que desfazer isso”, declarou. Ele também acusou ONGs de atuarem contra obras estratégicas no Acre, citando a ponte de Rodrigues Alves e a continuidade da BR-364.

Ao final da entrevista, Bittar voltou ao tema da campanha. Para ele, a pré-campanha e a campanha servem para mostrar ao eleitor quem são os candidatos, o que pensam e o que fizeram quando tiveram poder. “A pré-campanha e a campanha são para você saber quem é quem, o que pensa, o que está fazendo. Se você é governo do Acre, o que fez? Se você é governo do Brasil, o que fez?”, afirmou.

A entrevista deixou Bittar no lugar onde ele costuma se colocar: sem tentar esconder o lado. O senador quer a reeleição, mantém relação com os principais nomes do governo estadual, mas avisou que sua prioridade será o palanque nacional de Bolsonaro. No Acre, essa escolha pode aproximar ou afastar aliados. E, pelo tom da conversa, o Deracre virou mais que uma autarquia em crise: virou a primeira rachadura visível entre o Palácio Rio Branco e o grupo que o governo ainda precisa decidir se quer manter por perto.

Jornal da Manhã em Coluna – 3 de julho de 2026

A coluna desta sexta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, cobertura de Gledson Albano, participação do senador Márcio Bittar e entrevista com o deputado estadual Pedro Longo em Cruzeiro do Sul.

Deracre sem comando

A saída de Sula Ximenes do Deracre abriu uma crise que não cabe apenas na troca de comando. O problema agora chegou ao caixa, ao planejamento e ao chão dos ramais. A autarquia entrou em julho sem direção definitiva, justamente quando o verão deveria estar com máquinas nas comunidades rurais.

No Jornal da Manhã, a cobrança foi direta: se o governo prometeu ramal recuperado, precisa mostrar máquina trabalhando. A zona rural não vive de anúncio. Vive de estrada aberta, ponte em pé, bueiro colocado e piçarra no trecho que corta a produção antes de chegar à cidade.

Operação Verão só na propaganda

A Operação Verão foi anunciada com mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho, 400 máquinas e a promessa de atender 12 mil quilômetros de ramais. Mas a leitura feita no programa foi outra: entre o discurso e a execução, a distância ainda é grande.

No Juruá, a avaliação da bancada é que a operação não chegou de verdade. Há ações pontuais, mas a percepção nos ramais é de espera. Em Rio Branco, até máquina que estava na Transacreana teria sido retirada, provocando preocupação entre moradores.

O produtor esperando

O mês de junho passou quase inteiro sem chuva forte, e mesmo assim a engrenagem não andou no ritmo prometido. Esse é o ponto que pesa. Quem mora no ramal sabe que o verão amazônico não espera reunião, nomeação nem disputa interna.

Quando a chuva voltar, o preço vai cair no colo de quem planta, cria, leva filho para a escola, tenta chegar ao posto de saúde e depende da estrada para vender o que produz. A cobrança do programa foi simples: promessa feita para a zona rural precisa virar serviço antes do inverno.

Calixto e a imprensa

A fala do secretário de governo Luiz Calixto também entrou no centro do debate. A bancada rebateu a tentativa de tratar críticas à gestão como misoginia contra a governadora Mailza Assis.

O questionamento feito no ar foi outro: crítica a governo não nasce do gênero de quem ocupa o cargo. Nasce do uso de dinheiro público, da falta de resposta, da promessa sem entrega e da obrigação de prestar contas. Quando a agenda é pública e a conta sai do bolso do contribuinte, o assunto deixa de ser pessoal.

Moralidade seletiva

Rogério Wenceslau tratou como moralidade seletiva o movimento de aliados do governo que passaram a defender uma limpeza administrativa depois que antigos aliados começaram a ser exonerados.

A avaliação foi dura: enquanto todos estavam no mesmo barco, ninguém parecia incomodar. Quando a cadeira mudou de peso e alguns nomes perderam espaço, a defesa da moralidade apareceu como discurso político. A pergunta que ficou foi se a régua vale para todos ou apenas para quem saiu do grupo.

Márcio Bittar no estúdio

O senador Márcio Bittar chegou ao Jornal da Manhã para uma conversa sem roteiro fechado. A bancada brincou que a pauta cabia em uma folha quase vazia, mas a entrevista passou por política nacional, alianças no Acre, BR-364, ambientalismo, PL, governo Mailza e a crise no Deracre.

Bittar deixou claro que tem lado. Repetiu que continua no campo bolsonarista e defendeu que a campanha precisa servir para o eleitor saber quem é quem, o que cada um pensa e o que cada grupo fez quando teve poder nas mãos.

O PL e o Palácio

A relação entre o PL e o Palácio Rio Branco apareceu como um dos pontos sensíveis da entrevista. Bittar afirmou que sempre viu coerência na manutenção da aliança com PP e União Brasil, mas disse ter a impressão de que o próprio governo pode não querer o PL por perto.

O caso de Sula Ximenes foi usado como exemplo. Para o senador, a saída dela do Deracre mexe com obras, emendas e compromissos assumidos. Ele também lembrou que há obras paradas pelo inverno que precisam ser retomadas agora no verão.

BR-364 e saída pelo Peru

A ligação do Juruá com o Peru voltou à pauta. Bittar defendeu que Cruzeiro do Sul não pode continuar como fim de linha e disse que uma saída internacional mudaria a lógica econômica da região.

A discussão passou pela BR-364, pela possibilidade de integração com mercados asiáticos e pelo entrave ambiental. O senador afirmou que o pré-projeto avançou no governo Bolsonaro, mas o passo seguinte, a licitação do projeto executivo, ficou parado após ação judicial movida por organização ambiental.

Malária no centro do mapa

O Ministério da Saúde escolheu o Juruá como projeto piloto do plano de eliminação da malária. A meta nacional é erradicar a doença até 2030, e Cruzeiro do Sul passa a ocupar posição central nesse esforço.

A escolha não veio por acaso. No Juruá, a malária não é estatística distante. É febre conhecida, exame repetido, remédio na rotina e famílias que contam episódios da doença como quem conta marcas de sobrevivência. O desafio agora é fazer o plano sair da reunião técnica e chegar ao morador do ramal, da beira do rio e da comunidade onde o mosquito ainda manda no território.

Pedro Longo no ramal

O deputado estadual Pedro Longo chegou ao estúdio depois da entrevista com Márcio Bittar e trouxe a experiência de agendas no Juruá. Ele contou que passou pela Expoacre, esteve em Mâncio Lima, foi a Rodrigues Alves e visitou o ramal dos Pinheiros.

A descrição foi direta: o ramal continua muito precário. Se chovesse, a saída seria difícil até com carro traçado. Longo também citou conversa com a Cooperverde, presidida por Paulo Sérgio, e falou em projetos de diversificação da produção naquela região.

MDB em teste

A situação do MDB no Acre entrou na conversa com Pedro Longo. A bancada provocou o deputado sobre a indefinição do partido entre o campo de Mailza Assis e uma eventual aproximação com Alan Rick.

Longo respondeu que entrou no MDB dentro de um contexto de alinhamento com o governo e afirmou que continuará onde sempre esteve: com Mailza. A frase deixou o recado político mais claro do que qualquer nota partidária. Se o MDB mudar de lado, Pedro Longo não necessariamente muda junto.

Tensão no Deracre! Queda em pagamentos de ramais e ruído sobre caixa da Operação Verão

Governo anunciou mais de R$ 70 milhões, 40 frentes de trabalho e 12 mil quilômetros de ramais, mas base de pagamentos mostra que, até 1º de julho, o nome “Operação Verão” aparece quase só em diárias; grande licitação de ramais foi suspensa

A saída de Sula Ximenes do comando do Deracre abriu uma crise que vai além da troca de cadeira na autarquia. O problema, agora, está no caixa e na execução da Operação Verão 2026, lançada pelo governo Mailza Assis com discurso de força-tarefa, máquinas nos ramais e investimentos milionários.

O governo anunciou a operação em 1º de junho, em Rio Branco, prometendo mais de 40 frentes simultâneas, mais de 400 máquinas e equipamentos, cerca de 500 trabalhadores e meta de atender 12 mil quilômetros de ramais. No mesmo ato, a gestão falou em aproximadamente R$ 50 milhões para ramais e pontes, além de R$ 30 milhões em recursos federais voltados para Cruzeiro do Sul. Sula, então presidente do Deracre, afirmou que a operação teria mais de R$ 70 milhões em investimentos do governo estadual.

O discurso era de verão planejado. Os dados, porém, contam uma história mais complicada.

Levantamento feito em pagamentos do Deracre entre 2022 e 2026 mostra que o órgão não está necessariamente pagando menos no geral. Pelo contrário: até 1º de julho de 2026, o Deracre já havia pago R$ 174,1 milhões. No mesmo período de 2025, eram R$ 157 milhões. O caixa geral da autarquia, portanto, não encolheu. Cresceu.

A queda aparece quando o filtro vai para o que importa na propaganda da Operação Verão: ramais, estradas vicinais e recuperação de acessos rurais.

Até 1º de julho de 2025, o Deracre havia pago R$ 14,5 milhões em despesas com menção a ramais ou estradas vicinais. No mesmo período de 2026, o valor caiu para R$ 8,3 milhões. É uma redução de cerca de 43% nos pagamentos ligados a ramais, justamente no ano em que o governo lançou a operação como uma das principais vitrines da gestão Mailza.

A diferença fica ainda mais sensível quando o levantamento busca o termo literal “Operação Verão” nos históricos de pagamento. Em 2025, a expressão aparece em 39 registros, somando R$ 9,47 milhões pagos. A maior parte era de serviços de pessoa jurídica, com recuperação de pontos críticos, tapa-buraco e intervenções executadas em campo.

Em 2026, até 1º de julho, a mesma busca encontra 32 registros e apenas R$ 37,8 mil pagos. Todos em diárias.

Deracre tem R$ 43 milhões empenhados e não pagos em 2026

Outro dado reforça a pressão sobre o caixa do Deracre. Até 1º de julho, a autarquia tinha R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos. Desse total, R$ 36,2 milhões ainda nem haviam sido liquidados e R$ 6,9 milhões já estavam liquidados, mas sem pagamento registrado.

A maior concentração está em empenhos feitos em junho, mês de lançamento da Operação Verão. Só nesse período, aparecem R$ 19,6 milhões empenhados e não pagos. O saldo aberto envolve principalmente serviços de pessoa jurídica, obras e instalações, material de consumo, equipamentos e convênios.

No recorte específico de ramais e estradas vicinais, o quadro é ainda mais sensível para o discurso do governo. A base mostra R$ 11,1 milhões empenhados e não pagos em objetos ligados a ramais. Entre os maiores saldos estão o Ramal Estrada Velha, em Epitaciolândia, com R$ 4,3 milhões empenhados sem pagamento; o Ramal Centrinho e Ramal Escondido, com R$ 1,5 milhão; e contratos ligados ao Ramal dos Paulistas, Ramal do Adolar, Ramal Vai Se Ver e pontes em ramais.

O dado não significa que nenhuma máquina tenha ido a campo. O próprio governo publicou ações em ramais, como no Ramal Esperança, em Brasileia, onde informou serviços em 14 quilômetros, lançamento de piçarra, espurgo de asfalto, bueiros e mobilização de equipamentos.

Mas a base de pagamentos mostra que, até agora, o rastro financeiro da Operação Verão 2026 não acompanha o tamanho do anúncio. No papel do Deracre, o nome da operação aparece mais como deslocamento, vistoria e fiscalização do que como pagamento efetivo de obra.

No Juruá, onde a cobrança por ramais costuma pesar mais, o governo lançou uma etapa própria da Operação Verão em 12 de junho. A matéria oficial informou R$ 26 milhões em recursos federais do Ministério da Agricultura e Pecuária para recuperar cerca de 80 quilômetros de ramais em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Rodrigues Alves. Também afirmou que o Estado colocaria recursos próprios para mais de 800 quilômetros de serviços sob demanda na região.

É exatamente aí que a pergunta sobre a origem do dinheiro ganha força. No recorte de ramais da base de 2026, o Deracre tem R$ 19,5 milhões empenhados, mas só R$ 8,3 milhões pagos. A maior parte paga saiu da fonte 15000100, classificada em documentos do Estado como recursos próprios do Tesouro Estadual. Outra parte relevante aparece na fonte 27003120, ligada a emendas parlamentares de bancada em superávit. 

Ou seja: a Operação Verão foi vendida como uma grande ação nova do governo, mas parte importante do dinheiro dos ramais aparece misturada a fontes antigas, emendas, convênios e contratos que já vinham se arrastando de anos anteriores.

O caso mais simbólico é o Contrato de Repasse nº 850470/2017. Esse convênio aparece na base de pagamentos com movimentações em 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026. Só em 2026, há R$ 8,86 milhões empenhados vinculados a esse número, mas apenas R$ 2,37 milhões pagos.

Esse contrato não nasceu agora. Em 2019, o próprio governo Gladson Cameli anunciou a liberação de cerca de R$ 94 milhões para recuperação de ramais em todo o Acre, recurso de emendas de bancada que, segundo a publicação oficial da época, estava “empacado” e poderia ser perdido se não fosse destravado. (Noticias do Acre)

Sete anos depois da origem da emenda e cinco anos após o governo dizer que havia destravado o recurso, o mesmo pacote ainda aparece nos pagamentos do Deracre. Isso ajuda a explicar a morosidade na política de ramais no Acre: não se trata apenas de falta de anúncio. Anúncio houve. O que falta, ano após ano, é execução no ritmo prometido à população rural.

A contratação nova que poderia dar escala à Operação Verão também não engrenou até aqui. A Concorrência Eletrônica SRP nº 044/2026, no ComprasGov nº 90044/2026, Processo nº 0000002/2026-Deracre, foi aberta para contratar serviços de engenharia de melhoramento de ramais vicinais nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá, Envira e Juruá. O edital foi prorrogado para 3 de junho, mas, um dia antes da sessão, a comissão publicou aviso de suspensão por haver pedidos de esclarecimentos e/ou impugnações pendentes de resposta do órgão demandante. 

Na prática, a grande contratação de ramais do Deracre em 2026 foi suspensa no início do verão amazônico, justamente quando o governo dizia que colocaria o maquinário em campo.

A saída de Sula Ximenes piorou a leitura política. O Integração Net mostrou que, nos bastidores, a exoneração abriu ruído sobre o caixa da operação. A versão de bastidor aponta suspeita de que o dinheiro prometido para sustentar a Operação Verão não estaria disponível como havia sido combinado, com questionamentos envolvendo emenda de bancada e planejamento para recuperação de ramais. 

Os números não provam, sozinhos, falta de dinheiro. Mas sustentam a cobrança. Se o governo anunciou mais de R$ 70 milhões, mais de 40 frentes, 12 mil quilômetros de ramais e estrutura pesada em todas as regionais, precisa mostrar quais contratos bancam a operação, quanto já foi empenhado, quanto foi pago, quais ramais foram efetivamente atendidos e que parte do recurso é dinheiro novo do Estado, emenda de bancada, convênio federal ou saldo de contrato antigo.

Áudio expõe crise interna e resposta da Sefaz não encerra dúvida sobre o caixa

A crise da Operação Verão não nasceu apenas de especulação política. Reportagem do AC24Agro trouxe um áudio atribuído ao diretor de Ramais do Deracre, Celso Sousa, no qual ele afirma que havia decisão interna para “parar o trecho” e devolver máquinas terceirizadas que atuavam em ramais, na AC-90 e em aeródromos. Segundo a reportagem, o diretor relacionou o problema à falta de conexão entre Sefaz e Seplag e disse que “não está tudo certo” na execução da operação. 

A Sefaz reagiu por meio do secretário Amarísio Freitas. A versão oficial é que a Operação Verão tinha acabado de completar 30 dias, que seria imprudente falar em interrupção dos serviços nesse prazo e que o Deracre trabalha com uma cota mensal de pouco mais de R$ 15 milhões em recursos próprios. A secretaria também afirmou que o Tesouro não controla quando serão liberados recursos de emendas federais ou outras fontes. 

A resposta, porém, não elimina o questionamento. O próprio governo lançou a Operação Verão prometendo mais de 40 frentes de trabalho, mais de 400 máquinas, cerca de 500 trabalhadores, 12 mil quilômetros de ramais e investimentos superiores a R$ 70 milhões. Se parte relevante desse dinheiro dependia de emendas federais, convênios ou liberações fora do controle direto da Sefaz, a pergunta permanece: quanto desse pacote estava, de fato, disponível para execução quando a operação foi anunciada?

Os dados do Deracre reforçam a dúvida. Até 1º de julho, a autarquia tinha R$ 43,1 milhões empenhados e ainda não pagos em 2026. No recorte de ramais e estradas vicinais, eram R$ 11,1 milhões empenhados sem pagamento. Ao mesmo tempo, o nome “Operação Verão” aparecia na base quase só em diárias, somando apenas R$ 37,8 mil pagos.

Há ainda outro ponto sensível: a grande licitação de ramais de 2026, a Concorrência Eletrônica SRP nº 044/2026, foi suspensa antes da sessão prevista para 3 de junho. O processo tratava da contratação de serviços de engenharia para melhoramento de ramais vicinais nas regionais do Alto Acre, Baixo Acre, Purus, Tarauacá, Envira e Juruá.

Por isso, a explicação da Sefaz pode até responder ao rito financeiro mensal, mas não responde ao problema político e administrativo aberto pela Operação Verão. O que está em discussão não é apenas se a Sefaz repassa cotas ao Deracre. É se o governo anunciou uma operação maior do que o dinheiro disponível, os contratos ativos e a capacidade real de execução conseguiam sustentar naquele momento.

Hoje, a fotografia disponível é dura para o governo Gladson/Mailza: o Deracre pagou mais no conjunto, mas pagou menos em ramais; a Operação Verão 2026 aparece quase só em diárias; a licitação estadual para ramais foi suspensa; e parte da execução ainda depende de recursos antigos, anunciados desde 2019.

No palanque, a Operação Verão nasceu como vitrine. Nos dados, até agora, ela parece ter subido no telhado.