MDB de Tarauacá declara apoio a Tião Bocalom em articulação para 2026

O pré-candidato ao governo do Acre, Tião Bocalom, abriu a agenda desta segunda-feira (6) em Tarauacá com uma reunião voltada à formação de alianças para as eleições de 2026. O encontro reuniu lideranças de diferentes partidos, entre elas o presidente da executiva municipal do MDB, o empresário e pecuarista Mirabô, além de integrantes da direção local da sigla. Ao fim da agenda, o MDB de Tarauacá declarou apoio à pré-candidatura de Bocalom ao Palácio Rio Branco.

Durante a reunião, Bocalom apresentou ações e resultados de sua gestão à frente da Prefeitura de Rio Branco e afirmou que a experiência administrativa pode servir de base para ampliar políticas públicas em todo o estado. “Mostramos aquilo que conseguimos realizar em Rio Branco e reafirmamos que é possível fazer muito mais pelo Acre, com planejamento, responsabilidade e incentivo à produção. Nosso objetivo é construir um projeto que una pessoas comprometidas com o desenvolvimento do estado”, disse.

A declaração de apoio foi anunciada após a reunião com a executiva municipal do MDB. Segundo Mirabô, a decisão levou em conta a trajetória administrativa do pré-candidato e a avaliação da direção local do partido sobre o cenário eleitoral. “Entendemos que o Bocalom é o nome mais preparado para governar o Acre. Por isso, o MDB de Tarauacá estará ao lado dele nessa caminhada rumo ao Palácio Rio Branco”, afirmou o dirigente.

A agenda em Tarauacá faz parte da articulação política de Bocalom no interior do estado, em busca de ampliar a base de apoio para a disputa de 2026.

Carta de Flávio Bolsonaro aos EUA expõe cálculo eleitoral em meio a ameaça de tarifaço

A carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos sobre a ameaça de novas tarifas contra produtos brasileiros abriu uma crise política para a oposição ao colocar o interesse eleitoral no centro da negociação. Em vez de contestar de forma frontal a pressão americana sobre o Brasil, o parlamentar pediu que a decisão fosse adiada para depois das eleições de 2026, argumento que transformou a própria carta em munição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ponto mais sensível do texto é a admissão de que a sobretaxa poderia favorecer Lula politicamente. Ao levar esse argumento a autoridades americanas, Flávio deslocou o debate do impacto econômico sobre empresas, trabalhadores e exportadores para o efeito da medida sobre sua campanha presidencial. A iniciativa passou a ser lida no meio político como uma tentativa de calibrar o tempo da pressão externa para reduzir danos eleitorais à oposição.

A carta também enfraqueceu o discurso bolsonarista de defesa do Brasil. O pedido não se concentra em barrar definitivamente a tarifa, mas em suspender sua aplicação até depois da eleição. Na prática, a mensagem enviada a Washington sugere que o problema principal não seria a agressão comercial em si, mas o momento em que ela poderia ocorrer. Essa diferença deu ao Planalto espaço para enquadrar a oposição como dependente de uma decisão estrangeira em plena disputa nacional.

O erro político foi agravado pela exposição da estratégia. Ao avisar que o tarifaço ajudaria Lula, Flávio entregou ao adversário a narrativa de que a crise fortalece o discurso de soberania do governo. A carta, que buscava reduzir o custo da medida para a campanha bolsonarista, acabou produzindo o efeito contrário: associou a oposição a uma articulação externa e permitiu ao PT apresentar o episódio como prova de interferência sobre o processo eleitoral brasileiro.

O caso também reacende o histórico de pressão internacional envolvendo integrantes da família Bolsonaro. A atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, em defesa de sanções contra autoridades brasileiras e medidas de pressão relacionadas ao processo judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, dificulta a tentativa de separar a discussão comercial da agenda política do bolsonarismo. A nova carta recoloca esse vínculo no centro do debate.

Para Lula, o episódio funciona como ativo de campanha. O presidente passou a tratar o tarifaço como ataque à economia nacional e à soberania do país, enquanto tenta colar em Flávio a imagem de candidato disposto a negociar com uma potência estrangeira a partir de conveniências eleitorais. Para Flávio, o desafio agora é explicar por que um presidenciável recorreu ao governo americano para pedir não a rejeição plena da tarifa, mas o adiamento de uma decisão que poderia prejudicá-lo nas urnas.

A disputa deixou de ser apenas comercial. A carta transformou a ameaça de tarifa em tema central da eleição e deu ao governo uma linha de ataque direta contra o bolsonarismo. O cálculo de Flávio era evitar que a pressão dos Estados Unidos fortalecesse Lula. O resultado imediato foi justamente ampliar esse risco.

Márcio Bittar diz que governo Mailza pode não querer o PL e coloca Bolsonaro como prioridade em 2026

O senador Márcio Bittar afirmou nesta sexta-feira, 3 de julho de 2026, em entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, que a eleição nacional será sua prioridade em 2026, defendeu o palanque bolsonarista no Acre, admitiu que uma articulação entre PL e Republicanos pode mexer no tabuleiro estadual e criticou a falta de diálogo do Palácio Rio Branco após a saída de Sula Ximenes do Deracre.

Bittar entrou no estúdio com a política acreana atravessada por três disputas ao mesmo tempo: a pré-campanha ao governo, a tentativa de reeleição ao Senado e a montagem do palanque presidencial ligado a Jair Bolsonaro. Logo no início da entrevista, ele defendeu que a vida pessoal de quem disputa cargo público também precisa entrar no debate. “O político, quando entra numa campanha dizendo que a vida pessoal não importa, está mentindo. A vida pessoal importa, sim”, disse o senador.

Para explicar a posição, Bittar citou a própria família. Falou da mãe, de 93 anos, com Alzheimer, e da irmã mais nova, que depende de cuidados desde o nascimento. “Se você descobre, por exemplo, que o Márcio Bittar não cuida da mãe dele, não cuida da irmã dele, você acha que ele vai cuidar bem do Estado?”, questionou. A frase abriu a linha central da entrevista: campanha, para ele, deve revelar trajetória, comportamento e lado político.

Na leitura de Bittar, o Acre vive uma eleição diferente porque a velha divisão entre PT e anti-PT perdeu força na disputa estadual. Ele lembrou que o grupo petista governou o Acre por 20 anos, tentou voltar em 2022 e também saiu derrotado nas eleições municipais de 2024. “Depois de tanto tempo, nós conseguimos vencer o PT e depois derrotamos a tentativa de voltar em 2022 e em 2024 também”, afirmou.

Com o PT fora do centro da disputa, Bittar disse ter relação política e pessoal com os três nomes que hoje aparecem no campo competitivo para o governo: Mailza Assis, Tião Bocalom e Alan Rick. “No meu caso, eu tenho amizade com os três, eu tenho história com os três. Cabe a mim cuidar da tentativa de me reeleger”, declarou. Segundo ele, a ausência da polarização estadual permite que sua energia se concentre mais na eleição nacional.

O senador foi direto ao tratar de Bolsonaro. “Como você disse, Chico, eu tenho lado. O meu lado é o lado do presidente Bolsonaro”, afirmou. Em outro momento, ao ser perguntado se cuidaria no Acre do palanque bolsonarista, reforçou que a pauta federal é o que mais pesa em sua atuação. “A eleição mais importante para mim, com todo respeito à Mailza, ao Bocalom e ao Alan, não é eleição local. Eles não vão resolver os problemas que eu trabalho e que eu estudo há 30 anos.”

Bittar citou Flávio Bolsonaro como nome do seu campo para a Presidência e disse que pretende trazê-lo ao Juruá. “O Flávio vai vir aqui. Ele vem no Juruá. Ele não vem nem parar em Rio Branco, é direto para cá”, afirmou. A declaração serviu de ponte para o tema que mais mexe no bastidor da direita acreana: uma possível aliança nacional entre PL e Republicanos, partido de Alan Rick.

O senador confirmou conversa com Rogério Marinho, secretário-geral do PL e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. “Ele confirmou isso. Não tem novidade nisso. O PL, que tem o nosso pré-candidato, quer o apoio, quer uma coligação com o Republicanos”, disse. Bittar tratou a negociação como movimento natural de política nacional. “No momento em que o PL busca o apoio do Republicanos na candidatura do Flávio, é natural que o Republicanos peça reciprocidade.”

Essa reciprocidade pode chegar ao Acre. Bittar afirmou que Rogério Marinho lhe disse que não haverá obrigação formal. “Ninguém vai te obrigar a nada, não há verticalização”, relatou. Ainda assim, reconheceu que uma pressão direta de Flávio Bolsonaro mudaria o peso da decisão. “Se ele vem e me pede: Márcio, nós estamos aqui numa articulação nacional, queremos trazer o Republicanos, ajuda a gente, eu vou ficar numa situação”, disse.

A relação com o governo Mailza Assis ganhou tensão quando o assunto chegou ao Deracre. Bittar disse que sempre viu como mais coerente manter a aliança entre PL, PP e União Brasil, mas afirmou sentir, em alguns momentos, que o próprio governo pode não querer essa aproximação. “Eu sempre entendi que seria mais coerente manter essa aliança. Agora, às vezes eu tenho a impressão de que o governo é que não quer o PL”, declarou.

O caso de Sula Ximenes virou o exemplo principal. Bittar lembrou que ela é filiada ao PL, foi retirada de uma possível candidatura a deputada estadual e voltou ao Deracre a pedido do governo. Depois, deixou o cargo. “Ela me disse que pediu demissão porque se sentiu empurrada para fora, e o governo não fala nada com o PL”, afirmou.

O senador também disse que soube da saída de Sula pela imprensa. “Pela imprensa”, respondeu, ao ser perguntado como tomou conhecimento da exoneração. Na avaliação dele, a situação expôs ruído político dentro do Palácio Rio Branco. “Falta articulação no Palácio Rio Branco”, disse. Bittar evitou personalizar a crítica, mas manteve o recado: “Não quero botar isso no nome de ninguém, mas senta o chapéu na cabeça de quem couber.”

A saída de Sula, para Bittar, não atinge apenas a relação partidária. O senador ligou a crise à execução de obras e emendas no Deracre. Ele afirmou que ainda tem recursos destinados à autarquia e citou o viaduto da Corrente e outras ações em andamento. “Eu continuo sendo o parlamentar que mais tem emenda no Deracre”, declarou.

Bittar também respondeu às cobranças sobre o período em que foi relator do Orçamento da União. Disse que o poder do relator era limitado e que não poderia levar todo o orçamento nacional para o Acre. “O poder que eu tive como relator é um poder relativo. Eu não posso pegar o orçamento e levar todo para o meu Estado”, afirmou.

Segundo o senador, por sua atuação como relator, conseguiu trazer cerca de R$ 600 milhões a mais para o Acre. Somando emendas extraordinárias liberadas no governo Bolsonaro, disse que o valor passou de R$ 1 bilhão. “Quando eu digo que trouxe mais de R$ 1 bilhão, são outras tantas emendas. Eu consegui muita emenda extraordinária no governo do presidente Bolsonaro”, afirmou.

Ele citou recursos para ramais, máquinas entregues a prefeituras e obras como o mini anel de Brasileia e Epitaciolândia. Também afirmou que destinou R$ 200 milhões para a BR-364 dentro do orçamento geral. “Para a BR-364 foram R$ 200 milhões. Mas, dos R$ 600 milhões que eu consegui, eu tive que atender prefeitura, governador, todo mundo queria emenda”, disse.

Na pauta ambiental, Bittar voltou a defender sua tese de que os principais entraves ao desenvolvimento da Amazônia estão em Brasília, e não nos governos locais. “Os grandes problemas da região amazônica não se resolvem aqui, se resolvem no Brasil”, afirmou. Para ele, leis federais permitem ações de órgãos como Ibama e ICMBio em áreas rurais. “Se você é contra, como eu sou contra, essas ações, eu tenho que ajudar a mudar a lei. E ela é em Brasília.”

O senador também respondeu por que essas mudanças não avançaram durante o governo Bolsonaro. “Não mudou porque não tinha maioria, principalmente no Senado”, disse. Bittar afirmou que o poder de organizações não governamentais na Amazônia é maior do que parte da população imagina e defendeu a CPI das ONGs como instrumento para expor esse debate.

Em sua fala mais dura, classificou a disputa ambiental na Amazônia como conflito econômico. “Na verdade, isso é uma guerra econômica travestida de preocupação ambiental. Nós temos que desfazer isso”, declarou. Ele também acusou ONGs de atuarem contra obras estratégicas no Acre, citando a ponte de Rodrigues Alves e a continuidade da BR-364.

Ao final da entrevista, Bittar voltou ao tema da campanha. Para ele, a pré-campanha e a campanha servem para mostrar ao eleitor quem são os candidatos, o que pensam e o que fizeram quando tiveram poder. “A pré-campanha e a campanha são para você saber quem é quem, o que pensa, o que está fazendo. Se você é governo do Acre, o que fez? Se você é governo do Brasil, o que fez?”, afirmou.

A entrevista deixou Bittar no lugar onde ele costuma se colocar: sem tentar esconder o lado. O senador quer a reeleição, mantém relação com os principais nomes do governo estadual, mas avisou que sua prioridade será o palanque nacional de Bolsonaro. No Acre, essa escolha pode aproximar ou afastar aliados. E, pelo tom da conversa, o Deracre virou mais que uma autarquia em crise: virou a primeira rachadura visível entre o Palácio Rio Branco e o grupo que o governo ainda precisa decidir se quer manter por perto.

Bocalom rejeita ser vice e mantém candidatura ao governo do Acre

O ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom voltou a negar, nesta quarta-feira (24), qualquer possibilidade de compor como vice em uma chapa governista e manteve a candidatura ao governo do Acre nas eleições deste ano. Filiado ao PSDB, ele disse que deixou a Prefeitura de Rio Branco para disputar o Palácio Rio Branco e não para ocupar posição secundária em uma aliança com a governadora Mailza Assis, do PP.

“Alguém acha que eu deixei a prefeitura para ser vice de alguém? Quem espalha esse tipo de boato quer me tirar da frente, porque sabe que ganharei o governo. Ninguém tem nem a coragem de vir com essa conversa comigo”, afirmou Bocalom.

A declaração ocorre em meio às articulações para a sucessão estadual, num cenário em que partidos da base governista discutem alianças, composição de chapa e espaços nas disputas para o Senado, Assembleia Legislativa e Câmara Federal. Bocalom tenta se firmar como alternativa fora da chapa de Mailza e aposta no legado de sua passagem pela Prefeitura de Rio Branco para sustentar a campanha.

O ex-prefeito disse que seu grupo começou a distribuir à população um jornal com realizações de sua gestão municipal. Segundo ele, a receptividade nas ruas mostra que há espaço para crescimento eleitoral. “Meu pessoal está distribuindo um jornal com as minhas realizações como prefeito, e noventa por cento dos que são abordados para receber o material, recebe e ainda me elogia. O povo quer o Bocalom no governo”, afirmou.

Bocalom também pretende usar como bandeira de campanha o argumento de que não responde a processos por mau uso de recursos públicos nas gestões em Acrelândia e Rio Branco. Mesmo aparecendo atrás de adversários em pesquisas recentes, ele minimizou os levantamentos e disse confiar no desempenho nas urnas.

“São pesquisas feitas para agradar. Quando foi que uma pesquisa me colocou na liderança? Sempre me colocaram como sem chance de ser eleito, e quando as urnas são abertas o Bocalom é que ganha. Foi assim nas duas últimas eleições para a prefeitura da capital”, disse.

A posição de Bocalom reduz, no momento, a possibilidade de uma composição com a chapa governista e mantém a disputa pelo governo aberta entre os principais nomes colocados no tabuleiro eleitoral acreano.

Alan Rick diz que ação para barrar agendas mostra “desespero” de adversários no Acre

O senador Alan Rick (Republicanos-AC), pré-candidato ao governo do Acre, reagiu na terça-feira, 23, à ação movida pela Federação União Progressista para tentar impedir novas agendas políticas dele no estado. Em fala ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, o parlamentar classificou a ofensiva como uma tentativa de limitar sua circulação pelos municípios e afirmou que o movimento dos adversários “dá a impressão de que estão desesperados”.

A ação foi apresentada após uma agenda em Feijó, onde Alan Rick participou de compromissos ao lado do prefeito Railson Ferreira da Silva. A federação, formada por União Brasil e Progressistas, alegou à Justiça Eleitoral que o evento teve características de propaganda eleitoral antecipada, com recepção no aeroporto, carreata, presença de apoiadores e mobilização nas redes sociais.

Alan Rick rebateu o pedido e tratou a medida como reação ao crescimento de sua pré-campanha no interior. “Não tem cabimento, não tem lógica”, afirmou o senador, ao comentar a tentativa de impedir novas agendas antes do início oficial da campanha. A avaliação do parlamentar é que os adversários recorreram à Justiça porque passaram a se incomodar com a recepção popular em municípios estratégicos.

O pedido de urgência foi negado pelo juiz Jair Araújo Facundes, relator do caso no Tribunal Regional Eleitoral do Acre. A liminar pretendia proibir Alan Rick e Railson Ferreira de promover ou participar de novos eventos semelhantes ao ato de Feijó até 16 de agosto, data de início da campanha eleitoral. O magistrado entendeu que não havia prova concreta de que outro evento com as mesmas características estivesse prestes a ocorrer.

Na decisão, a Justiça Eleitoral rejeitou a possibilidade de restringir previamente a atuação política com base em fatos futuros e incertos. A ação continuará tramitando, mas a negativa da liminar manteve liberadas as agendas políticas e parlamentares do senador em municípios acreanos.

Ao comentar o caso, Alan Rick também defendeu tratamento igual para todos os grupos políticos que já se movimentam antes do período oficial de campanha. “O pau que dá em Chico dá em Francisco”, disse o senador, ao sustentar que a regra aplicada a uma pré-candidatura deve valer para todas as demais.

A disputa ocorre em meio ao avanço das articulações para a eleição de 2026. Alan Rick aparece como um dos principais nomes da oposição ao grupo da governadora Mailza Assis e tem intensificado visitas ao interior. A representação judicial da União Progressista levou a pré-campanha para o campo jurídico e aumentou a tensão entre os blocos que disputam o Palácio Rio Branco.

O episódio de Feijó virou o primeiro embate judicial de maior peso envolvendo diretamente a agenda de rua do senador. Para a federação autora da ação, a mobilização teria extrapolado os limites da pré-campanha. Para Alan Rick, a ofensiva tenta transformar agenda política em irregularidade eleitoral. “Dá a impressão de que estão desesperados”, repetiu o senador ao tratar da reação dos adversários.

O mérito da representação ainda será analisado pelo TRE-AC. Alan Rick e Railson Ferreira deverão apresentar defesa no processo, que seguirá depois para manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral antes da decisão final sobre as acusações de propaganda eleitoral antecipada.

No Jornal da Manhã, Jorge Viana diz que quer ser “resolvedor de problemas” do Acre

O ex-governador Jorge Viana usou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração, nesta terça-feira, 23, no Juruá, para apresentar sua pré-candidatura ao Senado como uma disputa centrada na reconstrução da capacidade política do Acre em Brasília, na recuperação da BR-364 e na relação direta com prefeitos, governo estadual e governo federal. “Eu não estou desesperado para ganhar uma eleição. Eu quero muito ganhar essa eleição, eu quero muito ajudar o Acre. A causa é o Acre”, disse Jorge, ao defender que a política precisa sair da lógica de ataque pessoal e voltar a resolver problemas concretos da população.

A entrevista ocorreu em meio à agenda que Jorge Viana cumpre pelo Vale do Juruá. Ele citou passagens por Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Jordão e Santa Rosa, dentro de uma estratégia de escuta antes da formalização da candidatura. O tom adotado foi de cobrança sobre o atual momento do estado. “Eu estou descontente com o caminho que o Acre pegou. As coisas não estão boas e eu posso ajudar. Eu estou me oferecendo para ajudar”, afirmou.

O ponto mais forte da conversa foi a BR-364. Jorge disse que percorreu a estrada “quilômetro a quilômetro” e levou ao Dnit um plano para enfrentar os trechos mais críticos da rodovia. Segundo ele, a proposta foi apresentada ao ministro dos Transportes, Renan Filho, que esteve no Acre e aceitou o encaminhamento. “Hoje um ônibus demora dezoito horas daqui de Cruzeiro para Rio Branco. Uma carreta, dois dias. Uma caminhonete, doze a quinze horas. E, se Deus quiser, em setembro nós vamos ter uma estrada regular, com aquelas áreas intragáveis e péssimas resolvidas”, declarou.

A fala mira diretamente a vida de quem depende da estrada para trabalhar, vender, estudar, fazer tratamento de saúde ou viajar entre o Juruá e a capital. Ao tratar da BR-364, Jorge tentou amarrar sua experiência administrativa à promessa de articulação federal. “Eu fui governador, fui senador, fui prefeito. Juntaram uns técnicos, montaram um plano quilômetro a quilômetro, e o ministro dos Transportes veio e acatou o plano”, disse.

Jorge também falou sobre a ponte que caiu em Sena Madureira e comparou o caso com obras feitas em governos anteriores no Juruá, como a ponte de Cruzeiro do Sul, iniciada em seu governo, executada por Binho Marques e inaugurada por Tião Viana. “Essa ponte tem dezesseis anos. Ela foi preparada inclusive para algum tipo de terremoto. Caiu lá uma ponte em Sena, é lamentável, com dois anos de uso, mas eu não posso acusar ninguém. Eu quero que tenha uma apuração rigorosa, porque era dinheiro público”, afirmou.

Na leitura política de Jorge, o Acre perdeu planejamento e passou a depender de ações soltas. Ele criticou a substituição de políticas públicas estruturadas por emendas parlamentares usadas como vitrine eleitoral. “Acabar com essa onda de emenda para cá, emenda para lá. Tem que ter políticas públicas”, disse. Em seguida, citou obras de sua gestão no Juruá, como o Hospital do Juruá, o aeroporto, a avenida em Mâncio Lima, a chegada da universidade a Cruzeiro do Sul, a ponte e a própria estrada. “Não dá para a gente não ter mais governos que não têm um projeto”, completou.

Ao falar de Cruzeiro do Sul, Jorge foi direto na crítica ao ritmo de investimentos públicos na cidade nos últimos anos. “Eu não vejo obras aqui em Cruzeiro do Sul. Se tirar as coisas que o governo federal ainda está fazendo, não sobra nada”, disse. Para ele, a falta de obras afeta o comércio, o emprego e o ambiente social. “O comércio não vende, ninguém emprega. Há um ambiente de sofrimento na população”, afirmou.

A entrevista também abriu espaço para uma proposta voltada à economia digital. Jorge defendeu que Cruzeiro do Sul e o restante do Acre precisam de mais cabos de fibra óptica e internet de alta qualidade para permitir que jovens trabalhem de casa prestando serviços para empresas de outros países. “Eu quero três, quatro cabos de fibra óptica daqui para Rio Branco, e a cidade fibrada, com internet de altíssima qualidade”, disse. “Essa nova geração de garotos de 15, 16, 20 anos é talentosa. Nós estamos na era do serviço. Eles podem, de casa, prestar serviço para empresa na China, na Índia, na Europa, nos Estados Unidos.”

A relação com o presidente Lula ocupou outro bloco central da entrevista. Jorge criticou políticos acreanos que, segundo ele, evitam reconhecer investimentos federais por divergência ideológica. “O cara ganha um mandato para fazer guerra ideológica. Não conte comigo para isso”, declarou. Ele disse que, caso seja eleito, pretende atuar como ponte entre o governo federal, o governo estadual e as prefeituras. “Eu serei o interlocutor do presidente Lula aqui em Cruzeiro do Sul e nos municípios todos. Como é que eu só vou trabalhar quando o PT tiver? Eu não estou candidato para ser senador do PT. Eu estou candidato para ser senador do Acre e do Brasil.”

Jorge citou o cumprimento à governadora Gladson Cameli durante a agenda com o ministro dos Transportes e defendeu relação institucional com qualquer gestor. “Se eu quero ser senador da República, eu vou ter que trabalhar por dois anos com todos os prefeitos do Acre. É assim que funciona”, disse. A frase funciona como recado para um ambiente político estadual marcado por alinhamentos nacionais, disputas de grupo e dificuldade de convivência entre adversários.

A entrevista também teve resposta aos ataques contra jornalistas do Juruá. Sem citar nome, Jorge criticou um pré-candidato que, segundo ele, teria acusado profissionais da imprensa de serem comprados. “Eu queria ser solidário com vocês, porque teve um dos pré-candidatos que veio agredir o jornalismo dizendo que jornalista aqui se compra. Eu não combinei nunca nenhuma entrevista na minha vida”, afirmou. “Eu não estou usando microfone nem minhas redes sociais para agredir ninguém. Tomei uma decisão. Não tenho mais idade, não tenho tempo, e acho que a população cansou desse tipo de malandragem política.”

Jorge buscou se diferenciar de adversários que apostam no confronto permanente nas redes sociais. “Não contem comigo para ficar rebatendo coisa, agredindo ninguém. Não vai ter isso. Me esperem com a minha vivência para ser um resolvedor de problemas”, disse. A fala resume o eixo escolhido para sua pré-campanha: experiência administrativa, acesso a Brasília, crítica ao improviso e promessa de reconstruir pontes políticas em um estado que depende de obras federais para destravar transporte, produção, saúde e conectividade.

Médico Thor Dantas foca em reestruturação da saúde e desenvolvimento econômico em pré-candidatura ao governo do Acre

O médico infectologista Thor Dantas detalhou seu plano de governo para o Estado do Acre durante sabatina no podcast Bar do Vaz, apresentado pelo jornalista Roberto Vaz. Pré-candidato ao governo estadual, Dantas propõe uma quebra na polarização ideológica para focar na reestruturação do sistema de saúde, na ampliação da infraestrutura viária e na inserção do estado em novas rotas comerciais da Ásia. A movimentação política busca atrair eleitores insatisfeitos com a atual gestão e conter o êxodo de jovens acrianos gerado pela ausência de oportunidades profissionais.

A corrida eleitoral no Acre ganha contornos de readequação administrativa. Pesquisas iniciais de intenção de voto colocam Dantas com 2% da preferência do eleitorado, atrás de nomes consolidados como Alan Rick, com 39%. Os números preliminares não alteram a estruturação da campanha, que foca no planejamento de longo prazo e no diálogo direto com a população nas ruas. O pré-candidato diagnostica um esvaziamento da capacidade de investimento do atual governo, que executa apenas 35% de seu orçamento disponível. O principal gargalo da gestão pública acriana é a escassez de planejamento e liderança, refletida na estagnação de obras civis e na precarização de unidades hospitalares do interior, a exemplo da estrutura de Sena Madureira.

A saúde pública é o eixo central do programa. Com 28 anos de atuação no estado e participação direta na criação do curso de medicina e da residência médica local, Dantas avalia a ampliação do número de leitos e a construção de um novo complexo hospitalar como medidas emergenciais. O projeto abrange a implementação de um plano de carreira sólido para fixar os cerca de 50 especialistas formados anualmente no Acre, contendo a fuga de profissionais para outros grandes centros. A reestruturação do Sistema Único de Saúde (SUS) passará obrigatoriamente por uma pactuação com as prefeituras, garantindo o atendimento básico nos municípios e aliviando a superlotação nos prontos-socorros da capital. “A saúde tem uma parte que é cara realmente, mas tem coisa na saúde que é só trabalho em equipe para dar conta. Se eu tratar as hepatites aqui embaixo, eu evito o transplante lá em cima”, declarou o médico.

No campo econômico, a diretriz é a diversificação produtiva. O plano engloba o asfaltamento integral e permanente da ligação viária entre Cruzeiro do Sul e Rio Branco, além da injeção de crédito e fomento no agronegócio, na agricultura familiar e no extrativismo. O objetivo estratégico é utilizar o recém-inaugurado Porto de Chancay, no Peru, para exportar a produção acriana diretamente ao mercado asiático. Essa rota comercial servirá de alavanca para a industrialização local de insumos como castanha, cupuaçu e proteína animal. O desenvolvimento tecnológico, atrelado à geração de emprego e renda, forma a base do projeto para manter a força de trabalho jovem dentro do estado.

O pré-candidato rechaça a manutenção do embate entre esquerda e direita, classificando a disputa ideológica excessiva como um entrave governamental. A proposta defende o diálogo irrestrito com todas as esferas de poder e correntes políticas, assegurando a captação de recursos federais vitais para a sobrevivência econômica do estado. O desgaste gerado pela condução da crise sanitária nos anos anteriores e a fragmentação do grupo político que atualmente governa o Acre pavimentam o cenário no qual a nova chapa tenta se estabelecer.

A consolidação dessa plataforma eleitoral reconfigura o tabuleiro político acriano, forçando o debate público a abandonar as pautas exclusivamente ideológicas para se concentrar na execução orçamentária e na eficiência dos serviços básicos. O avanço da pré-candidatura ao longo do período pré-eleitoral testará a viabilidade de converter o desgaste da administração vigente em capital político, definindo o modelo de gestão, as alianças federativas e os padrões de investimento público no Acre para a próxima década.

Jorge Viana e Thor Dantas apontam aliança focada na recuperação da saúde e infraestrutura do Acre

O médico infectologista Thor Dantas e o ex-governador Jorge Viana oficializaram uma aliança para disputar as eleições majoritárias no Acre. O anúncio ocorreu durante o terceiro episódio do “Jorge Viana Podcast”, apresentado por Marcela e gravado em Rio Branco. O projeto lança Dantas como pré-candidato ao governo estadual e Viana ao Senado, tendo como prioridade reverter o déficit estrutural nos serviços de alta complexidade na saúde pública, recuperar o sucateamento da BR-364 e conter a fuga contínua de jovens profissionais da região.

A transição dos hospitais para a política partidária tem raízes na administração da pandemia de Covid-19. Thor atuou na linha de frente e viu o sistema colapsar pela ausência de planejamento e por decisões negacionistas que multiplicaram o número de mortes no país. A constatação de que o limite da medicina esbarra na ineficiência das políticas públicas o levou a buscar o comando do Executivo. A proposta da chapa é instaurar um modelo administrativo centrado em dados, formação de equipes técnicas e acompanhamento rigoroso de metas.

O principal projeto na área da saúde prevê a transformação da Fundação Hospitalar do Estado do Acre (Fundacre) em um Hospital Universitário. A iniciativa conta com uma estimativa de R$ 200 milhões do governo federal, investimento atualmente travado por articulações de políticos locais, de acordo com os pré-candidatos. A medida visa verticalizar o complexo, atrair novos profissionais e mitigar a crônica falta de leitos de internação e Unidades de Terapia Intensiva (UTI) que afeta a população de forma crônica. Além da saúde, a infraestrutura compõe o centro do debate. A rodovia BR-364 encontra-se tomada por buracos e sem manutenção constante, um gargalo logístico que a aliança promete solucionar via articulação conjunta entre o governo estadual e o Senado.

O ex-governador defende a reestruturação da máquina pública por meio de profissionais técnicos, sem loteamento de cargos. “O Acre está doente e a cura é Thor”, disse Jorge Viana, ao justificar o apoio ao médico em função de sua experiência diária na gestão de quadros clínicos de alta complexidade. Para Thor Dantas, a falta de capacidade gerencial comprometeu os alicerces do estado nos últimos anos. “Ser liderado pela ignorância é tudo que a gente não precisa”, pontuou o médico ao recordar as barreiras burocráticas no pico da crise sanitária. A motivação para a candidatura também se ampara em uma crise demográfica. “Eu não quero meus filhos indo embora e eu quero que esse Acre volte a dar certo”, afirmou Dantas, referindo-se à escassez de perspectivas para a juventude local.

A consolidação desta chapa reconfigura o cenário político acreano e antecipa um confronto eleitoral fundamentado em gestão e captação de recursos da União. O plano da dupla engloba a inserção do Acre na economia digital, com a promessa de fibrar o estado para conectar os municípios isolados e gerar negócios a partir de bases tecnológicas e florestais. A estratégia mira os eleitores prejudicados pela estagnação econômica, forçando o debate público a apresentar respostas imediatas para a manutenção logística, a modernização do ensino e a sobrevivência do comércio local.

Gladson perde nova batalha no STJ em ação sobre obras da AC-405

O ex-governador Gladson Cameli sofreu nesta quarta-feira, 3 de junho, uma nova derrota no Superior Tribunal de Justiça. A Corte Especial rejeitou, por unanimidade, embargos de declaração apresentados no andamento da Ação Penal 1.232, processo que trata de suspeitas de fraude e desvio em obras públicas no Acre. A decisão foi tomada nos termos do voto da ministra Nancy Andrighi, relatora do caso.

A derrota não significa uma nova condenação, mas mantém de pé a decisão anterior que recebeu a denúncia e colocou Gladson na condição de réu nessa ação penal. Em termos simples, a defesa tentou abrir uma brecha dentro do próprio STJ para questionar pontos da decisão, mas os ministros não aceitaram o recurso.

Os embargos de declaração são usados quando a defesa aponta omissão, contradição, obscuridade ou erro material em uma decisão judicial. Quando esse recurso é rejeitado ou não conhecido, a decisão questionada permanece válida. No caso de Gladson, isso mantém o processo em andamento sem o recuo pretendido pela defesa.

A Ação Penal 1.232 é diferente da Ação Penal 1.076, na qual o ex-governador já foi condenado a 25 anos e 9 meses de prisão. Nesta nova frente, Gladson ainda não foi condenado. Ele responde como réu, e o mérito da acusação ainda será analisado. A denúncia envolve supostas irregularidades em obras da rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul, com suspeitas de fraude à licitação e peculato-desvio.

Mesmo sem representar condenação, a decisão desta quarta-feira tem peso político. Gladson tenta manter viva a narrativa de que ainda pode disputar o Senado, mas cada movimentação no STJ aumenta a pressão sobre sua situação jurídica. Ele já carrega uma condenação colegiada em outro processo e agora vê avançar uma segunda ação penal.

A fotografia do momento é dura para o ex-governador. Em uma ação, ele já foi condenado. Em outra, virou réu. Agora, perdeu uma tentativa de reverter pontos da nova ação dentro da Corte Especial. A defesa ainda pode usar os instrumentos permitidos pela lei, mas a sequência de decisões mostra que o caminho jurídico de Gladson ficou mais estreito.

No Acre, onde o ex-governador ainda conserva força política e tenta sustentar expectativa eleitoral, a decisão reforça a distância entre o discurso político e a realidade processual. Gladson pode continuar afirmando que confia na Justiça e que pretende seguir na disputa. Mas, nesta quarta-feira, a resposta do STJ foi objetiva: na ação sobre as obras da AC-405, ele perdeu mais uma batalha.

Editorial – Notícia judicial não é fake news, Gladson 

Quando um acórdão do Superior Tribunal de Justiça é publicado, não cabe chamar a notícia de boato. Quando uma condenação de 25 anos e 9 meses de prisão passa a constar em decisão formal de um tribunal superior, não cabe tratar a cobertura jornalística como tentativa de desestabilizar governo. O ex-governador Gladson Cameli tem todo o direito de recorrer, de se defender, de buscar no Supremo Tribunal Federal uma decisão que suspenda os efeitos da condenação e de sustentar publicamente sua versão. Mas o direito de defesa não transforma em fake news aquilo que está escrito em decisão judicial. Inclusive, a defesa deve agir em tempo hábil com os recursos.

A fala de Gladson, ao associar notícias sobre sua situação jurídica a tentativas de desestabilização, tenta empurrar para a imprensa e para supostos adversários um problema que nasceu dentro de um processo penal. Não foi um blog, uma rádio, um portal ou um comentarista que condenou o ex-governador. Foi a Corte Especial do STJ, formada por ministros que analisaram autos, provas, teses da defesa, argumentos do Ministério Público Federal e questões preliminares levantadas ao longo de anos. A imprensa apenas cumpre o papel de traduzir esse fato para a população.

Dias atrás, no 21 de maio, antes da publicação do acórdão, o Grupo Integração abriu espaço no Jornal da Manhã da Rádio Integração FM para explicar o caso com calma. O advogado Emerson Soares foi chamado exatamente porque havia confusão no debate público. De um lado, circulavam versões de que tudo teria sido anulado. De outro, havia a decisão do STJ condenando Gladson e criando efeitos imediatos sobre sua situação eleitoral. Emerson foi direto: se o prazo de registro de candidatura fosse naquele momento, Gladson não poderia registrar candidatura, porque há condenação por órgão colegiado, situação prevista na Lei da Ficha Limpa.

Essa explicação não nasceu de torcida política. Nasceu da lei. Hoje, Gladson pode recorrer, mas recorrer não é o mesmo que estar liberado para disputar eleição. Ele pode tentar uma liminar no STF, mas tentativa não é garantia. Ele pode sustentar que será candidato, mas, sem uma decisão que suspenda os efeitos da condenação, essa afirmação permanece no campo da narrativa política, não da condição jurídica atual.

O ponto que precisa ser dito com clareza é simples: o governo não se desestabiliza porque a imprensa noticia uma decisão judicial. O governo se desestabiliza quando a própria liderança política que o conduziu passa a responder a condenações, recursos, dúvidas eleitorais e novas ações penais. A instabilidade não foi fabricada pela notícia. A instabilidade veio dos fatos que chegaram aos tribunais e agora cobram seu preço no cenário político do Acre.

Também não se pode confundir crítica jornalística com perseguição. A Integração não inventou a Operação Ptolomeu, não redigiu o acórdão do STJ, não fixou pena, não calculou inelegibilidade e não recebeu nova denúncia contra o ex-governador. O que a Integração fez foi o que o jornalismo deve fazer: ouvir, perguntar, explicar e separar fato de versão. Quando há decisão judicial, o público tem o direito de saber o que ela significa. Quando há prazo recursal, o público tem o direito de saber quais caminhos ainda existem. Quando há impacto eleitoral, o eleitor tem o direito de entender se um nome que se apresenta como candidato pode ou não chegar às urnas.

Gladson ainda conserva força política, tem apoiadores, tem história eleitoral e segue tentando manter viva a expectativa de candidatura ao Senado. Isso é fato. Mas também é fato que ele foi condenado pelo STJ, que o acórdão foi publicado, que a defesa precisa buscar medidas judiciais para tentar suspender os efeitos dessa condenação e que, neste momento, sua situação eleitoral está comprometida. Dizer isso não é fake news. Esconder isso é que seria enganar a população.

A tentativa de transformar toda notícia incômoda em ataque político empobrece o debate público. O Acre não precisa de cortina de fumaça. Precisa de informação limpa, direta e verificável. Quem deseja governar, disputar eleição ou influenciar o futuro do estado deve responder aos fatos com fatos, não com slogans. A pergunta que fica não é quem tenta desestabilizar o governo. A pergunta real é como um projeto político que se dizia sólido chegou a depender de recurso, liminar e interpretação judicial para continuar de pé.

A Integração continuará tratando o caso pelo que ele é: um assunto de interesse público, com impacto jurídico, político e eleitoral. Sem torcida. Sem perseguição. Sem medo de dizer que decisão judicial não é fake news.

Foto: Juruá Online

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