Mailza Assis e Gladson Cameli se reúnem em Rio Branco para alinhar agendas e discutir o futuro do Acre

A governadora do Acre, Mailza Assis, e o ex-governador Gladson Cameli se reuniram nesta terça-feira (19), em Rio Branco, para tratar de agendas conjuntas, projetos e dos desafios do estado. O encontro ocorreu em meio às articulações políticas do grupo que comandou o Executivo acreano nos últimos anos e foi apresentado pelos dois como uma conversa voltada ao futuro do Acre e à continuidade de ações de interesse da população.

Após a reunião, Mailza afirmou que teve uma “ótima conversa e alinhamento” ao lado de Gladson, a quem chamou de amigo, ex-governador e pré-candidato ao Senado. Segundo ela, os dois trataram de “agendas conjuntas, projetos importantes e sobre o futuro do nosso Acre, sempre com diálogo, parceria e muito compromisso com a nossa população”.

Gladson também comentou o encontro e disse ter tido uma conversa “muito importante” com a governadora sobre “os caminhos e os desafios do Acre”. Na mensagem publicada depois da reunião, ele afirmou que vê o estado “seguindo firme, com diálogo, responsabilidade e compromisso com as pessoas” e declarou que continuará acompanhando de perto o trabalho do governo.

A reunião reforça a proximidade política entre os dois nomes centrais da atual configuração do poder no Acre. Mailza está no comando do governo estadual, enquanto Gladson, após deixar o cargo, mantém presença ativa no cenário político acreano. O encontro desta terça recoloca os dois lado a lado em um momento de reorganização das alianças e de definição das próximas agendas administrativas e eleitorais no estado.

Ao escolherem o discurso do diálogo, da parceria e da responsabilidade, Mailza e Gladson sinalizam que pretendem manter interlocução direta em torno de pautas do governo e de temas ligados ao desenvolvimento do Acre. Nas manifestações públicas divulgadas após a reunião, ambos associaram a conversa a compromisso com a população e à defesa de projetos considerados estratégicos para o estado.

Gladson Cameli vira réu no Caso Colorado e amplia cerco judicial após condenação no STJ

O governador do Acre, Gladson Cameli, virou réu no Superior Tribunal de Justiça no Inquérito 1.674, conhecido como Caso Colorado, em decisão da Corte Especial tomada em 6 de maio de 2026. A nova ação penal apura fraude à licitação e peculato-desvio no Contrato 067/2021, firmado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Acre com o consórcio liderado pela Construtora Colorado para a duplicação da rodovia AC-405, em obra avaliada em mais de R$ 36 milhões. O avanço do processo abriu uma nova frente criminal contra o chefe do Executivo acreano no mesmo dia em que ele recebeu uma condenação de 25 anos e 9 meses de prisão em outro caso de corrupção.

No voto que embasou o recebimento da denúncia, a ministra Nancy Andrighi descreveu uma estrutura marcada pelo controle familiar e pela simulação de concorrência nas licitações. A investigação sustenta que a Construtora Colorado tinha como “proprietário de fato” Eládio Cameli, pai do governador, enquanto Linker Cameli, primo de Gladson, aparecia apenas como sócio formal. Para a relatora, o material reunido no inquérito aponta interferência direta no resultado do certame. “Há fundados indícios de que Gladson e Eládio direcionaram a concorrência para a vitória da Colorado, frustrando o caráter competitivo”, registrou.

A apuração também reuniu mensagens extraídas de celulares apreendidos na operação. Em um dos diálogos considerados centrais, Gladson cobra o primo sobre o aproveitamento das oportunidades abertas pelo governo e afirma: “Todo mês [eu] tô soltando pacotes de obras, depois não pode é vir dizer que eu não tô avisando”. Os investigadores tratam o conteúdo como peça importante para sustentar a suspeita de proximidade entre o núcleo político e a empresa beneficiada pelos contratos.

Embora o mérito da ação penal tramite no STJ, o Supremo Tribunal Federal já analisou desdobramentos do caso em diferentes momentos. Em 3 de outubro de 2024, o ministro Edson Fachin negou o habeas corpus 228.193, apresentado pela defesa para derrubar as medidas cautelares impostas ao governador. Na decisão, Fachin manteve as restrições ao apontar “fortes indícios de autoria” e afirmar que as provas indicavam a “posição de liderança da organização criminosa” por parte de Gladson Cameli. Em 14 de novembro de 2024, o ministro voltou a rejeitar outro pedido da defesa no HC 248.709/DF, também voltado às cautelares. Já em 14 de abril de 2026, o ministro André Mendonça analisou a Reclamação 93.197/DF e determinou o desentranhamento de alguns Relatórios de Inteligência Financeira, sem suspender o andamento do julgamento.

O novo revés judicial ocorreu no mesmo 6 de maio de 2026 em que Gladson Cameli foi condenado pela Corte Especial do STJ, na Ação Penal 1.076, a 25 anos e 9 meses de prisão em regime inicial fechado. Sob relatoria de Nancy Andrighi, o processo tratou do Caso Murano e resultou em condenação por dispensa indevida de licitação, peculato-desvio, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertencimento a organização criminosa.

Nesse processo, a engrenagem descrita pela acusação girava em torno da contratação da Murano Construções por adesão a uma ata de registro de preços da Secretaria de Infraestrutura. Sem estrutura para atuar no Acre, a empresa teria funcionado como fachada para repassar obras e pagamentos à Construtora Rio Negro, ligada a Gledson Cameli, irmão do governador. O dinheiro desviado, segundo a condenação, percorreu empresas interpostas, entre elas a Seven, até ser usado na compra de uma Toyota Hilux e no pagamento de um apartamento de luxo no condomínio Alameda Jardins, em São Paulo.

Com a abertura de uma nova ação penal no Caso Colorado e a condenação já imposta no Caso Murano, Gladson Cameli passa a enfrentar um dos momentos mais graves de sua trajetória política e jurídica. A condenação colegiada no STJ também produz efeito eleitoral e torna o governador inelegível com base na Lei da Ficha Limpa.

Fotos: Secom/AC

Acre pode ter redução de 4,51% na tarifa de energia elétrica a partir de julho de 2026

Consumidores do Acre poderão ter redução média de 4,51% na tarifa de energia elétrica a partir de julho de 2026, caso a proposta em pauta na Agência Nacional de Energia Elétrica seja confirmada na reunião marcada para terça-feira, 19 de maio. O anúncio foi feito neste sábado, 16 de maio, por Gladson Camelí, que afirmou ter levado o pedido à diretoria da Aneel após acompanhar a discussão sobre o reajuste no estado.

Segundo Camelí, o efeito médio previsto anteriormente era de 11,54% em dezembro, mas a articulação junto à agência resultou na possibilidade de redução para 4,51%. “A partir de julho de 2026, os consumidores acreanos vão ter redução na tarifa de energia elétrica graças a um pedido meu junto à Agência Nacional de Energia Elétrica”, afirmou.

A proposta, de acordo com a manifestação do ex-governador, beneficiaria consumidores de todo o estado e pode aliviar o orçamento das famílias em meio ao peso da conta de luz nas despesas mensais. A definição depende da deliberação do colegiado da Aneel, prevista para 19 de maio.