Apoiador de Mailza, Ulysses diz que chapa tem competência “apesar de serem mulheres”

O apoio político montado em torno da governadora Mailza Assis produziu mais um desgaste nesta terça-feira, 4 de agosto. Durante a convenção que oficializou a chapa com Jéssica Sales como candidata a vice-governadora, o deputado federal Coronel Ulysses afirmou que as duas têm competência “apesar de serem mulheres”. A declaração foi dada ao jornal A Gazeta do Acre, no Sesc Bosque, em Rio Branco.

“Eu entendo que essa chapa, apesar de a governadora e a vice-governadora serem mulher, tem muita competência, tem muito trabalho, tem muita entrega”, declarou Ulysses. Depois, citou a passagem de Mailza pelo Senado e o mandato de Jéssica na Câmara dos Deputados para defender a candidatura.

A frase expôs a contradição dentro do próprio palanque. A campanha apresenta uma chapa formada por duas mulheres como demonstração de força política, enquanto um dos principais aliados trata a competência feminina como uma exceção que precisa ser reconhecida.

O episódio ocorre quando Mailza já enfrenta questionamentos pela presença do marido, Madson Cameli, no centro do governo. Nomeado chefe do Gabinete Pessoal da Governadora, ele ocupa uma função diretamente ligada às decisões e à rotina do Palácio Rio Branco.

Madson também foi investigado por lesão corporal grave e violência psicológica contra a ex-mulher. Em agosto de 2024, o Ministério Público do Acre informou que a vítima tinha medida protetiva e que o inquérito estava sob análise da promotoria de Cruzeiro do Sul. Não há, nessa informação, registro de condenação.

É esse o apoio reunido em torno de Mailza: enquanto a candidata tenta transformar uma chapa feminina em ativo eleitoral, um aliado sobe ao palanque e condiciona a capacidade das duas ao fato de serem mulheres. A fala de Ulysses não atingiu a oposição. Atingiu o principal discurso da própria campanha.

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Sargento Adônis confirma candidatura a vice de Bocalom e fala em “libertação” do Acre

Escolhido para compor a chapa de Tião Bocalom, o militar atribuiu sua entrada na disputa à providência divina, defendeu o modelo de gestão do candidato ao governo e citou Mahatma Gandhi ao projetar a vitória nas urnas.

A convenção da coligação “Produzir para Empregar”, realizada no ginásio do Sesi, em Rio Branco, nesta sexta-feira, 31, oficializou a chapa majoritária liderada por Tião Bocalom na disputa pelo Governo do Acre. Um dos principais discursos da noite foi feito pelo candidato a vice-governador, Sargento Adônis, que concentrou sua fala em referências religiosas, na defesa da trajetória administrativa de Bocalom e na promessa de mudança no comando do estado.

Adônis subiu ao palco e apresentou a candidatura como parte de um projeto coletivo. Logo no início, associou a campanha à democracia e ao enfrentamento dos problemas econômicos e sociais do Acre:

“Não é uma festa minha, não é uma festa do Bocalom, é uma festa nossa, é a festa da democracia, é a festa da libertação do estado do Acre deste subdesenvolvimento.”

A Lei da Semeadura e o pragmatismo na gestão

Ao defender Tião Bocalom e Eduardo Velloso, candidato ao Senado, Adônis recorreu ao princípio bíblico da semeadura. Para ele, a trajetória política dos dois sustenta a confiança no projeto apresentado pela coligação. “Certamente eles plantaram no passado com uma história íntegra, justa, honesta e vão colher bons frutos à frente deste novo projeto.”

O candidato a vice também direcionou o discurso para a experiência administrativa de Bocalom. Adônis afirmou que a campanha não dependerá apenas de promessas, mas do histórico do candidato nas prefeituras de Acrelândia e Rio Branco.

“Eu não tenho dúvidas por que esse time vai sair vencedor. É porque o Tião Bocalom não vai apresentar propostas, não. Ele vai apresentar um projeto consolidado de gestão que já deu certo em Acrelândia por três vezes prefeito e que também deu certo aqui em Rio Branco.”

De Eclesiastes a Gandhi

No encerramento do discurso, Adônis deixou as referências bíblicas e citou o líder pacifista indiano Mahatma Gandhi. A frase foi usada para convocar os apoiadores a participar da campanha e reforçar a confiança na vitória eleitoral.

“Tem uma frase que eu gosto muito de Mahatma Gandhi que diz o seguinte: ‘Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é um desejo de vencer’. E é com esse desejo no coração, de mãos dadas com todos vocês aqui, que nós vamos juntos levantar a bandeira da vitória no dia 4 de outubro.”

Bocalom oficializa candidatura ao Governo do Acre com Adônis de vice e Velloso ao Senado

A convenção realizada na noite desta sexta-feira, 31 de julho, no Ginásio do Sesi, em Rio Branco, oficializou Tião Bocalom, do PSDB, como candidato ao Governo do Acre, Sargento Adônis como vice e o deputado federal Eduardo Velloso, do Solidariedade, na disputa pelo Senado. O ato reuniu PSDB, Cidadania, Solidariedade e PRD em torno da chapa que pretende levar para o governo estadual o programa “Produzir para Empregar”, usado por Bocalom em administrações anteriores.

Bocalom chegou ao ginásio acompanhado de Adônis, Velloso, da esposa Kelen Bocalom e do prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene. A composição apresentada no palco definiu o núcleo político da campanha e confirmou a presença de Alysson ao lado do ex-prefeito, mesmo com o atual gestor da capital filiado ao Progressistas, partido da candidata ao governo Mailza Assis.

Na chegada ao evento, Bocalom comparou a estrutura política montada para a eleição deste ano com a primeira vez em que disputou o Governo do Acre, em 2006. “O Bocalom hoje é mais experiente, não tenho dúvida nenhuma. Em 2006, meu Deus do céu, não tinha ninguém na nossa convenção, era muito pouca gente. Mas hoje, graças a Deus, isso aqui é esperança. Isso é resultado do que a gente trabalhou em Acrelândia e Rio Branco. Mostramos que sabemos trabalhar e que o dinheiro na nossa mão rende”, afirmou.

O candidato colocou a produção rural, o comércio e a indústria no centro do discurso econômico. “O dinheiro precisa chegar aos mais necessitados, com políticas de geração de emprego e renda. Vamos apoiar desde os pequenos até os médios e grandes produtores, comerciantes e industriais. É a linha do ‘Produzir para Empregar’ que vai vencer desta vez”, declarou Bocalom.

Escolhido para ocupar a vaga de vice, Sargento Adônis levou para a chapa o discurso ligado à segurança pública e a representação política do Vale do Juruá. O militar afirmou que a proposta defendida por Bocalom já foi testada nas administrações de Acrelândia e Rio Branco. “É muito gratificante saber que o Bocalom, lá atrás, quando iniciou sua caminhada, tinha como proposta ‘Produzir para Empregar’. Hoje está mais do que evidente que ele estava certo. Ele tem um projeto de gestão consolidado para apresentar ao povo do estado do Acre”, disse.

Adônis também assumiu o compromisso de participar da campanha em todas as regiões acreanas. “Estamos aqui à disposição do povo do Acre para a gente construir um dos melhores projetos de desenvolvimento para o nosso estado, começando de Assis Brasil até Mâncio Lima”, afirmou. A escolha de um vice do Juruá busca ampliar a presença territorial da chapa e aproximar Bocalom dos municípios do interior.

Eduardo Velloso apresentou a chapa como uma divisão de responsabilidades entre segurança pública, produção e saúde. “Sinto-me muito honrado de fazer parte desse time. Nós temos um representante da segurança pública, que é um dos maiores problemas do estado; temos uma pessoa que já mostrou que sabe construir e tem olho na produção rural, juntando com a saúde, que é um dos calos do nosso estado”, declarou o candidato ao Senado.

Velloso encerrou a participação com um discurso voltado à mobilização dos apoiadores. “Esse time aqui vai sair vencedor. Hoje começa uma nova história, um novo desenvolvimento, um novo capítulo do Estado do Acre. Aqui tem força, tem fé e tem trabalho”, afirmou. A candidatura do deputado ao Senado foi incorporada à chapa de Bocalom após o parlamentar deixar o grupo político ligado à candidatura de Mailza Assis.

Alysson Bestene concentrou sua fala na continuidade do modelo administrativo iniciado por Bocalom na Prefeitura de Rio Branco. “É esse time que respeita as pessoas em primeiro lugar, que faz com que o dinheiro público chegue de fato e mude a vida das pessoas. O exemplo está aí, seja em Acrelândia e em Rio Branco. Eu tenho orgulho de dar continuidade a esse trabalho no município de Rio Branco”, declarou.

O prefeito também afirmou que sua relação política com Bocalom permanece acima da posição adotada pelo Progressistas na eleição estadual. “Nós não estamos na política para se beneficiar de recurso público, para ganhar dinheiro. Nós estamos na política para servir as pessoas em primeiro lugar e, principalmente, aqueles que mais precisam. Conheço você desde 2012, e essa sensibilidade nunca morreu: a de olhar para quem mais precisa”, disse Alysson.

Na disputa pelo Senado, Alysson confirmou apoio a Eduardo Velloso e ao ex-governador Gladson Cameli. “O Eduardo Velloso compôs aqui a chapa com a gente. É um prazer tê-lo junto, é meu amigo de infância”, afirmou. Ao defender a candidatura de Bocalom, Alysson afirmou que a chapa reúne nomes comprometidos com o desenvolvimento do estado. “Tenho certeza de que o Acre vai se desenvolver com pessoas sérias que querem fazer o melhor para a população de todo o estado do Acre”, declarou o prefeito.

A convenção fechou as três principais definições eleitorais do grupo: Bocalom para o Governo do Acre, Adônis como vice e Eduardo Velloso para o Senado. Também tornou pública a distância entre Alysson Bestene e a direção estadual do Progressistas. Embora permaneça no partido, o prefeito escolheu participar da campanha de Bocalom e defender a continuidade estadual do projeto administrativo que os dois implantaram juntos em Rio Branco.

Alysson reforça continuidade da gestão em Rio Branco e declara apoio a Bocalom

O prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene, apresentou nesta quarta-feira, 29 de julho, em Cruzeiro do Sul, um balanço das ações executadas desde que assumiu o comando da capital e reafirmou o apoio à pré-candidatura de Tião Bocalom ao governo do Acre. Durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, Bestene colocou a continuidade administrativa, o cuidado com os recursos públicos e a lealdade política como bases da parceria construída entre os dois.

Alysson assumiu a Prefeitura de Rio Branco em 4 de abril de 2026, após a transmissão do cargo feita por Bocalom. Desde então, passou a conduzir uma estrutura administrativa que ajudou a construir como vice-prefeito e integrante direto da gestão municipal. A prefeitura mantém Bestene como atual prefeito da capital acreana.

A relação entre os dois atravessa mais de uma década. Alysson lembrou que a aproximação política começou em 2012, quando disputaram juntos a Prefeitura de Rio Branco, com Bocalom como candidato a prefeito e ele como candidato a vice. A parceria voltou a ser formada na eleição de 2024 e chegou ao comando da capital.

“Os nossos princípios sempre convergiram nesse sentido de fazer com que a coisa pública, de fato, chegasse às pessoas em primeiro lugar. Deus permitiu que, a partir de 2024, nós reeditássemos essa dupla e agora possibilitou que a gente assumisse a capital para dar sequência nesse trabalho inovador, moderno e com cara de capital”, afirmou Alysson.

Nos primeiros meses à frente da prefeitura, Bestene manteve obras que estavam em andamento e avançou em ações nas áreas de infraestrutura, transporte, produção rural e educação. Ele citou a preparação do Mercado Elias Mansour para entrega, as obras de unidades básicas de saúde, entre elas a da Vila Betel, e a recuperação de quadras e praças em diferentes bairros.

Segundo Alysson, dez espaços públicos foram revitalizados e entregues durante os primeiros cem dias de sua administração. Entre eles está a quadra com piso modular no bairro Doca Furtado, iniciada durante a gestão de Bocalom e concluída após a mudança no comando da prefeitura.

“Nesses cem dias, a gente vem dando sequência a obras importantes que ainda vamos entregar ao longo deste ano. São várias quadras e praças que estamos revitalizando e recuperando. Só ao longo desses cem dias foram dez que a gente já revitalizou e entregou”, disse.

A continuidade também alcançou o sistema de transporte coletivo. Alysson afirmou que a prefeitura iniciou um novo processo emergencial para ampliar e melhorar o atendimento aos passageiros, com a previsão de colocar 120 ônibus à disposição da população. A medida fazia parte das discussões mantidas com Bocalom ainda durante o período em que os dois administravam juntos a capital.

Bestene relacionou a capacidade de manter os investimentos ao equilíbrio financeiro construído pela gestão. Ele afirmou que recebeu a prefeitura com mais de R$ 150 milhões em caixa e que os recursos estão sendo aplicados em serviços e projetos voltados diretamente aos moradores.

“Isso é uma demonstração de um serviço sério e honesto, que só é possível diante da quantidade de recursos trabalhados com seriedade. Foram mais de R$ 150 milhões deixados em caixa, que a gente está aplicando bem para que esses benefícios voltem para a população”, declarou Alysson.

A estrutura municipal de obras recebeu atenção especial. O prefeito afirmou que a Empresa Municipal de Urbanização de Rio Branco conta atualmente com mais de 85 máquinas e equipamentos, incluindo caminhões destinados aos serviços de pavimentação, manutenção das ruas e recuperação dos corredores de ônibus. Parte desse maquinário foi adquirida durante a administração de Bocalom e permanece em operação na atual gestão.

Na área rural, Alysson informou que as equipes municipais recuperaram aproximadamente 330 quilômetros de ramais e estradas vicinais durante o início do período de verão. A prefeitura também manteve a entrega de calcário, fertilizantes e outros insumos usados pelos produtores.

Outro programa citado pelo prefeito prevê a distribuição de 150 mil mudas de café para propriedades localizadas no entorno do cinturão verde de Rio Branco. Para Alysson, o trabalho desenvolvido na capital comprova que o apoio ao pequeno produtor e à agricultura familiar pode ampliar a produção, gerar renda e fortalecer a economia.

“Estamos distribuindo 150 mil mudas de café no entorno do cinturão verde. É uma marca que tenho certeza de que será implementada ao longo do estado, porque já demonstrou que funciona na capital: o avanço da produção, apoiando o pequeno produtor e a agricultura familiar”, afirmou.

A educação também ocupa espaço central na gestão. Alysson lembrou que assumiu a Secretaria Municipal de Educação quando ainda era vice-prefeito e acompanhou investimentos em tablets, computadores, material escolar, fardamento e calçados para os estudantes. Ele também citou o projeto que levou alunos da rede municipal a uma experiência educacional nos Estados Unidos, com visitas à NASA e à Disney, iniciativa criada durante a administração de Bocalom e mantida pela atual prefeitura.

“A educação transforma. Quando ela é bem conduzida, prepara as crianças para o futuro. A gente evita a violência e cria condições para que essas crianças possam se tornar grandes profissionais, médicos, advogados, cientistas e, quem sabe, futuros prefeitos e governadores”, declarou Alysson.

Alysson apresentou os resultados da capital como consequência de uma gestão compartilhada, iniciada ao lado de Bocalom e mantida depois da transmissão do cargo. Para ele, a relação entre os dois permanece sustentada por princípios comuns, pela confiança e pelo compromisso de levar os serviços públicos até as famílias.

Bocalom afirmou que acompanhava o desempenho de Alysson com tranquilidade porque conhecia a capacidade administrativa do antigo vice. “Ele surpreendeu todo mundo, mas a mim não surpreendeu, porque eu sabia que ele ia fazer isso”, disse o ex-prefeito, ao comentar os primeiros meses da nova administração.

O reconhecimento foi acompanhado pela defesa de que o trabalho realizado em Rio Branco pode servir como referência para os demais municípios. Bocalom afirmou que deixou a prefeitura com segurança porque o projeto administrativo continuaria sob o comando de alguém em quem confia.

“Nós deixamos a nossa marca. Estou muito feliz de ter deixado a prefeitura para disputar o governo porque sei que podemos fazer no estado aquilo que fizemos em Acrelândia e em Rio Branco, em parceria com todos os prefeitos, para mudar a vida da população. Estou feliz de estar acompanhado do Alysson”, declarou Bocalom.

No campo político, Alysson reafirmou que apoiará Bocalom na disputa pelo governo estadual. O prefeito explicou que comunicou sua decisão ao Progressistas e se afastou temporariamente das atividades partidárias para evitar constrangimentos internos, mas permanece filiado à legenda.

Bestene afirmou que tomou a decisão com transparência e que pretende manter a palavra dada ao antigo parceiro de administração. “Desde que o meu amigo Tião Bocalom decidiu partir para esse desafio de governar o estado do Acre, pela experiência, pela história e pela gestão de resultados, eu me comprometi a apoiá-lo. Esse compromisso eu vou honrar sempre, até o final”, declarou.

Para Alysson, a experiência acumulada por Bocalom nas prefeituras de Acrelândia e Rio Branco oferece uma base administrativa para a construção de um projeto estadual. O prefeito defendeu uma gestão voltada ao desenvolvimento econômico, à geração de oportunidades e ao atendimento das crianças, dos idosos e das famílias.

“Acredito nesse trabalho que vem sendo construído há muitos anos. Rio Branco tem mudado e avançado com uma gestão séria e competente. Espero que o estado do Acre seja conduzido com esses mesmos princípios, que também são os meus: servir as pessoas em primeiro lugar, com seriedade e honestidade”, afirmou.

Ao encerrar a entrevista, Bocalom tratou o apoio de Alysson como uma das principais forças políticas de sua caminhada. “Eu tenho o apoio do prefeito que administra a capital, que representa metade da população do estado. Tenho certeza de que nós vamos honrar cada voto e lutar para melhorar a vida das pessoas”, disse.

A presença dos dois em Cruzeiro do Sul levou ao Juruá a imagem de uma parceria que atravessou eleições, chegou à Prefeitura de Rio Branco e permaneceu unida depois da mudança de comando. Alysson voltou para a capital com a responsabilidade de manter obras, programas e serviços, enquanto Bocalom passou a apresentar ao estado uma experiência administrativa que continua em execução pelas mãos do antigo vice e atual prefeito.

Sargento Adonis diz que escolha de Bocalom fortalece o Juruá

O primeiro-sargento da Polícia Militar Adonis Souza afirmou nesta segunda-feira, 27 de julho, que aceitou o convite para ser pré-candidato a vice-governador na chapa de Tião Bocalom por acreditar que a composição abre espaço para o Vale do Juruá dentro de um projeto estadual. Em entrevista ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, ele prometeu uma campanha feita nas ruas, nos rios e nas comunidades, negou qualquer briga com o senador Alan Rick e defendeu a experiência administrativa do pré-candidato ao governo.

Ainda assimilando a mudança provocada pelo anúncio, Adonis falou sobre o momento político e pessoal que vive. “Eu estou feliz. Confesso que a ficha ainda está em processamento para definitivamente cair. Ainda estou vivenciando esse estado de emoção”, afirmou.

Antes de tratar da disputa eleitoral, o sargento prestou solidariedade ao jornalista Chico Melo, vítima de violência dentro da própria casa. Adonis lembrou que os dois são amigos há mais de 20 anos e estudaram Letras Vernáculas na Universidade Federal do Acre. Com quase 24 anos de serviço na Polícia Militar, ele condenou o ataque e defendeu o combate ao crime dentro dos limites da lei.

“A gente sempre combateu o crime de forma muito firme, porém respeitando a dignidade da pessoa humana. Eu repudio todo e qualquer tipo de violência e quero mandar um abraço para o nosso amigo Chico Melo”, declarou.

Ao explicar como pretende contribuir com a chapa, Adonis recorreu à imagem de uma campanha distante dos gabinetes e próxima das pessoas. Ele afirmou que pretende percorrer Cruzeiro do Sul, os demais municípios do Juruá e todas as regiões do Acre.

“Nós vamos continuar gastando solado de sapato. Vamos subir rios, descer rios, subir barrancos, descer barrancos, andar em trilhas dentro da mata e dentro de igarapés. Estaremos nesse projeto de corpo, alma e também com os pés no chão”, disse.

A escolha de um nome de Cruzeiro do Sul para a vaga de vice foi apresentada por Adonis como um gesto político em favor do interior. “Tião Bocalom faz um golaço quando escolhe um filho do Juruá para compor sua chapa como vice-governador. Ele dá um presente para a região do Vale do Juruá”, afirmou.

O sargento também chamou atenção para sua condição de servidor público e para a posição que ocupa dentro da Polícia Militar. Sem mandato e sem grande estrutura financeira, ele disse que sua escolha foge do perfil normalmente procurado para completar uma chapa majoritária.

“Como é que ele escolhe um servidor público que não ostenta nenhum poderio econômico? Ele escolhe uma pessoa que é militar, mas de uma graduação considerada baixa. Poderia ter escolhido um coronel”, declarou.

Adonis afirmou que recebeu o convite com responsabilidade e que pretende estudar as necessidades do Juruá, sem limitar sua atuação à região onde nasceu e construiu sua trajetória política. “Nós somos filhos daqui, mas precisamos andar por todo o estado do Acre e construir projetos que possam melhorar a vida das pessoas”, disse.

Durante a entrevista, ele defendeu a experiência de Bocalom como professor, vereador, prefeito de Acrelândia, secretário estadual de Agricultura, presidente da Emater e prefeito de Rio Branco. Para Adonis, essa trajetória permitirá que a chapa apresente ações já experimentadas na administração pública.

“Os nossos concorrentes vão apresentar propostas. Tião Bocalom vai apresentar um projeto consolidado de gestão que já deu certo”, afirmou.

A mudança de grupo político também esteve entre os principais pontos da conversa. Adonis manteve proximidade com Alan Rick e participou de disputas eleitorais ao lado do senador. Agora, os dois estarão em projetos diferentes na corrida pelo Governo do Acre. O sargento negou que a decisão tenha provocado rompimento pessoal.

“Foi uma decisão tomada com equilíbrio, pautada em princípios e coerência. Eu não estou em briga com o Alan de forma alguma”, declarou.

Adonis acrescentou que considera legítimo Alan Rick defender a própria candidatura e reivindicou o mesmo direito de escolha. “É normal ele seguir o caminho dele e defender aquilo em que acredita, como também é legítimo eu fazer minhas escolhas e seguir o projeto em que acredito. Não existe nenhuma animosidade entre mim e o senador”, afirmou.

A entrevista concentrou-se mais na formação da chapa, na representação do Juruá e no perfil de campanha do que em propostas detalhadas de governo. Adonis falou em melhorar a vida da população e impulsionar a economia do Acre, mas não apresentou metas, prazos ou programas específicos para áreas como saúde, educação, segurança, produção rural e infraestrutura.

A maneira como pretende exercer a política foi resumida em uma das declarações mais fortes da entrevista. “A política é para servir. Política é um sacerdócio, é a arte de servir bem as pessoas”, disse.

Acre chega a 2026 entre serviços em crise, dependência do FPE e silêncio político, diz Leonildo Rosas

A disputa eleitoral de 2026 começou no Acre, mas, para o jornalista Leonildo Rosas, o principal debate ainda não entrou na campanha. Durante participação no programa Central de Política, da TV Gazeta, ele descreveu um estado que, na sua avaliação, perdeu a capacidade de reagir diante do avanço dos problemas estruturais. Em vez de discutir projetos para saúde, educação, economia e desenvolvimento, o Acre estaria mergulhado em um ambiente de acomodação política e social. “A sociedade acreana, a que a gente vive, a que a gente está presente, ela está caminhando de uma forma sonâmbula rumo ao abismo. Não há qualquer manifestação, qualquer reivindicação, qualquer protesto quanto aos desmandos que a gente vê ao longo dos últimos anos no nosso estado”, afirmou. Em seguida, elevou o tom do diagnóstico: “O pior dessa rumo ao abismo é que pode também ir para o fundo do poço, o subsolo do fundo do poço que a gente caminha.”

A imagem do “Acre sonâmbulo” tornou-se o eixo da análise apresentada por Rosas. Para ele, o silêncio da sociedade não decorre apenas do desgaste natural da política, mas da ausência de enfrentamento público diante de uma sucessão de problemas administrativos que, segundo sua leitura, deixaram de provocar indignação coletiva.

Na avaliação do jornalista, esse cenário começou a ser construído após a eleição de 2018. Ele atribui parte da responsabilidade às forças políticas derrotadas naquele pleito, que, segundo disse, abandonaram o espaço do debate público e permitiram a consolidação de um ambiente sem contraponto. “O que está acontecendo é o reflexo da covardia das forças de esquerda ao longo dos últimos oito anos. É um pessoal que perdeu a eleição em 2018, a maioria vazou do estado do Acre, fugiu, não fez o enfrentamento, não fez o combate político. E dentro da política não tem espaço vazio. Deixou-se criar um discurso único: rejeição a um grupo político que fez muito pelo Acre.”

Para Rosas, a consequência dessa ausência foi uma campanha cada vez mais superficial, incapaz de discutir um projeto de Estado. Na visão dele, muitos candidatos sequer demonstram disposição para construir uma candidatura competitiva. “O candidato precisa primeiro levar essa candidatura a sério. Então, se ele não leva, como é que as pessoas vão acreditar?”

As críticas avançaram para a relação entre governo e imprensa. Ex-secretário estadual de Comunicação, Rosas afirmou que nunca houve um investimento tão elevado em publicidade institucional. Na interpretação dele, esse volume de recursos reduziu o espaço para o escrutínio público sobre a administração estadual. “Primeiro, nunca se gastou tanto para calar a imprensa no Acre como o governo de Gladson Cameli. Eu fui secretário de Comunicação, eu sei o tanto que era o orçamento da Secretaria de Comunicação para mídia. Dobrou oficialmente. A população, obviamente, ela não ficou sabendo dos desmandos que foram cometidos desde o primeiro dia do Gladson Cameli.”

Ao relacionar comunicação institucional e cobertura jornalística, Rosas sustentou que episódios de grande repercussão acabaram perdendo espaço no debate público. “Nós temos um governador ou um ex-governador que, de forma inédita, levou a Polícia Federal para dentro do palácio, para dentro da sua casa, para a casa dos pais dele, e ele é condenado a 25 anos e 9 meses de cadeia. Tem pessoas que não sabem que ele foi condenado porque a imprensa não cumpriu o papel dela. A oposição não cumpriu o papel dela. Ela não fez o combate, se acovardou. Aqueles que não se acovardaram, foram embora.”

Ao comentar a atual governadora Mailza Assis, Rosas fez uma distinção entre responsabilidades administrativas e responsabilidades políticas. Segundo ele, ela não ocupava a posição de ordenadora de despesas durante os fatos que citou, mas assumiu um governo identificado com a continuidade do grupo político. “A partir de agora, se houver desmando dentro do governo dele — porque já há indícios e muitas denúncias de continuidade de casos de corrupção —, se ela souber que está acontecendo e mantiver essas pessoas, aí sim passará a ter culpa. Mas ela assumiu um governo com o discurso da continuidade. Será que nós queremos para o Acre a continuidade da corrupção?”

Depois das críticas políticas, Rosas concentrou a análise nos serviços públicos. Para ele, o debate eleitoral ignora justamente as áreas que mais afetam a rotina da população. “A discussão é rasa da nossa política. Ninguém discute mais um projeto de Estado. Ninguém discute os rumos da nossa saúde, que todo dia a gente vê coisas absurdas. Ninguém debate a nossa educação, que voltou a ser a pior do país em apenas oito anos. Foram anos construindo um processo para a educação melhorar. Nós temos uma assistência social que é um desastre.”

Na economia, o jornalista descreveu um estado paralisado, sem novos investimentos capazes de alterar a estrutura produtiva. “A nossa produção não produz nada. A construção civil não constrói nada. Passaram-se sete anos sem construir uma casa sequer.” Para ele, o Acre abandonou políticas voltadas à diversificação econômica e voltou a depender quase exclusivamente da circulação de recursos públicos.

Foi nesse contexto que Rosas apresentou um dos dados que considera mais preocupantes para o futuro das contas estaduais. Segundo ele, o Acre voltou a depender majoritariamente do Fundo de Participação dos Estados (FPE), revertendo um processo que buscava ampliar a arrecadação própria. “A economia do contracheque voltou agora. Quando o Tião Viana deixou o governo, nós estávamos quase que FPE e receita própria equivalente: 53% a 47%. Voltamos a depender quase 80% do FPE.”

Ao defender políticas de incentivo adotadas em governos anteriores, Rosas citou cadeias produtivas que continuam movimentando parte da economia acreana. “Se critica por ter iniciativa de fazer? Eu nunca vi isso. Se critica por não fazer. Nós estamos há oito anos no marasmo, na paralisação. A única coisa que cresceu no Acre foi a corrupção, que voltou para dentro do governo.”

Mais do que uma crítica à gestão estadual, a entrevista foi construída como um alerta sobre o rumo do Estado. Na avaliação do jornalista, o Acre corre o risco de chegar às urnas discutindo nomes e alianças enquanto deixa em segundo plano a deterioração dos serviços públicos, a dependência crescente de transferências federais e a ausência de uma estratégia de desenvolvimento capaz de reduzir a vulnerabilidade econômica. O “estado sonâmbulo” descrito por Leonildo Rosas resume, para ele, uma sociedade que deixou de reagir justamente quando os problemas passaram a exigir maior mobilização.

Expoacre 2026: R$ 22 milhões, três institutos e as conexões com Mailza Cameli

O pastor Reginaldo Ferreira da Silva não aparece atualmente como presidente do Instituto Vida Plena, mas seu nome atravessa a ponte mais curta entre uma das entidades escolhidas para executar a Expoacre Rio Branco 2026 e a governadora Mailza Assis Cameli. Ex-assessor da então senadora, antigo dirigente da Associação dos Ministros do Evangelho do Acre e atual secretário adjunto de Governo, Reginaldo integra o círculo político, administrativo e religioso que se formou ao redor do instituto destinado a receber até R$ 9,987 milhões para cuidar dos shows, do entretenimento e das atividades tradicionais da maior feira do estado. Mas suas história carrega laços fortes e estreitos entre Mailza e o Instituto Vida Plena. 

A contratação direta foi publicada em 16 de julho, depois de a Casa Civil declarar deserto um chamamento público para a realização integral do evento, marcado para ocorrer de 1º a 9 de agosto, no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco.

A decisão repartiu a Expoacre entre três organizações da sociedade civil. O Instituto Novo Amanhã ficou com o eixo de infraestrutura, logística e operação da arena, estimado em R$ 8,106 milhões. O Instituto Vida Plena recebeu o eixo artístico, de entretenimento e das atividades tradicionais, por R$ 9,987 milhões. O Instituto Bem-Estar assumiu segurança, apoio logístico e comunicação social, por R$ 3,907 milhões. Juntas, as dispensas alcançam exatamente R$ 22 milhões, valor superior aos R$ 20 milhões previstos no chamamento original para uma única entidade executar toda a feira.

A mudança aconteceu em um intervalo apertado. O edital foi publicado em 16 de junho e abriu prazo para entrega de propostas até 13 de julho. Três dias depois, a comissão declarou que “não houve o recebimento de qualquer proposta no prazo estabelecido”. Na mesma edição do Diário Oficial, a Casa Civil apresentou as três dispensas, apoiada na proximidade da Expoacre e na necessidade de evitar riscos à realização do evento. A feira começaria apenas 16 dias depois daquela publicação.

Esse ponto chegou ao Tribunal de Contas do Estado do Acre pelas mãos da Associação Rede Ativa. Presidida por Adeneuton Pinheiro Martins, a entidade sustenta ter entregue sua documentação no gabinete do secretário da Casa Civil em 26 de junho, dentro do prazo, com comprovante de recebimento. O plano de trabalho submetido pela associação propunha executar a Expoacre inteira por R$ 19.360.765, abaixo do teto previsto no edital, reunindo shows nacionais e locais, rodeio, cavalgada, estruturas temporárias, segurança, comunicação, logística e operação dos espaços.

Em 17 de julho, a Rede Ativa encaminhou à Ouvidoria do TCE uma denúncia acompanhada de 19 anexos, entre eles a representação com pedido de medida cautelar, o plano de trabalho, certidões, estatuto, ata, documentos da diretoria e declarações de capacidade técnica. A entidade pediu a suspensão da declaração de certame deserto e das três dispensas ou, de forma alternativa, o bloqueio de assinaturas e pagamentos até a fiscalização do processo.

A existência da representação não transforma a denúncia em irregularidade comprovada. O TCE ainda precisa confrontar o comprovante apresentado pela associação com os registros do protocolo geral, a movimentação interna da Casa Civil, a ata da comissão e os documentos usados para declarar que nenhuma proposta havia chegado. A resposta definirá se houve falha administrativa no caminho percorrido pelos envelopes ou se a entrega ocorreu fora do local e das condições exigidas pelo edital. Até essa verificação, a acusação pertence à entidade que se considera retirada da disputa, não a uma decisão do órgão de controle.

Instituto Vida Plena

Enquanto essa discussão corre contra o calendário da feira, o cruzamento de cadastros, atos oficiais, pagamentos públicos, registros do Senado e agendas políticas feito pelo Grupo Integração colocou o Instituto Vida Plena no centro da relação com o entorno de Mailza. O CNPJ, aberto em 2003, tem Roniere Ferreira Xavier como presidente cadastral desde janeiro de 2024. Entre 2024 e 16 de julho de 2026, o governo estadual registrou R$ 7.713.527,22 empenhados e liquidados e R$ 7.043.036,30 pagos à entidade. Os projetos passaram por educação, assistência social, esporte, qualificação, internet comunitária, educação ambiental e festivais culturais.

O salto previsto para a Expoacre é expressivo. Sozinho, o eixo de R$ 9,987 milhões supera todo o valor pago pelo estado ao instituto no período pesquisado. A diferença de escala importa porque contratar artistas nacionais, operar shows para milhares de pessoas, organizar rodeio, cavalgada e atividades tradicionais exige estrutura financeira, equipe especializada, contratos, pesquisa de preços, logística e capacidade de enfrentar imprevistos em poucos dias.

A identidade pública do Vida Plena também passa pela fé cristã. O instituto promoveu o Gospel Day e o Holy Fire, encontro realizado em janeiro de 2026 diante do Palácio Rio Branco, reunindo músicos e participantes de diferentes igrejas. 

Roniere já havia assinado uma parceria diretamente ligada à estrutura comandada por Mailza. Em outubro de 2024, quando ela acumulava a Vice-Governadoria com a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, o presidente do Vida Plena firmou termo de fomento de R$ 20 mil para o projeto Lenços do Amor. O valor é pequeno diante dos quase R$ 10 milhões reservados agora, mas registra uma relação administrativa anterior entre a gestão de Mailza e o instituto. 

O elo mais sensível passa por Reginaldo Ferreira da Silva. O Portal da Transparência do Senado registrou o pastor como assistente parlamentar AP-11 no escritório de Mailza em 2019 e 2020. Os atos de pessoal colocam sua nomeação em junho de 2019 e sua exoneração em agosto de 2021. Uma prestação da cota parlamentar inclui Reginaldo entre os passageiros de um voo fretado com a então senadora. No mesmo período, ele foi identificado publicamente como diretor executivo da Ameacre.

Em 22 de abril de 2026, vinte dias depois de assumir definitivamente o governo do Acre, Mailza nomeou Reginaldo para o cargo de secretário adjunto da Secretaria de Estado de Governo. Ele deixou o gabinete parlamentar de Brasília e reapareceu no núcleo político do Palácio Rio Branco. Sua presença no governo atual não é lateral: a Segov atua na articulação institucional e política da administração estadual.

Reginaldo não consta como presidente formal do Vida Plena. Essa função pertence a Roniere. Mas, em entrevista ao jornalista Evandro Cordeiro, Reginaldo é apresentado como líder e porta-voz da entidade. “Hoje eu tenho o prazer de, eventualmente, esporadicamente, quando solicitado, prestar alguma consultoria, alguma orientação à vice-governadora Mailza, uma pessoa extraordinária. Uma pessoa que, inclusive, me inspirou muito nessa questão filantrópica”, disse à época. Sobre o Instituto, Reginaldo deixa claro sua relação: “Eu sou uma pessoa que coopera, que contribui, que dispõe da minha experiência e da minha sensibilidade social para servir à comunidade através do Instituto Vida Plena”.

O caminho, portanto, é documentado em etapas: Reginaldo trabalhou no gabinete de Mailza no Senado, ocupou cargo de direção na Ameacre, voltou ao governo pelas mãos da atual governadora e aparece publicamente associado à liderança do Instituto Vida Plena. A Ameacre, por sua vez, já participou da definição da programação religiosa da Expoacre. Agora, o Vida Plena foi escolhido sem disputa para administrar o eixo artístico e tradicional da edição de 2026.

Reginaldo Ferreira e ação da Igreja Ministério Internacional Vida Plena

Essa sequência comprova convivência política, administrativa e religiosa. Não comprova que Mailza tenha escolhido pessoalmente o instituto, que Reginaldo tenha interferido na dispensa ou que qualquer recurso tenha sido desviado. Outra semelhança é no endereço do Instituto Vida Plena, que é o mesmo da Igreja Ministério Internacional Vida Plena, da qual Reginaldo Ferreira da Silva é o Presidente.

Instituto Bem-Estar

No Instituto Bem-Estar, a conexão é mais partidária do que religiosa. A entidade, antes chamada Instituto Calegário, tem Kariny Lins Malveira como presidente cadastral e recebeu R$ 8.525.947,84 do governo estadual entre 2020 e 2025. Sua trajetória guarda forte proximidade com o deputado estadual Fagner Calegário, responsável por iniciativas legislativas e emendas ligadas aos projetos da organização. Para a Expoacre, o instituto recebeu a previsão de R$ 3,907 milhões para segurança, comunicação e apoio logístico.

Pastor Reginaldo com Bruno Moraes, vereador e parceiro político do deputado estadual Calegário

Uma diretoria registrada para o mandato de 2021 a 2024 incluía Bruno Moraes Cardoso como tesoureiro e Aldeneide Batista de Lima no conselho fiscal. Bruno foi eleito vereador de Rio Branco pelo Progressistas, partido de Mailza, e participou de agendas partidárias com a governadora. Aldeneide foi nomeada por Mailza, em julho de 2026, para comandar o Instituto de Meio Ambiente do Acre. A presença deles na antiga composição retrata uma rede política em torno da trajetória da entidade, mas não prova participação na dispensa da Expoacre. E é importante reforçar que o grupo do deputado Calegário está de corpo e alma também no projeto de reeleição de Mailza para o governo. 

Instituto Novo Amanhã

O Instituto Novo Amanhã oferece um quadro diferente. Nenhuma ligação nominal entre Mailza, sua rede religiosa e a atual presidente Deania Marques da Silva Xavier foi comprovada. A antiga dirigente localizada nos cadastros também não aparece na equipe parlamentar, no governo ou nas agendas religiosas ligadas à governadora. O ponto de atenção está na mudança recente de comando e no tamanho do contrato. Deania entrou no cadastro em 20 de abril de 2026. O primeiro empenho estadual localizado veio em 9 de junho, cerca de 50 dias depois. Até 16 de julho, o instituto havia recebido R$ 2,225 milhões do estado. Agora, poderá administrar R$ 8,106 milhões apenas no eixo de infraestrutura, 3,64 vezes todo o montante já pago ao CNPJ no período pesquisado.

Os três institutos já acumulavam R$ 17.793.984,14 em pagamentos estaduais antes das dispensas da Expoacre. O Bem-Estar responde pela maior parcela, com R$ 8,525 milhões; o Vida Plena recebeu R$ 7,043 milhões; e o Novo Amanhã, R$ 2,225 milhões. Os R$ 22 milhões publicados para a feira são estimativas das novas parcerias, não pagamentos confirmados. 

A Expoacre movimenta produtores, trabalhadores, comerciantes, artistas, criadores de animais e famílias que atravessam Rio Branco para entrar no Parque Wildy Viana. Em 2026, porém, a festa chega cercada por uma questão que ultrapassa os portões da feira. O governo de Mailza precisa demonstrar que a urgência não substituiu a competição, que as relações políticas não conduziram as escolhas e que os R$ 22 milhões chegarão aos serviços anunciados por preços compatíveis.

O pastor Reginaldo Ferreira não encerra essa história. Ele personifica a pergunta que atravessa o caso: até onde termina a convivência legítima entre governo, partido, igrejas e organizações sociais, e onde começa a obrigação de erguer barreiras claras entre proximidade política e decisão administrativa? A resposta não virá de sobrenomes, fotografias ou agendas religiosas. Virá dos protocolos da Casa Civil, dos planos de trabalho, das contas bancárias, dos contratos com fornecedores e da fiscalização do Tribunal de Contas.

Chico Melo e Rogério Wenceslau denunciam ameaça de prisão arbitrária 

Os jornalistas Rogério Wenceslau e Chico Melo denunciaram, durante o Jornal da Manhã desta sexta-feira, 17 de julho, terem sido ameaçados de prisão por uma pessoa ligada ao alto escalão do Governo do Acre. A acusação foi feita ao vivo, nos estúdios da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, depois de semanas de confronto público entre os comunicadores e integrantes do grupo político da governadora Mailza Cameli. Os dois afirmaram que a tentativa de intimidação estaria relacionada às reportagens e aos comentários sobre gastos públicos, relações políticas e contratos do governo estadual.

Rogério Wenceslau foi o primeiro a tratar diretamente da ameaça. Analista político e integrante da bancada conduzida por Chico Melo, ele afirmou que uma pessoa do alto escalão teria dito, durante uma reunião fechada, que mandaria prender os profissionais do Jornal da Manhã. Wenceslau também acusou o interlocutor, sem revelar o nome, de afirmar que teria controle sobre a Polícia Civil e de manter delegado atuando como segurança particular. 

Diante do microfone, Rogério transformou o estúdio em endereço público. Disse que trabalha na Rádio Integração de segunda a sexta-feira, das 7h às 9h, e que qualquer autoridade interessada em encontrá-lo saberia onde procurar. “Esse é o meu endereço. Não vou dar o endereço da minha casa, porque não interessa, mas aqui é o nosso local de trabalho”, afirmou. A frase colocou a denúncia no terreno concreto de quem não teme a intimidação e não se esconde.

Chico Melo assumiu a palavra em seguida. Apresentador do Jornal da Manhã e diretor do Grupo Integração, ele respondeu em nome da emissora e elevou o tom contra qualquer tentativa de intimidação e o uso de instituições públicas para resolver disputas políticas ou pessoais. “Antes de mandar prender, cuidado para não ser preso. O que vale para sorrir vale para chorar”, declarou. Chico afirmou que a Polícia Civil pertence ao Estado e não pode ser tratada como propriedade particular de autoridades ou grupos políticos.

A direção do Grupo Integração começou a reunir mensagens, relatos e outros materiais para encaminhar uma denúncia às autoridades. Chico contou que recebeu recados pelo telefone e pelas redes sociais e que Rogério Wenceslau também teria sido procurado. O objetivo, afirmou, é tornar públicas as pressões que estariam sendo feitas contra os jornalistas e impedir que o caso permaneça restrito aos bastidores do poder.

A tensão cresceu depois que uma publicação de 24 de junho informou que advogados do Estado, com orientação do chefe do gabinete Madson Cameli e da governadora Mailza Cameli, preparavam uma ação judicial contra Chico Melo e Rogério Wenceslau. No encerramento do programa desta sexta-feira, Chico e Rogério voltaram a cobrar as provas da suposta tentativa de extorsão. Os dois lembraram que haviam estabelecido um prazo público de 15 dias para que fossem apresentados registros, mensagens, gravações ou qualquer elemento capaz de sustentar a acusação. “Se divulgar dados e fatos foi isso, eu não sei mais o que é jornalismo”, declarou Chico. A negativa dos jornalistas foi direta: eles afirmaram que não pediram dinheiro para interromper a cobertura e que as publicações fazem parte do trabalho de fiscalização da imprensa.

No centro da disputa também estão os gastos da Expoacre Juruá 2026. O Integração Net publicou uma apuração sobre o Termo de Colaboração CC/SECC nº 01/2026, firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar. O plano destinou R$ 15,8 milhões à organização da feira, incluindo contratação de artistas, transporte aéreo, montagem de estruturas, segurança, divulgação, alimentação e despesas administrativas.

A Associação Transformar declarou no plano de trabalho possuir duas salas, um banheiro, dois computadores e um telefone celular. A equipe permanente era formada por presidente, secretária e tesoureiro. Essa estrutura reduzida passou a ser usada pelos jornalistas como ponto de cobrança sobre a capacidade da entidade para administrar um orçamento milionário. Eles também levantaram suspeitas sobre a proximidade política da associação com integrantes do grupo de Mailza Cameli. 

O confronto deixou de ser apenas entre governo e imprensa, agora ganha contornos de ameaças graves de prisão e de uso político da estrutura do Estado contra jornalistas.

Associação que recebeu milhões por Expoacre acumula elos políticos com núcleo da governadora Mailza

Entidade recebeu R$ 15,8 milhões da Casa Civil para executar a Expoacre Juruá após ser beneficiada por R$ 1,34 milhão em emendas do irmão da coordenadora da feira

A Associação Transformar recebeu R$ 15.848.310 da Casa Civil do Acre para executar a Expoacre Juruá 2026 depois de ter sido beneficiada com R$ 1.347.431 em emendas apresentadas pelo vereador de Rio Branco Moacir Júnior. O parlamentar é irmão de Taiane Santos, ex-diretora técnica da Casa Civil e então coordenadora-geral da feira. A relação familiar aproxima a entidade de dois integrantes de um mesmo núcleo político ligado ao governo da governadora Mailza Cameli.

O repasse para a Expoacre Juruá foi feito em 29 de junho, por meio do Termo de Colaboração CC nº 01/2026. A Associação Transformar ficou responsável pela gestão, coordenação operacional, organização, contratações e execução financeira do evento. Taiane conduziu a coordenação institucional dentro da Casa Civil e representou o governo durante a preparação e a realização da feira.

Meses antes da parceria estadual, o irmão dela havia destinado duas emendas municipais à associação. A primeira, no valor de R$ 696.431, previa ações de saúde nas comunidades. A segunda reservava R$ 651 mil para atividades esportivas, educacionais e de capacitação. As duas somaram R$ 1.347.431 para o mesmo CNPJ posteriormente escolhido pela Casa Civil para administrar quase R$ 15,9 milhões na Expoacre Juruá.

Nos registros das emendas individuais previstas no orçamento de Rio Branco para 2026, Moacir foi o único vereador da capital a destinar recursos diretamente à Associação Transformar. O elo documentado está na presença da mesma associação em decisões financeiras ligadas aos dois irmãos: as emendas municipais apresentadas por Moacir e a feira estadual coordenada por Taiane.

A entidade já mantinha contratos com o Governo do Acre antes de assumir a Expoacre Juruá. Em 29 de abril, a Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia pagou R$ 681.503,29 para a realização das comemorações do Dia do Trabalhador em Rio Branco. Na mesma data, repassou outros R$ 914 mil para as festividades em Cruzeiro do Sul.

Com o pagamento da Expoacre Juruá, a Associação Transformar recebeu R$ 17.443.813,29 do governo estadual em um intervalo de dois meses. Os três valores foram empenhados, liquidados e pagos.

A aproximação da entidade com o poder público ocorreu em meio a mudanças internas. Em dezembro de 2025, Carlos Henrique Oliveira do Nascimento passou a ocupar a presidência da associação. No mês seguinte, a organização apareceu no orçamento de Rio Branco como beneficiária das duas emendas de Moacir Júnior. Entre abril e junho, recebeu os três repasses do Governo do Acre.

O histórico do CNPJ acrescenta outra questão à parceria. Criada em 2020 como Federação de Futebol de Travinha do Acre, a organização era presidida por Elliton Damasceno Batista e atuava na promoção de atividades esportivas. Em documentos apresentados à Assembleia Legislativa em 2024, ainda se identificava como uma federação voltada à realização de campeonatos de futebol de travinha.

Posteriormente, o mesmo CNPJ passou a usar o nome Associação Transformar, ampliou suas finalidades e começou a administrar contratos públicos para eventos de grande porte. A alteração antecedeu a entrada da entidade em uma sequência de parcerias milionárias com o Estado.

Os registros públicos formam uma ligação objetiva: uma associação beneficiada por emendas do irmão da coordenadora da Expoacre Juruá recebeu, meses depois, R$ 15,8 milhões da Casa Civil para executar o evento comandado por ela. É essa proximidade entre recursos públicos, relações familiares e decisões administrativas que exige transparência.

No Jornal da Manhã, Alan Rick reage a ações judiciais, promete ampliar pré-campanha

O senador Alan Rick afirmou nesta sexta-feira, 10 de julho, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, que não reduzirá suas movimentações políticas pelo Acre após ser alvo de novas ações eleitorais relacionadas à pré-campanha ao governo. Filiado ao Republicanos, ele classificou as representações como tentativas de intimidação, prometeu ampliar as agendas nos municípios e confirmou para 25 de julho, em Rio Branco, a convenção partidária que deverá oficializar sua candidatura e definir o nome do vice.

A reação ocorreu após questionamentos judiciais apresentados contra atos políticos realizados pelo senador, entre eles a agenda em Cruzeiro do Sul que marcou a adesão do prefeito Zequinha Lima ao seu grupo. Alan Rick disse que os processos não mudarão o ritmo da pré-campanha e sustentou que as ações serão derrubadas pela Justiça Eleitoral.

“Eles tentam nos intimidar para que a gente não faça as mobilizações políticas nos municípios. Sabe o que eu vou fazer? Eu vou é aumentar. Aí é que nós vamos fazer mais movimentos ainda”, declarou. O senador afirmou que as representações buscam impedir reuniões, desestimular novas adesões e limitar sua presença nas cidades acreanas.

O parlamentar também acusou o governo estadual de usar a estrutura pública em atos políticos, embora não tenha apresentado, durante a entrevista, documentos ou detalhes que permitissem comprovar a acusação. “O governo usa descaradamente a máquina para fazer campanha antecipada”, disse. As declarações fazem parte do confronto político que ganhou força depois da aproximação entre Alan Rick e Zequinha Lima, prefeito da segunda maior cidade do Acre.

Ao tratar da administração estadual, o senador disse que poderá encontrar um Acre em situação financeira e administrativa grave caso seja eleito. Citou o déficit da Previdência, a falta de atualização dos planos de carreira dos servidores e supostas irregularidades na folha de pagamento. Alan Rick afirmou que denúncias estão sendo encaminhadas aos órgãos de controle, mas não identificou os servidores ou gestores envolvidos nem apresentou provas durante a conversa.

“Nós temos várias denúncias de folha de pagamento fantasma nesse governo, de gente que recebe sem trabalhar e repassa dinheiro para pessoas do governo. Todas essas denúncias estão sendo feitas e estamos entregando nas mãos dos órgãos de controle”, afirmou. Por se tratar de uma acusação ainda sem comprovação pública apresentada na entrevista, caberá às instituições responsáveis apurar os fatos e garantir o direito de defesa aos citados.

A imagem usada pelo senador para descrever o estado que pretende governar foi a da reconstrução. Ele falou sobre produtores isolados por ramais precários, professores à espera de revisão nos planos de carreira e trabalhadores da saúde que acumulam plantões para completar a renda familiar. “O Acre que nós vamos pegar, nós vamos ter que reconstruir”, declarou.

No campo das promessas, Alan Rick disse que pretende manter diálogo com servidores da educação, saúde, segurança pública e sistema penitenciário. Segundo ele, a atualização dos planos de cargos, carreiras e remunerações deverá fazer parte das discussões de um eventual governo. Nenhum prazo, cálculo de impacto financeiro ou fonte de recursos foi apresentado durante a entrevista.

Outro ponto central foi a disputa política pela autoria dos recursos destinados ao viaduto da Avenida Ceará com a Avenida Getúlio Vargas, em Rio Branco. Alan Rick afirmou que, em 2020, quando exercia o mandato de deputado federal, destinou toda a parcela que lhe cabia em uma emenda de bancada para a obra. Ele explicou que as emendas da bancada acreana eram divididas entre os 11 parlamentares, sendo oito deputados federais e três senadores.

Segundo o parlamentar, a indicação inicial foi de R$ 20 milhões, com valor final de aproximadamente R$ 18,7 milhões após os procedimentos administrativos ligados à Caixa Econômica Federal. Alan Rick afirmou que existem despachos da coordenação da bancada, extratos das emendas, registros em vídeo e uma publicação do então governador Gladson Cameli agradecendo pela destinação.

“Foi só o deputado Alan Rick que colocou recurso para o viaduto da Avenida Ceará, porque são repartidas as emendas de bancada em 11 partes, e cada um propõe, apresenta o projeto e coloca o recurso”, disse. Ele reconheceu que as emendas de bancada recebem a assinatura dos parlamentares, mas defendeu que a decisão sobre o destino da parcela partiu de seu gabinete.

Na reta final da entrevista, o senador confirmou que a convenção do Republicanos está planejada para 25 de julho, em Rio Branco. A intenção é antecipar a organização jurídica e financeira da campanha, incluindo a abertura dos registros necessários para as candidaturas. O nome do candidato a vice-governador ainda não foi definido.

“Até lá, nós vamos definir a questão do vice e também das novas adesões que estão vindo. No dia 25 de julho, a gente espera fazer a nossa grande convenção”, afirmou.

Alan Rick encerrou a participação relatando a visita ao juiz aposentado Edinaldo Muniz, ferido no desabamento da ponte de Sena Madureira. Segundo o senador, Muniz já passou por oito cirurgias, ainda deverá enfrentar novos procedimentos e receberá uma placa de titânio no crânio. O parlamentar afirmou que ajudou a família na busca por atendimento hospitalar em São Paulo e manteve contato com Suzete, esposa do magistrado.

Ao comentar o acidente, Alan Rick voltou a responsabilizar politicamente o governo estadual e cobrou investigação sobre a obra. Ele citou um gasto de R$ 45 milhões na ponte e defendeu a punição dos culpados. “Deixa a Justiça investigar, porque os culpados têm que pagar. A gente tem que ter uma resposta para a população”, declarou.

A entrevista reuniu três linhas que deverão acompanhar a campanha de Alan Rick nos próximos meses: o enfrentamento judicial contra ações eleitorais, a tentativa de vincular sua candidatura à ideia de reconstrução administrativa do Acre e a ampliação das alianças municipais. A convenção de 25 de julho será o primeiro teste público dessa estratégia, quando o senador deverá apresentar o vice e transformar a movimentação de pré-campanha em candidatura formal.