Edvaldo e Perpétua endurecem críticas a Gladson e colocam emprego e investimentos no centro da pré-campanha

Na reta final da pré-campanha para as eleições de 2026, o deputado estadual Edvaldo Magalhães e a ex-deputada federal Perpétua Almeida usaram uma entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta quarta-feira, 12, em Cruzeiro do Sul, para cobrar resultados do governo Gladson Cameli e delimitar o campo político que pretendem ocupar na disputa. Os dois confirmaram as pré-candidaturas — Edvaldo à Assembleia Legislativa e Perpétua à Câmara dos Deputados — e concentraram as críticas na baixa execução dos investimentos estaduais, na falta de empregos, nos ramais, na industrialização da produção do Juruá e na aplicação de recursos públicos destinados à ExpoAcre Juruá e à maternidade de Tarauacá.

Edvaldo levou para o centro da entrevista um problema que pretende transformar em tema eleitoral: a distância entre o dinheiro disponível no orçamento e aquilo que efetivamente chega à população em forma de obra, serviço ou atividade econômica. O deputado afirmou que, ao longo dos dois mandatos de Gladson Cameli, o Estado executou menos da metade dos recursos reservados para investimentos e responsabilizou a estrutura administrativa do governo por parte desse desempenho.

“O Estado do Acre, nesse período dos oito anos, dos dois mandatos do governador Gladson Cameli, foi o governo que teve a menor capacidade de pegar o dinheiro destinado, não é um dinheiro que vai existir, o dinheiro que existia no orçamento para investimento, e executar. Executou menos de 50% de todo o dinheiro de investimento”, afirmou.

A crítica atingiu diretamente a composição da máquina estadual. Edvaldo acusou o governo de ocupar postos administrativos com pessoas de “baixa capacidade técnica” e relacionou essa escolha às dificuldades para preparar projetos, cumprir etapas burocráticas e executar recursos. A resposta apresentada pelo parlamentar passa pelo que ele chamou de um “novo pacto político por governança” e por investimentos, com prioridade para infraestrutura, agricultura, saúde e educação.

A discussão, para Edvaldo, não termina na contabilidade pública. O deputado relaciona a dificuldade de investimento à redução das oportunidades de trabalho e à saída de jovens do Acre. Sua proposta política parte da ideia de que a administração estadual precisa recuperar capacidade técnica para transformar recursos existentes em projetos capazes de movimentar empresas, produção rural, serviços e empregos.

Foi nesse ponto que ele também defendeu uma mudança na relação do Acre com o governo federal. Mesmo em um ambiente de forte divisão partidária, Edvaldo afirmou que Brasília precisa ser tratada como fonte de recursos para projetos estruturantes, independentemente das diferenças políticas entre governos.

“Tem que parar com essa discussão boba da guerra ideológica e discutir o seguinte: onde é que está o dinheiro que pode vir para a gente desenvolver a economia do Juruá? Está lá em Brasília, está lá no governo federal. Como é que a gente arranca a maior parte desses recursos em projetos estruturantes para nossa economia?”, questionou.

Perpétua levou o debate para a capacidade de o Acre produzir, beneficiar e comercializar aquilo que sai do campo. A ex-deputada afirmou que a falta de empregos empurra trabalhadores para outros estados e usou uma comparação para resumir o problema econômico que pretende explorar na campanha.

“Eu queria muito que o Acre fosse visto como o estado que mais exporta café, que mais exporta feijão, que mais exporta farinha, que mais exporta produtos beneficiados da madeira, mas nós estamos virando o estado que mais exporta gente. O pessoal sai daqui para ir procurar emprego”, afirmou.

A industrialização da produção rural aparece como uma das principais apostas de Perpétua. Ela citou a cadeia do café para defender um modelo em que o produtor deixe de vender apenas matéria-prima e tenha acesso a estruturas de beneficiamento. A ex-parlamentar afirmou que a indústria instalada em Mâncio Lima levou um ano e cinco meses entre a ordem de serviço e o início das operações e disse que outra unidade, em Cruzeiro do Sul, deverá ser entregue até o fim de setembro em parceria com a Coopercafé.

“Menos de um ano a indústria será entregue. O dinheiro foi colocado, foi bem empregado”, declarou.

Perpétua também citou projetos para Capixaba e Acrelândia e uma unidade de beneficiamento de açaí em Feijó. A proposta é levar o mesmo modelo para cadeias como mandioca, banana e feijão, aproveitando atividades que já fazem parte da economia rural acreana. No Juruá, ela defendeu ainda a mecanização como caminho para ampliar a produção sem manter as famílias dependentes de etapas inteiramente manuais.

A farinha, um dos produtos mais associados à economia de Cruzeiro do Sul, entrou no mesmo debate. Edvaldo afirmou que as casas de farinha financiadas em outros períodos ajudaram a modernizar a produção, mas já não resolvem sozinhas os problemas atuais da cadeia. Segundo o deputado, profissionais de Cruzeiro do Sul trabalham no desenvolvimento de equipamentos capazes de mecanizar novas etapas, e o poder público deveria criar mecanismos para colocar essas tecnologias à disposição das famílias produtoras.

“Se botar um bom dinheiro nisso, nós podemos espalhar essas casas de farinha modernizadas dentro da cadeia produtiva”, afirmou.

A defesa da mecanização vem acompanhada de outro problema conhecido pelas comunidades rurais do Juruá: sem ramal em condições de tráfego, aumentar a produção não basta. Perpétua criticou a falta de planejamento conjunto entre bancada federal, governo estadual e prefeituras e recuperou a experiência dos períodos em que, como deputada federal, participava de reuniões antes do verão para dividir responsabilidades e direcionar recursos às estradas rurais.

“Nem a bancada federal do Acre se mexe para ajudar o produtor rural com ramais, nem o governo do Estado tem feito um calendário desse e a maioria das prefeituras também não tem dado a atenção necessária”, criticou. “É preciso voltar uma união da bancada federal com o governo do Estado, com prefeituras, para trabalhar juntos em benefício de quem mora mais distante e que depende de ramais para trazer comida para quem mora na cidade.”

Edvaldo também recuperou investimentos anteriores no Polo Naval e no Polo Moveleiro de Cruzeiro do Sul para defender políticas que atravessem governos. No caso do Polo Naval, o deputado lembrou a reorganização dos trabalhadores que atuavam de forma dispersa depois das mudanças provocadas pela construção da ponte sobre o Rio Juruá. Sobre o Polo Moveleiro, afirmou que a área disponível está ocupada e cobrou infraestrutura para uma nova etapa de expansão das empresas.

A entrevista mudou de tom quando a discussão chegou à fiscalização do dinheiro público. Edvaldo voltou a questionar a movimentação de mais de R$ 15 milhões destinados a artistas, infraestrutura e serviços relacionados à ExpoAcre Juruá. O parlamentar criticou o uso de uma associação na operação financeira e defendeu que os pagamentos poderiam ter ocorrido diretamente aos fornecedores.

O deputado relacionou a situação à suspensão, pelo Tribunal de Contas, de um convênio semelhante ligado à ExpoAcre de Rio Branco e fez uma acusação direta sobre os chamados custos operacionais.

“O dinheiro chega grande, sai um pedaço, fica pelo meio do caminho nos chamados custos operacionais, que nada mais é do que desvio de recurso público”, acusou.

A declaração é de responsabilidade do parlamentar. Durante a entrevista, não houve manifestação do governo estadual nem da entidade citada sobre a acusação. A ausência de contraponto no programa mantém aberta uma questão central para qualquer apuração sobre o caso: quanto foi efetivamente repassado, quais serviços foram executados, quanto foi retido como custo operacional e qual foi a base legal utilizada para a movimentação dos recursos.

Perpétua abriu outra frente de cobrança ao tratar da maternidade de Tarauacá. Ela afirmou ter participado da articulação de R$ 24 milhões em emendas federais para a construção da unidade. Desse total, R$ 18 milhões teriam origem em emendas apresentadas por ela durante o mandato de deputada federal, enquanto o restante teria sido reunido com apoio de outros integrantes da bancada acreana.

Quatro anos depois, a ex-deputada afirmou que ainda busca esclarecimentos sobre o destino dos recursos e cobrou explicações da Secretaria de Estado de Saúde.

“Esses R$ 24 milhões não se sabe para onde eles foram até hoje. A Secretaria de Saúde do Acre não explicou o que o secretário anterior fez com R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá”, declarou.

Perpétua afirmou que já pediu formalmente informações ao governo e anunciou que poderá recorrer ao Tribunal de Contas da União e ao Ministério Público Federal caso não receba resposta.

“Se eles não responderem, nós vamos entrar no Tribunal de Contas da União, no Ministério Público Federal, denunciando que o dinheiro, R$ 24 milhões para construir a maternidade de Tarauacá, sumiu”, afirmou.

Também nesse caso, não houve resposta do governo estadual durante o programa. A fala de Perpétua representa uma cobrança política que ainda depende do confronto com registros de empenho, pagamento, execução do convênio e eventuais mudanças na destinação dos recursos para que seja possível estabelecer o que ocorreu com o dinheiro.

Com a eleição cada vez mais próxima, a entrevista avançou da avaliação do governo para uma crítica ao comportamento dos próprios parlamentares. Edvaldo defendeu que integrar uma base governista não elimina a responsabilidade de divergir quando os interesses do Executivo entram em conflito com demandas da população.

“Você pode ser de base de governo, mas você pode ser também independente em questões que são fundamentais para o interesse do povo”, afirmou. “O parlamento que não é discordante nas questões sentidas da comunidade cai na desmoralização. A representação cai na desmoralização.”

Edvaldo também tratou o mandato como atividade que exige preparação permanente e definiu a representação política como “uma espécie de sacerdócio”. A fala serve para posicioná-lo diante de um debate que deverá ganhar peso na campanha de 2026: a diferença entre parlamentares que concentram atuação na distribuição de emendas e aqueles que buscam construir presença política por meio de fiscalização, debate legislativo e articulação institucional.

Perpétua foi mais direta ao atacar o grau de reconhecimento da atual bancada federal. Ela afirmou que 80% dos eleitores teriam dificuldade para citar quatro dos oito deputados federais do Acre e atribuiu essa situação à baixa presença política de parte dos mandatos.

“Nós temos hoje bancadas que se deixam esquecer, que não fazem uma atuação. E o Estado do Acre é muito pequeno, é um estado que depende muito de recursos públicos federais, então é preciso ter uma atuação muito firme para poder trazer recursos para esse estado”, afirmou.

A cobrança sobre os atuais representantes também funciona como apresentação das duas pré-candidaturas. Edvaldo confirmou que disputará novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa e que Perpétua pretende retornar à Câmara dos Deputados. O deputado evitou limitar a justificativa eleitoral ao histórico dos dois e disse que a campanha precisa discutir as necessidades dos próximos anos.

“Toda candidatura tem que olhar para o futuro, tem que se colocar olhando para aquilo que o Estado precisa”, afirmou.

Perpétua encerrou a participação atacando uma prática recorrente nas eleições locais: a avaliação de candidatos apenas pela ajuda individual prestada ao eleitor. Para ela, a capacidade de resolver uma demanda particular não substitui o desempenho político de quem ocupa uma cadeira no Legislativo.

“Nem sempre aquele que te dá o tijolo, que resolve a cobertura da tua casa, que resolve teus problemas financeiros, vai ser aquele que tu vai ver te defendendo no Congresso Nacional ou na Assembleia Legislativa”, afirmou.

A entrevista deixou claro o caminho escolhido pelos dois para entrar na campanha de 2026. Edvaldo tenta transformar execução orçamentária, capacidade administrativa e fiscalização em instrumentos de confronto com o governo Gladson Cameli. Perpétua concentra a argumentação em emprego, produção, industrialização e força da representação federal. No Juruá, os dois ligam essas propostas a problemas concretos que atravessam diferentes governos: ramais precários, dificuldade para escoar produção, baixa industrialização e dependência de recursos públicos.

Ao mesmo tempo, as acusações sobre a ExpoAcre Juruá e os R$ 24 milhões destinados à maternidade de Tarauacá abrem uma frente que ultrapassa a disputa eleitoral. São cobranças que exigem respostas documentais do governo, dos responsáveis pela execução dos recursos e, caso os questionamentos avancem, dos órgãos de controle. Na pré-campanha, Edvaldo e Perpétua já escolheram onde pretendem pressionar. A campanha dirá quanto desse debate ficará na disputa política e quanto chegará à análise concreta das contas públicas.

Jorge Viana convida Bira Vasconcelos para primeira suplência ao Senado

O ex-governador Jorge Viana (PT), candidato ao Senado pelo Acre nas eleições de 2026, convidou nesta segunda-feira, 10, o ex-prefeito de Xapuri Bira Vasconcelos (PT) para assumir a primeira suplência da chapa. O convite ocorre após a saída do ex-governador Binho Marques, que havia sido escolhido inicialmente para a função.

Binho Marques foi oficializado como primeiro suplente de Jorge Viana durante a convenção da Frente Ampla pelo Acre, realizada em 30 de julho. A delegada Carla Brito, do Podemos, foi definida como segunda suplente.

A composição precisou ser alterada após Binho informar, na sexta-feira, 7, que não poderia permanecer na chapa por causa de um problema relacionado aos prazos e às formalidades do registro eleitoral. O ex-governador afirmou que acataria a decisão da Justiça Eleitoral e continuaria participando da campanha.

Com a mudança, Jorge Viana passou a buscar um novo nome para ocupar a primeira suplência. A escolha de Bira Vasconcelos mantém a vaga dentro do PT e aproxima da chapa uma liderança com trajetória política ligada a Xapuri e ao grupo que governou o Acre durante os anos da Frente Popular.

Bira foi prefeito de Xapuri por três mandatos e permaneceu filiado ao PT mesmo durante o período em que outras lideranças municipais deixaram o partido. Ele também mantém uma relação política de longa data com Jorge Viana e já participou de agendas do ex-governador em diferentes momentos.

Jorge Viana disputa uma das duas vagas do Acre no Senado que estarão em jogo nas eleições de outubro. Ex-prefeito de Rio Branco, ex-governador por dois mandatos e ex-senador, o petista voltou à disputa por uma cadeira no Congresso Nacional após concorrer ao governo estadual em 2022.

A eventual entrada de Bira Vasconcelos ainda depende da definição da chapa e dos procedimentos eleitorais necessários para a substituição do primeiro suplente.

Em cima do Muro! Mailza recua sobre Flávio Bolsonaro e expõe insegurança no palanque

A governadora Mailza Assis transformou uma pergunta direta sobre Flávio Bolsonaro em uma resposta condicionada ao partido. Na sexta-feira, 7 de agosto, durante sabatina do ContilNet na Expoacre 2026, ela evitou confirmar pessoalmente o apoio ao candidato do PL à Presidência e afirmou: “Vou esperar a decisão do meu partido”. A declaração ocorreu poucas horas depois de sua própria campanha sustentar publicamente que a retirada do nome de Flávio da ata da Federação União Progressista não significava retirada de apoio.

A diferença entre as duas posições é política, não apenas burocrática. A campanha havia tentado encerrar a controvérsia afirmando que a mudança no documento era uma adequação à legislação eleitoral e que não representava “rompimento, mudança de posicionamento político ou adesão a outro candidato”. Quando Mailza teve a oportunidade de confirmar essa posição com a própria voz, não confirmou. Preferiu transferir a decisão para o partido.

“Eu sou muito partidária e costumo me nortear sempre pelo meu partido”, afirmou a governadora. A justificativa preserva uma saída institucional, mas não resolve a questão política aberta pela própria retificação da ata. Se o apoio a Flávio permanecia exatamente como antes, como sustentava a campanha horas antes, a resposta mais direta seria confirmar esse apoio. Mailza escolheu outro caminho.

A sequência dos acontecimentos tornou a hesitação mais visível. Na versão original da ata da convenção da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro aparecia ao lado das candidaturas majoritárias que deveriam receber apoio no Acre. Depois da retificação protocolada na Justiça Eleitoral, seu nome desapareceu do documento, enquanto Mailza Assis e Jéssica Sales permaneceram para o Governo do Acre e Gladson Camelí e Márcio Bittar para o Senado.

A explicação apresentada pela campanha foi jurídica: como a federação formada por PP e União Brasil não possui, nacionalmente, uma coligação formal vinculada a uma candidatura presidencial específica, a referência a Flávio precisaria ser retirada. O esclarecimento poderia ter encerrado o assunto caso a própria candidata tivesse mantido, posteriormente, a mesma firmeza política. Não foi o que ocorreu.

Mailza não anunciou apoio a outro presidenciável, não rompeu formalmente com Flávio Bolsonaro e tampouco desfez sua aliança estadual com o PL. O que mudou foi a clareza do discurso. A governadora passou de uma campanha que dizia não existir retirada de apoio para uma posição pessoal condicionada a uma decisão futura do partido.

Essa mudança permite uma leitura política mais incômoda para sua candidatura: Mailza aparenta não estar segura de querer carregar Flávio Bolsonaro de forma explícita em seu palanque presidencial. Não há declaração dela admitindo esse desconforto, portanto não é possível tratá-lo como fato. A impressão nasce de seus próprios movimentos públicos: o nome é retirado da ata, a assessoria assegura que o apoio continua e, algumas horas depois, a governadora evita confirmar que Flávio é seu candidato.

A contradição fica ainda mais relevante porque o PL não ocupa uma posição periférica na chapa de Mailza. Márcio Bittar, filiado ao partido de Flávio Bolsonaro, disputa uma das vagas ao Senado dentro da aliança construída pela governadora. A própria Mailza citou essa relação ao explicar que a presença de Bittar e do PL precisará ser considerada na definição presidencial.

Há ainda um componente eleitoral difícil de ignorar. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 3 de agosto colocou Flávio Bolsonaro com 51% das intenções de voto para presidente no Acre, contra 26,6% de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento ouviu 997 eleitores entre 28 de julho e 2 de agosto, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no TSE sob os números AC-07815/2026 e BR-09332/2026.

Nesse cenário, a indefinição de Mailza não acontece diante de um candidato presidencial sem expressão no estado. Ela ocorre diante de um nome que aparece liderando a disputa no Acre e cujo partido participa diretamente de sua aliança estadual. É justamente essa combinação que torna a resposta “vou esperar a decisão do meu partido” politicamente mais significativa do que uma simples manifestação de disciplina partidária.

A postura também chama atenção porque, meses antes, a aproximação entre Mailza e Flávio era tratada de maneira mais aberta. Em fevereiro, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, afirmou que Mailza era prioridade para o partido e declarou que Flávio Bolsonaro estaria com ela no Acre.

Agora, diante de uma campanha oficialmente iniciada e de um documento eleitoral no qual o nome de Flávio primeiro entrou e depois saiu, Mailza evita transformar essa aproximação em compromisso presidencial explícito. Sua candidatura tenta manter de um lado a aliança com o PL e Márcio Bittar e, de outro, a liberdade necessária para acompanhar a decisão nacional de seu partido.

Tião Bocalom escolheu eliminar essa zona de ambiguidade. Em 26 de julho, declarou que em seu palanque e no de Sargento Adonis “só cabe um: Flávio Bolsonaro”. Cinco dias depois, durante sua convenção, voltou ao assunto: “Eu quero o Flávio Bolsonaro presidente da República”.

Bocalom também afirmou durante a convenção que nunca deixou de dizer que apoia Flávio Bolsonaro. Sua candidatura passou a incorporar essa identidade como parte explícita da estratégia eleitoral, sem depender de uma definição posterior da direção nacional do PSDB.

O contraste, portanto, não está apenas entre quem já decidiu e quem ainda espera. Está na disposição de cada candidatura de assumir publicamente o custo e o benefício eleitoral de ter Flávio Bolsonaro associado ao próprio palanque. Bocalom deixou sua escolha registrada antes mesmo do início formal da campanha. Mailza, mesmo cercada por aliados do PL e depois de sua campanha garantir que o apoio permanecia, preferiu não dizer a mesma coisa.

É essa diferença que coloca a governadora diante de uma questão que continuará acompanhando sua campanha enquanto não houver uma resposta definitiva: Flávio Bolsonaro é, de fato, o candidato de Mailza à Presidência ou é um aliado que ela prefere manter por perto sem assumir integralmente no palanque?

Sargento Adonis leva trajetória militar e força eleitoral do Juruá à chapa de Bocalom

Escolhido para disputar o cargo de vice-governador do Acre na chapa de Tião Bocalom, do PSDB, Sargento Adonis chega à eleição de 2026 com uma trajetória ligada ao Vale do Juruá, à Polícia Militar e à política de Cruzeiro do Sul. A composição amplia a presença da região na disputa pelo Governo do Estado e leva para a campanha um nome que recebeu mais de 9 mil votos na primeira eleição que disputou.

Adonis Souza nasceu na comunidade Belo Jardim, no Alto Rio Juruá, em uma família que vivia do comércio pelos rios da região. O pai trabalhava como regatão, transportando e vendendo mercadorias em comunidades isoladas, enquanto a mãe era natural de Porto Walter. Nos primeiros anos de vida, a família morava em um batelão usado durante as viagens comerciais.

A mudança para a cidade ocorreu quando Adonis ainda era criança. A decisão dos pais teve como principal objetivo garantir acesso à escola para os filhos. Aos 12 anos, ele já conciliava os estudos com diferentes atividades para conseguir renda, entre elas a retirada e venda de areia, a comercialização de bolinhos de trigo e a revenda de produtos fornecidos por comerciantes de Cruzeiro do Sul.

A rotina de trabalho continuou durante a formação acadêmica. Adonis graduou-se em Letras Vernáculo pela Universidade Federal do Acre e também concluiu o curso de Direito em Rio Branco.

Posteriormente, ingressou na Polícia Militar do Acre, onde permanece na ativa. A carreira acrescentou à sua trajetória profissional a experiência na segurança pública e o contato direto com moradores, comerciantes e lideranças comunitárias do Vale do Juruá.

“Durante toda a minha vida, estive servindo as pessoas com aquela atividade simples. Depois, passei a prestar um serviço de segurança pública à sociedade”, afirmou Adonis ao falar sobre a passagem do trabalho no comércio para a atuação policial.

A entrada na política eleitoral ocorreu em 2020. Naquele ano, Sargento Adonis disputou pela primeira vez a Prefeitura de Cruzeiro do Sul e recebeu 9.077 votos. Ele terminou a eleição em terceiro lugar, atrás de Zequinha Lima e Jéssica Sales.

A votação municipal deu projeção ao nome de Adonis no Juruá e passou a integrar seu principal capital político para a eleição estadual de 2026. Seis anos depois da primeira candidatura, ele deixa uma disputa concentrada em Cruzeiro do Sul para integrar uma chapa que busca votos nos 22 municípios acreanos.

Adonis afirma que decidiu participar da política após acompanhar problemas relacionados à administração pública e questionar a aplicação dos recursos destinados à população.

“Eu sempre tive dentro de mim esse desejo de devolver para a sociedade, de alguma forma, aquilo que é dela por direito”, declarou.

Na chapa de Bocalom, a escolha do policial militar também estabelece uma ligação direta com o segundo maior colégio eleitoral do Acre e com os municípios do Vale do Juruá. A campanha passa a reunir, na mesma composição, uma liderança política sediada em Rio Branco e um candidato a vice com trajetória profissional, familiar e eleitoral construída no interior do estado.

Assista a entrevista:

Patrimônio de Ninawa Huni Kui expõe preconceito contra indígenas nas redes

Ninawa Huni Kui declarou R$ 1,59 milhão em patrimônio à Justiça Eleitoral ao entrar na disputa por uma vaga de deputado federal no Acre. O dado é público, relevante e deve ser tratado como o patrimônio de qualquer candidato: pode ser informado, comparado e investigado. O que veio depois, porém, mostrou que para parte do público a questão não era apenas quanto ele possui. Era quem possui.

“Índio rico em”, escreveu um leitor. Outro insinuou que ONGs dentro de aldeias seriam “excelentes fontes de trabalhos”. Houve ainda quem questionasse como alguém com quase R$ 2 milhões poderia defender os povos originários.

A declaração patrimonial inclui terra, casa e veículos. Não há, por si só, nada de extraordinário nisso. O estranhamento nasce quando a palavra “cacique” entra na mesma frase que R$ 1,59 milhão e aciona uma velha expectativa: a de que um indígena autêntico deveria necessariamente ser pobre.

É aí que a discussão deixa de ser apenas eleitoral.

Ninawa pode ser cobrado por suas posições políticas, por sua atuação pública e pela origem de seu patrimônio, caso exista algum fato concreto que justifique apuração. O que não pode funcionar como indício de irregularidade é sua identidade indígena.

Um empresário rico pode defender empresários. Um pecuarista pode possuir milhões em terras e representar produtores rurais. Um parlamentar milionário pode dizer que representa trabalhadores pobres. Mas, diante de um cacique com casa, terra e caminhonete, ainda aparece a pergunta carregada de suspeita: como um indígena conseguiu isso?

Essa pergunta carrega séculos de uma imagem construída de fora para dentro. O indígena é aceito no imaginário nacional como vítima, pobre, isolado ou dependente. Quando ocupa espaços de poder, estuda, administra, empreende, disputa eleições ou acumula patrimônio, parte desse mesmo olhar passa da compaixão à desconfiança.

Também houve reação contrária. Entre os comentários apareceram manifestações de respeito e a frase simples: “indígenas no topo”. O contraste importa porque mostra que a disputa não está apenas em torno de Ninawa, mas da própria ideia de qual lugar um indígena pode ocupar na sociedade brasileira.

Patrimônio de candidato é assunto público. Deve ser fiscalizado. Se houver incompatibilidade, investigue-se. Se houver irregularidade, publique-se.

Mas cocar não é comprovante de pobreza.

Ser indígena não exige certificado de miséria.

Talvez a pergunta mais reveladora dessa história não seja como Ninawa Huni Kui chegou a R$ 1,59 milhão em bens. É por que a possibilidade de um indígena possuir patrimônio ainda incomoda tanta gente.

Jorge Viana visita moradores do Cidade Nova e prepara café durante agenda em Rio Branco

O pré-candidato ao Senado Jorge Viana visitou moradores e lideranças comunitárias de Rio Branco nesta sexta-feira (7), em uma agenda que passou pela região da antiga Rodoviária e pelo bairro Cidade Nova. Durante um dos encontros, ele preparou café para uma família que vive há mais de 50 anos na comunidade e agradeceu as manifestações de apoio recebidas nas visitas.

O roteiro começou nas proximidades da antiga Rodoviária, onde Viana conversou com taxistas e trabalhadoras de pensões da região. Depois, seguiu para a Rua Palmeiral, no Cidade Nova, onde foi recebido por dona Luiza, seu Cari e familiares.

O casal mora no bairro há mais de cinco décadas e acompanhou as transformações da região desde uma época em que as ruas ainda não tinham a estrutura atual. Filhos, netos e bisnetos também participaram do encontro, ao lado de representantes comunitários do Cidade Nova e de outros bairros de Rio Branco.

Entre os presentes estavam o presidente do bairro Cidade Nova, Fernando Falcão, o vice-presidente da comunidade, Melo, a presidente do bairro Quinze, Susie Ramos, e a liderança comunitária Graça Lopes. Durante a conversa, os moradores lembraram a trajetória política de Jorge Viana e falaram sobre obras e mudanças ocorridas no bairro ao longo dos anos.

Dona Luiza declarou apoio à pré-candidatura de Viana ao Senado e afirmou que a família pretende acompanhá-lo novamente na disputa eleitoral. Fernando Falcão também falou sobre a relação do ex-governador com a comunidade e defendeu a continuidade de ações voltadas ao desenvolvimento do Acre.

Durante a visita, Viana preparou café para os moradores e convidados. Ele afirmou que o gesto foi uma forma de agradecer pela recepção e disse que o contato com moradores durante as agendas tem reforçado sua disposição para seguir percorrendo o estado e discutindo propostas para o Acre.

Zequinha Lima reúne lideranças do Juruá em apoio a Alan Rick em Cruzeiro do Sul

O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, reuniu lideranças políticas, religiosas e comunitárias do Vale do Juruá, na noite de terça-feira, 4 de agosto, em apoio à candidatura do senador Alan Rick ao Governo do Acre. O encontro, realizado na quadra da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), também marcou a apresentação de Rico Leite, candidato a vice-governador, ao público da região.

Zequinha afirmou que o evento teve como objetivo organizar as lideranças para o início da campanha e apresentar as propostas da chapa. O prefeito declarou acreditar na possibilidade de vitória de Alan Rick ainda no primeiro turno.

“É um encontro de lideranças, no qual temos a oportunidade de falar das propostas de governo e preparar nossa equipe para a campanha. Também é o momento de apresentar oficialmente o nosso candidato a vice-governador, Rico Leite, às principais lideranças do Juruá”, afirmou.

O prefeito acrescentou que, com a definição do candidato a vice, o grupo vai intensificar a mobilização eleitoral na região. “Agora temos a chapa completa e vamos preparar esse ambiente para que o Alan saia vitorioso. Temos condições de vencer essa eleição no primeiro turno”, disse.

Rico Leite falou sobre sua trajetória como empresário e afirmou que pretende levar a experiência da iniciativa privada para uma eventual gestão estadual. Ele disputa pela primeira vez um cargo eletivo.

“Para mim, é uma honra ter sido convidado pelo Alan. Conheço o Alan há muitos anos e sei da seriedade com que faz política. Venho da iniciativa privada, nunca fui candidato a nenhum cargo e acredito que essa experiência pode contribuir para o desenvolvimento do Acre”, declarou.

O candidato a vice-governador também defendeu políticas voltadas à geração de oportunidades e ao crescimento econômico. “Quero ajudar a construir um estado que gere oportunidades, cresça e avance. Estou muito feliz por fazer parte dessa caminhada”, completou.

Alan Rick agradeceu o apoio recebido e afirmou que o Vale do Juruá terá espaço na elaboração do programa de governo. O senador disse que a campanha pretende ouvir moradores e lideranças dos municípios acreanos.

“É uma alegria voltar a Cruzeiro do Sul e receber o carinho de tantas lideranças e de tantas pessoas que acreditam que o Acre pode avançar. Vamos construir esse projeto ouvindo as pessoas e trabalhando para levar desenvolvimento, oportunidades e mais qualidade de vida para todas as regiões do estado”, afirmou.

Participaram do encontro o candidato ao Senado Júnior Feitosa, do DC; o presidente da Câmara de Cruzeiro do Sul, Elter Nóbrega, do PSD; o vice-prefeito de Mâncio Lima, Andinho; e o vice-prefeito de Rodrigues Alves, Neto do Jamilson.

Também estiveram presentes a secretária municipal de Saúde de Rodrigues Alves, Paula Paixão; o presidente do PSD em Cruzeiro do Sul, Luís Padilha; o pré-candidato a deputado federal Coronel Edvan; o pré-candidato a deputado estadual e ex-prefeito de Rodrigues Alves Jailson Amorim; os vereadores Vlad e Amozildo, de Mâncio Lima; o vereador Neto Dias, de Porto Walter; o ex-deputado estadual e produtor rural Jonas Lima; além de outras lideranças do Juruá.

Eduardo Velloso promete priorizar saúde no Senado e cita ações no Juruá

O deputado federal Eduardo Velloso afirmou nesta sexta-feira, 31, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, que pretende colocar a saúde no centro de sua campanha ao Senado. O parlamentar citou serviços financiados pelo mandato no Vale do Juruá e defendeu uma atuação voltada aos municípios do interior do Acre.

“O Senado merece uma pessoa que tenha um olhar mais especial para a saúde”, declarou Velloso. Ele afirmou que também trabalha com infraestrutura, aquisição de máquinas e apoio aos produtores rurais, mas definiu a saúde como a principal área de atuação do mandato.

“Nosso forte é saúde. A principal pauta do interior é a saúde. Como eu sou municipalista e tenho esse olhar, vou continuar trabalhando para mudar a vida das pessoas”, disse.

Velloso citou a oferta de exames de ressonância magnética e atendimentos nas áreas de cardiologia e oftalmologia no Vale do Juruá. Segundo ele, os serviços não estavam disponíveis na região antes da destinação de recursos pelo mandato.

“No Vale do Juruá não existia ressonância, e o nosso mandato levou. Não existia atendimento de cardiologia, e o nosso mandato levou. Não existia atendimento de oftalmologia, e o nosso mandato levou”, afirmou.

O deputado também falou sobre o tratamento de pacientes com doenças reumáticas e sobre o uso de câmara hiperbárica para pessoas com diabetes que enfrentam feridas graves e risco de amputação.

“Hoje nós temos o tratamento da câmara hiperbárica para aquelas pessoas diabéticas que precisavam amputar um dedo ou uma perna. O nosso mandato levou”, declarou.

Outro projeto citado por Velloso foi a implantação de cirurgia robótica no Acre, em parceria com o governo estadual. O deputado afirmou que o serviço deverá atender homens com câncer de próstata e mulheres que precisam de procedimentos relacionados à histerectomia e à endometriose.

“Nosso mandato está trazendo agora, em parceria com o governo do Estado, a cirurgia robótica, que vai ajudar homens com câncer de próstata e mulheres na histerectomia e na endometriose”, disse.

O parlamentar não apresentou durante a entrevista os valores destinados aos serviços, o número de pacientes atendidos nem o cronograma completo dos projetos mencionados. Ele afirmou que pretende usar os resultados do atual mandato como base para pedir o voto dos eleitores.

“É dessa forma que a gente trabalha, mudando a vida das pessoas, principalmente no momento de maior dor, que é na falta de saúde”, declarou.

Ao ser questionado sobre possíveis ataques durante a campanha, Velloso afirmou que está preparado para responder sobre sua conduta e fez uma promessa pública de renunciar ao mandato caso seja comprovada alguma irregularidade envolvendo cobrança de propina.

“Quem não deve não teme. Se acharem um desvio da minha conduta, de pedir propina ou pedir alguma coisa, eu renuncio ao meu mandato”, afirmou. O deputado acrescentou que espera o surgimento de acusações durante a disputa, mas disse acreditar que não haverá fatos concretos contra ele.

Velloso também afirmou que pretende evitar confrontos pessoais com antigos aliados e concentrar a campanha na apresentação de projetos e resultados.

“Não adianta eu ficar criticando. O nosso foco é trabalho. Cada um tem que mostrar o seu projeto e o seu trabalho”, declarou.

Mirla Miranda cobra ação rápida no caso Chico Melo e defende investigação federal

A jornalista e pré-candidata a deputada federal pelo Republicanos, Mirla Miranda, cobrou nesta quinta-feira, 30, uma resposta rápida das forças de segurança para esclarecer o atentado contra o jornalista Chico Melo. Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, ela defendeu a participação da Polícia Federal na investigação e afirmou que a demora beneficia os autores do crime.

“Da mesma forma que a bandidagem é rápida, nós exigimos uma ação rápida das polícias do Acre e da Polícia Federal”, declarou. O posicionamento ocorreu após o programa informar que o gabinete do senador Alan Henrique havia protocolado um pedido formal para que a Polícia Federal participasse da apuração. Pedidos semelhantes também teriam sido apresentados por outros parlamentares acreanos.

Mirla afirmou que esteve com Chico Melo no dia anterior e encontrou o jornalista abalado. Segundo ela, o comunicador tremia ao falar sobre a invasão de sua casa, as ameaças recebidas e a arma colocada contra sua cabeça. Para a pré-candidata, a proximidade entre as ameaças e a agressão exige que uma possível motivação política seja investigada.

Ela tratou essa possibilidade como suspeita, não como fato comprovado. “Há indícios fortíssimos de que foi uma coisa planejada e com viés político”, disse, ao cobrar que os responsáveis pela execução e pelo planejamento do ataque sejam identificados.

Durante a entrevista, Mirla também relatou ter ouvido em Cruzeiro do Sul uma versão de que Chico Melo não teria sido morto para evitar uma possível intervenção federal no Acre. A declaração não veio acompanhada da identificação da fonte ou de provas que confirmassem essa hipótese. Mesmo assim, ela aconselhou o jornalista a permanecer protegido e afastado da exposição pública enquanto o caso não for esclarecido.

Para Mirla, a resposta das instituições precisa ocorrer com rapidez para evitar que a violência interfira no processo eleitoral e no trabalho da imprensa. “A Justiça tem que vencer sempre”, afirmou.

Jorge Viana reúne padres e defende fé, diálogo e serviço ao Acre

Depois de participar de uma missa, o pré-candidato ao Senado Jorge Viana sentou-se à mesa com padres da Diocese de Rio Branco na manhã desta quarta-feira, 29 de julho, na Casa dos Padres, no bairro Calafate. Entre café, orações e conversas sobre os problemas enfrentados pela população, o encontro aproximou a linguagem da fé do debate político e colocou o diálogo, a esperança e o serviço aos mais pobres no centro da agenda apresentada para o Acre.

O café da manhã foi organizado pelo padre Antônio Menezes, licenciado das funções sacerdotais e pré-candidato a deputado estadual. Também participaram os padres Macoy Soares, ecônomo da Diocese de Rio Branco e reitor do Santuário da Divina Misericórdia; Matheus, da Paróquia do Bujari; Erenildo, da Paróquia São Felipe; e Júnior, da Paróquia São Paulo Apóstolo. Dona Nice, responsável pelo preparo da mesa, completou o grupo reunido após a celebração religiosa.

A cena mais simples daquela manhã ocorreu diante da cafeteira. Viana preparou a própria bebida e serviu os sacerdotes e Dona Nice. O gesto acompanhou o sentido que conduziu a conversa: a liderança política, na visão apresentada durante o encontro, precisa começar pelo cuidado com as pessoas e pela disposição de servir.

Ao redor da mesa, o diálogo avançou para questões que atravessam o cotidiano das famílias acreanas. Os participantes falaram sobre falta de oportunidades, saída de moradores para outros estados, desemprego, violência, desigualdade social e abandono das parcelas mais vulneráveis da população. A presença dos padres levou à conversa experiências vividas dentro das comunidades, onde a Igreja mantém contato diário com famílias atingidas pela pobreza e pela ausência de políticas públicas.

Viana afirmou que a missa e a recepção dos sacerdotes renovaram sua disposição para trabalhar pelo estado. Ao falar sobre uma possível volta ao Senado, pediu que não lhe faltasse o compromisso de “servir ao Acre com amor, humildade e compromisso com as pessoas”. Na fala do pré-candidato, fé e atuação pública apareceram unidas pela ideia de comunhão, palavra usada para defender uma política menos marcada pelo confronto e mais aberta à escuta.

Padre Antônio Menezes tratou a esperança cristã como uma responsabilidade diante da realidade. “A esperança nunca é passiva”, afirmou. Para ele, acreditar em dias melhores exige cuidar das pessoas, enfrentar as injustiças e colocar o interesse coletivo acima de projetos particulares. O sacerdote também defendeu que a política seja exercida como missão, especialmente quando as decisões atingem os mais pobres.

Padre Macoy Soares levou à conversa a preocupação com os acreanos que deixam o estado em busca de emprego, renda e segurança. Ele defendeu um Acre capaz de oferecer condições para que as famílias permaneçam perto de suas raízes, com dignidade e perspectivas de futuro. Também falou sobre o trabalho social desenvolvido pela Igreja e sobre a necessidade de parceria com agentes públicos comprometidos com quem costuma permanecer distante dos centros de decisão.

O encontro terminou com o compromisso de ampliar as conversas com diferentes setores da sociedade. Viana defendeu a escuta como parte da construção de respostas para os problemas do estado e voltou a relacionar desenvolvimento, união e atenção às pessoas. Em torno de uma mesa preparada sem cerimônia, a pré-campanha ganhou o vocabulário da fé: esperança como movimento, diálogo como método e poder como serviço.