Acre chega a 2026 entre serviços em crise, dependência do FPE e silêncio político, diz Leonildo Rosas

A disputa eleitoral de 2026 começou no Acre, mas, para o jornalista Leonildo Rosas, o principal debate ainda não entrou na campanha. Durante participação no programa Central de Política, da TV Gazeta, ele descreveu um estado que, na sua avaliação, perdeu a capacidade de reagir diante do avanço dos problemas estruturais. Em vez de discutir projetos para saúde, educação, economia e desenvolvimento, o Acre estaria mergulhado em um ambiente de acomodação política e social. “A sociedade acreana, a que a gente vive, a que a gente está presente, ela está caminhando de uma forma sonâmbula rumo ao abismo. Não há qualquer manifestação, qualquer reivindicação, qualquer protesto quanto aos desmandos que a gente vê ao longo dos últimos anos no nosso estado”, afirmou. Em seguida, elevou o tom do diagnóstico: “O pior dessa rumo ao abismo é que pode também ir para o fundo do poço, o subsolo do fundo do poço que a gente caminha.”

A imagem do “Acre sonâmbulo” tornou-se o eixo da análise apresentada por Rosas. Para ele, o silêncio da sociedade não decorre apenas do desgaste natural da política, mas da ausência de enfrentamento público diante de uma sucessão de problemas administrativos que, segundo sua leitura, deixaram de provocar indignação coletiva.

Na avaliação do jornalista, esse cenário começou a ser construído após a eleição de 2018. Ele atribui parte da responsabilidade às forças políticas derrotadas naquele pleito, que, segundo disse, abandonaram o espaço do debate público e permitiram a consolidação de um ambiente sem contraponto. “O que está acontecendo é o reflexo da covardia das forças de esquerda ao longo dos últimos oito anos. É um pessoal que perdeu a eleição em 2018, a maioria vazou do estado do Acre, fugiu, não fez o enfrentamento, não fez o combate político. E dentro da política não tem espaço vazio. Deixou-se criar um discurso único: rejeição a um grupo político que fez muito pelo Acre.”

Para Rosas, a consequência dessa ausência foi uma campanha cada vez mais superficial, incapaz de discutir um projeto de Estado. Na visão dele, muitos candidatos sequer demonstram disposição para construir uma candidatura competitiva. “O candidato precisa primeiro levar essa candidatura a sério. Então, se ele não leva, como é que as pessoas vão acreditar?”

As críticas avançaram para a relação entre governo e imprensa. Ex-secretário estadual de Comunicação, Rosas afirmou que nunca houve um investimento tão elevado em publicidade institucional. Na interpretação dele, esse volume de recursos reduziu o espaço para o escrutínio público sobre a administração estadual. “Primeiro, nunca se gastou tanto para calar a imprensa no Acre como o governo de Gladson Cameli. Eu fui secretário de Comunicação, eu sei o tanto que era o orçamento da Secretaria de Comunicação para mídia. Dobrou oficialmente. A população, obviamente, ela não ficou sabendo dos desmandos que foram cometidos desde o primeiro dia do Gladson Cameli.”

Ao relacionar comunicação institucional e cobertura jornalística, Rosas sustentou que episódios de grande repercussão acabaram perdendo espaço no debate público. “Nós temos um governador ou um ex-governador que, de forma inédita, levou a Polícia Federal para dentro do palácio, para dentro da sua casa, para a casa dos pais dele, e ele é condenado a 25 anos e 9 meses de cadeia. Tem pessoas que não sabem que ele foi condenado porque a imprensa não cumpriu o papel dela. A oposição não cumpriu o papel dela. Ela não fez o combate, se acovardou. Aqueles que não se acovardaram, foram embora.”

Ao comentar a atual governadora Mailza Assis, Rosas fez uma distinção entre responsabilidades administrativas e responsabilidades políticas. Segundo ele, ela não ocupava a posição de ordenadora de despesas durante os fatos que citou, mas assumiu um governo identificado com a continuidade do grupo político. “A partir de agora, se houver desmando dentro do governo dele — porque já há indícios e muitas denúncias de continuidade de casos de corrupção —, se ela souber que está acontecendo e mantiver essas pessoas, aí sim passará a ter culpa. Mas ela assumiu um governo com o discurso da continuidade. Será que nós queremos para o Acre a continuidade da corrupção?”

Depois das críticas políticas, Rosas concentrou a análise nos serviços públicos. Para ele, o debate eleitoral ignora justamente as áreas que mais afetam a rotina da população. “A discussão é rasa da nossa política. Ninguém discute mais um projeto de Estado. Ninguém discute os rumos da nossa saúde, que todo dia a gente vê coisas absurdas. Ninguém debate a nossa educação, que voltou a ser a pior do país em apenas oito anos. Foram anos construindo um processo para a educação melhorar. Nós temos uma assistência social que é um desastre.”

Na economia, o jornalista descreveu um estado paralisado, sem novos investimentos capazes de alterar a estrutura produtiva. “A nossa produção não produz nada. A construção civil não constrói nada. Passaram-se sete anos sem construir uma casa sequer.” Para ele, o Acre abandonou políticas voltadas à diversificação econômica e voltou a depender quase exclusivamente da circulação de recursos públicos.

Foi nesse contexto que Rosas apresentou um dos dados que considera mais preocupantes para o futuro das contas estaduais. Segundo ele, o Acre voltou a depender majoritariamente do Fundo de Participação dos Estados (FPE), revertendo um processo que buscava ampliar a arrecadação própria. “A economia do contracheque voltou agora. Quando o Tião Viana deixou o governo, nós estávamos quase que FPE e receita própria equivalente: 53% a 47%. Voltamos a depender quase 80% do FPE.”

Ao defender políticas de incentivo adotadas em governos anteriores, Rosas citou cadeias produtivas que continuam movimentando parte da economia acreana. “Se critica por ter iniciativa de fazer? Eu nunca vi isso. Se critica por não fazer. Nós estamos há oito anos no marasmo, na paralisação. A única coisa que cresceu no Acre foi a corrupção, que voltou para dentro do governo.”

Mais do que uma crítica à gestão estadual, a entrevista foi construída como um alerta sobre o rumo do Estado. Na avaliação do jornalista, o Acre corre o risco de chegar às urnas discutindo nomes e alianças enquanto deixa em segundo plano a deterioração dos serviços públicos, a dependência crescente de transferências federais e a ausência de uma estratégia de desenvolvimento capaz de reduzir a vulnerabilidade econômica. O “estado sonâmbulo” descrito por Leonildo Rosas resume, para ele, uma sociedade que deixou de reagir justamente quando os problemas passaram a exigir maior mobilização.

Expoacre 2026: R$ 22 milhões, três institutos e as conexões com Mailza Cameli

O pastor Reginaldo Ferreira da Silva não aparece atualmente como presidente do Instituto Vida Plena, mas seu nome atravessa a ponte mais curta entre uma das entidades escolhidas para executar a Expoacre Rio Branco 2026 e a governadora Mailza Assis Cameli. Ex-assessor da então senadora, antigo dirigente da Associação dos Ministros do Evangelho do Acre e atual secretário adjunto de Governo, Reginaldo integra o círculo político, administrativo e religioso que se formou ao redor do instituto destinado a receber até R$ 9,987 milhões para cuidar dos shows, do entretenimento e das atividades tradicionais da maior feira do estado. Mas suas história carrega laços fortes e estreitos entre Mailza e o Instituto Vida Plena. 

A contratação direta foi publicada em 16 de julho, depois de a Casa Civil declarar deserto um chamamento público para a realização integral do evento, marcado para ocorrer de 1º a 9 de agosto, no Parque de Exposições Wildy Viana, em Rio Branco.

A decisão repartiu a Expoacre entre três organizações da sociedade civil. O Instituto Novo Amanhã ficou com o eixo de infraestrutura, logística e operação da arena, estimado em R$ 8,106 milhões. O Instituto Vida Plena recebeu o eixo artístico, de entretenimento e das atividades tradicionais, por R$ 9,987 milhões. O Instituto Bem-Estar assumiu segurança, apoio logístico e comunicação social, por R$ 3,907 milhões. Juntas, as dispensas alcançam exatamente R$ 22 milhões, valor superior aos R$ 20 milhões previstos no chamamento original para uma única entidade executar toda a feira.

A mudança aconteceu em um intervalo apertado. O edital foi publicado em 16 de junho e abriu prazo para entrega de propostas até 13 de julho. Três dias depois, a comissão declarou que “não houve o recebimento de qualquer proposta no prazo estabelecido”. Na mesma edição do Diário Oficial, a Casa Civil apresentou as três dispensas, apoiada na proximidade da Expoacre e na necessidade de evitar riscos à realização do evento. A feira começaria apenas 16 dias depois daquela publicação.

Esse ponto chegou ao Tribunal de Contas do Estado do Acre pelas mãos da Associação Rede Ativa. Presidida por Adeneuton Pinheiro Martins, a entidade sustenta ter entregue sua documentação no gabinete do secretário da Casa Civil em 26 de junho, dentro do prazo, com comprovante de recebimento. O plano de trabalho submetido pela associação propunha executar a Expoacre inteira por R$ 19.360.765, abaixo do teto previsto no edital, reunindo shows nacionais e locais, rodeio, cavalgada, estruturas temporárias, segurança, comunicação, logística e operação dos espaços.

Em 17 de julho, a Rede Ativa encaminhou à Ouvidoria do TCE uma denúncia acompanhada de 19 anexos, entre eles a representação com pedido de medida cautelar, o plano de trabalho, certidões, estatuto, ata, documentos da diretoria e declarações de capacidade técnica. A entidade pediu a suspensão da declaração de certame deserto e das três dispensas ou, de forma alternativa, o bloqueio de assinaturas e pagamentos até a fiscalização do processo.

A existência da representação não transforma a denúncia em irregularidade comprovada. O TCE ainda precisa confrontar o comprovante apresentado pela associação com os registros do protocolo geral, a movimentação interna da Casa Civil, a ata da comissão e os documentos usados para declarar que nenhuma proposta havia chegado. A resposta definirá se houve falha administrativa no caminho percorrido pelos envelopes ou se a entrega ocorreu fora do local e das condições exigidas pelo edital. Até essa verificação, a acusação pertence à entidade que se considera retirada da disputa, não a uma decisão do órgão de controle.

Instituto Vida Plena

Enquanto essa discussão corre contra o calendário da feira, o cruzamento de cadastros, atos oficiais, pagamentos públicos, registros do Senado e agendas políticas feito pelo Grupo Integração colocou o Instituto Vida Plena no centro da relação com o entorno de Mailza. O CNPJ, aberto em 2003, tem Roniere Ferreira Xavier como presidente cadastral desde janeiro de 2024. Entre 2024 e 16 de julho de 2026, o governo estadual registrou R$ 7.713.527,22 empenhados e liquidados e R$ 7.043.036,30 pagos à entidade. Os projetos passaram por educação, assistência social, esporte, qualificação, internet comunitária, educação ambiental e festivais culturais.

O salto previsto para a Expoacre é expressivo. Sozinho, o eixo de R$ 9,987 milhões supera todo o valor pago pelo estado ao instituto no período pesquisado. A diferença de escala importa porque contratar artistas nacionais, operar shows para milhares de pessoas, organizar rodeio, cavalgada e atividades tradicionais exige estrutura financeira, equipe especializada, contratos, pesquisa de preços, logística e capacidade de enfrentar imprevistos em poucos dias.

A identidade pública do Vida Plena também passa pela fé cristã. O instituto promoveu o Gospel Day e o Holy Fire, encontro realizado em janeiro de 2026 diante do Palácio Rio Branco, reunindo músicos e participantes de diferentes igrejas. 

Roniere já havia assinado uma parceria diretamente ligada à estrutura comandada por Mailza. Em outubro de 2024, quando ela acumulava a Vice-Governadoria com a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, o presidente do Vida Plena firmou termo de fomento de R$ 20 mil para o projeto Lenços do Amor. O valor é pequeno diante dos quase R$ 10 milhões reservados agora, mas registra uma relação administrativa anterior entre a gestão de Mailza e o instituto. 

O elo mais sensível passa por Reginaldo Ferreira da Silva. O Portal da Transparência do Senado registrou o pastor como assistente parlamentar AP-11 no escritório de Mailza em 2019 e 2020. Os atos de pessoal colocam sua nomeação em junho de 2019 e sua exoneração em agosto de 2021. Uma prestação da cota parlamentar inclui Reginaldo entre os passageiros de um voo fretado com a então senadora. No mesmo período, ele foi identificado publicamente como diretor executivo da Ameacre.

Em 22 de abril de 2026, vinte dias depois de assumir definitivamente o governo do Acre, Mailza nomeou Reginaldo para o cargo de secretário adjunto da Secretaria de Estado de Governo. Ele deixou o gabinete parlamentar de Brasília e reapareceu no núcleo político do Palácio Rio Branco. Sua presença no governo atual não é lateral: a Segov atua na articulação institucional e política da administração estadual.

Reginaldo não consta como presidente formal do Vida Plena. Essa função pertence a Roniere. Mas, em entrevista ao jornalista Evandro Cordeiro, Reginaldo é apresentado como líder e porta-voz da entidade. “Hoje eu tenho o prazer de, eventualmente, esporadicamente, quando solicitado, prestar alguma consultoria, alguma orientação à vice-governadora Mailza, uma pessoa extraordinária. Uma pessoa que, inclusive, me inspirou muito nessa questão filantrópica”, disse à época. Sobre o Instituto, Reginaldo deixa claro sua relação: “Eu sou uma pessoa que coopera, que contribui, que dispõe da minha experiência e da minha sensibilidade social para servir à comunidade através do Instituto Vida Plena”.

O caminho, portanto, é documentado em etapas: Reginaldo trabalhou no gabinete de Mailza no Senado, ocupou cargo de direção na Ameacre, voltou ao governo pelas mãos da atual governadora e aparece publicamente associado à liderança do Instituto Vida Plena. A Ameacre, por sua vez, já participou da definição da programação religiosa da Expoacre. Agora, o Vida Plena foi escolhido sem disputa para administrar o eixo artístico e tradicional da edição de 2026.

Reginaldo Ferreira e ação da Igreja Ministério Internacional Vida Plena

Essa sequência comprova convivência política, administrativa e religiosa. Não comprova que Mailza tenha escolhido pessoalmente o instituto, que Reginaldo tenha interferido na dispensa ou que qualquer recurso tenha sido desviado. Outra semelhança é no endereço do Instituto Vida Plena, que é o mesmo da Igreja Ministério Internacional Vida Plena, da qual Reginaldo Ferreira da Silva é o Presidente.

Instituto Bem-Estar

No Instituto Bem-Estar, a conexão é mais partidária do que religiosa. A entidade, antes chamada Instituto Calegário, tem Kariny Lins Malveira como presidente cadastral e recebeu R$ 8.525.947,84 do governo estadual entre 2020 e 2025. Sua trajetória guarda forte proximidade com o deputado estadual Fagner Calegário, responsável por iniciativas legislativas e emendas ligadas aos projetos da organização. Para a Expoacre, o instituto recebeu a previsão de R$ 3,907 milhões para segurança, comunicação e apoio logístico.

Pastor Reginaldo com Bruno Moraes, vereador e parceiro político do deputado estadual Calegário

Uma diretoria registrada para o mandato de 2021 a 2024 incluía Bruno Moraes Cardoso como tesoureiro e Aldeneide Batista de Lima no conselho fiscal. Bruno foi eleito vereador de Rio Branco pelo Progressistas, partido de Mailza, e participou de agendas partidárias com a governadora. Aldeneide foi nomeada por Mailza, em julho de 2026, para comandar o Instituto de Meio Ambiente do Acre. A presença deles na antiga composição retrata uma rede política em torno da trajetória da entidade, mas não prova participação na dispensa da Expoacre. E é importante reforçar que o grupo do deputado Calegário está de corpo e alma também no projeto de reeleição de Mailza para o governo. 

Instituto Novo Amanhã

O Instituto Novo Amanhã oferece um quadro diferente. Nenhuma ligação nominal entre Mailza, sua rede religiosa e a atual presidente Deania Marques da Silva Xavier foi comprovada. A antiga dirigente localizada nos cadastros também não aparece na equipe parlamentar, no governo ou nas agendas religiosas ligadas à governadora. O ponto de atenção está na mudança recente de comando e no tamanho do contrato. Deania entrou no cadastro em 20 de abril de 2026. O primeiro empenho estadual localizado veio em 9 de junho, cerca de 50 dias depois. Até 16 de julho, o instituto havia recebido R$ 2,225 milhões do estado. Agora, poderá administrar R$ 8,106 milhões apenas no eixo de infraestrutura, 3,64 vezes todo o montante já pago ao CNPJ no período pesquisado.

Os três institutos já acumulavam R$ 17.793.984,14 em pagamentos estaduais antes das dispensas da Expoacre. O Bem-Estar responde pela maior parcela, com R$ 8,525 milhões; o Vida Plena recebeu R$ 7,043 milhões; e o Novo Amanhã, R$ 2,225 milhões. Os R$ 22 milhões publicados para a feira são estimativas das novas parcerias, não pagamentos confirmados. 

A Expoacre movimenta produtores, trabalhadores, comerciantes, artistas, criadores de animais e famílias que atravessam Rio Branco para entrar no Parque Wildy Viana. Em 2026, porém, a festa chega cercada por uma questão que ultrapassa os portões da feira. O governo de Mailza precisa demonstrar que a urgência não substituiu a competição, que as relações políticas não conduziram as escolhas e que os R$ 22 milhões chegarão aos serviços anunciados por preços compatíveis.

O pastor Reginaldo Ferreira não encerra essa história. Ele personifica a pergunta que atravessa o caso: até onde termina a convivência legítima entre governo, partido, igrejas e organizações sociais, e onde começa a obrigação de erguer barreiras claras entre proximidade política e decisão administrativa? A resposta não virá de sobrenomes, fotografias ou agendas religiosas. Virá dos protocolos da Casa Civil, dos planos de trabalho, das contas bancárias, dos contratos com fornecedores e da fiscalização do Tribunal de Contas.

Chico Melo e Rogério Wenceslau denunciam ameaça de prisão arbitrária 

Os jornalistas Rogério Wenceslau e Chico Melo denunciaram, durante o Jornal da Manhã desta sexta-feira, 17 de julho, terem sido ameaçados de prisão por uma pessoa ligada ao alto escalão do Governo do Acre. A acusação foi feita ao vivo, nos estúdios da Rádio Integração FM, em Cruzeiro do Sul, depois de semanas de confronto público entre os comunicadores e integrantes do grupo político da governadora Mailza Cameli. Os dois afirmaram que a tentativa de intimidação estaria relacionada às reportagens e aos comentários sobre gastos públicos, relações políticas e contratos do governo estadual.

Rogério Wenceslau foi o primeiro a tratar diretamente da ameaça. Analista político e integrante da bancada conduzida por Chico Melo, ele afirmou que uma pessoa do alto escalão teria dito, durante uma reunião fechada, que mandaria prender os profissionais do Jornal da Manhã. Wenceslau também acusou o interlocutor, sem revelar o nome, de afirmar que teria controle sobre a Polícia Civil e de manter delegado atuando como segurança particular. 

Diante do microfone, Rogério transformou o estúdio em endereço público. Disse que trabalha na Rádio Integração de segunda a sexta-feira, das 7h às 9h, e que qualquer autoridade interessada em encontrá-lo saberia onde procurar. “Esse é o meu endereço. Não vou dar o endereço da minha casa, porque não interessa, mas aqui é o nosso local de trabalho”, afirmou. A frase colocou a denúncia no terreno concreto de quem não teme a intimidação e não se esconde.

Chico Melo assumiu a palavra em seguida. Apresentador do Jornal da Manhã e diretor do Grupo Integração, ele respondeu em nome da emissora e elevou o tom contra qualquer tentativa de intimidação e o uso de instituições públicas para resolver disputas políticas ou pessoais. “Antes de mandar prender, cuidado para não ser preso. O que vale para sorrir vale para chorar”, declarou. Chico afirmou que a Polícia Civil pertence ao Estado e não pode ser tratada como propriedade particular de autoridades ou grupos políticos.

A direção do Grupo Integração começou a reunir mensagens, relatos e outros materiais para encaminhar uma denúncia às autoridades. Chico contou que recebeu recados pelo telefone e pelas redes sociais e que Rogério Wenceslau também teria sido procurado. O objetivo, afirmou, é tornar públicas as pressões que estariam sendo feitas contra os jornalistas e impedir que o caso permaneça restrito aos bastidores do poder.

A tensão cresceu depois que uma publicação de 24 de junho informou que advogados do Estado, com orientação do chefe do gabinete Madson Cameli e da governadora Mailza Cameli, preparavam uma ação judicial contra Chico Melo e Rogério Wenceslau. No encerramento do programa desta sexta-feira, Chico e Rogério voltaram a cobrar as provas da suposta tentativa de extorsão. Os dois lembraram que haviam estabelecido um prazo público de 15 dias para que fossem apresentados registros, mensagens, gravações ou qualquer elemento capaz de sustentar a acusação. “Se divulgar dados e fatos foi isso, eu não sei mais o que é jornalismo”, declarou Chico. A negativa dos jornalistas foi direta: eles afirmaram que não pediram dinheiro para interromper a cobertura e que as publicações fazem parte do trabalho de fiscalização da imprensa.

No centro da disputa também estão os gastos da Expoacre Juruá 2026. O Integração Net publicou uma apuração sobre o Termo de Colaboração CC/SECC nº 01/2026, firmado entre a Casa Civil e a Associação Transformar. O plano destinou R$ 15,8 milhões à organização da feira, incluindo contratação de artistas, transporte aéreo, montagem de estruturas, segurança, divulgação, alimentação e despesas administrativas.

A Associação Transformar declarou no plano de trabalho possuir duas salas, um banheiro, dois computadores e um telefone celular. A equipe permanente era formada por presidente, secretária e tesoureiro. Essa estrutura reduzida passou a ser usada pelos jornalistas como ponto de cobrança sobre a capacidade da entidade para administrar um orçamento milionário. Eles também levantaram suspeitas sobre a proximidade política da associação com integrantes do grupo de Mailza Cameli. 

O confronto deixou de ser apenas entre governo e imprensa, agora ganha contornos de ameaças graves de prisão e de uso político da estrutura do Estado contra jornalistas.

Associação que recebeu milhões por Expoacre acumula elos políticos com núcleo da governadora Mailza

Entidade recebeu R$ 15,8 milhões da Casa Civil para executar a Expoacre Juruá após ser beneficiada por R$ 1,34 milhão em emendas do irmão da coordenadora da feira

A Associação Transformar recebeu R$ 15.848.310 da Casa Civil do Acre para executar a Expoacre Juruá 2026 depois de ter sido beneficiada com R$ 1.347.431 em emendas apresentadas pelo vereador de Rio Branco Moacir Júnior. O parlamentar é irmão de Taiane Santos, ex-diretora técnica da Casa Civil e então coordenadora-geral da feira. A relação familiar aproxima a entidade de dois integrantes de um mesmo núcleo político ligado ao governo da governadora Mailza Cameli.

O repasse para a Expoacre Juruá foi feito em 29 de junho, por meio do Termo de Colaboração CC nº 01/2026. A Associação Transformar ficou responsável pela gestão, coordenação operacional, organização, contratações e execução financeira do evento. Taiane conduziu a coordenação institucional dentro da Casa Civil e representou o governo durante a preparação e a realização da feira.

Meses antes da parceria estadual, o irmão dela havia destinado duas emendas municipais à associação. A primeira, no valor de R$ 696.431, previa ações de saúde nas comunidades. A segunda reservava R$ 651 mil para atividades esportivas, educacionais e de capacitação. As duas somaram R$ 1.347.431 para o mesmo CNPJ posteriormente escolhido pela Casa Civil para administrar quase R$ 15,9 milhões na Expoacre Juruá.

Nos registros das emendas individuais previstas no orçamento de Rio Branco para 2026, Moacir foi o único vereador da capital a destinar recursos diretamente à Associação Transformar. O elo documentado está na presença da mesma associação em decisões financeiras ligadas aos dois irmãos: as emendas municipais apresentadas por Moacir e a feira estadual coordenada por Taiane.

A entidade já mantinha contratos com o Governo do Acre antes de assumir a Expoacre Juruá. Em 29 de abril, a Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia pagou R$ 681.503,29 para a realização das comemorações do Dia do Trabalhador em Rio Branco. Na mesma data, repassou outros R$ 914 mil para as festividades em Cruzeiro do Sul.

Com o pagamento da Expoacre Juruá, a Associação Transformar recebeu R$ 17.443.813,29 do governo estadual em um intervalo de dois meses. Os três valores foram empenhados, liquidados e pagos.

A aproximação da entidade com o poder público ocorreu em meio a mudanças internas. Em dezembro de 2025, Carlos Henrique Oliveira do Nascimento passou a ocupar a presidência da associação. No mês seguinte, a organização apareceu no orçamento de Rio Branco como beneficiária das duas emendas de Moacir Júnior. Entre abril e junho, recebeu os três repasses do Governo do Acre.

O histórico do CNPJ acrescenta outra questão à parceria. Criada em 2020 como Federação de Futebol de Travinha do Acre, a organização era presidida por Elliton Damasceno Batista e atuava na promoção de atividades esportivas. Em documentos apresentados à Assembleia Legislativa em 2024, ainda se identificava como uma federação voltada à realização de campeonatos de futebol de travinha.

Posteriormente, o mesmo CNPJ passou a usar o nome Associação Transformar, ampliou suas finalidades e começou a administrar contratos públicos para eventos de grande porte. A alteração antecedeu a entrada da entidade em uma sequência de parcerias milionárias com o Estado.

Os registros públicos formam uma ligação objetiva: uma associação beneficiada por emendas do irmão da coordenadora da Expoacre Juruá recebeu, meses depois, R$ 15,8 milhões da Casa Civil para executar o evento comandado por ela. É essa proximidade entre recursos públicos, relações familiares e decisões administrativas que exige transparência.

No Jornal da Manhã, Alan Rick reage a ações judiciais, promete ampliar pré-campanha

O senador Alan Rick afirmou nesta sexta-feira, 10 de julho, durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, que não reduzirá suas movimentações políticas pelo Acre após ser alvo de novas ações eleitorais relacionadas à pré-campanha ao governo. Filiado ao Republicanos, ele classificou as representações como tentativas de intimidação, prometeu ampliar as agendas nos municípios e confirmou para 25 de julho, em Rio Branco, a convenção partidária que deverá oficializar sua candidatura e definir o nome do vice.

A reação ocorreu após questionamentos judiciais apresentados contra atos políticos realizados pelo senador, entre eles a agenda em Cruzeiro do Sul que marcou a adesão do prefeito Zequinha Lima ao seu grupo. Alan Rick disse que os processos não mudarão o ritmo da pré-campanha e sustentou que as ações serão derrubadas pela Justiça Eleitoral.

“Eles tentam nos intimidar para que a gente não faça as mobilizações políticas nos municípios. Sabe o que eu vou fazer? Eu vou é aumentar. Aí é que nós vamos fazer mais movimentos ainda”, declarou. O senador afirmou que as representações buscam impedir reuniões, desestimular novas adesões e limitar sua presença nas cidades acreanas.

O parlamentar também acusou o governo estadual de usar a estrutura pública em atos políticos, embora não tenha apresentado, durante a entrevista, documentos ou detalhes que permitissem comprovar a acusação. “O governo usa descaradamente a máquina para fazer campanha antecipada”, disse. As declarações fazem parte do confronto político que ganhou força depois da aproximação entre Alan Rick e Zequinha Lima, prefeito da segunda maior cidade do Acre.

Ao tratar da administração estadual, o senador disse que poderá encontrar um Acre em situação financeira e administrativa grave caso seja eleito. Citou o déficit da Previdência, a falta de atualização dos planos de carreira dos servidores e supostas irregularidades na folha de pagamento. Alan Rick afirmou que denúncias estão sendo encaminhadas aos órgãos de controle, mas não identificou os servidores ou gestores envolvidos nem apresentou provas durante a conversa.

“Nós temos várias denúncias de folha de pagamento fantasma nesse governo, de gente que recebe sem trabalhar e repassa dinheiro para pessoas do governo. Todas essas denúncias estão sendo feitas e estamos entregando nas mãos dos órgãos de controle”, afirmou. Por se tratar de uma acusação ainda sem comprovação pública apresentada na entrevista, caberá às instituições responsáveis apurar os fatos e garantir o direito de defesa aos citados.

A imagem usada pelo senador para descrever o estado que pretende governar foi a da reconstrução. Ele falou sobre produtores isolados por ramais precários, professores à espera de revisão nos planos de carreira e trabalhadores da saúde que acumulam plantões para completar a renda familiar. “O Acre que nós vamos pegar, nós vamos ter que reconstruir”, declarou.

No campo das promessas, Alan Rick disse que pretende manter diálogo com servidores da educação, saúde, segurança pública e sistema penitenciário. Segundo ele, a atualização dos planos de cargos, carreiras e remunerações deverá fazer parte das discussões de um eventual governo. Nenhum prazo, cálculo de impacto financeiro ou fonte de recursos foi apresentado durante a entrevista.

Outro ponto central foi a disputa política pela autoria dos recursos destinados ao viaduto da Avenida Ceará com a Avenida Getúlio Vargas, em Rio Branco. Alan Rick afirmou que, em 2020, quando exercia o mandato de deputado federal, destinou toda a parcela que lhe cabia em uma emenda de bancada para a obra. Ele explicou que as emendas da bancada acreana eram divididas entre os 11 parlamentares, sendo oito deputados federais e três senadores.

Segundo o parlamentar, a indicação inicial foi de R$ 20 milhões, com valor final de aproximadamente R$ 18,7 milhões após os procedimentos administrativos ligados à Caixa Econômica Federal. Alan Rick afirmou que existem despachos da coordenação da bancada, extratos das emendas, registros em vídeo e uma publicação do então governador Gladson Cameli agradecendo pela destinação.

“Foi só o deputado Alan Rick que colocou recurso para o viaduto da Avenida Ceará, porque são repartidas as emendas de bancada em 11 partes, e cada um propõe, apresenta o projeto e coloca o recurso”, disse. Ele reconheceu que as emendas de bancada recebem a assinatura dos parlamentares, mas defendeu que a decisão sobre o destino da parcela partiu de seu gabinete.

Na reta final da entrevista, o senador confirmou que a convenção do Republicanos está planejada para 25 de julho, em Rio Branco. A intenção é antecipar a organização jurídica e financeira da campanha, incluindo a abertura dos registros necessários para as candidaturas. O nome do candidato a vice-governador ainda não foi definido.

“Até lá, nós vamos definir a questão do vice e também das novas adesões que estão vindo. No dia 25 de julho, a gente espera fazer a nossa grande convenção”, afirmou.

Alan Rick encerrou a participação relatando a visita ao juiz aposentado Edinaldo Muniz, ferido no desabamento da ponte de Sena Madureira. Segundo o senador, Muniz já passou por oito cirurgias, ainda deverá enfrentar novos procedimentos e receberá uma placa de titânio no crânio. O parlamentar afirmou que ajudou a família na busca por atendimento hospitalar em São Paulo e manteve contato com Suzete, esposa do magistrado.

Ao comentar o acidente, Alan Rick voltou a responsabilizar politicamente o governo estadual e cobrou investigação sobre a obra. Ele citou um gasto de R$ 45 milhões na ponte e defendeu a punição dos culpados. “Deixa a Justiça investigar, porque os culpados têm que pagar. A gente tem que ter uma resposta para a população”, declarou.

A entrevista reuniu três linhas que deverão acompanhar a campanha de Alan Rick nos próximos meses: o enfrentamento judicial contra ações eleitorais, a tentativa de vincular sua candidatura à ideia de reconstrução administrativa do Acre e a ampliação das alianças municipais. A convenção de 25 de julho será o primeiro teste público dessa estratégia, quando o senador deverá apresentar o vice e transformar a movimentação de pré-campanha em candidatura formal.

Jornal da Manhã em Coluna – 6 de julho de 2026

A coluna desta segunda-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, participação de Gledson Albano e Mazinho Rogério, no primeiro programa após o encerramento da Expoacre Juruá 2026.

Segunda começou com ressaca de feira e temperatura política alta

Cruzeiro do Sul amanheceu nesta segunda-feira, 6, ainda saindo do ritmo da Expoacre Juruá, mas o Jornal da Manhã não ficou preso apenas ao balanço da festa. A feira terminou com show de Leonardo, praça de alimentação cheia, trânsito travado e cidade movimentada, mas a bancada logo puxou a conversa para o ponto mais sensível da semana: dinheiro público, disputa eleitoral e articulação política no Acre.

A imagem da segunda-feira era conhecida por qualquer um que passou pela Arena do Juruá nos últimos dias. Repórter cansado, equipe com sono, comércio ainda fazendo conta, gente tentando voltar para casa e a cidade sentindo aquele vazio que aparece quando o palco apaga. Gledson Albano resumiu a cobertura com a sinceridade de quem passou seis dias gastando bateria no meio do povo. A festa movimentou Cruzeiro do Sul, levou multidão ao parque de exposições e colocou a economia local para girar.

Expoacre movimentou a cidade inteira

O superintendente do Sebrae, Marcos Lameira, avaliou a Expoacre Juruá como positiva e projetou números acima do ano passado. A feira lotou a praça de alimentação, atraiu público de todas as idades e fez o trânsito de Cruzeiro do Sul viver cenas raras, com filas quilométricas na chegada e na saída da Arena.

No domingo, Leonardo fechou a programação com um show que atravessou gerações. Muita gente cantou as músicas antigas, casais dançaram agarrados, famílias circularam pela feira e vendedores trabalharam no limite. A Expoacre, quando funciona, não fica dentro do parque. Ela alcança restaurante, hotel, posto de combustível, aplicativo, mototaxista, vendedor ambulante e pequeno comerciante.

Feira também virou palco eleitoral

A Expoacre Juruá não foi apenas festa. Virou vitrine política. Mailza Assis apareceu no camarote, Alan Rick também passou por Cruzeiro do Sul, Tião Bocalom participou do evento e Jorge Viana circulou pela arena, onde encontrou Leonardo e recebeu do cantor um abraço de velha intimidade. No meio da música e do movimento, cada presença carregava uma leitura de campanha.

A feira mostrou que os principais pré-candidatos ao governo sabem que o Juruá será território decisivo. Em ano eleitoral, ninguém aparece por acaso em evento de multidão. Cada aperto de mão, cada foto e cada conversa no camarote entra na conta da disputa.

Secretaria de Indústria entra na mira

O ponto mais duro do programa veio com os gastos da Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre. A bancada levou ao ar a informação de que a pasta pagou R$ 63 milhões em eventos, número que abriu uma pergunta direta: a secretaria existe para desenvolver a indústria acreana ou para bancar festa?

A cobrança ganhou força depois da manifestação da conselheira Naluh Gouveia, do Tribunal de Contas do Estado, no julgamento que manteve suspensos pagamentos ligados à Festa do Trabalhador, realizada pelo governo em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com shows de Tierry e Joelma. Os contratos foram firmados pela Secretaria de Indústria com a Associação Transformar e passam de R$ 4,8 milhões.

O TCE manteve o bloqueio porque ainda vê problemas no processo, como falta de pesquisa de preço, dúvidas sobre a capacidade técnica da entidade contratada e falhas de transparência. A Procuradoria-Geral do Estado tentou liberar os pagamentos sob o argumento de que os eventos já tinham ocorrido e fornecedores poderiam ser prejudicados, mas a maioria dos conselheiros decidiu aguardar nova análise técnica.

“Valores imensos para shows”

A fala de Naluh Gouveia entrou no Jornal da Manhã como uma das frases mais fortes da semana. “Valores imensos para shows que a pessoa vem aqui, canta e vai embora, e não fica nada com nosso estado. Nada. Então isso é um absurdo”, disse a conselheira, ao defender que o papel do Tribunal de Contas é proteger o dinheiro público.

A conselheira também criticou a postura da Procuradoria-Geral do Estado e levou a discussão para o campo das prioridades. Falou de creche, emprego, trabalho e da opção recorrente por festas enquanto artistas locais seguem sem perspectiva. A frase mexe com o ponto que a política costuma evitar: quem paga a conta quando o governo prefere palco a serviço público?

Expoacre também entrou na conta dos gastos

A discussão sobre eventos não parou na Festa do Trabalhador. O Jornal da Manhã também tratou dos valores ligados à Expoacre no histórico de pagamentos da Secretaria de Indústria. O levantamento citado no programa aponta R$ 47,1 milhões em despesas que trazem Expoacre no histórico dos empenhos. Desse total, R$ 33,7 milhões aparecem vinculados diretamente à Expoacre Juruá.

Os repasses se concentram principalmente em 2024 e 2025. Entre os maiores beneficiários citados no programa estão a Casa da Amizade, com R$ 35,7 milhões, e uma associação comercial e empresarial de Cruzeiro do Sul, com R$ 11,3 milhões em despesas descritas como estruturação de feira de negócios e promoção de eventos com atrações nacionais.

A pergunta feita na bancada ficou no ar: qual é a prioridade? O Acre ainda convive com problemas de saneamento, moradia e famílias vivendo em áreas de risco. A crítica foi direta ao governo, que, na avaliação do programa, não entregou casas populares próprias enquanto ampliou gastos com eventos.

Governo sob pressão de dentro e de fora

Rogério Wenceslau ampliou a análise e disse que o problema não está apenas no governo. Para ele, instituições com obrigação de fiscalizar também precisam responder. Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas e Ministério Público foram chamados à responsabilidade dentro do debate sobre gastos públicos.

O comentário expôs uma leitura política que vem se repetindo no Jornal da Manhã: a gestão de Mailza Assis enfrenta desgaste não apenas por decisões administrativas, mas pela perda de controle da narrativa. A bancada afirmou que parte das informações chega de dentro do próprio governo, por servidores e aliados insatisfeitos que não querem romper publicamente, mas ajudam a alimentar a crise nos bastidores.

Viaduto da Avenida Ceará abriu nova frente contra Alan Rick

Outro foco da manhã foi a disputa entre a governadora Mailza Assis e o senador Alan Rick em torno do viaduto da Avenida Ceará, em Rio Branco. Mailza afirmou que a obra foi feita com emenda de bancada e não por emenda exclusiva do senador. A fala abriu nova frente de desgaste justamente entre dois nomes que caminham para se enfrentar na eleição ao governo.

A bancada afirmou que Alan Rick apresentou documento para sustentar que destinou sua parte da emenda de bancada à obra. Rogério explicou que, desde 2019, as emendas de bancada passaram a ser divididas em partes para contemplar as indicações dos 11 parlamentares federais do Acre, sendo oito deputados federais e três senadores. Nessa lógica, a parte destinada por Alan Rick ao viaduto seria dele, ainda que o recurso apareça formalmente como emenda de bancada.

O programa também lembrou postagem antiga de Gladson Cameli agradecendo a Alan Rick por emenda de R$ 20 milhões destinada ao projeto. A leitura da bancada foi que a discussão poderia ter sido evitada. A obra está pronta, serve ao povo de Rio Branco e deveria render reconhecimento a quem participou da construção do recurso, não disputa por placa.

A ausência de Gladson no comando político pesa

Mazinho Rogério entrou no debate para dizer que Gladson Cameli faz falta na articulação política. A avaliação da bancada foi que o ex-governador tinha trato, carisma e capacidade de manter aliados por perto, mesmo em meio a problemas administrativos.

A comparação atingiu diretamente Mailza. Para Rogério, a governadora não firmou uma relação direta com aliados, terceirizou conversas e deixou acordos nas mãos do marido e chefe de gabinete, Madson Cameli. Em política, quem procura o governo quer falar com quem tem a caneta. Quando isso não acontece, a aliança perde segurança.

Pesquisa Delta acende alerta no Palácio

A pesquisa do Instituto Delta, realizada entre 27 e 30 de junho, também entrou na mesa. No cenário estimulado para o governo, Alan Rick aparece com 41,25%. Tião Bocalom vem em seguida com 19,5%. Mailza Assis aparece com 19,25%, tecnicamente encostada em Bocalom, mas atrás no número direto. O candidato do PSB, Thor Dantas, aparece com 2,5%.

A leitura política da bancada foi dura para a governadora. Mailza, mesmo no exercício do governo, aparece em terceiro lugar faltando pouco tempo para a eleição. A crítica não ficou apenas nos números. O programa atribuiu o desempenho a uma articulação travada, falta de diálogo, ausência de um núcleo experiente e dificuldade de transformar o comando do Palácio Rio Branco em força eleitoral.

Prefeitos podem deixar o barco

O Jornal da Manhã também levou ao ar a informação de que novos aliados podem deixar o grupo de Mailza ainda esta semana. O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, já anunciou apoio a Alan Rick. Segundo a bancada, outros prefeitos do Juruá estariam próximos de seguir o mesmo caminho.

A leitura é simples e dura: quando a eleição se aproxima, prefeito olha para pesquisa, estrutura e perspectiva de vitória. Ninguém quer carregar sozinho o desgaste de um governo que perdeu tração. No interior, onde a política passa por ramal, posto de saúde, escola e máquina na estrada, a troca de lado costuma acontecer antes do discurso público.

PL pode mudar de direção

A conversa sobre alianças também chegou ao senador Márcio Bittar. Na semana passada, em entrevista ao Jornal da Manhã, ele já havia deixado no ar desconforto com a relação entre o PL e o governo Mailza. A frase lembrada pela bancada foi de que “parece que não querem o PL por lá”.

Depois, Bittar apareceu em vídeo com Zequinha Lima durante o jogo do Brasil. O prefeito lançou a provocação sobre o PL estar junto, e o senador respondeu: “já estamos juntos”. Para Rogério, a frase não fecha a mudança, mas deixa a porta aberta. O casamento com o governo, nas palavras usadas no programa, parece manco por falta de reciprocidade.

MDB perdeu força por excesso de cálculo

O MDB também entrou na conta. Primeiro, o nome de Jéssica Sales apareceu como possível vice. Depois, surgiu a versão de que o ex-prefeito Wagner Sales poderia ser vice de Mailza. O secretário de Governo, Luiz Calixto, veio a público negar a informação e chamou a conversa de fake news.

A análise da bancada foi que o MDB se colocou num leilão político prolongado e acabou perdendo credibilidade. Quando a legenda fala uma coisa em um dia, muda no outro e volta atrás depois, fica difícil saber onde termina a estratégia e onde começa a barganha. Para o Jornal da Manhã, só a ata da convenção vai dizer com segurança para onde o MDB vai.

Onze vereadores na sinuca

A pergunta mais local, e talvez a mais incômoda para Cruzeiro do Sul, ficou para os vereadores. O programa afirmou que pelo menos 11 vereadores ainda não se declararam depois do apoio de Zequinha Lima a Alan Rick. A dúvida é para onde esse grupo vai: fica com o governo estadual ou acompanha o prefeito?

A situação é delicada porque, segundo a bancada, vereadores têm cargos indicados tanto no governo quanto na prefeitura. O prazo para exonerações e nomeações antes da eleição já venceu, o que limita movimentos administrativos, mas não resolve o problema político. Houve reunião fechada em Cruzeiro do Sul com integrantes do governo cobrando posição dos vereadores. Agora, quem ficou calado terá que escolher lado.

Senado também entrou na roda

A pesquisa para o Senado apareceu com Márcio Bittar na liderança. No cenário comentado no programa, Bittar tem 19,12%, Gladson Cameli aparece com 17% e Jorge Viana com 16%. Depois vêm Mara Rocha, com 12,9%, Sérgio Petecão, com 8,5%, Eduardo Velloso, com 7,6%, Nasser Moreira, com 1,7%, e Júnior Feitosa, com 1,6%.

A bancada questionou a presença de Gladson nas pesquisas por causa da situação jurídica do ex-governador. A leitura feita no programa é que, sem ele no cenário, Márcio Bittar e Jorge Viana passam a ocupar o centro da corrida ao Senado. É uma disputa ainda aberta, mas com um detalhe importante: os números publicados contam apenas parte da história. As pesquisas internas, aquelas que os grupos guardam para consumo próprio, podem estar mostrando um ambiente diferente do que aparece na vitrine.

Bocalom ironiza pesquisas

Tião Bocalom também apareceu no encerramento da análise política. A bancada lembrou uma frase atribuída ao prefeito de Rio Branco: soltem ele numa esquina e soltem os outros candidatos em outra para ver quem tem mais força na rua. O recado mira as pesquisas, que Bocalom costuma tratar com desconfiança.

Essa é uma disputa que mistura número e presença. Alan Rick lidera com folga no levantamento citado, Mailza tenta segurar o governo, Bocalom aposta no contato direto e Jorge Viana trabalha para reconstruir pontes no interior. A Expoacre Juruá mostrou esse tabuleiro ao vivo, no meio do povo, sem precisar de comício formal.

Jornal da Manhã em Coluna – 2 de julho de 2026

A coluna desta quinta-feira reúne bastidores, comentários e informações levadas ao ar no Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM 99,9, apresentado por Chico Melo, com análise política de Rogério Wenceslau, entrevista com o deputado federal Eduardo Velloso e cobertura de Gledson Albano em Cruzeiro do Sul.

Palácio em tremor

A política do Acre amanheceu com barulho de parede rachando no Palácio Rio Branco. Não foi apenas a frase da governadora Mailza Assis chamando Eduardo Velloso de “novo senador” que mexeu no tabuleiro. Foi a frase chegando no mesmo momento em que aliados históricos de Gladson Cameli começam a perder espaço dentro do governo.

Quando a troca acontece em cargo pequeno, o Palácio chama de ajuste. Quando passa pela Casa Civil, pelo Deracre e por nomes ligados ao ex-governador, a palavra muda de tamanho. Já não parece manutenção. Parece rearrumação de poder.

Donadoni fora da costura

A saída de Jonathan Xavier Donadoni da Casa Civil abriu a semana política com uma pergunta difícil de empurrar para debaixo do tapete. A Casa Civil não é uma sala comum. É o lugar onde se costura governo, se destrava nomeação, se conversa com deputado, se escuta prefeito e se segura crise antes que ela vire manchete.

Donadoni era visto como nome herdado da gestão Gladson Cameli. Ao tirá-lo da cadeira, Mailza mexeu numa peça administrativa, mas atingiu um símbolo político. Em governo rachado, símbolo fala alto.

Mário Neto também caiu

Depois de Donadoni, veio Mário Vieira da Silva Neto, o Mário Neto, exonerado da Diretoria de Gestão de Atos Oficiais da Casa Civil. A queda reforçou a leitura de que a mudança não parou no chefe. Alcançou o entorno.

Mário Neto era ligado à engrenagem da Casa Civil e atuava em área sensível da máquina. Quando sai o comandante e depois sai o braço direito, a conversa de bastidor ganha corpo. O governo pode chamar de decisão pontual. A política chama de limpa.

Sula saiu do Deracre

A saída de Sula Ximenes do Deracre pesa mais fora de Rio Branco do que muita gente imagina. No interior, Deracre não é sigla. É ramal aberto, ponte de madeira, bueiro, patrol, máquina chegando antes da chuva e produtor conseguindo tirar a produção do roçado.

Quando a presidente deixa o cargo reclamando de falta de condições para trabalhar, o problema deixa de ser gabinete e vira estrada. No Juruá, o eleitor entende essa linguagem sem precisar de tradução.

Gladson tenta apagar o fogo

Gladson Cameli apareceu na Expoacre Juruá, tirou foto, conversou, circulou e mostrou que ainda tem força de rua. Esse é o ponto que incomoda adversários e aliados: mesmo ferido juridicamente, Gladson continua carregando presença popular.

A cena é conhecida no Acre. O processo corre em Brasília, a política corre na rua e o eleitor olha as duas coisas ao mesmo tempo. Gladson sabe disso. Por isso aparece. Quem some, perde antes de pedir voto.

Avião no chão

O avião PT-WGK, registrado em nome de Gladson Cameli, voltou ao centro da Operação Ptolomeu após informação de nova apreensão pela Polícia Federal em Cruzeiro do Sul, por ordem atribuída à ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça.

A imagem do avião parado no aeroporto tem força política própria. Num Acre em que deslocamento aéreo, poder e dinheiro público sempre rendem conversa, uma aeronave sob restrição judicial vira mais que patrimônio. Vira fotografia de crise.

Frase de Mailza virou senha

Quando Mailza chamou Eduardo Velloso de “novo senador”, a frase saiu do protocolo e entrou no cálculo eleitoral. Pode ter sido gentileza. Pode ter sido lapso. Pode ter sido recado. O problema é que, em ano de montagem de chapa, ninguém ouve frase solta.

A pergunta que ficou no estúdio foi direta: se Velloso entra na disputa ao Senado pelo campo da governadora, quem perde espaço? Gladson? Márcio Bittar? Outro nome da base? No Acre, duas vagas parecem muitas até o momento em que todos querem sentar nelas.

Velloso não fugiu

Eduardo Velloso foi ao Jornal da Manhã no dia em que muitos prefeririam agenda longe de microfone. Isso conta. Política também se mede pela disposição de responder quando a pergunta vem sem anestesia.

Velloso não fechou a equação da chapa, mas deixou claro que está se movimentando. Falou como pré-candidato, defendeu entregas na saúde, valorizou o Juruá e tentou transformar a frase de Mailza em empurrão, não em armadilha.

Saúde como palanque

Velloso escolheu a saúde como território político. Falou de ressonância, cardiologia, oftalmologia, mutirões, emendas e atendimento nos municípios isolados. É uma escolha esperta porque, no Juruá, saúde não é tema abstrato. É madrugada na estrada, espera por exame, família fazendo vaquinha, paciente tentando chegar vivo a Rio Branco.

Quando o deputado diz que a maior dor das pessoas é a saúde, não está apenas descrevendo um problema. Está escolhendo o lugar de onde quer falar com o eleitor.

Clodoaldo virou fiador

O deputado estadual Clodoaldo Rodrigues apareceu ao lado de Velloso como mais que convidado. Entrou como fiador político da relação do deputado federal com Cruzeiro do Sul e com o Juruá.

Clodoaldo disse que encontrou em Velloso um parceiro para tocar demandas do mandato. Em política local, isso pesa. Deputado estadual precisa de estrada, prédio, ambulância, iluminação, entidade atendida e recurso chegando. Sem isso, discurso fica sem chão.

Delcimar na mesa

O momento mais forte da entrevista veio quando Velloso convidou Delcimar Leite, vice-prefeita de Cruzeiro do Sul e mulher de Clodoaldo Rodrigues, para ser sua primeira suplente ao Senado.

O convite foi feito ao vivo, sem Delcimar no estúdio. Clodoaldo respondeu com cautela e lembrou que a decisão cabe a ela. A cena, porém, já fez o serviço político. Velloso mostrou que não está apenas pensando em candidatura. Está começando a montar chapa.

Juruá como base

Escolher Delcimar não é detalhe. Ela ocupa a vice-prefeitura de Cruzeiro do Sul, segundo maior colégio eleitoral do Acre, e tem ligação direta com uma região que costuma cobrar presença antes de entregar voto.

Velloso está tentando amarrar saúde, emenda, prefeitura, mandato estadual e identidade regional no mesmo pacote. É um movimento claro: transformar o Juruá em base de largada para uma disputa majoritária.

Peru entrou na conversa

Velloso também levou para o rádio a defesa da ligação com o Peru, especialmente por Pucallpa. Falou de rota mais barata, comércio, interesse asiático e presença de autoridades peruanas na ExpoJuruá.

A pauta parece distante para quem olha só a briga eleitoral, mas não é. O Juruá vive o isolamento no preço do frete, no custo do combustível, na dificuldade de vender e comprar. Quando alguém fala em saída pelo Pacífico, está falando com o comerciante, o produtor e o jovem que quer ver a região deixar de ser fim de linha.

Madson e Ney no radar

Nos bastidores, Madson Cameli e Ney Amorim aparecem como nomes observados na reorganização do governo. Madson, marido da governadora e chefe de gabinete, virou alvo das críticas sobre articulação política. Ney surge como operador chamado para tentar reorganizar uma casa que perdeu escuta.

O problema é que articulação não se resolve só com nome novo entrando na conversa. Governo que deixa prefeito esperando, deputado contrariado e aliado sem resposta começa a perder antes da convenção.

Alan Rick colhe defecções

A ida do prefeito Zequinha Lima para o campo de Alan Rick continua ecoando. No Juruá, Zequinha não é apoio lateral. É prefeito de Cruzeiro do Sul, com presença numa região decisiva.

Quando um prefeito desse tamanho se move, outros observam. Uns por convicção. Outros por sobrevivência. No Acre, debandada raramente começa com barulho. Primeiro vem o silêncio. Depois a foto ao lado do adversário.

Bocalom não quer ser vice

A conversa sobre uma possível aproximação de Mailza com Tião Bocalom entrou no debate com um problema evidente: Bocalom não construiu candidatura ao governo para virar acessório de chapa alheia.

Quem conhece o ex-prefeito de Rio Branco sabe que ele gosta de campanha com o nome dele no centro. Uma composição só faria sentido se entregasse algo maior do que acomodação de última hora. Até aqui, a pergunta segue sem resposta: quem cede primeiro?

Márcio Bittar na conta

A fala de Mailza sobre Velloso também respinga em Márcio Bittar. Se a governadora começa a tratar outro nome como senador, o senador atual precisa medir o tamanho do sinal.

Bittar tem mandato, presença em Brasília e máquina política. Mas 2026 não será eleição de conforto para ninguém. Com Jorge Viana competitivo, Gladson tentando sobreviver juridicamente e Velloso buscando espaço, a disputa ao Senado virou corredor estreito.

Gastos com voos voltam à pista

O Jornal da Manhã também colocou na mesa os gastos do governo do Acre com fretamento de aeronaves descritas como jato, com valores citados acima de R$ 13,5 milhões entre 2023 e 2026, ligados a pagamentos à Ortiz Táxi Aéreo e ao contrato 34/2023.

Esse tipo de dado entra na política com força porque conversa com uma sensação simples do eleitor: enquanto o cidadão espera consulta, estrada e resposta, o governo precisa explicar por que gastar tanto para voar. Número público sem explicação vira munição.

Crítica não é gênero

A bancada também respondeu às acusações de que as críticas ao governo teriam relação com o fato de Mailza ser mulher. O ponto foi colocado de forma direta: a cobrança recai sobre atos administrativos, decisões políticas, gastos públicos e escolhas de governo.

Mulher na política deve ser respeitada. Governadora no poder deve ser cobrada. Uma coisa não anula a outra. Quem ocupa a cadeira principal do Estado entra na vitrine porque suas decisões alcançam a vida de muita gente.

Eleitor fora da bolha

A frase mais importante da manhã talvez não tenha sido sobre cargo, exoneração ou chapa. Foi sobre o eleitor. O governo pode reorganizar gabinete, trocar articulador, apagar incêndio e chamar crise de ajuste. Mas quem decide a eleição está fora do Palácio.

Está no ramal esperando máquina, na fila da saúde, no comércio pagando frete caro, na feira ouvindo rádio, no carro indo para o trabalho, no Juruá olhando quem aparece e quem só manda recado. No fim, é esse eleitor que vai dizer se a rachadura era pequena ou se o prédio inteiro já estava cedendo.

No Jornal da Manhã, Velloso convida Delcimar Leite para primeira suplência ao Senado

O deputado federal Eduardo Velloso fez nesta quinta-feira, 2, em Cruzeiro do Sul, o movimento mais explícito até agora na montagem de sua pré-campanha ao Senado: convidou Delcimar Leite, vice-prefeita de Cruzeiro do Sul e mulher do deputado estadual Clodoaldo Rodrigues, para ser a primeira suplente em sua chapa. O convite foi feito ao vivo, em primeira mão no Jornal da Manhã, em tom de surpresa, depois de Velloso admitir que havia pedido a Clodoaldo para levar Delcimar ao encontro porque queria fazer o chamado pessoalmente.

“Eu quero fazer um convite aqui. Eu tinha pedido para o Clodoaldo trazer a esposa dele, Delcimar, porque eu queria fazer um convite para ela, para que ela seja a minha primeira suplente. Eu não sei se ela vai aceitar ou não”, disse Velloso, antes de passar a palavra ao deputado estadual.

Delcimar não estava presente no estúdio. Clodoaldo respondeu com cautela e deixou claro que a decisão caberá a ela. “A resposta tem que ser dela”, afirmou. Em seguida, o deputado brincou com a situação, disse que precisaria conversar em casa e evitou aceitar o convite em nome da mulher. A reação arrancou comentários da bancada, que tratou o anúncio como a primeira peça concreta da chapa que Velloso tenta montar para disputar uma vaga no Senado em 2026.

O gesto tem peso político porque Delcimar não é apenas a mulher de Clodoaldo. Ela ocupa a vice-prefeitura de Cruzeiro do Sul, segundo maior colégio eleitoral do Acre, e carrega presença direta no Juruá, região que Velloso tem tratado como base prioritária para seu projeto majoritário. Ao chamá-la para a primeira suplência, o deputado federal tenta amarrar três forças no mesmo movimento: a estrutura municipal de Cruzeiro do Sul, o mandato estadual de Clodoaldo e o eleitorado regional que costuma cobrar presença antes de entregar voto.

A fala também deixa Velloso em posição mais clara na sucessão. Até aqui, ele vinha tratando a candidatura ao Senado como uma construção em andamento, repetindo que sua pré-candidatura está crescendo e que busca diálogo com a população. O convite a Delcimar, no entanto, muda o tom. Ninguém oferece primeira suplência sem estar montando chapa. E ninguém escolhe uma vice-prefeita do Juruá por acaso.

Clodoaldo, que acompanhava Velloso na entrevista, virou personagem central do anúncio. Ele já vinha defendendo publicamente que o deputado federal tem condições de disputar o Senado mesmo fora de uma composição fechada com o governo. Ao ser colocado diante do convite à mulher, preferiu não atropelar Delcimar, mas também não rompeu o clima de aliança. A parceria, que já vinha aparecendo em emendas, agendas e discursos conjuntos, ganhou forma eleitoral.

A primeira suplência ao Senado não é cargo decorativo. Em uma eleição majoritária, ela ajuda a dar musculatura política à chapa, amplia bases regionais e pode virar mandato em caso de licença, renúncia ou afastamento do titular. Foi justamente esse cenário que entrou na conversa depois do convite: se Velloso vencer e, no futuro, deixar o Senado por algum motivo, Delcimar poderia assumir a cadeira.

A resposta definitiva de Delcimar ainda não saiu. Mas o convite foi feito, ao vivo, em primeira mão, diante de Clodoaldo e de uma audiência que acompanhou a pré-campanha sair do campo da especulação para a montagem de chapa. No Acre, esse tipo de gesto raramente acontece por acaso. Velloso escolheu Cruzeiro do Sul para abrir a jogada, escolheu Delcimar para testar a força do Juruá e colocou Clodoaldo diante de uma decisão que pode levar a aliança dos dois para dentro da disputa mais importante de 2026.

Com Clodoaldo ao lado, Velloso mira Senado e promete interior mais perto da saúde

O deputado federal Eduardo Velloso transformou a entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Integração FM, nesta quinta-feira, 2 de julho, em Cruzeiro do Sul, numa largada pública para tentar ocupar espaço na disputa pelo Senado e vender ao Vale do Juruá uma ideia simples: a saúde será o centro do seu discurso, das suas alianças e da sua tentativa de subir de patamar na política acreana. Ao lado do deputado estadual Clodoaldo Rodrigues, Velloso falou de ressonância destravada, cardiologia, oftalmologia, mutirões, emendas, atendimento nos municípios isolados, ligação com o Peru e de uma pré-candidatura que, nas palavras dele, está “cada vez mais crescendo”. A entrevista ganhou peso porque veio um dia depois de a governadora Mailza Assis aparecer em vídeo tratando o parlamentar como “novo senador”, frase que colocou fogo na sucessão de 2026 e obrigou Velloso a responder, no rádio, se já está dentro da chapa governista.

A pergunta veio direta. Chico Melo lembrou que Velloso havia entrado na política depois de uma vida profissional estável, como médico e empresário, e quis saber o que o empurrou para esse caminho. A resposta levou a conversa para o ponto que o deputado escolheu como território político: a dificuldade de atendimento no interior. Velloso citou a ressonância que estava parada, a chegada da cardiologia, a oftalmologia e a rotina de quem vive em Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, cidades que dependem de Cruzeiro do Sul quando a dor passa do limite do que o município consegue resolver. “A maior dor das pessoas é a saúde”, disse o deputado, antes de defender que cada município tenha, pelo menos, ortopedista, cirurgião, anestesista, clínico e pediatra.

Essa frase explica por que a entrevista não ficou presa apenas ao jogo eleitoral. No Juruá, saúde é disputa política porque é também a vida concreta de quem precisa sair de madrugada atrás de consulta, de quem espera exame, de quem sofre acidente em campo de futebol e encontra apenas um raio-x sem especialista para fechar diagnóstico, de quem depende de regulação para Rio Branco quando o problema já não pode esperar. Velloso sabe disso. E, como médico, tenta transformar essa experiência em capital político. Na Câmara dos Deputados, ele aparece oficialmente como Eduardo Ovídio Borges de Velloso Vianna, deputado federal do Acre, filiado ao Solidariedade, médico de formação e integrante titular da Comissão de Saúde em 2026.

O anúncio mais imediato da manhã foi a entrega de 103 óculos para famílias sem condições de comprar, numa ação em parceria com o prefeito Zequinha Lima. Velloso disse que tinha o sonho de levar esse atendimento ao Juruá e creditou ao prefeito de Cruzeiro do Sul a execução da agenda. O deputado também citou a parceria com Clodoaldo, Maria Antônia e “Deda” ao afirmar que mais de R$ 10 milhões foram levados apenas para a saúde de Cruzeiro do Sul. Ele ligou esse dinheiro aos mutirões realizados no município e disse que as ações ajudaram a melhorar o atendimento da população.

Os números oficiais da Câmara reforçam o tamanho da aposta de Velloso na área. Em 2026, aparecem no orçamento R$ 11,8 milhões autorizados para estruturação de unidades de atenção especializada em saúde no Acre e R$ 7,5 milhões para custeio temporário da atenção primária. Também há R$ 13,5 milhões em transferências especiais no Estado. No ano anterior, em 2025, a Câmara registrou R$ 7,9 milhões autorizados, empenhados e pagos para custeio da atenção primária e R$ 11,4 milhões pagos em transferências especiais no Acre.

O que Velloso tentou fazer no rádio foi dar rosto a esses valores. A política de emendas costuma chegar ao eleitor como número solto, difícil de acompanhar, mas no interior ela vira ambulância, reforma, mutirão, exame, cadeira em unidade de saúde, iluminação de campo, apoio a instituição social ou quilômetro de asfalto. Foi nesse ponto que Clodoaldo Rodrigues entrou com força na entrevista. Ele não apareceu apenas como aliado sentado ao lado. Apareceu como fiador da relação de Velloso com Cruzeiro do Sul e com o Juruá.

Clodoaldo, cujo nome completo é Francisco Clodoaldo de Souza Rodrigues, é deputado estadual pelo PP na Assembleia Legislativa do Acre. O cadastro oficial do Sistema de Apoio ao Processo Legislativo registra o parlamentar como filiado ao Progressistas e representante da Aleac. Na entrevista, ele fez questão de dizer que não votou em Velloso para deputado federal em 2022, mas acabou encontrando nele o principal parceiro para tocar demandas do mandato. “Quem é patrocinador? Só tenho o Velloso por enquanto”, disse Clodoaldo, numa frase que mostra tanto a gratidão política quanto a dependência de deputados estaduais em relação a emendas federais para atender suas bases.

Clodoaldo citou recursos para a Delegacia de Cruzeiro do Sul, o Educandário, os bombeiros, a Polícia Militar e outras instituições. Falou ainda de R$ 2,8 milhões destinados em dezembro de 2025 para entidades de Cruzeiro do Sul e para a iluminação do campo da Vila Santa Rosa, pedido ligado à vice-prefeita Delcimar Leite. Depois, ampliou a conta: disse que Velloso colocou R$ 3 milhões em suas mãos para o ramal Mariana de Cima e que o total no Deracre chega a R$ 11 milhões para obras na região do Juruá.

A fala de Clodoaldo também ajudou Velloso a atravessar a parte mais delicada da entrevista: a pergunta sobre Senado. A governadora Mailza Assis havia chamado o deputado de “novo senador”, e a frase foi lida imediatamente como recado sobre a composição da chapa governista. Velloso não cravou lugar na chapa, mas também não recuou. Disse que a pré-candidatura está crescendo e brincou que agora estaria “conquistando o coração” da governadora. Clodoaldo foi mais direto ao defender que Velloso pode ser candidato ao Senado com ou sem a presença formal na chapa de Mailza. Para ele, eleição majoritária tem outro comportamento e o deputado federal já tem condições de disputar.

Essa diferença de tom foi uma das partes mais reveladoras da manhã. Velloso mediu as palavras para não fechar portas. Clodoaldo falou como quem já trabalha a candidatura na rua. O deputado estadual disse que, quando Velloso pensou em disputar o Senado, chegou a aconselhá-lo a buscar a reeleição para a Câmara, mas agora trata o projeto como posto. A avaliação dele tem lógica eleitoral: Velloso entrou no debate com imagem ligada à saúde, circula com entrega concreta no Juruá, mantém interlocução com o governo e tenta ocupar uma vaga num cenário em que a sucessão estadual ainda depende de acordos mal resolvidos entre Mailza, Gladson Cameli, partidos da base e lideranças que querem espaço na majoritária.

A entrevista também atravessou um tema que vai além do Acre e mira a economia regional. Velloso defendeu que o Vale do Juruá pode ser porta de um novo ciclo por causa da ligação com o Peru, especialmente por Pucallpa. Ele falou da presença de autoridades peruanas na ExpoJuruá, entre elas um senador, um governador e representantes daquela região. O argumento do deputado é econômico: uma rota mais barata de transporte atrai quem quer comprar e vender, inclusive mercados asiáticos e a China.

Essa pauta não é detalhe. Quando um deputado fala em saúde no primeiro bloco e em Peru no segundo, ele tenta juntar duas dores antigas do Acre: o isolamento do cidadão diante do serviço público e o isolamento econômico diante dos grandes corredores de comércio. O Juruá conhece os dois problemas. A família que procura atendimento especializado e o comerciante que paga caro pelo frete fazem parte da mesma geografia. Velloso tenta dizer que pode tratar das duas pontas: levar especialista para perto de quem precisa e abrir caminho para que a região deixe de viver como fim de linha.

A presença da médica cardiologista Regiane Velloso, esposa do deputado, deu uma camada concreta ao debate sobre saúde. Ela lembrou que voltou ao Acre em 2006, trabalha como cardiologista na Fundação Hospitalar e ajudou a montar o serviço de alta complexidade em cardiologia, com cateterismo, stent e cirurgia cardíaca. Na entrevista, Regiane disse que, durante a campanha de 2022, percebeu que pacientes do Juruá com infarto não conseguiam chegar a Rio Branco a tempo. A partir daí, nasceu a promessa de levar cardiologia ao Hospital do Juruá. Dois anos depois, segundo ela, o serviço da Hemocárdio já funciona dentro da unidade.

Velloso completou esse ponto com um dado forte: mais de 1.360 procedimentos de coração realizados em Cruzeiro do Sul. Para o deputado, cada procedimento representa vida preservada e deslocamento evitado. Essa é a parte da entrevista com maior capacidade de chegar ao eleitor sem tradução política. Quem já viu um parente enfartar no interior entende a diferença entre ter atendimento perto e depender de viagem para a capital.

No fim, o Jornal da Manhã colocou Velloso diante de três testes ao mesmo tempo. O primeiro foi explicar por que quer o Senado. O segundo foi mostrar o que já entregou. O terceiro foi responder se sua candidatura nasce dentro do projeto de Mailza ou se tem fôlego próprio para sobreviver fora dele. Ele não fechou a equação, mas deixou claro que está em campanha. Falou como pré-candidato, apresentou serviços, chamou aliados para perto, usou a saúde como vitrine e deixou Clodoaldo fazer a defesa mais aberta de seu nome.

A entrevista também mostrou que Clodoaldo quer entregar o mandato com marca própria no Juruá. Ele disse que pode até não ser reeleito, mas desafiou qualquer deputado estadual a provar que colocou mais recursos ou teve mais presença em Cruzeiro do Sul e na região. É uma fala de quem sabe que a disputa de 2026 não será apenas por partido ou palanque. Será por lembrança. Quem levou recurso, quem apareceu, quem atendeu, quem abriu porta e quem sumiu.

Velloso saiu do estúdio com uma frase da governadora nas costas, um aliado estadual ao lado e uma agenda de saúde na mão. Não é pouco. Mas também não resolve tudo. O caminho até o Senado exige mais que mutirão, óculos, emenda e boa entrevista. Exige costura partidária, resistência a crises, capacidade de explicar alianças e, sobretudo, prova de que os recursos anunciados viram serviço permanente. No Juruá, promessa tem prazo curto. O eleitor escuta no rádio pela manhã e cobra na rua no mesmo dia.

Avião de Gladson é alvo de nova apreensão pela PF, diz Leonildo Rosas

O avião PT-WGK, registrado em nome do ex-governador Gladson Cameli, entrou novamente no centro da Operação Ptolomeu nesta quarta-feira, 1, depois que o jornalista Leonildo Rosas afirmou que a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra a aeronave, em Cruzeiro do Sul. A ordem, segundo Leonildo, teria sido expedida pela ministra Nancy Andrighi, do Superior Tribunal de Justiça, e alcançaria um bem que já havia sido tratado pela Procuradoria-Geral da República em pedido de venda antecipada.

No vídeo divulgado, Leonildo disse ter recebido a informação “por uma pipira”, expressão que costuma usar para se referir a fontes de bastidor. Em seguida, afirmou que a aeronave estava sob responsabilidade de Gladson como fiel depositário e teria sido usada em viagem a Cruzeiro do Sul durante a Expoacre Juruá. “A Polícia Federal, na tarde desta quarta-feira, cumpriu o mandado de busca e apreensão emitido pela ministra Nancy Andrighi. Ou seja, o avião que estava como fiel depositário para o Dancinha foi apreendido”, disse o comentarista, usando o apelido pelo qual costuma se referir ao ex-governador.

O avião chegou em Cruzeiro do Sul na terça-feira, 30 de junho

O peso da informação está no histórico PT-WGK. A aeronave aparece na Cautelar Inominada Criminal nº 87/DF, ligada à Operação Ptolomeu, investigação que apura supostos desvios de recursos públicos no Acre. Em manifestação assinada pelo subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos, ainda em 2023, a PGR tratou de medidas cautelares sobre bens atribuídos a Gladson e pediu providências para evitar a perda de valor de patrimônio sob sequestro e indisponibilidade judicial.

No mesmo documento, a PGR identifica o avião como Beech Aircraft 8, matrícula PT-WGK, número de série TH-1644. Peritos da Polícia Federal avaliaram a aeronave em R$ 3.476.000,00 e calcularam desvalorização média de 3,51% nos 12 meses anteriores ao parecer. Com base nesses dados, a Procuradoria pediu ao STJ a alienação antecipada do avião e de cinco veículos ligados ao caso, sob o argumento de que bens móveis exigem manutenção constante, perdem valor com o tempo e podem se deteriorar antes do julgamento definitivo.

A venda antecipada, nesse tipo de medida, não transfere automaticamente o valor ao poder público. O bem é convertido em dinheiro e o montante fica depositado em conta judicial até decisão final. Se a condenação for mantida e houver determinação de ressarcimento, os valores podem ser usados para reparar o dano. Se a medida for revertida, o dinheiro retorna a quem tiver direito reconhecido pela Justiça.

A situação do PT-WGK se soma ao quadro jurídico mais amplo de Gladson. Em 6 de maio de 2026, a Corte Especial do STJ condenou o ex-governador a 25 anos e nove meses de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A decisão também fixou multa, indenização ao Estado do Acre no valor de R$ 11,7 milhões e perda do cargo de governador, embora Gladson já tivesse renunciado ao mandato no mês anterior com a intenção de disputar o Senado.

A maioria dos ministros acompanhou o voto da relatora, Nancy Andrighi, que atribuiu a Gladson posição de comando no esquema investigado pela Operação Ptolomeu. A defesa negou as acusações, contestou a validade das provas e ainda pode recorrer. O próprio Ministério Público Federal, ao tratar da condenação, reconheceu que a decisão não encerra a disputa judicial.

Leonildo também relacionou a suposta apreensão à situação eleitoral do ex-governador. Segundo ele, Gladson apresentou embargos de declaração contra a condenação, mas o recurso não teria sido julgado antes do recesso do STJ. Na avaliação do comentarista, a candidatura ao Senado “subiu ao telhado”, salvo se houver decisão favorável no Supremo Tribunal Federal.

O caso também recupera uma pergunta feita antes pelo Arenga du Acre, antiga página de humor político que havia chamado atenção para a movimentação do PT-WGK. A provocação era direta: “Quem está voando o avião de Gladson?”

A página apontava que a aeronave aparecia em consulta ao Registro Aeronáutico Brasileiro como registrada em nome de Gladson Cameli, com restrição judicial de transferência, e questionava quem estaria pilotando ou autorizando voos recentes. O ponto era objetivo: se o PT-WGK estava no nome do ex-governador, sob restrição judicial, e se Gladson também era investigado em caso relacionado à obtenção de registro de piloto, os registros operacionais da aeronave deveriam esclarecer quem vinha usando o avião.

Com a fala de Leonildo Rosas, a pergunta feita pelo Arenga deixa o terreno da provocação política e ganha densidade jurídica. O PT-WGK passa a reunir, em uma mesma cena, três linhas de desgaste para Gladson: o patrimônio sob vigilância judicial, a condenação imposta pelo STJ e a incerteza sobre seu projeto eleitoral.